terça-feira, novembro 29, 2005
Quêde os ministros do STF?!
Segue abaixo post do Sérgio Faria de segunda-feira. Os comentários são do próprio:
Pátria amada de merda. Enquanto o Zedirceu vai virando o jogo com os juízes do STF a $eu favor + Sarney + ACM para livrar sua cara imunda, veja você o que rola na vida real:
SEM JULGAMENTO, IDOSA AGONIZA NA CADEIA
[Gilmar Penteado, da Falha de S. Paulo]
A ex-bóia-fria estende as mãos e começa a apontar, um a um, os calos dos dedos. Quer mostrar que nunca teve medo de trabalho pesado. Antes de terminar, porém, esquece a conta e usa as mãos para comprimir a bolsa de colostomia, em uma tentativa de aliviar a dor. O gesto é um sinal de que a entrevista terá de ser breve. Aos 79 anos, doente terminal de câncer de ovário e de intestino, pesando menos de 40 quilos, Iolanda Figueiral agora se contorce de dor na cama de uma penitenciária em São Paulo, onde aguarda julgamento longe de casa, dos quatro filhos, dos 15 netos e dos 15 bisnetos.
Iolanda é uma das mais de 600 presas da Penitenciária Feminina do Tatuapé, na zona leste da cidade. A acusação: tráfico de drogas, equiparado a um crime hediondo (como um homicídio cometido com crueldade), segundo a legislação penal brasileira. Só que Iolanda é presa provisória - até o julgamento, existe a presunção de inocência - e nega ter cometido o crime. Policiais encontraram 19 pedras de crack - menos de 17 gramas - na sua casa. Ela foi presa com o filho, de 40 anos, há quase quatro meses, na periferia da cidade de Campinas (95 km de São Paulo).
Iolanda afirma que a droga foi jogada na sua casa por um estranho, momentos antes da chegada da polícia ao local. Desde então, o advogado da família, Rodolpho Pettená Filho, e a Pastoral Carcerária, tentam tirar Iolanda da cadeia. Pediram tudo o que era possível: relaxamento da prisão por falta de prova, liberdade provisória em caráter excepcional, indulto humanitário e prisão albergue domiciliar (o preso cumpre a pena em casa).
Iolanda não tem antecedentes criminais, tem residência fixa e vive com a aposentadoria de R$ 300. Mesmo assim, a Justiça negou todos os pedidos.
O juiz José Guilherme Di Rienzo Marrey, da 6ª Vara Criminal de Campinas, citou a lei de crimes hediondos para mantê-la na prisão, apesar de dois pareceres do Ministério Público favoráveis à liberdade provisória em caráter excepcional. A lei proíbe a concessão de liberdade provisória para crimes hediondos ou equiparados, como o tráfico de drogas. O Tribunal de Justiça de São Paulo também negou habeas corpus.
Analfabeta, ex-bóia fria e ex-catadora de papelão, Iolanda balança a cabeça negativamente quando questionada se sabe o que significa essa lei.
Também não sabe dizer quem é Paulo Maluf, ex-governador e ex-prefeito de São Paulo -cinco anos mais novo do que ela -, também preso com o filho, citado pela Pastoral Carcerária no pedido de liberdade de Iolanda: "Seria injusto recusar a liberdade a alguém nessas condições [referindo-se a Iolanda] quando se concedeu liberdade por razões humanitárias ao sr. Paulo Maluf e seu filho, cuja situação [de saúde], com todo respeito, não pode ser considerada pior do que a de dona Iolanda", diz trecho do pedido. "Que perigo ela representa para a sociedade nessas condições?", afirmou Heidi Cerneka, da coordenação feminina da Pastoral Carcerária.
Para o advogado de Iolanda, o Código Penal é aplicado de forma diferenciada para ricos e pobres. "Eu lamento ver isso na nossa Justiça. O Código Penal é um só, mas a Justiça tem dado decisões mais brandas para os réus com mais recursos e decisões mais severas para os com menos recursos", afirmou. "Enquanto os irmãos Cravinhos [que confessaram o assassinato com golpes de barra de ferro do casal Marísia e Manfred von Richthofen] ganharam liberdade, uma pobre senhora está morrendo no cárcere por um crime bem mais leve."
ÚLTIMO PEDIDO
"Eu só quero morrer perto dos meus filhos", afirmou Iolanda, que tenta se manter sentada na cama. Os filhos e netos se revezam para visitá-la todos os domingos. "Toda família está muito indignada com o que está acontecendo. Não há motivos para fazer com que ela sofra assim", afirmou José Pedro de Almeida, 45, um dos filhos da ex-bóia-fria. Mesmo com a dor, Iolanda quer falar. Reclama que não conseguiu ver o outro filho, Carlos Roberto, 40, que sofre de diabetes e hipertensão, preso com ela também sob acusação de tráfico de drogas. "Na audiência [no fórum de Campinas], não me deixaram falar com ele. Nós não somos bichos", afirmou.
Iolanda é, então, vencida pela dor e desaba na cama. Uma funcionária traz um analgésico. A movimentação na enfermaria agita as presas, que perguntam se a ex-bóia-fria está bem. "O que ela pode fazer no crime?", questiona uma detenta. O médico é chamado às pressas. A entrevista é interrompida. Iolanda se despede com um gesto de mão e um sorriso. "Que Deus faça eles terem dó de mim", ainda consegue balbuciar.
segunda-feira, novembro 28, 2005
Notas de segunda-feira
Para pesquisadores da Universidade de Pavia, na Itália, o aumento dos níveis das proteínas chamadas neurotrofinas está ligado aos primeiros rubores do amor. Depois de um ano, os níveis dessas proteínas caem, e o casal vira um par de amigos que vez por outra fazem sexo.
Pierluigi Politi, da equipe de pesquisadores, disse que os resultados do estudo não sugerem que as pessoas não amam mais, apenas trocam o “amor agudo” pelo amor mais estável. Politi acrescenta que "nosso conhecimento da neurobiologia do amor romântico continua limitado" e que mais pesquisas precisam ser feitas. Ah, tá.
Louise Caroline, vice-presidente da UNE e colaboradora do Blog do Noblat, escreveu artigo sobre o aumento do preço das passagens de ônibus no Recife. Assim começava o artigo: "Companheiros e companheiras,...". Parei por ali mesmo.
É divertido constatar que Palocci realmente é o que sobra de governo neste governo. Há horas em que parece que o país inteiro quer acusá-lo de algo, só pra ter o prazer de vê-lo jogando baldes de água nos acusadores. As revistas, os jornais, os adversários e os colegas de governo adoram gente articulada, habilidosa.
E assim o país vai seguindo, nessas azias modorrentas de crise, ponteadas por pílulas de um Engov qualquer, defendido por um ministro que mal consegue pronunciar corretamente o próprio sobrenome.
O julgamento de Saddam Hussein voltou a ser adiado. José Dirceu já se preparava para trocar seus advogados pelos do ex-ditador, quando foi avisado que Sepúlveda Pertence, melhor amigo do seu melhor amigo, o “Kakay”, irá julgá-lo no STF.
Virou polêmica a atitude de um juiz mineiro de mandar soltar assassinos condenados por causa da superlotação das delegacias mineiras. Acho justo, especialmente se o nível dos freqüentadores desses lugares melhorar, as cadeias virarão hotéis de bom nível. A Polinter, por onde já se hospedaram Malufs e Nicolaus, deve ser um brinco.
Ronaldinho ganhou a Bola de Ouro da Fifa. Pois é.
Vídeo que exibe recrutas sendo obrigados a lutar nus choca o país e é enviado ao Ministério da Defesa. As imagens mostram um grupo de jovens sem roupa assistindo a uma briga entre dois homens, também nus, num lamaçal. Em determinado momento, dois outros entram na briga, um vestido de colegial e outro de cirurgião.
Não, não foi no Brasil, mas na Inglaterra. E as oficiais responsáveis pelo trote alegam que também têm suas fantasias de assistir homens nus lutando na lama, vestidos de colegiais e de médicos, ora essa. Qual o problema?!
Notícia do Portal Terra: “Kelly Osbourne nega fim de carreira”. Perguntada sobre seu trabalho como cantora que não canta, a filha de Ozzy se confundiu e rebateu, em meio a palavrões chulos e de baixo calão: “Mentira! Eu tenho muitas carreiras ainda, viu?! Dinheiro nunca foi problema pra mim, e consigo quantas eu quiser a qualquer hora do dia!”
Raica, a modelo eleita a Musa do Verão de 2006, justificadamente se achando, diz que já escolheu com quem vai ficar: o Príncipe William, da Inglaterra. Ronaldo, que num arroubo de romantismo e mau gosto levara a cruzeta humana para a churrascaria Porcão, no Rio, lamenta. Ficou sem a gorduchinha, a bola da Fifa, e sem a magrelinha. Aliás, Ronaldo vem dando até pena, não?
Responda rápido: “O que você faria com dois quilos a mais?”.
quarta-feira, novembro 23, 2005
Direto de um cyber-café que cheira a café.
Depois deste longo tempo de inconstâncias e sumiços, tudo volta ao normal, ou seja, com posts diários sempre que possível (o que será sempre), quem sabe mais de um. O ritmo volta ao normal na segunda-feira.
Peço desculpas aos visitantes insistentes.
Dito isto, vamos lá.
quinta-feira, novembro 10, 2005
Ele não sabia de nada
Chegou à imprensa a notícia de que, na volta de sua viagem a Moscou, Lula teria assistido ao filme Dois Filhos de Francisco a bordo do avião presidencial. Tudo bem, não fosse o detalhe de que o filme só será lançado em DVD em 7 de dezembro, ou seja, o presidente da república, sua assessoria, sua comitiva e seus companheiros compram e assistem a filmes piratas.
A assessoria do presidente ainda não identificou o membro da oposição que teria “plantado” o DVD a bordo do avião oficial, para que o governo passasse por mais esse constrangimento. A cópia pirata do filme – “não oficial”, na língua oficial petista – foi apreendida depois do incidente, a pedido do presidente, visivelmente abalado.
Um repórter, mau-educado que só ele, conseguiu furar a linha de seguranças, deputados e senadores da tropa de choque do presidente e, aos berros, conseguiu fazer uma pergunta ao supremo mandatário do país:
- Presidente, presidente! Como o senhor explica o fato de que assistiu a um filme pirata a bordo do avião presidencial?!
- Veja, é claro que é intolerável o que aconteceu. Veja, eu não posso admitir que uma coisa dessas aconteça no meu governo. Veja, eu estou me sentindo traído, mas não vou citar nomes para não fazer injustiça, mas veja, o que aconteceu a bordo do avião presidencial, que não é meu, é o que vem acontecendo sistematicamente nesse país, meu caro.
- Mas presidente...
- Veja, eu já esclareci a questão. Vamos esperar que o Ministério Público, a Polícia Federal, as três CPIs que estão em andamento e a Justiça Brasileira apontem os culpados. Já respondi sua pergunta, meu caro. Agora você pode me dar licença pra eu tocar o berimbau do meu companheiro, o presidente de Botsuana, que veio me visitar?! Posso?!
segunda-feira, novembro 07, 2005
Notas de segunda-feira
Não sei pra que tanto protesto. Brasília e Bush têm tudo a ver.
Há 11 dias a França vive clima de guerra urbana, com conflitos violentos, incineração de carros e de prédios. É isso que dá uma nação estar desacostumada a ver adolescentes morrerem fugindo da polícia.
A loja Daslu, a Meca das esposas de políticos (que recebem 15 mil reais por mês), está em crise, demitindo e esperando por compradores – não de bolsinhas, mas da loja mesmo. Constata-se que, nessa terra de muro baixo, dentro da lei as coisas minguam. As importações estão paradas, já que agora Eliana Tranchesi precisa declarar o preço real de seus produtos aos fornecedores e à Receita. Vida difícil, essa de empresário honesto nesse país.
Numa dessas perguntaria Juquinha: “Ué, mas a pose de vocês não vinha justamente porque podiam pagar o que ninguém mais podia?”. Ao que Zezinho responderia: “É que tem gente que gosta de esbanjar, Juquinha, mas sem pagar por isso, entendeu?”
A vazante histórica dos rios amazônicos parece ter trazido às ruas todos os ribeirinhos flagelados. Setas, faixas, limites de velocidade, semáforos, pra quê?!
Terá São Judas Tadeu ouvido as preces do time do Flamengo? Ou o santo anda recebendo propina pra favorecer o time carioca?
Arlindo Chináglia, líder do governo no congresso, disse que só falta que a oposição acuse Lula de ter recebido dinheiro de Osama Bin Laden, depois das acusações de ajuda cubana à campanha de 2002. Pelo jeito o presidente Lula ainda não percebeu – oh! – o mau gosto da comparação. Então Fidel, inspiração histórica da cretinice esquerdista brasileira, está no mesmo balaio de Bin Laden?
Depois de Glória Perez qualquer porcaria seria belíssima, comadre.
Lula, oferecendo churrasco na Granja (pegou, pegou?) com o sugestivo nome de Torto a Jesus W. Christ, preparado por um churrasqueiro sul-mato-grossense? Simão Pessoa está certíssimo, esse é o país da piada pronta.
E pergunta enviada por leitor do Tutty Vasques à coluna: “Se um político comer carne infectada por febre aftosa, toda a manada precisará ser sacrificada?” Hum...
sábado, novembro 05, 2005
Bofetada na cara da idiotia
O bom gosto, caetaneado, do avesso, do avesso, do avesso.
Glória Perez, sobre a notícia de que o público brasileiro rejeitaria o beijo gay no final de América:
“Eu sempre me divirto com os invencionismos publicados sobre a minha história. Tipo, quem vai acabar com quem e até participações de certos atores que não irão acontecer, como é o caso de José Mayer. Mas essa história da rejeição me assustou, porque além de ser mentirosa é preconceituosa e perigosa. Se trabalhasse numa emissora careta, uma matéria desse tipo poderia influenciar na decisão da casa. Felizmente, a Globo não é assim e respeita a decisão do autor”.
Bem, o beijo foi cortado do último capítulo. Torce, espera e anseia esse Malfazejo aqui que Dona Glória fique magoada e nunca mais escreva outra novela.
sexta-feira, novembro 04, 2005
O Malfazejo Recomenda
Portishead, ao vivo em Nova Iorque. Assista, equipado com um copo de água, salpicado por pedras de uísque.
quinta-feira, novembro 03, 2005
Cartilha aberta ao povo brasileiro
- Ninguém, sozinho, irá resolver os problemas do país.
- Quando alguém lhe oferecer um presente em época de eleições, aceite. Seu voto não tem nada a ver com isso. Não há como saberem em quem você votou.
- Não se deixe enganar. Políticos não brigam, não ficam de mal, não se desentendem.
- Não se deixe enganar. Políticos não fazem as pazes. Até porque não brigam.
- Prefeitos, governadores e presidentes não fazem leis sozinhos. Quando lhe prometerem mais ônibus, mais segurança e mais saúde, nunca acredite.
- Ruas asfaltadas, médicos nos hospitais e água na torneira não são presentes. Quando um político lhe oferecer essas coisas como presente, pergunte: "por que você não fez isso antes?". É pura obrigação.
- Quando você souber que alguém recebe da prefeitura ou do governo sem trabalhar, denuncie. É o seu dinheiro que está sendo roubado.
- Partidos do Bem não existem, nem partidos do Mal.
- Nunca, nunca mais vote em quem você considera "bem intencionado". Boas intenções não resolvem nada.
- Interesse-se por política, procure saber quem é quem. Você pode ter raiva de políticos, mas, como o voto é obrigatório, faça-me o favor de se interessar. Ou você já passou em vestibular sem estudar?
- Pare de reclamar dos políticos. A culpa não é deles.
- Desconfie, aliás, não vote em quem visivelmente gasta milhões só pra se eleger e ter um salário de 8.000 reais.
- Pare de admirar o poder daquele político ladrão. As mansões, os carrões, os jornais, as empresas e os helicópeteros foram pagos, muito provavelmente, por você.
- Na política não há santos, acostume-se. Vote naquele chato, que fala manso sobre coisas chatas. E lembre-se: são os assuntos chatos os mais importantes.
- Exija a prestação de contas do seu dinheiro. Você não faz isso em casa?
- Denuncie a corrupção, por mais que não valha a pena.
- Política não é moda, festa nem revolução. Não se deixe enganar por patricinhas e playboys que fazem campanha para alguém. Faça o mesmo com líderes estudantis e qualquer outro tipo de revolucionário.
- Políticos recebem até 15.000 reais, em média, por mês, para trabalhar pra você. Ou seja, político que aparenta ter muito mais do que isso é ladrão, como dois mais dois dá quatro. Não vote nessas pessoas.
Continua...
segunda-feira, outubro 31, 2005
Quiz
sábado, outubro 29, 2005
quinta-feira, outubro 27, 2005
Dream team, reunited
Super-herói não identificado – Sr. Delúbio, o senhor foi pressionado pelo PL para repassar dinheiro ao partido?
Delúbio – Vezja, depujztado... eu zjá ezsclareci essjza quesjztão na pergunta antezriorz.
Super-herói não identificado, irritado – Tudo bem, então me explique novamente, por favor.
Delúbio – Vezja, depujztado, eu acrezdito que zjá rejzspondi esszja quesztão...
Zulaiê Cobra (PSDB-SP) – SEU MARRRCOS VALÉRIO, O SENHORRR REPASSOU DINHEIRO, VIVO!, PARA O SENHORRR JACINTO LAMAS???!!!
Marcos Valério – Sim, senhor. Perdão, senhora...
Zulaiê – É SENHORA MESMO, PORRRQUE EU SOU MULHERRR!!!
...risos dos outros super-heróis...
quarta-feira, outubro 26, 2005
Oooohhhhhh!!!
Referendo
'Não' fechou acordo com indústria de arma
26 de Outubro de 2005
A frente parlamentar que defendeu o "Não" no referendo sobre proibição da venda de armas e munição fechou um acordo com duas fábricas do setor para custear a campanha. Conforme reportagem publicada nesta quarta-feira pelo jornal O Estado de S. Paulo, as indústrias Taurus e Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC) concordaram em pagar dívidas deixadas pela campanha do "Não".
O acordo verbal firmado entre representantes da empresa e o deputado Alberto Fraga (PFL-DF), presidente da Frente Parlamentar pelo Direito da Legítima Defesa, ocorreu antes do referendo. Ficou acertado que as empresas não pagariam nada nem divulgariam seu apoio à frente do "Não" até a consulta popular, ocorrida no doming. Depois, contudo, poderiam contribuir com essa frente.
A ajuda viria através da cobertura das dívidas surgidas caso as doações à frente não cobrissem as despesas da campanha. Fraga confirmou a realização do acordo ao Estado. O presidente da frente do "Não" havia repetido várias vezes que sua campanha não aceitaria dinheiro da indústria de armas porque tinha "atuação independente". O caso, porém, não muda o resultado do pleito.
Estelionato - Conforme um ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que não quis ser identificado, o acordo não configura um crime eleitoral; portanto, a vitória do "Não" está assegurada. A prática representa, contudo, quebra de decoro parlamentar por parte de Fraga, algo que o deputado rejeita. "Não tem isso. Não estou nem aí. Minha honra todos conhecem na Casa", disse.
Na frente do "Sim", a informação provocou indignação. O vice-presidente da frente, deputado Raul Jungmann (PPS-PE), disse que Fraga cometeu "estelionato político" e perguntou: "Por que não se colocou isso de público antes? Esconderam a parceria para iludir o público." Ele pode levar o caso à Comissão de Ética da Câmara. As dívidas do "Não" chegariam a 1,1 milhão de reais.
Fonte: Quem diria, Veja on-line
Cleptomaníaca que rouba cleptomaníaca...
Fernando Paulino Neto, do site NoMinimo, faz reportagem sobre um episódio no mínimo irônico. Lucy Mafra, atriz experiente em papéis sem destaque em novelas da Globo, é acusada de roubar R$ 300,00 de Christiane Torloni. Veja a matéria abaixo:
Enfim, célebre
Fernando Paulino Neto
Mas, do nada, Lucy foi colocada no redemoinho de uma fofoca de bastidores da novela “América”, em que interpretava (ou será que ainda interpretará?) quase despercebida Claudete, a vizinha de Islene (Paula Burlamaqui) que cuida de Flor (Bruna Marquesini). Alguém roubou R$ 300 do escaninho de Christiane Torloni, que vive a cleptomaníaca Haydée, nos camarins do Projac, o reino do faz-de-conta da TV Globo. Uma camareira viu Lucy mexendo no escaninho de baixo (o dela) e a chave do armário da Torloni balançando. Foi o que bastou: dentro do Projac, ela passou a ser olhada de modo atravessado. Logo, logo a coisa vazou para os jornais.
Uma colega do “núcleo Vila Isabel”, aquele lugar onde se samba até em cerimônia de casamento, ligou para a colunista da “Folha de S. Paulo”, Mônica Bergamo, e soprou o nome de Lucy. Pronto. Tudo mudou. No sábado, pouco depois do meio-dia, um amigo de Lucy contabilizava cerca de 850 menções a seu nome no Google, o mais famoso site de busca Internet, citando o caso do roubo. Antes, seu nome aparecia de maneira discreta e esparsa, quase sempre como referência a seu trabalho com o grupo teatral carioca Tá na Rua, liderado por Amir Haddad, ou no meio das listas de “elenco de apoio” de novelas e minisséries.
Agora, transformada numa espécie de “campeã de audiência do Google” e citada por todos os sites de fofoca televisiva, Lucy tem pela primeira vez o reconhecimento público. Não tem sido bom para ela. “Outro dia, eu estava no frescão e uma senhora começou a me xingar”, conta. Andando pela Lapa, teve outra surpresa. Um conhecido e vizinho em uma das diversas oficinas de teatro e grupos de trabalho que ocupam sobrados do início do século passado no bairro não teve dúvida: ao vê-la passar em direção à sede do Tá Na Rua, gritou seu nome bem alto, abriu uma mão, fincou um polegar na palma e, com os dedos estendidos, fez um círculo completo no gesto tão característico. Alguns colegas de trabalho também ficaram contra ela. “Teve gente que disse que eu posei nua e que eu fumo maconha, só como forma de me denegrir. Mas sou só eu?” – pergunta a nova celebridade nacional.
Solidariedade punk
Indignada, Lucy desabafa: “Me sinto um deputado do PT. Hoje, no Brasil, estamos com uma tolerância muito baixo ao roubo, todo mundo fica muito zangado. E, mesmo depois que tudo passar, fica o estigma.” É verdade que ela encontrou solidariedade também entre seus companheiros de Globo. Cita Paula Burlamaqui, com quem contracenava na novela, e Renata Sorrah entre as colegas que lhe deram apoio neste momento difícil e confessa: “Se eu tivesse sido flagrada com a mão na mochila de alguém, pedia desculpas, saía de fininho e ia vender artesanato no Chile, porque eu sou uma atriz. E não sei fazer outra coisa”.
Enquanto recebia a reportagem de NoMínimo, no horário do almoço de sábado, Lucy leu uma mensagem de texto em seu celular. Dizia: “E aí, Lucy, você pode me dizer quem é a cleptomaníaca do núcleo Vila Ezabel (assim mesmo) de ‘América’?” E ela conhece o curioso dono do telefone.
Nem tudo é tristeza, porém. Da rua pode vir também a solidariedade. “Eu tava andando pela Lapa, às oito da manhã, e um grupo de punks malucos, virados da noite, gritou pra mim: ‘Tamo contigo!’”. Lucy diz que está tentando “separar o joio do trigo” – ou “os verdadeiros amigos de quem prefere se afastar em um momento ruim”.
Nos primeiros dias do episódio, ela ficou quieta, aguardando uma reação da Globo. “Esperava uma palavra, que me apoiassem, aumentassem meu papel, sei lá, mas eles só falavam para eu desmentir tudo”, afirma. Depois, passou pelo momento de maior tristeza: “Chorei muito, fui me agarrar na saia da minha mãe lá em Volta Redonda. Foi uma maldade que fizeram, minha mãe tem mais de 70 anos, ficou vendo isso tudo e ainda perguntou se eu ia voltar a trabalhar na novela.”.
Foi então que resolveu partir para a ação. Lucy não hesita em afirmar o que pretende tirar de bom de todo este episódio: “Dinheiro.” Para isso, contratou o “advogado das estrelas”, Sylvio Guerra, especializado em processos de artistas contra seus empregadores, jornais e revistas. “Teve um camera man do Faustão que foi zoado no ar, chamado de veado e levou R$ 500 mil do Faustão e R$ 500 mil da Globo. É um Big Brother”, sonha.
Sylvio Guerra entrou com uma interpelação judicial para que a Globo informe se afastou Lucy da novela e, em caso positivo, qual a razão disso, já que ela está bem de saúde e tem contrato em vigência. Dependendo da resposta, ele entrará com uma ação de perdas e danos. Lucy pretende processar também a colega que a entregou à jornalista. Jura que sabe o nome, mas não revela - pelo menos, até buscar reparação na Justiça.
Da Globo para o SBT
A Central Globo de Comunicação informa, por e-mail, que “nunca fez qualquer acusação contra a atriz ou contra quem quer que seja. Lucy Mafra é contratada por obra certa, tem contrato até o fim da novela e o contrato será cumprido. O personagem saiu da trama por razões dramatúrgicas, já que no final da novela personagens de apoio perdem força. A atriz, contudo, continua no elenco, recebendo até o fim do contrato.”
No entanto, Lucy tinha falas previstas nos capítulos 187, 188 e 190, que já foram ao ar, e não foi chamada para gravar. O roteiro com as falas da personagem Claudete nestes capítulos faz parte das provas que Guerra pretende apresentar à Justiça.
Guerra não é um advogado barato. Depois de uma negociação, chegaram no valor mínimo pelo qual ele estaria disposto a defendê-la: R$ 10 mil. Lucy não tinha esse dinheiro. O próprio advogado deu a solução. Depois de uma entrevista coletiva no início da semana passada, no escritório do advogado, Lucy se calou e só voltou a falar no “Programa do Ratinho”, no SBT, na quinta-feira. Pela participação, recebeu um cachê de R$ 10 mil. Entregou tudo ao advogado.
Gostou da experiência. “O Ratinho foi um gentleman. Me respeitou no programa dele. Não teve baixaria”, afirma. Ela aproveitou para pedir, no ar, emprego no SBT. Não é que deu certo? Foi chamada para ficar mais um dia em São Paulo e negociar a mudança. Como seu contrato com a Globo termina no dia 15 de novembro e “não deve haver interesse em renovação”, está propensa a aceitar a proposta da emissora paulista. “Eles me querem. Fiquei famosa”, ironiza.
A atriz nunca se importou de fazer papéis pequenos. “Dava pra tirar um salário decente e me permitia fazer o que mais gosto, que é trabalhar em teatro”, diz. Ela está há 20 anos no Tá Na Rua. E o chefe da trupe, Amir Haddad, afirma categórico: “Aqui, nesse tempo todo, ela nunca roubou nada.” Amir conheceu Lucy na época em que ela apareceu no “Pasquim” e recorda: “Era uma cover-girl muito bonita e pintava o cabelo. Eu disse a ela: ‘Vem trabalhar comigo que eu quero conhecer a cor do seu cabelo.’ Ela veio e, um tempo depois, me disse: ‘O meu cabelo é esse.’ Lucy é uma pessoa muito interessante.”
Haddad fica apavorado com o que a antiga colaboradora está passando: “O que me assusta é esse linchamento sistemático que a imprensa faz, com base na liberdade de imprensa. Está sempre demolindo. Hoje, tem um linchamento por dia. É uma Imprensa adjetiva e dramática, não é reflexiva. Este modo de tratar as coisas. emocionando e não informando, é a mãe de todas as formas de fascismo.”
Lucy prefere pensar que pode estar desconstruindo tudo para iniciar um novo tempo. “Sou muito apegada a Nossa Senhora Aparecida. Agora que estou fazendo 50 anos, enchi o saco da santa para ela me ajudar no fim do meu contrato com a Globo. Ela deve ter dito: ‘Tá, eu vou ajudar, mas você não está esperando que vá acontecer um milagre.’ Quem sabe, tudo isso não é trabalho de Nossa Senhora e, no fim, vai ficar tudo pra melhor”, diz, sorrindo.
E, logo depois, entristece o semblante e afirma: “Ainda não estou bem”.
terça-feira, outubro 25, 2005
Frente por um Brasil sem Pacifistas
O pacifista, como o vegetariano, o religioso e o vendedor da Herbalife, é acima de tudo um chato. Não há gente mais chata do que alguém que ama a paz, alguém que quer um mundo melhor, sem guerras, sem assaltos e sem bombas caseiras nos estádios. Mas eis as novas, pessoal da paz: não há paz. A paz é a utopia essencial do mundo, e por ela não vale a pena lutar. A paz, essa paz que vocês almejam – mas não perseguem -, é apenas um John Lennon, nu numa cama, tocando uma balada boba qualquer sobre uma chance a ela, a Paz. A paz que vocês almejam – mas não perseguem – é a mais fácil e efêmera de todas, é aquela paz do calçadão carioca, é aquela paz trazida por uma camiseta branca na manhã de domingo. Essa paz, a paz dos sinaizinhos manuais e das faixas penduradas nas sacadas dos apartamentos – protegidos por seguranças armados – é sem valor. A paz dos anti-guerra, a paz dos anti-globalização, a paz dos anti-armas, a paz dos anti-EUA é boba. Boba como um John Lennon, tola como qualquer um que se defina anti-qualquer-coisa. Repilo, repilo veementemente a companhia de ativistas anti-alguma-coisa.
O NÃO venceu. Confesso ter ficado preocupado com o resultado desse referendo. Votei NÃO, mas a vitória do NÃO não deve ser boa coisa, dada a capacidade brasileira de se votar errado. Mas torço, torço para que a violência acabe, para que ninguém mais cheire cocaína, para que a camada de ozônio se recupere, para que Bush assine o Protocolo de Kyoto, para que a China pare de executar cidadãos, para que o gado brasileiro fique curado, para que as galinhas malaias fiquem boas. Torço pra tudo isso. E se um dia decidir agir de alguma forma, vou cobrar o que me tomam à força, e pelo que não recebo nada em troca. Segurança. Segurança pública. Segurança coletiva.
Pacifistas não deviam ficar no país. Têm muito mais trabalho lá fora, onde as tensões são culturais, raciais, étnicas – não há poder público que dê jeito. No Sudão ocorre, nesse momento, um genocídio comparável ao de Ruanda em 1994. Por que os pacifistas brasileiros não vão para lá, fazer a diferença? O Brasil não precisa de paz, precisa de vergonha na cara, de cumprimento de leis. O Brasil não precisa de artistas globais jogando confete nas ruas, precisa ver gente ruim entrar – e ficar – na cadeia. Precisa reverter o quadro das ONGs, onde pouquíssimas existem para fiscalizar e monitorar o comportamento dos políticos e outras centenas ficam no blá-blá-blá da Paz.
Paz não existe. Nem na Islândia, nem da França, nem da Dinamarca. Se eles estão muito melhor, não é por causa de paz, de passeatas nem de campanhas anti-violência. É porque eles cumprem as leis. Diriam os nobres brasileiros, encabulados, então: aí complicou.
segunda-feira, outubro 24, 2005
Cenas de um feriado

Bob Esponja, cachaceiro feito uma esponja, em flagrante embriaguês no feriadão manauara!
Do ótimo Conversa Cruzada.
terça-feira, outubro 18, 2005
Só porque é ele
Sou um democrata. Ribamar, meu ídolo, é do SIM. Ok, ninguém é perfeito (ele é até petista). Mas como sou - ou quero ser - essa metamorfose ambulante, estou disposto a virar a casaca do NÃO para o SIM assim que ouvir o primeiro argumento que valha. Não foi esse, mas vale dar uma conferida. Ei-lo.
SE EU COZINHO, É MEU?
José Ribamar Bessa Freire
16/10/2005 - Diário do Amazonas
O bairro de Aparecida está numa sinuca de bico . Seus moradores, confusos e angustiados, não sabem como enfrentar o referendo popular . Se responderem ‘ não ', contrariam direitos individuais . Se disserem ‘ sim ', abdicam de princípios sagrados e, dessa forma , acabam dando aquilo que o Nêgo Valdir deu: a própria honra . Muitos preferem fugir pela tangente , dizendo: ‘ talvez ', ‘depende', ‘sei lá '. Mas essas alternativas não existem no referendo . Não há meio termo. É ‘ preto ' ou é ‘ branco '. Não tem ‘ cinza '. De todo jeito , a gente se ferra . Com o ‘ sim ', é créu. Com o ‘ não ', é crau. A diferença é apenas de uma mísera vogal?
Manaus viveu drama similar no referendo do peixe que aconteceu há 50 anos . Na época , desnorteado, busquei orientação com tia Eulália. Ela era freira , da Congregação das Adoradoras do Preciosissimo Sangue . Uma santa . Estava mais perto do céu do que eu , pecador empedernido . Quem sabe, a titia podia me iluminar sobre os enigmas do mundo e da vida ? Era domingo , dia de visita ao convento , ali na av. Constantino Nery, bem em frente à igreja de São Geraldo. Cheguei, pedi a benção – benstia – e, à queima roupa , fui logo fazendo a pergunta do referendo do peixe que atormentava, então , os amazonenses .
- Titia , se eu pesco um peixe , se eu cozinho, é meu ?
Minha mãe ralhou: “ Deixa de ser abestado, menino ”. Mas tia Eulália me levou a sério . Não respondeu de chofre . Primeiro , me abençoou: - “ Deus te faça feliz ”. Naquela época , sobrinho pedia benção, tia abençoava e a gente falava “de chofre ”. Hoje , é a maior esculhambação . Minha sobrinha Ana Paula, por exemplo , não me concede sequer a graça do título de ‘ tio ', me trata simplesmente de ‘Beibe', sem qualquer cerimônia . Nunca , nunquinha, me pediu a benção. Essa é mágoa que guardo no fundo do meu coração . Sei que é uma questão familiar , mas preciso compartilhar esse sofrimento com os leitores .
Digo não ao não
Mas onde é mesmo que eu estava? Ah, na titia . Depois de me abençoar , ela coçou a cabeça . Não , pera lá ! Minto! A cena , com certeza , exige uma coçada reflexiva . No entanto , as freiras usavam uma espécie de capacete de plástico , coberto por véu branco , que não deixava coçar a cabeça . Se fosse homem , titia coçaria outra coisa . Acabou mesmo coçando o queixo , enquanto repetia baixinho, quase rezando: “Se eu pesco um peixe , se eu cozinho, é meu ?” Aí , como se descobrisse a pólvora , sentenciou: -“É seu , meu sobrinho . É seu ”. Fez uma pausa e confirmou inapelável : - “ Sim , meu sobrinho , é seu . Indubitavelmente, é seu ”.
Meio século depois , Tia Eulália – a inocente - está morta , mas sua lição orienta o rumo que devo tomar nesse plebiscito nacional sobre o desarmamento , cuja pergunta também é capciosa : "O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?”. Há uma evidente manipulação da linguagem , como no referendo do peixe . Quem responder ‘ sim ', está querendo dizer “ não quero que vendam armas ”. Quem marcar ‘ não ', diz o contrário : “ sim , eu quero que a venda seja permitida”. Está tudo de revestrés. O ‘ não ', que é negativo , libera. Já o ‘ sim ', que tem conotação positiva , proíbe. Eraste! Eu , einh!
Como se isso não bastasse, os partidários de um lado e de outro usam o horário da propaganda política obrigatória na rádio e na televisão para confundir ainda mais . Não discutem princípios , nem esclarecem dúvidas , querem apenas vender ‘o não ' ou o ‘ sim ', usando uma linguagem marqueteira abjeta , como se estivessem anunciando sabão em pó , margarina , telefone celular ou um deputado qualquer do PFL (viche! viche!). Não pretendem nos fazer pensar e refletir , querem apenas nos obrigar a aderir .
A turma do ‘ não ', em vez de provar porque é bom vender arma e munição adoidado , faz terrorismo , jurando que se o ‘ sim ' ganhar , o povão vai se ferrar , o mercado negro de armas vai crescer , o Estado ficará sem o controle sobre revólveres e pistolas , os bandidos vão invadir nossas casas , as empresas de segurança privada vão faturar , enfim , fazendeiros , grandes empresários , lideres políticos , juizes e advogados famosos continuarão a se armar legalmente , enquanto a plebe ficará desarmada. Como se a plebe , hoje , estivesse armada .
Esse é o argumento da revista VEJA, que apresentou sete razões – sete é conta de mentiroso – para provar que é bom vender armas e munições e que , portanto , os leitores devem votar ‘ não '. Quase todas as razões são terroristas , tentam nos amedrontar e desestabilizar , jurando que os bandidos vão se sentir mais seguros para assaltar e invadir as casas , já que sabem que seus proprietários estão desarmados. A revista invoca ainda , cinicamente, o princípio da liberdade : por que impedir o cidadão , que paga impostos , de comprar uma arma e de exercer com ela o direito de legítima defesa ? Depois da novela ‘O direito de nascer ', VEJA roteiriza ‘O direito de matar '.
Digo sim ao sim
O meu amigo Rubem Rola , que mora na Bandeira Branca , discorda da VEJA. Ele e sua mãe Marina votam ‘ sim ' nos dois referendos – o do peixe e o do desarmamento . São pequenos empresários , donos da Rolamar Produtos Alimentícios Ltda.- que fabrica broas . Sua empresa familiar não será prejudicada pelo resultado da consulta popular . Estão conscientes de que os únicos que vão lucrar com o ‘ não ' são os fabricantes e comerciantes de armas . Para eles , a questão é saber se queremos mudar ou se queremos que a situação fique como está. Quem vota ‘ não ', quer que fique como está. Quem vota ‘ sim ‘ quer mudar .
Rubem e Marina são produtores de broas e não de armas. Querem mudança , e por isso votam ‘ sim '. Não desejam ficar do mesmo lado do pistoleiro Bolsonaro e do porquinho Fleury. Raciocinam da seguinte forma : hoje é permitido vender armas e a situação está – com o perdão da palavra – uma merda. Portanto , precisamos mudar . O ‘ sim ' significa mudança , não necessariamente para melhor , é certo . Por isso , depois de proibir a comercialização , devemos pressionar o governo para melhorar a segurança pública . De qualquer forma , o que não pode é ficar como está.
Todos nós sabemos que não haverá diminuição da violência no Brasil, enquanto houver desemprego, miséria , ignorância , fome , doença e corrupção . Votamos no ‘ sim ', sem esperar milagres , mas acreditando que a sociedade com a qual sonhamos não pode ser construída com cada um organizando individualmente sua defesa pessoal . Essa não é a sociedade que quero para meus filhos e netos: um aglomerado de pistoleiros onde cada um é responsável por sua segurança , no lugar de uma comunidade de cidadãos, cuja segurança é responsabilidade do Estado. É preciso ter coragem para não tirar o fiofó da reta e dizer ‘ sim ', como fizeram tia Eulália, Rubem Rola e Marina . Com o ‘sim', sinalizamos a sociedade que queremos, onde a segurança n&atild! e;o é um problema individual e privado, mas é uma questão de política pública.
Quanto ao referendo do peixe , não há nada a temer , leitor (a). Responde “ sim ”, corajosamente , porque o peixe é de quem o pescou e o cozinhou. Se eu cozinho, é meu , indubitavelmente. Não podemos negar isso , só por causa de um joguinho de palavras . Se tens medo de ficar como o Nego Valdir, exige a tradução da pergunta ao inglês : “If I fish a fish, if I cook it, is it mine?”. Ai, podes responder “yes”, sem comprometer tua honra . Afinal , se o Berinho, secretário de Cultura , colocou avisos em inglês para orientar os cavalos das charretes da praça São Sebastião, por que não podemos traduzir aos humanos a pergunta de um referendo ?
P.S. - Por falar em inglês , recebi a seguinte notícia , que é uma forte razão adicional para votar no ‘ sim ': “On October the 11th at 12:35 a.m. was born the princess Maria Rafaela do Espirito Santo Fontoura Nogueira , weighing 3,359 kg and measuring 51 cm. Her Highness and Her Majesty are very well. (assinado) The King”. Agradeço ainda ao José Amaro Júnior e à Ana Paula, pela sugestão do tema da crônica de hoje .
segunda-feira, outubro 17, 2005
Notas de segunda-feira
Bardot, nossa dogo argentino, vulgarmente conhecida como Fezes, precisa de novo nome. Depois de se soltar misteriosamente e destruir parte do jardim novinho da Mansão Benigna, chamar-se-ia Katrina. Agora, depois de desfazer novamente o engate de sua correia, se lambuzar inteira em terra preta e amanhecer alva feito camiseta de comercial de sabão em pó, precisa de nova alcunha. Já pensei em McGyver, Carrie, a Estranha e Mãe Diná. Mas o concurso “Dê um nome para nosso ET” está lançado.
Genial como só ele sabe ser, o Brasil agora divide sua nação de ignorantes indefesos nos eixos do Bem e do Mal. Quem vai votar NÃO é amante de armas, quem vai votar SIM é pela vida. E segue a ladainha de que a democracia brasileira está sólida e de que o povo aprendeu a votar.
O Jornal Hoje acaba de noticiar que um garoto matou um colega, dentro de sala, acidentalmente, quando mostrava duas armas aos colegas. Sabe-se que as armas foram adquiridas há dois anos, por duzentos reais cada uma. A Globo só não investigou, ou não quis contar, qual foi a loja legalizada que vendeu as armas ao rapaz.
Delúbio Soares acaba de dizer, em entrevista, que “as denúncias de corrupção vão virar piada de salão”. Depois ainda tem gente que acusa o cara de nunca falar a verdade...
Os blogs “do Josias de Souza” e “do Fernando” encabeçam as manchetes do UOL. E ainda tem gente torcendo o nariz e fazendo “hummmm” pra quem mantém blogs na Internet...
A pior coisa de estar em casa, sem tevê a cabo, é ouvir aquela voz legal comentando o filme da Sessão da Tarde: “Agora essa turminha vai viver altas aventuras e loucas armações!”
Alguém tem, de cabeça, o nome do remédio pra depressão pós-parto? Falo do meu.
Brainstorming: Não há nada mais anti-romântico do que, no motel, escolher os discos românticos que se quer que ela ouça. Aliás, há sim, algo mais anti-romântico: vinho Peter-brum do frigobar ou Mioranzas e Galiottos comprados na lojinha de conveniência próxima ao motel.
Não estranhe, estou ouvindo um discaço chamado Sexy Vibes.
Brainstorming 2: a música é sempre espontânea nos filmes. Cenas de amor, mesmo numa cabana dos Alpes, sempre têm à disposição um Chet Baker ou um Damien Rice por perto. Já que você não tem, finja que aquele Eagle Eye-Cherry ou aquela Billie Holiday tocando assim que ela entra no carro estavam tocando ao léu, despretensiosamente. Isso é metade da conquista, meu caro. A outra metade é saber dançar.
É, ainda estou ouvindo Sexy Vibes, sozinho.
Cadê você, Meu Amor, que não chega?...
sexta-feira, outubro 14, 2005
Tipo assim... não entendi... explica de novo?
Fumo torna pensamento lento e diminui QI, diz estudo
O consumo contínuo de tabaco torna o pensamento mais lento e reduz o QI (Quociente de Inteligência), segundo um estudo publicado nesta quarta-feira pela Universidade de Michigan.
"Os resultados levarão aqueles que pesquisam o alcoolismo a reavaliar as informações que possuem sobre o impacto do tabagismo. Este fator geralmente não é levado em consideração nos estudos sobre os efeitos do alcoolismo no cérebro", disse a responsável pelo estudo, Jennifer Glass.
"Entre 50% e 80% dos alcoólatras também fumam", acrescentou a pesquisadora do Departamento de Psiquiatria da Universidade de Michigan.
Os resultados da pesquisa contradizem a crença de que um cigarro ajuda os fumantes na concentração, especialmente em momentos de muito trabalho ou estresse.
Os pesquisadores analisaram a relação entre o consumo contínuo de tabaco e a redução na capacidade mental de 172 homens alcoólatras e não-alcoólatras.
A equipe de cientistas confirmou a conclusão de estudos anteriores que relacionavam o alcoolismo a problemas na rapidez e na clareza da função cognitiva e a uma redução do QI. No entanto, o trabalho revelou ainda que o consumo contínuo de tabaco tem um efeito similar.
"As conseqüências na memória, na capacidade de solução de problemas e no coeficiente intelectual foram maiores entre as pessoas que fumaram durante anos", acrescentou.
quinta-feira, outubro 06, 2005
Tudo na mais perfeita ordem
Brasil é o nono país mais feliz
05 de Outubro de 2005
Pesquisa do instituto britânico GfK NOP mostra que a população brasileira é a nona mais feliz do mundo. Os pesquisadores entrevistaram 30.000 moradores de 30 diferentes países dos cinco continentes, entre dezembro de 2004 e fevereiro deste ano.
De acordo com o levantamento, a população mais feliz do planeta é a da Austrália. Em segundo lugar, ficou a dos Estados Unidos, seguida por Egito, Índia, Reino Unido e Canadá.
Assolado por escândalos e denúncias de corrupção, o Brasil teve índices surpreendentes. Segundo a pesquisa, 53% dos entrevistados no país se consideram "satisfeitos" com a vida que levam e 29%, muito felizes. Os desapontados somam 14%.
Entre os brasileiros, a saúde foi considerada o principal fator para uma vida feliz por 75% dos pesquisados. Ter uma casa própria é sinônimo de felicidade para 63% dos brasileiros. Em terceiro lugar, está a estabilidade financeira.
Os dez países mais felizes do mundo:
1) Austrália (46% da população se disse muito feliz)
2) EUA (40%)
3) Egito (36%)
4) Índia (34%)
5) Reino Unido (32%)
6) Canadá (32%)
7) México (31%)
8) Suécia (30%)
9) Brasil (29%)
10) Arábia Saudita (28%)
Fonte: Veja on-line
segunda-feira, outubro 03, 2005
Veja a Veja
É por edições como a 1925 de Veja que eu sou assinante dessa revista. Há quem imagine que grandes jornais e revistas que se posicionam sobre assuntos espinhosos como o referendo do dia 23 sejam lobistas a serviço de interesses de clientes, leitores ou anunciantes. Pura bobagem. Assim como os grandes jornais americanos e europeus se posicionam durante eleições, Veja usou sua credibilidade para defender essa credibilidade, argumentando claramente por que é contra a proibição da venda de armas no Brasil. Expõe - e derruba argumentos bobos dos pacifistas de Ipanema -, em 7 tópicos, as razões para que o brasileiro mantenha seu direito de possuir armas.
Eu sou contra a proibição. Sempre fui. Para mim as passeatas em favor da paz, as camisetas brancas com o dizer "BASTA!" e o sinalzinho da pomba da paz, feito com as mãos pelos artistas e pensadores pelas ruas do Rio sempre foram em grande embuste, uma tentativa simpaticazinha e inócua de se resolver o problema da criminalidade brasileira. Somos craques em tapar o sol com a peneira, somos contra guerra, o racismo, a violência, o bairrismo, a separação entre Igreja e Estado, a fome mundial, a poluição da atmosfera e as armas. Somos bonzinhos. Queremos a paz.
Quem não quer essa deliciosa utopia, a Paz?
Não tenho arma - na verdade sou averso a elas - e não pretendo ter uma. Me sinto mal na proximidade de uma, tenho medo mesmo. É o tipo de artefato que me traz nervosismo. Mas eu sei por quê. É porque não conheço a índole e a personalidade de quem anda armado perto de mim. Já me apontaram uma arma numa discussão de trânsito, uma situação que não recomendo a ninguém. Um homem completamente embriagado podia ter me matado. Não o fez. Até hoje penso no que poderia ter acontecido, se aquele senhor, e não sua arma, tivesse decidido dar fim à minha vida. O estatuto do desarmamento, lei (ó bela e desprezada palavra..) em vigor há dois anos, proíbe o porte de armas no Brasil. Você sabia disso? Mesmo quem tem o porte só pode usá-la dentro de casa, pra defender (ou tentar defender, quase sempre inutilmente) sua família. Se aquele homem que quase me matou dirigia embriagado e armado, isso nada tem a ver com a liberação da venda de armas. Tem a ver com a polícia, que permite que se dirija embriagado e armado pelas ruas. Já há lei contra a embriaguês no trânsito, e já há lei contra o porte ilegal de armas. Ponto final, assunto encerrado, é isso. Não precisamos dessa lei, burra e baseada na idéia de "solução fácil", a preferida no país. Precisamos cumprir as leis vigentes, precisamos de polícia, de justiça. Só.
Se um dia eu quiser ter uma arma, vou procurar os órgãos oficiais para registrá-la, fazer um curso de manuseio daquilo e procurar fazer exames de sanidade mental. Não porque eu tenha bom senso, mas simplesmente porque - e me desculpe as maiúsculas - A LEI VIGENTE ME OBRIGA A ISSO. Se essa lei não é cumprida e vigiada, esse é o problma desse país, que não respeita a Consituição mas acredita no futuro da nação. Se o trânsito brasileiro, que mata milhares todos os anos, tivesse suas regras cumpridas e os maus motoristas fossem punidos, tudo estaria diferente. Ou estamos caminhando para um referendo popular que consulte a população sobre a proibição da venda de carros no país?
Quem são os responsáveis por tantas mortes? Os carros ou os motoristas? As armas ou seus portadores?
Recomendo a leitura da matéria a todos, e a leitura de tudo o que houver disponível a respeito, inclusive as informações e slogans gritados pelos atores, cantores e artistas famosos engajados na proibição da venda de armas e munição no Brasil. E que mais jornais e revistas tomem sua posição sobre o assunto, que é importante, porque não fala de criminalidade, banditismo, violência ou mortes de inocentes, mas de Liberdade, pura e simples.
Como se não bastasse a inteligência e sobriedade com que a revista brinda seus leitores na reportagem de capa, ainda ganho de brinde uma matéria chamando a novela América de "pródiga em personagens idiotizantes" e outra, sobre outro mito nacional, a filha de Elis Regina, também chamada de Maria Rita, sobre quem ninguém se atreve a falar mal. Veja denuncia, como fez no caso Sivirino, o "Mensalinho da filha de Elis", um esquema de jabás e presentinhos dados aos críticos da imprensa, diz que o disco novo da moça é ruim e desmistifica esse monstro sagrado (com vasta carreira de um disco só) da música brasileira. Veja falou e disse. De novo.
quinta-feira, setembro 29, 2005
Severinos, Delúbios e Dirceus americanos
Diz-me que não é irônico – e doloroso para as Bushetes e entusiastas da “única sociente decente” do planeta – que Tom DeLay, uma espécie de Severino Cavalcanti do presidente americano, líder republicano no congresso, tenha sido forçado a abandonar o cargo mais importante do congresso por causa de seu indiciamento em crimes, pasme, eleitorais.
Tom DeLay, texano da gema como seu tutor, foi indiciado por usar o dinheiro de empresas nas campanhas eleitorais do partido republicano em 2002. Há indícios de que a campanha de Bush à presidência tenha recebido dinheiro ilegal, os delubianos “recursos não contabilizados”. A legislação do Texas permite que apenas pessoas físicas repassem dinheiro às campanhas. Para o promotor responsável pelo caso, Ronnie Earle, DeLay fez uma manobra ilegal para driblar a proibição e receber 150.000 dólares de seis empresas americanas para a campanha.
DeLay – acredite se quiser – defendeu-se acusando o promotor de perseguição política, e como bem fazem os perseguidos políticos desta Pindorama iletrada e monoglota, saiu pelos fundos. Inocentíssimo, renunciou. Bush não quis dar declarações sobre o episódio. Isso lembra algum outro presidente incompetente, por acaso?
Muita gente por aqui vai argumentar com a displicência cínica de sempre. Algo como “tudo bem, eles fazem como nós, fétidos brasileiros, mas por lá pelo menos eles falam inglês fluentemente”. Repelir peremptoriamente e de forma cabal, é verdade, deve soar melhor em inglês.
quarta-feira, setembro 28, 2005
Habemus Patifum!
Com o perdão dos carolas...
segunda-feira, setembro 26, 2005
Notas de segunda-feira
Procuro sócio. O lugar está definido, a decoração já está pronta (na cabeça) e a clientela está esperando. O investimento? Algo como 5 mil reais. Dou a garantia de que se tornarão 50.
Uma manifestação pelas ruas de Washington durante o fim de semana foi marcada pelas faixas que pediam a deposição de Bush, por conta das mentiras sobre a invasão do Iraque e seus milhares de mortos. Os protestos tinham como escala a Casa Branca, mas Bush estava viajando. Como o presidente americano ora está em seu rancho, de férias, ora está discursando em bases militares, é difícil encontrar o mané trabalhando. Como diria Tutty Vasques, isso a oposição brasileira não vê!
Alguém pode me explicar de onde vem a proximidade do bar da novela América com os artistas da MPB que por lá se apresentam? Das duas uma: ou é tática cara-de-pau da autora para ajudar a audiência ou o dono do bar tem ligações com o crime organizado carioca.
Ronaldo Tiradentes, no programa CBN Manaus, acaba de dizer que a passagem de ônibus na cidade Manaus “retornou ao seu status quo anterior, R$ 1,50”. Pelamordedeus...
Segundo o Correio Amazonino, digo, Amazonense, dois galos de briga estão presos em Benjamin Constant. Ronaldo Tiradentes dedicou algo como 40 minutos do mesmo programa ao assunto.
Sivirino (ele pronuncia o próprio nome assim) Cavalcanti renunciou ao mandato semana passada. O discurso geral da camarilha que freqüenta a Câmara é de ocupar a vaga com um nome que vá devolver o respeito do país pelo poder legislativo federal. Eu acho extremamente difícil que Jesus Cristo aceite o convite.
A “máfia do apito”, denunciada esta semana pela revista Veja, manipulou o resultado de alguns jogos do Campeonato Brasileiro e do Paulistão. Alguns desses jogos foram roubados a favor do Vasco da Gama. Coincidências do futebol. E não é que a torcida dos estádios tinha razão esses séculos todos?!
Absolutamente ninguém em Manaus usa as setas no trânsito. Absolutamente ninguém estaciona corretamente, absolutamente ninguém respeita sua faixa. O trânsito de Manaus é, absolutamente, a coisa mais bizarra e desalentadora que eu conheço. Uma pequena amostra dos porquês dessa gente brasileira nunca caminhar pra frente.
Uma dançarina brasileira morreu, provavelmente de overdose, na casa de um famoso ator italiano. Devia estar por lá batalhando uma vida melhor para os pais, para os filhos, para si. Naturalmente deve ter sido obrigada a se prostituir e a se drogar na Europa.
Descobri que o Jorge Nobre, O Estudante de Inglês, criou um blog exclusivo para falar de seus inimigos, entre eles eu. Escreveu um tratado, uma tese, uma monografia sobre o tema. Se dedicasse seu infindo tempo livre para outras coisas - estudar inglês, por exemplo -, estaria melhor. Assim só ficou mais patético.
Os dizeres “Acelera, papai!” que acompanhavam as impressões digitais da filha de Antônio Pizzonia no capacete do piloto foram usados apenas no GP Brasil de Fórmula 1. O piloto não quer admitir, mas a filha não deu muita sorte ao pai.
Por falar em “Acelera, papai!”, depois de “Pedala, Robinho!” e “Samba, Tevez!”, a frase do momento é “Cai fora, Severino!”.
terça-feira, setembro 20, 2005
O Malfazejo recomenda
Dia desses, novamente por acaso, assisti a essa maravilha de filme. Bruce Brown, que trinta anos atrás produziu Endless Summer, aqui dá novamente o que nós queremos ver, ainda que o surf em si, a surf music e os filmes de surf sejam totalmente diferentes dos daquela época. Com um orçamento visivelmente maior, Brown dedica essa seqüência a espetaculares imagens das mais belas ondas do mundo, domadas – ou não – por Robert “Wingnut” Weaver e Patrick O’Connell, ou simplesmente Pat e Wingnut. Com participações especialíssimas de gente como Derek Ho, Jack Johnson (hoje surfista aposentado e maior sucesso da atual surf music) e Kelly Slater, o filme segue a trilha dos dois em busca da onda perfeita. Durante este longo caminho, é difícil driblar, para quem assite, a sensação de “É essa!”. O humor perfeitamente dosado, a edição enxuta e leve, a trilha sonora e, claro, as imagens feitas nas mais deslumbrantes e exóticas praias, ilhas e ondas do planeta deixam os sentidos agradecidos. Marca muito, dá uma enorme sensação de inveja assistir aqueles caras se esbarrando em praias como Cloud Break ou nas Ilhas Fiji, rodando o mundo com suas pranchas, surfando o dia inteiro e, pasme, ganhando muito, mas muito bem pra isso. Talvez Bruce Brown ainda cometa uma seqüência de Endless Summer II. Só espero que não precisemos esperar mais trinta anos por isso. E que continue a busca pela onda perfeita. Pra nós, que aqui os assistimos maravilhados na poltrona da sala, a busca, graças a Deus, nunca terminará. Até lá, a onda perfeita, ainda teremos essas pérolas nos mostrando as imperfeitas. Que bom.
quinta-feira, setembro 08, 2005
Reféns? De bandidos presos?!
Nestes tempos em que os noticiários nacionais nos embrulham o estômago com os indiciamentos inócuos de políticos corruptos, poderíamos sacar dos bolsos o clichê da centenária injustiça social brasileira, lei segundo a qual a cadeia traz na essência a punição para os pobres. Pois nem isso sobrou. Lendo matéria da última sexta-feira, dia 2, no jornal Correio Amazonense, pude ver morrer a idéia que eu tinha da vida detrás das grades para os mortais, traficantes e homicidas de pequeno porte. É impressionante – e desesperador – saber como pensam e como agem todos os atores desse circo de horrores chamado Sistema Prisional Amazonense. Enquanto os bandidos, condenados e presos, ameaçam de morte a direção da Unidade Prisional do Puraquequara e anunciam novos motins e rebeliões. O clima dentro das prisões é de medo e de surpresa. O Secretário Adjunto da Secretaria de Justiça do Estado, Ricardo Trindade, se confessa alarmado com o fato de 10 presos da galeria 11 do presídio terem comandado a última rebelião. “Estou surpreso pois a galeria era a mais tranqüila do presídio!”, explicou Ricardo.
Como tanta coisa que vira folclore por aqui, parecemos estar fadados, mais uma vez, a mitificar o que é, em tese, simples de resolver. O grupo de desordeiros, cerca de 10 presos, já tem apelido, aos moldes do Rat Pack de Sinatra, Martin e Davis Jr – que me perdoariam pela comparação grotesca, com certeza. Pois bem, o nosso Ocean’s Eleven é “Os Folgados”. Sim, Os Folgados são os responsáveis pelo clima de insegurança que vive o sistema prisional amazonense. Formado, anote aí, por Bid, Hulk, Primo, Cepacol, Jorginho e por outros nomes já clássicos no vocabulário criminal local, o grupo faz ameaças claras, a serem cumpridas caso suas exigências não sejam satisfeitas. Ricardo Trindade, dando mais uma prova da seriedade e da competência com que exerce seu cargo, atribui o clima de perigo às insatisfações geradas pelo curto banho de sol a que os presos têm direito, à apreensão esporádica de telefones infiltrados nas partes íntimas das esposas dos presos e ao pouco tempo de televisão.
Então vejamos se entendi: a direção dos presídios amazonenses atribui à perda de regalias inconstitucionais o clima de insegurança que impera nas prisões?
O que está faltando para que Os Folgados sejam isolados e mais intensivamente monitorados pela segurança? O que está faltando para que aparelhos celulares sejam apreendidos dentro das esposas dos bandidos, uma vez que a revista íntima já é prática corrente em outras regiões do Brasil? O que falta para que líderes de rebeliões e assassinatos sejam punidos? O que falta para impedir que presos cerrem as grades das celas e fujam? O que falta para punir agentes que facilitam as fugas, sistemáticas e corriqueiras? Será que, além de conviver com a impunidade dos ladrões das assembléias e câmaras municipais, precisaremos conviver com a impunidade de gente que protagoniza os crimes mais famosos do estado, como o assalto ao Banco do Brasil de Maués?
É perturbador saber que bandidos, encarcerados e cerceados na sua liberdade de cometer seus crimes, sejam tão poderosos, ditando as regras dos presídios e ameaçando a ordem interna dos mesmos no caso do descumprimento destas regras. É perturbador imaginar o dia em que os presos darão prazos para que a diretoria dos presídios os ponha em liberdade, sob pena de promoverem chacinas internas.
Enfim, é perturbador ver como são geridos esses lugares. E saber que essa gestão está a cargo de bandidos, que assaltam, roubam, seqüestram e matam inocentes todos os dias. E saber que, além de precisarmos nos engradar dentro de casa quando estes homens estão soltos, precisamos também torcer para que sejam pouco exigentes dentro da prisão.
quarta-feira, setembro 07, 2005
Sete de Setembro
que um dia um povo heróico deu um grito à beira de um rio.
A liberdade teria brilhado bem no instante deste berro.
Me disseram que a gente conseguiu essa liberdade à força,
E que até morrendo eu deveria defende-la.
Então eu gritei, por anos, debaixo desse céu risonho e límpido,
Aquele “Salve! Salve!” no pátio da escola.
Cantei que somos gigantes, belos, fortes, impávidos colossos,
E que o meu futuro espelharia essa grandeza.
Disseram que meu país estaria pra sempre deitado
Num berço esplêndido, pois esplêndido este berço é.
Do som do mar nunca vieram ondas assassinas,
Nem do céu profundo vieram Katrinas,
O Sol do Novo Mundo sempre nos iluminou.
Nossos lindos campos sempre tiveram mais flores,
Nossos bosques sempre tiveram mais vida,
Nossa vida sempre teve mais amores.
E cantei, cantei mais,
O “Salve! Salve!” no pátio da escola.
Mas enquanto eu cantava,
Roubavam minhas flores e
invadiam meus bosques.
As estrelas e o verde dessa bandeira
Diziam “Paz no futuro e glória no passado”.
Esse hino dizia que eu não fugiria à luta,
Caso a justiça precisasse ser defendida.
Mas a justiça não mereceu a minha morte,
Essa justiça ainda não mereceu a minha morte.
Neste 7 de Setembro, dia de praia, cerveja e tevê,
Quero dizer, mais uma vez, como no pátio da escola,
Que das outras mil, o Brasil ainda é minha terra amada,
A minha terra adorada e idolatrada.
E que esses filhos da pátria, bastardos aprumados,
Crianças problemáticas e adolescentes rebeldes,
Vermelhos, azuis, canhotos ou destros,
Nunca me representaram.
Que essa gente feia, analfabeta, rococó e falastrona,
Nunca me representou.
Porque não cantei aquele hino, durante anos,
Pra acabar feito uma carcaça agonizante,
Disputada a tapas e pontapés por abutres e hienas,
gente torpe, baixa, desclassificada, letrada ou iletrada.
Nego, peremptoriamente, ser representado por Lula ou FHC, Severino ou ACMinho,
Porque minha pátria amada, idolatrada,
Não suporta mais. Nem o flosô da filosofia nem a esculhambação do improviso.
Nem a futilidade da loja cara, nem a futilidade do discurso revolucionário,
Nem o cinismo dos ora acusados, defendendo-se com a história,
Nem a hipocrisia dos acusadores, defendendo-se no discurso alheio.
Porque sou eu o filho deste solo, desta mãe gentil,
Que ainda teimo em chamar se Senhora. Essa terra chamada Brasil.
terça-feira, setembro 06, 2005
sábado, setembro 03, 2005
Meu momento Vida Bizarra
A semana que acabou, levando agosto consigo, foi surreal, pra amenizar bastante a parada. E uma semana dessas precisava terminar de maneira mais leve, até divertida. Mas o que aconteceu ontem não foi engraçado, e assim que eu lhe contar, por favor imagine-se no meu lugar. Bem, como todos os dias dessas férias não negociadas, eu caminhava com Fezes pelas ruas do bairro, à espera de que ela fizesse na rua o que tão bem faz em casa. Como todos os dias, Fezes se guardou e me fez andar muito, à toa. Então tudo aconteceu. Três garotas de uniforme escolar (sim, camaradas, garotas de uniforme), aparentando não ter mais de 13 anos, cada uma encorajada pela companhia das outras, começaram a dizer grosserias e a me cantar. No auge do mau gosto, uma delas chegou a dizer “Ei, olha pra cá, gatinho! Põe essa coleira em mim!”, enquanto as outras duas riam. Um horror. Propostas sobre a coleira, sobre a corrente, sobre minha bermuda e até sobre a beleza de Fezes me levaram ao fundo do poço dos humilhados. Como as pobres moças que passam em frente às construções. Foi assim que me senti. E Fezes, mais preocupada com todos os cheiros do chão, não fazia idéia do meu constrangimento.
Isso não vai ficar assim. Elas não sabiam que eu sou filho da diretora da escola, a escola na qual elas estudam. Já estou mexendo os pauzinhos para que a primeira medida da minha mãe, já na segunda-feira, seja a alteração de todas as notas das delinqüentes. Dois pontos a mais na média pra cada uma. Sem direito a recurso.
Severino, o jegue expiatório
Severino foi brindado com a edição desta semana de Veja.
Já está negando.
Peremptoriamente, claro.
sexta-feira, setembro 02, 2005
George, a restless stupid
Jorge Nobre, O Estudante de Inglês, não se emenda mesmo. Agora aproveita a notícia de que quase 1.000 iraquianos morreram num tumulto provocado pelo medo de um terrorista suicida e traça um histórico muçulmano de suicídios coletivos, falando em desprezo pela vida. Menino desonesto, esse Jorge. Sabe que em qualquer ponto do mundo onde haja imensas aglomerações de gente as possibilidades de uma tragédia são fortíssimas. Sabe que, nesses tempos de ataques terroristas diários em Bagdá – inaugurados com a invasão americana ao país -, o pânico é companheiro constante. Sabe também que já houve, no mundo civilizado, tragédias semelhantes, como a do estádio de Hillsborough, onde 96 fanáticos (!) torcedores do Liverpool morreram na ânsia de assistir seu time do coração jogar.
Civilizados morrendo como árabes, árabes chorando como civilizados
Jorge Nobre, O Estudante de Inglês que ainda escreve “how the mainstream media see the world”, arremata seu indispensável e relevante texto com o título “They will shame Bush”. Concede, mais uma vez, os louros da vitória ao presidente americano, por ter levado a democracia ao Iraque. E defende seu presidente do coração. Mas não tem jeito. Se houve a tragédia, é porque a multidão se assustou com o rumor de que havia um homem-bomba por perto. E desde quando homens-bomba dão expediente naquele país? Hein?
Mas Jorge Nobre, O Estudante de Inglês, não contava com os eventos de Nova Orleans, e está provavelmente aterrorizado com o que as pessoas em pânico são capazes de fazer, sejam elas americanas ou iraquianas. Como bem se pode ver, os diferentes povos voltam aos seus instintos selvagens de sobrevivência por diferentes motivos. Uns morrem pelo time, outros matam por comida e água, outros pela fé, outros porque perderam suas casas e seu carro financiado, outros pelo medo de morrer.
Jorge Nobre, O Estudante de Inglês, é a Marilena Chauí com o sinal invertido. Se ainda há quem defenda cegamente a burrice e a canalhice da Esquerda, há também quem defenda a burrice e a canalhice da Direita. Jorge Nobre, O Estudante de Inglês, não presta. Isso mesmo, simples assim. Mal dá pro gasto de conjugar uns verbinhos simples em inglês.
Lá vem mais pulseirinha
A cidade Nova Orleans, uma espécie de Rio de Janeiro americana, com sua música, sua mistura de gente e seu carnaval, está praticamente morta. Corpos flutuam em frente às casas, milhares de pessoas passam fome e sede, as doenças estão se espalhando e o caos das gangues e dos saques é total. Policiais se trancaram nas delegacias, com medo dos saques, e a governadora do estado os autorizou a atirar pra matar, como forma de restabelecer a ordem. O prefeito da cidade desabafou a uma rádio, reclamando da rapidez com que o governo americano aprovou a liberação de dinheiro para a invasão do Iraque, enquanto as tropas federais não chegam a Nova Orleans para levar socorro às vítimas da burrice. Sim, burrice, porque não foi o Katrina o algoz da cidade, e sim a falta de manutenção dos diques de contenção, construídos para represar o lago que rodeia a cidade. O caos chegou a níveis africanos. A violência saiu do controle e uma explosão sacudiu a área industrial (foto da CNN - não confunda com Bagdá) da cidade agora de manhã. As pessoas estão se matando por comida e água.
As autoridades mostram completo despreparo para lidar com a situação, o povo, no desespero, apela para cenas selvagens, típicas de povos inferiores, e o presidente, bem, o presidente estava novamente de férias, e novamente demorou a fazer alguma coisa. Paciência, americanos. Agüentem, foram vocês que o escolheram. Duas vezes.
terça-feira, agosto 30, 2005
O que sinto hoje
"Olhai para mim, e pasmai; e ponde a mão sobre a boca, porque, quando me lembro disto, me perturbo, e minha carne é sobressaltada de horror. Por que razão vivem os ímpios, envelhecem, e ainda se esforçam em poder? A sua semente se estabelece com eles perante a sua face, e os seus renovos perante os seus olhos. As suas casas têm paz, sem temor; e a vara de Deus não está sobre eles. O seu touro gera, e não falha, pare a sua vaca, e não aborta. Fazem sair as suas crianças, como a um rebanho, e seus filhos andam saltando. Levantam a voz, ao som do tamboril e da harpa, e alegram-se ao som dos órgãos."
Jó, 21:5-12
Segundo a Bíblia, este é o trecho em que "Jó mostra que os ímpios muitas vezes gozam prosperidade nesta vida".
segunda-feira, agosto 29, 2005
Notas de segunda-feira
Pior do que a propaganda de uma construtora da cidade, que lançou um condomínio de apartamentos chamado Carlos Drummond e bolou a pérola “a poesia de Drummond não tem preço, morar no Drummond tem”, é a propaganda de uma marca de frigideiras antiaderentes. Dizendo que nada gruda nas frigideiras, a locução recomenda que se comprem apenas panelas com o selo de garantia da marca. O selo está lá, grudado bem no meio das panelas.
Hugo Chávez declarou no programa “Alô Presidente” que pretende ajudar famílias pobres, fornecendo combustível de calefação com descontos de 30 a 40%. O detalhe é que as comunidades carentes são dos Estados Unidos. Isso mesmo, Hugo Chávez oferece ajuda aos pobres americanos. Lula, Kirshner e Fidel estão irritadíssimos com o colega venezuelano.
Diz o portal IG que Lurdinha vai levar Glauco à falência. Não pelos exatos motivos, mas acabei lembrando do Axioma de Manson.
Em Ferraz de Vasconcelos, grande São Paulo, policias do Denarc (Departamento de Investigações sobre Narcóticos) apreenderam onze quilos de cocaína, além de outros materiais para o preparo da droga, como prensas, balanças e forno de microondas. O detalhe é que a refinaria de pó funcionava dentro de uma clínica de recuperação de drogados. As piadas são desnecessárias...
Os Estados Unidos, via satélite, indo pela latrina.
Digo, Catrina.
...péssima, eu sei.
Sharon Osbourne, esposa de Ozzy, admitiu ter sabotado o show do Iron Maiden no festival Ozzfest. Sharon cortou o som da banda durante o show. Tudo porque Bruce Dickinson andava dizendo que não participaria de um reality show e que sua banda não tocava as mesmas músicas em todos os shows. Boa, Bruce. Boa, Sharon.
Tarso Genro desistiu de sua candidatura nas próximas eleições do PT. Este país já melhoraria um pouco se os justos tivessem a coragem e a persistência dos iníquos.
Todos os jogadores de futebol citados e flagrados em diálogos pra lá de amistosos com traficantes cariocas estão sendo inocentados imediatamente pelos delegados. Palocci anda com inveja de Júlio César e Rrrrronaldo.
Aliás, Robinho arrasou na estréia no Real Madrid? Ótimo!
Estudar C++ ao som da voz de Fran Drescher, a pata rouca de The Nanny, me fez sentir saudade do trabalho. Incrível!
sexta-feira, agosto 26, 2005
Indispensável Português Fluente
“Sabe quê que é, Ismael, nós tamos precisando de um serviço rápido, a nível de terceirização, outsourcing mesmo. Nossa firma se usa dessa política, sabe, e nossos trabalhos são todos focados no nosso core-business, e a nível de budget nós temos limitações para a área de TI. Além disso, costumamos estar definindo nossos targets somente a nível de gerência. Sendo assim, você vai poder estar levando pra casa somente dados fictícios, aonde nosso database poderá ficar seguro. Information Security Policy, you know?”
Estamos próximos do dia em que as normas obrigarão que palavras em português sejam grifadas em itálico. Pensando bem, da forma como o português é falado nowadays, é melhor que caia no esquecimento mesmo. Até porque fica mais bonito um “we will be calling you soon” do que um “estaremos ligando para o sr. brevemente”. Não adianta esquentar. A porcaria é delivery.
quinta-feira, agosto 25, 2005
Enquanto não se vota a CPI da Cema...
E então, no afã de ver a classe política sair da eterna berlinda do país, o presidente da Assembléia Legislativa do Amazonas, Belarmino Lins, conseguiu, após o encerramento da sessão de ontem e numa votação fora de pauta, a aprovação de lei de sua autoria, que vem sendo chamada de “Lei da Carteirada”. Diz a nova lei que a partir de agora os deputados terão espaços reservados em eventos culturais e comemorativos patrocinados pelo poder público. Ou seja, camarotes serão reservados para otoridades estaduais, que não precisarão pagar ingresso nem se misturar com os eleitores. Eron Bezerra, deputado comunista, esposo de Dona Vanessa e chato, muito chato, justifica: “Se o Poder Executivo tem esse direito, por que o Legislativo e o Judiciário não têm?”. E emenda: “No desfile das Escolas de Samba, por exemplo, onde há espaço para os deputados?”.
Que tal aqui, ó, deputado, onde estão as pessoas que os senhores vão bajular daqui a alguns meses?
terça-feira, agosto 23, 2005
Pires, por Pires
Trecho da coluna de hoje de Paulo Roberto Pires, de NoMinimo. Confira o resto.
segunda-feira, agosto 22, 2005
O Amazonas fazendo bonito lá fora
Do Blog do Noblat
Severino quer proibir nudismo e sexo na tv
Da Agência Câmara:
"A Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática reúne-se na quarta-feira (24) e poderá votar o Projeto de Lei 5040/01, do deputado Severino Cavalcanti (PP-PE), que classifica como crime a exibição, em qualquer horário, de cena de nudismo ou de relações sexuais na televisão aberta – durante a programação normal ou em anúncio publicitário.
A penalidade estabelecida pela proposta é reclusão, de dois a cinco anos, e multa de até R$ 180 mil para o responsável pela emissora e pelo programa ou anúncio. O relator, deputado Silas Câmara (PTB-AM), defendeu a aprovação do projeto."
Lançando hits pro Carnaval Baiano
Cante em ritmo de axé-music, moleca:
Vai abaixando, maninha, vaaai!
Repele, repele, repele até o final, maninha, vaaai!
Bate no peitinho, olha pro céuzinho,
E repete assim com o papai:
Nego veementemente, nego veementemente
Toca no joelhinho, vai até o chãozinho, maninha, vaaai!
E rebola peremptoriamente, uh!
Bota o dedinho na boquinha, maninha!
E nega peremptoriamente, ui!
Faz carinha de safada, e vai até o chão
Faz jeitinho de sapeca, maninha, vaaai!
Diz que gosta duma ilação, vaaai!
E geme assim com o papai:
Nego de forma cabal! nego de forma cabal!
Notas de segunda-feira
Do caderno Aplauso, do Correio Amazonense, o jornal sério, independente e forte do Amazonas, sobre a saída de Silvia Buarque da novela América: “Despedida com sabor de ‘Até Breve’”. É o “afro-descedentão” (pegou?) apelando para as mensagens subliminares. Alto nível.
Aliás, por que o Faustão não ganha logo um papel na novela, já que precisa, todo santo domingo, dedicar 1/3 de seu programaço a socorrer a última porqueira de Dona Glória?
O domingo nunca foi meu dia preferido, mas Faustão e Gugu elevam o sentimento a níveis sobre-humanos. Ontem, enquanto Faustão discutia com Déborah Secco os destinos de Sol, Ed, Tião e o ET de Varginha, Gugu recebia a banda Calypso, que lançou música com Bruno & Marrone. Artigo 288 do Código Penal.
Palocci, Buratti, Maggioni, Poleto e Barquete. A Veja desta semana cala um pouco a boca de Gerald Thomas, que certa vez disse ao Pasquim que essa política brasileira dominada por nordestinos era de muito mau gosto. Talvez a porção italiana do Brasil esteja querendo dar um toque de requinte à roubalheira nacional. Ora, com um acusado chamado Pizzolato você vai querer o que mais?!
O cisto de Malu Mader era Benigno. Desculpa, Belotto.
O documentário Bastidores da Comédia (Comedian) foi lançado no Brasil. Estrelado por Jerry Seinfeld, mostra a vida dos “stand-up comedians”, aqueles humoristas que se apresentam em pequenos palcos, de frente para a platéia, contando apenas com o talento – e, no caso, a genialidade. Compre e mande um email pra mim, que te passo meu endereço para entrega.
Conta o UOL, via Reuters, que a maior parte das vacas russas precisará comer maconha no próximo inverno. Tudo porque as plantações de girassóis e de milho precisaram ser destruídas. Ficavam em meio a 40 toneladas de maconha. Um enorme protesto, com direito a caras pintadas, está previsto para ser realizado pelas vacas da Jamaica, que se sentiram ameaçadas pelas colegas russas.
Estamos há mais de uma semana sem ouvir o nome do carequinha. Sentiu falta?
Nesses tempos de crise, faça ao contrário duas coisas: almoçar num rodízio de churrasco e ler a Veja. Comece pelo fim. Dessa forma você vai saciar sua fome com picanha, em vez de lingüiça ou pão de alho, e vai se deparar com um anúncio da Bohemia na contra-capa, em vez da carranca de algum patife de Brasília na capa. Vá ao ponto. Preliminares são boas em outro departamento.
domingo, agosto 21, 2005
Lauren para todos, igualitariamente!
Lauren Graham
Lorelai Gilmore foi estatizada pela Nova Direita Brasileira. Meu Deus, eu era um deles e não sabia!
quinta-feira, agosto 18, 2005
Sua Excelência, o Fato.
A polícia britânica executou Jean Charles, que a despeito das versões anteriores dadas ao mundo, não usava casaco, não pulara a catraca do metrô e não correra dos oficiais. Ou seja, baixou o espirito do tira brasileiro nos sardentinhos por lá. Deu no que deu.
Diferentemente do modess operandi da grande esquerda brasileira, programada para defender seus pares até o último suspiro, a juventude direitista sabe repensar suas posições e admitir seus erros. Rafael Azevedo - pois é -, na falta de argumentos contra suas excelências, o fatos, dá uma de flip-flopper e revê suas idéias sobre a polícia britânica. Dia desses falava assim. Agora fala assim. Isso a esquerda não vê!
Rafael, aliás, tem dito outras coisas com as quais concordo plenamente. Sobre Carlos Nascimento e os âncoras-comentaristas, sobre a morte de Ibrahim Ferrer... Ele não vai ler isso, mas é verdade. Foi muito bom vê-lo mudar de idéia, sem nhém-nhém-nhém e sem frescura. Louvável, de verdade. Aliás, indeed.
quarta-feira, agosto 17, 2005
Nos olhos dos outros
Acher Weiss, judeu de 40 anos, casado e pai de dois filhos, roubou hoje a arma de um policial israelense durante o processo de retirada dos assentamentos judeus em Gaza e disparou a esmo contra palestinos civis e desarmados. Matou três e deixou feridos outros dois.
Talvez Weiss faça parte de um plano judeu para sabotar o processo de retirada do território palestino. Talvez tenha enlouquecido, talvez tenha sentido na pele o que sentiram os outros durante décadas e décadas. Talvez fosse um terrorista, simplesmente.
terça-feira, agosto 16, 2005
Hoo-ray!
A melancolia cega do Coronel Slade de Pacino
O personagem de Al Pacino no filme Perfume de Mulher tem significado muito pra mim. Lembrei do coronel linha-dura dia desses, acompanhando a saga petista da lealdade canina aos amigos. Porque é disso que o filme fala, da beleza da lealdade e dos efeitos dessa beleza sobre o que é certo, justo, constitucional; ético, enfim. Não quero fazer aqui juízo de valor e repilo peremptoriamente que atribuam minhas palavras a ilações maldosas, mas preciso, preciso muito saber onde andam os petistas de verdade. Ando lendo matérias e entrevistas de todo tipo de gente, quase sempre coroadas com a cautela em torno do impedimento do presidente. Mas não vou falar disso, vou falar da lealdade petista, essa lealdade que ganhava tamanha apologia no filme do coronel cego e do garoto pronto a aprender as lições da vida adolescente. No filme, garotos secundaristas pregavam uma peça no diretor da escola, uma das mais rígidas e tradicionais da América. Durante a investigação, sob a qual o diretor interrogava meninos assustados e lhes prometia expulsão sumária, surgia a figura da delação premiada. O Sr. Simms, aluno exemplar vivido por Chris O’Donnel que vira colegas seus armando o trote, recebia a promessa de uma bolsa em Harvard, caso apontasse os culpados. Resistiu até o fim, brindando o filme com um final tribunalesco, no qual foi saudado pelos aplausos de todos e por uma trilha retumbante, provavelmente de James Newton Howard.
Não há caras-pintadas nas ruas. Diversas organizações sindicais e estudantis organizaram uma manifestação de apoio ao governo, contra a corrupção – sim, as duas coisas ao mesmo tempo. Garotos pintaram os rostos e carros de som foram alugados. Mas depois de algum tempo, os estudantes sumiram, provavelmente porque a festa não bombou como esperavam. Ficaram algumas centenas de gatos pingados, além de um índio, sim, um índio, de calção e sem camisa, que estava por ali protestando contra os problemas da Funai. Na falta do que fazer juntou-se à manifestação, mas contra ela. Reclamava do presidente e do descumprimento de suas promessas às nações indígenas. Estava lá por não saber o que fazia lá.
Não há raiva nem indignação no peito do povo, isso é mentira. Há o sentimento constrangedor, a constatação dolorosa da burrice coletiva. Hoje o filme da vida do PT é a versão tosca e chinfrim de um Perfume de Mulher. Não há Al Pacino nem Chris O’Donnel, não há um belo tango sendo dançado num salão, não há música de James Newton Howard. Há apenas a lição do coronel de Pacino, cego e amargurado pela vida, ensinando a alguns garotos o valor da lealdade, mais valiosa do que a ordem e a decência de uma escola. Assim fizeram nossos baluartes da ética e da decência. Vão defender os amigos até o fim, negando com gestos, olhares e palavras a responsabilidade por algo que precisa ser punido.
Hollywood nunca me enganou. Na vida real o coronel cego e seus garotos trapaceiros não saem do tribunal sob aplausos, não há música de consagração, não há urros da platéia, de felicidade ou de desgosto. Não há nada. Só um silêncio constrangido nas ruas, um silêncio dos que sabem que não têm o direito de reclamar, como na manhã de segunda seguinte a uma derrota da seleção. Não há nada. Só um coronel cego e seus garotos premiados com a Harvard, mentindo a todos, se humilhando e humilhando a todos nós.
segunda-feira, agosto 15, 2005
Notas de segunda-feira
A guerra pela audiência na tevê Argentina está mais acirrada do que nunca. Vai ao ar hoje a primeira edição do programa de Maradona, “A Noite do 10”, em que o argentino entrevistará Pelé. Não se fala em outra coisa no país de Menem, da Evita e do Calote. O público ironiza, dizendo que o “Rei” estará na “Noite de Deus”, numa referência a Maradona.
O Canal 9, concorrente de “Deus”, a atração também é macaquita. Simplesmente Xuxa - que deve perder seu programa diário nos próximos dias aqui no Brasil. Esses argentinos não esquecem a gente mesmo...
Você sabe que há algo muito errado quando vê na tevê mais vezes a expressão “com várias passagens pela polícia” do que “ex-presidiário” ou “condenado”. Pense nisso.
O personagem de Murilo Rosa - que já foi casado com aquela fofura chamada Vanessa Lóes – em América anda pegando Eliane Giardini. Engraçado, Murilo sempre fez novelas de época. Agora que trabalha numa novela atual, anda pegando uma mulher de época. Essa só podia ser do Amaury.
O Noblat lista, cruel e friamente, o que pode vir por aí em se tratando de Brasil pós-Lula: Sarney, Garotinho, Itamar, Serra, FH, ACM, Severino, Babá...
O robô Opportunity, enviado pela NASA a Marte no ano passado, começa a enviar novas imagens do planeta vermelho. Daniel Dantas, dono do Banco Opportunity e protagonista de 10 entre dez casos de roubalheira no Brasil, anda tendo que desmentir boatos de que estaria enviando dinheiro ilegal para o planeta. Não adianta, os próximos robôs da NASA devem se chamar SMPB e Dusseldorf.
Ana Paula Padrão estreou no SBT. Eu não vi, mas vi uma imagem há pouco, num site. A cara do SBT, com aquelas listras coloridas e nitidez de imagem meio questionável. Tudo bem, é ela. Até o Lula, que não fala com ninguém, foi à tevê desejar-lhe sorte. Te mete, Fátima!
Recado para Serafim Corrêa, membro involuntário dos “Três Patetas” de Paulo de Carli, vereador braço-direito de uma das famílias mais puras e éticas da cidade, os De Carli: “Sai daí, Sarafa! Sai daí logo, antes que você transforme em grandes vítimas os réus!”.
Collor confessou ter pensado em se matar durante o impeachment de 1992. Disse que caiu porque não gostava de dar tapinhas nas barrigas de deputados alterados pela bebida alcoólica nas festas de Brasília. Pelo jeito não conheceu Dona Jeane Mary Corner.
A partir desta terça-feira voltam ao ritmo normal – aliás, um pouco mais do que isso – os textos dO Malfazejo. Perdoem a ausência dos espaços amigos e acreditem, foi por umas boas causas. Vocês logo entenderão. Voltando à programação normal.
domingo, agosto 14, 2005
Any Given Sunday
Admito, nunca consegui sentir falta do meu pai. Morreu em 1977, quando eu ainda tinha 3 anos, alguns dias antes do nascimento do Renato, meu irmão mais novo. Essa data, o Dia dos Pais, sempre foi algo como o 4 de julho dos americanos, algo que nunca teve qualquer relação comigo. Os domingos dos pais passavam ao largo da casa. Nunca escolhi gravatas, meias ou livros sobre guerras. Nunca fui à taberna comprar cigarros, ou à banca comprar jornal. A figura do pai, essa sim, fez falta. Não a do chefe da família, a do defensor de todos, a do provedor e a da autoridade, mas a figura humana do pai. Talvez por isso me marcassem tanto os abraços dos tios, cheirando a cigarro com suas barbas mal feitas a me arranhar. Como eu gostava daquele cheiro ruim e daqueles arranhões no rosto, quando subitamente alguém mais forte me levantava no colo, enchendo a casa com um timbre grave de voz, esbanjando ares paternais.
Há algumas fotos antigas, sem foco. E há alguma razão científica que prove que as fotos amareladas são as mais fortes. Gravações caseiras tremidas e fotos na praia, com uns óculos Ray-ban e aquelas bermudas xadrez no calçadão de Copacabana são rimas de um poema, cenas de um filme que emociona, não importa quantas vezes eu assista. Hoje essa sensação de “feriado dos outros” volta, e esse saudosismo de coisas que não tive volta. Cheiros falam mais do que fotos ou palavras. O cheiro de cigarro e aquelas vozes bonachonas fazem falta. O que eu queria mesmo, de verdade, era o velho pra me ensinar a cortar a carne do churrasco, pra me presentear com a primeira Playboy, pra me ralhar com o primeiro porre. O que eu queria era poder dizer “não esquece a minha Caloi” e pedir conselhos. O que eu queria mesmo era ver a minha mãe feliz, descansada e apaixonada, até hoje. O que eu queria mesmo era bater a minha garrafinha de cerveja na dele, fazendo um brinde machão, de pernas abertas e sandália de dedo, no quintal quente da nossa casa.
Portanto, desejo o melhor Dia dos Pais aos que ainda podem fazer tudo isso.
E me perdoem o mau jeito.
sexta-feira, agosto 12, 2005
quarta-feira, agosto 10, 2005
terça-feira, agosto 09, 2005
Notas de segunda-feira, na terça
Roberto Jefferson foi vaiado, tomou laranjada na cara e seu carro foi atingido por um ovo. Além disso, ouviu coros de “Ei, Jefferson, vai tomar no c...!” e “Picareta! Picareta!”. Tudo ocorreu em palestra (sim, Bob virou palestrante, percebeu?!) no centro acadêmico 11 de Agosto, da faculdade de direito da USP. Os agressores? Exatamente o pessoal que mais tarde vai bajular e tomar um uisquinho com esse tipo de cliente.
Morreu Ibrahim Ferrer. Ry Cooder foi o responsável pelo milagre que transformou velhinhos cubanos em sensação mundial, inaugurando as carreiras de alguns dos melhores músicos cubanos, na casa dos 70 anos de idade. Deu ao mundo o projeto Buena Vista Social Club, e agora as flores desabrochadas morrem. Compay Segundo já foi. Ibrahim o segue.
Lembra do Rambo, o policial que executou o conferente Mário José Josino na Favela Naval em 1997? Está livre desde março porque cumpriu 1/6 da pena de 15 anos de prisão. Precisa dormir na prisão todas as noites, mas confia na justiça brasileira, e vai pedir pra que sua pena seja passada para o regime aberto.
Genu amava Janene, que amava Corrêa, que amava Waldemar, que amava Lamas, que amava Palmieri, que amava Jefferson, que amava Genuíno , que amava Delúbio, que amava Bob, que amava Mexia, que amava Junqueira, que amava Valério, que amava Renilda, que amava Silvinho, que amava Dirceu, que amava Lula, que amava o Brasil. O Brasil merece.
Ninguém conhece Pelé como “Pelé, O Jogador do Século”. Ou Bento 16 como “Bento 16, O Papa”. Ou Lula como “Lula, O Presidente do Brasil”. Assim sendo, já chega de chamar Marcos Valério de “Marcos Valério, acusado de ser o operador do Mensalão”. Já pegou, pô.
Ah, sim, Marcos Valério estava de olho também na reserva de nióbio localizada no Amazonas, a segunda maior do Brasil. Já negociava com o banco BMG investimentos por aqui. Definitivamente Valério não pertence à raça humana. O Homem chegou aonde outro ser humano jamais chegou. O que torna um tanto injusto acusá-lo de ser ladrão, simplesmente. O cara é um visionário!
Xuxa vai participar do programa de estréia de Maradona na tevê Argentina, cantando e dando entrevista ao vivo. Com esse apresentador e com essa convidada, cantando e falando de duendes e fadas, o programa vai ser uma fofura, não?
O Discovery pousou com sucesso, sem uma derrapadinha, sem espuma na pista, sem qualquer problema. Podem voltar pra casa, bando de hienas. Ou vão me enganar dizendo que não esperavam outro espetáculo de luzes mórbidas no céu?
O Bradesco e o Itaú quebraram novo recorde histórico de lucros semestrais. Seus donos e acionistas, a elite brasileira, devem estar bufando de raiva de Lula.
Me desculpem os músicos e os fãs. Fui ver a nova banda Insight no fim de semana. Ótimos músicos, ótimos cantores, péssimo foco. Está faltando vontade de inventar na música da cidade. Repertório medíocre, pequeno e tedioso, com direito a repetição de petardos como I'll Remember You, do Skid Row. E ainda paguei 7 reais de couvert artístico.
segunda-feira, agosto 08, 2005
Para o garoto do clipe que acabei de ver
Esqueça esses discos, vá por mim. Eles se espatifarão contra a parede, morrerão espalhados pelo chão, e lá ficarão até que o espasmo da raiva passe, quando já não poderão mais ser consertados. Aí você vai perceber, doloridamente, que eles valiam mais do que ela, até porque você não a ama, você ama a história, essa história de risos, amassos e choros, digna desse drama mal escrito de Montechios e Capuletos - sem o principal, a poesia. Esqueça a mesa de vidro, o aparelho de som na estante, esqueça a própria estante. Eles se perderão, e não poderão dizer-lhe do absurdo de serem alvo do mais intenso e fugaz desespero. Eu garanto, daqui a alguns anos você vai lembrar disso com certo desconforto – misturado a algum prazer, é verdade. Como um cinqüentão, que em segredo sente vergonha daquelas letras dos Beatles, você vai lembrar do choro e da sensação de morte que só os bêbados e adolescentes sentem pelas mínimas coisas. Esqueça tudo isso, porque daqui a algum tempo esse ardor será apenas a lembrança saudosa de um filme de terror, que assustava muito há dez anos, mas que hoje só rende risadas amarelas e críticas técnicas. Esqueça tudo isso, porque você vai viver pra rir de si próprio, e isso não é tão gostoso quanto dizem aqueles livrinhos de conselhos óbvios que você anda lendo pra fugir da tristeza. Acredite em mim, você está ridículo, e só vai perceber isso muito tarde. Acredite em mim, esses discos farão falta, essa paixão é biológica, feito ácido lático, que só dói em músculos mal usados. Não resistirá a dois minutos de desdém. Acredite em mim, vocês não envelhecerão juntos, simplesmente porque crescerão. Poupe essas paredes e esse fígado mal amaciado, porque tudo isso passa. E repito, guarde esses discos, por favor. Eles são o que você vai levar desse transe patético. Tudo bem, exceções são permitidas: se houver algum A-ha ou algum Guns, mire bem ali, ó, naquela parede mais dura, na altura da viga de ferro.
quinta-feira, agosto 04, 2005
Concorrência Baré revisited
Reproduzo aqui texto publicado em A Crítica no dia 5 de junho de 2003. Listava sugestões para melhorar o ambiente comercial da cidade e evitar que injustiças sociais sejam cometidas. Eis as sugestões daquela época:
Obrigar o Jokka Loureiro, lá do São Raimundo, a aumentar o preço do jaraqui frito, que, além de ser o melhor da cidade, é um dos mais baratos. É um absurdo que duas ou três grandes peixarias da cidade sejam prejudicadas e corram o risco de precisar demitir funcionários. Tudo por causa dum caboclo espertalhão da beira do Rio Negro cobra apenas cinco reais pelo melhor peixe da praça.
Obrigar os produtores regionais de hortaliças a aumentar seus preços. É um absurdo que também os funcionários dos grandes hipermercados de Manaus corram o risco do desemprego por causa de uns ribeirinhos desonestos que fazem dumping com sua alface e sua banana.
Obrigar as cabeleireiras dos pequenos salões de beleza de Manaus a aumentar o preço do corte de cabelo de R$ 5,00 para R$ 40,00. Afinal, de que viverão as donas dos salões do Vieiralves e do Amazonas Shopping, com a concorrência desleal da periferia?
Obrigar os flanelinhas da periferia a tabelar os preços de seus serviços (extorsão e destruição de propriedade alheia) a R$ 4,00 pela hora de trabalho. Assim estarão protegidos os empregos dos flanelinhas que cobram esse valor em eventos especiais, nos arredores do Vivaldão e dos restaurantes mais caros da cidade.
Obrigar os ambulantes que vendem doces e balas a aumentar seus preços, preservando, assim, os milhares de empregos gerados pelas redes de conveniência dos postos de gasolina, que vendem cervejas e refrigerantes a preços 60% maiores que os desleais das ruas.
Obrigar os vendedores de açaí, buriti e bacaba, que vendem seus vinhos em carrinhos de mão a absurdos R$ 2,00. Onde já se viu um lucro de apenas 50%?! E as famílias dos fabricantes de refrigerantes?!
Obrigar os lojistas da Marechal Deodoro a cobrar R$ 200,00 por uma calça jeans, R$ 80,00 por uma camiseta e R$ 600,00 por um par de óculos de sol. É angustiante pensar que as lojistas dos grandes shoppings têm custos altíssimos com aluguel, propaganda e mensalidades de franquia. Por que permitir que malandros do centro da cidade cobrem R$ 20,00 por uma calça, ganhando apenas 30% de lucro, enquanto as dondocas amargam lucros de 300% sozinhas?
Obrigar todos os botecos da cidade a cobrar R$ 3,30 por uma tulipa de chope de 300ml. Dessa forma as cervejarias da moda e os restaurantes finos serão poupados da concorrência injusta do Ceará, lá no João Bosco, que cobra R$ 2,50 por uma cerveja gelada feito bunda de pingüim.
Obrigar todos os motoristas de Manaus a candidatar-se a cargos públicos ou a fazer concurso para juiz. Assim todo mundo passa a receber auxílio-combustível, deixa de pagar pela gasolina que consome e fica em seu gabinete apenas se preocupando com causas sociais. Assim, pagar pela gasolina vai passar a ser, para todo mundo, problema dos outros.
quarta-feira, agosto 03, 2005
Caçando as bruxas
Certa vez um juiz de direito aqui de Manaus obrigou que alguns postos de gasolina aumentassem seus preços, dando razão ao pedido do cart... sindicato dos donos de postos da cidade, que alegava concorrência desleal. Como alguns postos teimavam em não seguir os preços combinados pelo cart... sindicato, foram à justiça, que obrigou os postos teimosos a aumentar seus preços. Fiz, inclusive, um texto no qual enumerava outras áreas da nossa economia que poderiam sofrer o mesmo tipo de ação. Pois agora a Drogaria Pague Menos é obrigada a aumentar seus preços, dando menos desconto aos clientes. A Drogaria Pague Menos passará a chamar-se Pague Um Pouquinho Mais. Impressionante como a lei da concorrência não funciona em Manaus.
segunda-feira, agosto 01, 2005
Notas de segunda-feira
O poodle toy Twingo perdeu na justiça uma ação em que os moradores do Edifício Palládio, no Rio, o querem despejado. Segundo os vizinhos, Twingo late, chora, suja o prédio e incomoda muita gente. Que seja esse um precendente para outras ações de despejo pelo país. Incluam aí também a raça Pincher, por favor.
Manchete do jornal britânico Financial Times: “No Brasil, políticos admitem uso de dinheiro ilegal”. Está ocorrendo, provavelmente, uma reunião de ministério no Palácio do Planalto, na qual se discute a expulsão dos repórteres ingleses do território nacional.
Uma das retumbantes provas de que a governabilidade está intacta no país, que as instituições republicanas estão blindadas e que a democracia brasileira é de uma maturidade exemplar é matéria da revista Caras, com manchetona no UOL: “Caroline Bittencourt leva filha para conhecer avestruzes”.
O clipe da canção "Dirrty", de Christina Aguilera, foi eleito o mais sensual já feito, segundo uma votação realizada pelo canal de TV FHM Music, ligado à revista masculina britânica "FHM". Aguarda-se para breve uma, uminha só, música que preste, pra variar. Claro, com as mesmas tanginhas. Não vejo nenhum problema nelas.
É gostoso estar certo. Minha antipatia – antes solitária – por Robinho anda se alastrando até entre torcedores santistas. Depois que o pedala-pedala-mas-não-faz-nada deu piti e bateu pé pra não jogar mais pelo Santos do seu admirador Pelé, a torcida do Peixe, que antes implorava “Fica Robinho!” agora já exibe adesivos nos carros com os dizeres malfazejos “Vaza, Robinho!”.
Tiririca está no programa do Tom Cavalcante. E a Hellen está vendo.
Já Rubinho vai para a BAR. Deixará vaga para Felipe Mafa-Mafinha. Seu desempenho vinha agradando a Ferrari, é verdade – sempre em sétimo, décimo primeiro, dentro dos planos de Jean Todd. O problema era a cara de choro. A escuderia italiana fez intenso processo seletivo, com dinâmicas de grupo e avaliação psicológica, e concluiu que Mafa-Mafinha é o mais indicado, pois é passivo, não tem grandes ambições nem se irrita com ultrapassagens de colegas.
O presidente Lula pediu que ligassem para a presidente do Sindicato dos Taxistas de Brasília, informando que ele, em pessoa, participaria de reunião com 200 taxistas da capital brasileira. A presidente do sindicato se disse surpresa com a notícia. Como brinde ainda ganharam – os taxistas – um discurso em nome da “do direito das pessoas, sabe, de viver com dignidade e decência nesse país”. Que presentão.
Roberto Pompeu de Toledo disse na Veja desta semana exatamente o que eu penso. Com o depoimento de Renilda à CPI, a famiglia deu um banho no Estado. É assim que funciona “esse país”.
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