terça-feira, outubro 25, 2005

Frente por um Brasil sem Pacifistas


O pacifista, como o vegetariano, o religioso e o vendedor da Herbalife, é acima de tudo um chato. Não há gente mais chata do que alguém que ama a paz, alguém que quer um mundo melhor, sem guerras, sem assaltos e sem bombas caseiras nos estádios. Mas eis as novas, pessoal da paz: não há paz. A paz é a utopia essencial do mundo, e por ela não vale a pena lutar. A paz, essa paz que vocês almejam – mas não perseguem -, é apenas um John Lennon, nu numa cama, tocando uma balada boba qualquer sobre uma chance a ela, a Paz. A paz que vocês almejam – mas não perseguem – é a mais fácil e efêmera de todas, é aquela paz do calçadão carioca, é aquela paz trazida por uma camiseta branca na manhã de domingo. Essa paz, a paz dos sinaizinhos manuais e das faixas penduradas nas sacadas dos apartamentos – protegidos por seguranças armados – é sem valor. A paz dos anti-guerra, a paz dos anti-globalização, a paz dos anti-armas, a paz dos anti-EUA é boba. Boba como um John Lennon, tola como qualquer um que se defina anti-qualquer-coisa. Repilo, repilo veementemente a companhia de ativistas anti-alguma-coisa.

O NÃO venceu. Confesso ter ficado preocupado com o resultado desse referendo. Votei NÃO, mas a vitória do NÃO não deve ser boa coisa, dada a capacidade brasileira de se votar errado. Mas torço, torço para que a violência acabe, para que ninguém mais cheire cocaína, para que a camada de ozônio se recupere, para que Bush assine o Protocolo de Kyoto, para que a China pare de executar cidadãos, para que o gado brasileiro fique curado, para que as galinhas malaias fiquem boas. Torço pra tudo isso. E se um dia decidir agir de alguma forma, vou cobrar o que me tomam à força, e pelo que não recebo nada em troca. Segurança. Segurança pública. Segurança coletiva.

Pacifistas não deviam ficar no país. Têm muito mais trabalho lá fora, onde as tensões são culturais, raciais, étnicas – não há poder público que dê jeito. No Sudão ocorre, nesse momento, um genocídio comparável ao de Ruanda em 1994. Por que os pacifistas brasileiros não vão para lá, fazer a diferença? O Brasil não precisa de paz, precisa de vergonha na cara, de cumprimento de leis. O Brasil não precisa de artistas globais jogando confete nas ruas, precisa ver gente ruim entrar – e ficar – na cadeia. Precisa reverter o quadro das ONGs, onde pouquíssimas existem para fiscalizar e monitorar o comportamento dos políticos e outras centenas ficam no blá-blá-blá da Paz.

Paz não existe. Nem na Islândia, nem da França, nem da Dinamarca. Se eles estão muito melhor, não é por causa de paz, de passeatas nem de campanhas anti-violência. É porque eles cumprem as leis. Diriam os nobres brasileiros, encabulados, então: aí complicou.

segunda-feira, outubro 24, 2005

Cenas de um feriado




Bob Esponja, cachaceiro feito uma esponja, em flagrante embriaguês no feriadão manauara!

Do ótimo Conversa Cruzada.


terça-feira, outubro 18, 2005

Só porque é ele


Sou um democrata. Ribamar, meu ídolo, é do SIM. Ok, ninguém é perfeito (ele é até petista). Mas como sou - ou quero ser - essa metamorfose ambulante, estou disposto a virar a casaca do NÃO para o SIM assim que ouvir o primeiro argumento que valha. Não foi esse, mas vale dar uma conferida. Ei-lo.


SE EU COZINHO, É MEU?
José Ribamar Bessa Freire

16/10/2005 - Diário do Amazonas

O bairro de Aparecida está numa sinuca de bico . Seus moradores, confusos e angustiados, não sabem como enfrentar o referendo popular . Se responderem ‘ não ', contrariam direitos individuais . Se disserem ‘ sim ', abdicam de princípios sagrados e, dessa forma , acabam dando aquilo que o Nêgo Valdir deu: a própria honra . Muitos preferem fugir pela tangente , dizendo: ‘ talvez ', ‘depende', ‘sei lá '. Mas essas alternativas não existem no referendo . Não há meio termo. É ‘ preto ' ou é ‘ branco '. Não tem ‘ cinza '. De todo jeito , a gente se ferra . Com o ‘ sim ', é créu. Com o ‘ não ', é crau. A diferença é apenas de uma mísera vogal?

Manaus viveu drama similar no referendo do peixe que aconteceu há 50 anos . Na época , desnorteado, busquei orientação com tia Eulália. Ela era freira , da Congregação das Adoradoras do Preciosissimo Sangue . Uma santa . Estava mais perto do céu do que eu , pecador empedernido . Quem sabe, a titia podia me iluminar sobre os enigmas do mundo e da vida ? Era domingo , dia de visita ao convento , ali na av. Constantino Nery, bem em frente à igreja de São Geraldo. Cheguei, pedi a benção – benstia – e, à queima roupa , fui logo fazendo a pergunta do referendo do peixe que atormentava, então , os amazonenses .

- Titia , se eu pesco um peixe , se eu cozinho, é meu ?

Minha mãe ralhou: “ Deixa de ser abestado, menino ”. Mas tia Eulália me levou a sério . Não respondeu de chofre . Primeiro , me abençoou: - “ Deus te faça feliz ”. Naquela época , sobrinho pedia benção, tia abençoava e a gente falava “de chofre ”. Hoje , é a maior esculhambação . Minha sobrinha Ana Paula, por exemplo , não me concede sequer a graça do título de ‘ tio ', me trata simplesmente de ‘Beibe', sem qualquer cerimônia . Nunca , nunquinha, me pediu a benção. Essa é mágoa que guardo no fundo do meu coração . Sei que é uma questão familiar , mas preciso compartilhar esse sofrimento com os leitores .



Digo não ao não

Mas onde é mesmo que eu estava? Ah, na titia . Depois de me abençoar , ela coçou a cabeça . Não , pera lá ! Minto! A cena , com certeza , exige uma coçada reflexiva . No entanto , as freiras usavam uma espécie de capacete de plástico , coberto por véu branco , que não deixava coçar a cabeça . Se fosse homem , titia coçaria outra coisa . Acabou mesmo coçando o queixo , enquanto repetia baixinho, quase rezando: “Se eu pesco um peixe , se eu cozinho, é meu ?” Aí , como se descobrisse a pólvora , sentenciou: -“É seu , meu sobrinho . É seu ”. Fez uma pausa e confirmou inapelável : - “ Sim , meu sobrinho , é seu . Indubitavelmente, é seu ”.

Meio século depois , Tia Eulália – a inocente - está morta , mas sua lição orienta o rumo que devo tomar nesse plebiscito nacional sobre o desarmamento , cuja pergunta também é capciosa : "O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?”. Há uma evidente manipulação da linguagem , como no referendo do peixe . Quem responder ‘ sim ', está querendo dizer “ não quero que vendam armas ”. Quem marcar ‘ não ', diz o contrário : “ sim , eu quero que a venda seja permitida”. Está tudo de revestrés. O ‘ não ', que é negativo , libera. Já o ‘ sim ', que tem conotação positiva , proíbe. Eraste! Eu , einh!

Como se isso não bastasse, os partidários de um lado e de outro usam o horário da propaganda política obrigatória na rádio e na televisão para confundir ainda mais . Não discutem princípios , nem esclarecem dúvidas , querem apenas vender ‘o não ' ou o ‘ sim ', usando uma linguagem marqueteira abjeta , como se estivessem anunciando sabão em pó , margarina , telefone celular ou um deputado qualquer do PFL (viche! viche!). Não pretendem nos fazer pensar e refletir , querem apenas nos obrigar a aderir .

A turma do ‘ não ', em vez de provar porque é bom vender arma e munição adoidado , faz terrorismo , jurando que se o ‘ sim ' ganhar , o povão vai se ferrar , o mercado negro de armas vai crescer , o Estado ficará sem o controle sobre revólveres e pistolas , os bandidos vão invadir nossas casas , as empresas de segurança privada vão faturar , enfim , fazendeiros , grandes empresários , lideres políticos , juizes e advogados famosos continuarão a se armar legalmente , enquanto a plebe ficará desarmada. Como se a plebe , hoje , estivesse armada .

Esse é o argumento da revista VEJA, que apresentou sete razões – sete é conta de mentiroso – para provar que é bom vender armas e munições e que , portanto , os leitores devem votar ‘ não '. Quase todas as razões são terroristas , tentam nos amedrontar e desestabilizar , jurando que os bandidos vão se sentir mais seguros para assaltar e invadir as casas , já que sabem que seus proprietários estão desarmados. A revista invoca ainda , cinicamente, o princípio da liberdade : por que impedir o cidadão , que paga impostos , de comprar uma arma e de exercer com ela o direito de legítima defesa ? Depois da novela ‘O direito de nascer ', VEJA roteiriza ‘O direito de matar '.



Digo sim ao sim

O meu amigo Rubem Rola , que mora na Bandeira Branca , discorda da VEJA. Ele e sua mãe Marina votam ‘ sim ' nos dois referendos – o do peixe e o do desarmamento . São pequenos empresários , donos da Rolamar Produtos Alimentícios Ltda.- que fabrica broas . Sua empresa familiar não será prejudicada pelo resultado da consulta popular . Estão conscientes de que os únicos que vão lucrar com o ‘ não ' são os fabricantes e comerciantes de armas . Para eles , a questão é saber se queremos mudar ou se queremos que a situação fique como está. Quem vota ‘ não ', quer que fique como está. Quem vota ‘ sim ‘ quer mudar .

Rubem e Marina são produtores de broas e não de armas. Querem mudança , e por isso votam ‘ sim '. Não desejam ficar do mesmo lado do pistoleiro Bolsonaro e do porquinho Fleury. Raciocinam da seguinte forma : hoje é permitido vender armas e a situação está – com o perdão da palavra – uma merda. Portanto , precisamos mudar . O ‘ sim ' significa mudança , não necessariamente para melhor , é certo . Por isso , depois de proibir a comercialização , devemos pressionar o governo para melhorar a segurança pública . De qualquer forma , o que não pode é ficar como está.

Todos nós sabemos que não haverá diminuição da violência no Brasil, enquanto houver desemprego, miséria , ignorância , fome , doença e corrupção . Votamos no ‘ sim ', sem esperar milagres , mas acreditando que a sociedade com a qual sonhamos não pode ser construída com cada um organizando individualmente sua defesa pessoal . Essa não é a sociedade que quero para meus filhos e netos: um aglomerado de pistoleiros onde cada um é responsável por sua segurança , no lugar de uma comunidade de cidadãos, cuja segurança é responsabilidade do Estado. É preciso ter coragem para não tirar o fiofó da reta e dizer ‘ sim ', como fizeram tia Eulália, Rubem Rola e Marina . Com o ‘sim', sinalizamos a sociedade que queremos, onde a segurança n&atild! e;o é um problema individual e privado, mas é uma questão de política pública.

Quanto ao referendo do peixe , não há nada a temer , leitor (a). Responde “ sim ”, corajosamente , porque o peixe é de quem o pescou e o cozinhou. Se eu cozinho, é meu , indubitavelmente. Não podemos negar isso , só por causa de um joguinho de palavras . Se tens medo de ficar como o Nego Valdir, exige a tradução da pergunta ao inglês : “If I fish a fish, if I cook it, is it mine?”. Ai, podes responder “yes”, sem comprometer tua honra . Afinal , se o Berinho, secretário de Cultura , colocou avisos em inglês para orientar os cavalos das charretes da praça São Sebastião, por que não podemos traduzir aos humanos a pergunta de um referendo ?

P.S. - Por falar em inglês , recebi a seguinte notícia , que é uma forte razão adicional para votar no ‘ sim ': “On October the 11th at 12:35 a.m. was born the princess Maria Rafaela do Espirito Santo Fontoura Nogueira , weighing 3,359 kg and measuring 51 cm. Her Highness and Her Majesty are very well. (assinado) The King”. Agradeço ainda ao José Amaro Júnior e à Ana Paula, pela sugestão do tema da crônica de hoje .

segunda-feira, outubro 17, 2005

Notas de segunda-feira


Bardot, nossa dogo argentino, vulgarmente conhecida como Fezes, precisa de novo nome. Depois de se soltar misteriosamente e destruir parte do jardim novinho da Mansão Benigna, chamar-se-ia Katrina. Agora, depois de desfazer novamente o engate de sua correia, se lambuzar inteira em terra preta e amanhecer alva feito camiseta de comercial de sabão em pó, precisa de nova alcunha. Já pensei em McGyver, Carrie, a Estranha e Mãe Diná. Mas o concurso “Dê um nome para nosso ET” está lançado.

Genial como só ele sabe ser, o Brasil agora divide sua nação de ignorantes indefesos nos eixos do Bem e do Mal. Quem vai votar NÃO é amante de armas, quem vai votar SIM é pela vida. E segue a ladainha de que a democracia brasileira está sólida e de que o povo aprendeu a votar.

O Jornal Hoje acaba de noticiar que um garoto matou um colega, dentro de sala, acidentalmente, quando mostrava duas armas aos colegas. Sabe-se que as armas foram adquiridas há dois anos, por duzentos reais cada uma. A Globo só não investigou, ou não quis contar, qual foi a loja legalizada que vendeu as armas ao rapaz.

Delúbio Soares acaba de dizer, em entrevista, que “as denúncias de corrupção vão virar piada de salão”. Depois ainda tem gente que acusa o cara de nunca falar a verdade...

Os blogs “do Josias de Souza” e “do Fernando” encabeçam as manchetes do UOL. E ainda tem gente torcendo o nariz e fazendo “hummmm” pra quem mantém blogs na Internet...

A pior coisa de estar em casa, sem tevê a cabo, é ouvir aquela voz legal comentando o filme da Sessão da Tarde: “Agora essa turminha vai viver altas aventuras e loucas armações!”

Alguém tem, de cabeça, o nome do remédio pra depressão pós-parto? Falo do meu.

Brainstorming: Não há nada mais anti-romântico do que, no motel, escolher os discos românticos que se quer que ela ouça. Aliás, há sim, algo mais anti-romântico: vinho Peter-brum do frigobar ou Mioranzas e Galiottos comprados na lojinha de conveniência próxima ao motel.

Não estranhe, estou ouvindo um discaço chamado Sexy Vibes.

Brainstorming 2: a música é sempre espontânea nos filmes. Cenas de amor, mesmo numa cabana dos Alpes, sempre têm à disposição um Chet Baker ou um Damien Rice por perto. Já que você não tem, finja que aquele Eagle Eye-Cherry ou aquela Billie Holiday tocando assim que ela entra no carro estavam tocando ao léu, despretensiosamente. Isso é metade da conquista, meu caro. A outra metade é saber dançar.

É, ainda estou ouvindo Sexy Vibes, sozinho.

Cadê você, Meu Amor, que não chega?...

sexta-feira, outubro 14, 2005

Tipo assim... não entendi... explica de novo?


Fumo torna pensamento lento e diminui QI, diz estudo

O consumo contínuo de tabaco torna o pensamento mais lento e reduz o QI (Quociente de Inteligência), segundo um estudo publicado nesta quarta-feira pela Universidade de Michigan.

"Os resultados levarão aqueles que pesquisam o alcoolismo a reavaliar as informações que possuem sobre o impacto do tabagismo. Este fator geralmente não é levado em consideração nos estudos sobre os efeitos do alcoolismo no cérebro", disse a responsável pelo estudo, Jennifer Glass.

"Entre 50% e 80% dos alcoólatras também fumam", acrescentou a pesquisadora do Departamento de Psiquiatria da Universidade de Michigan.

Os resultados da pesquisa contradizem a crença de que um cigarro ajuda os fumantes na concentração, especialmente em momentos de muito trabalho ou estresse.

Os pesquisadores analisaram a relação entre o consumo contínuo de tabaco e a redução na capacidade mental de 172 homens alcoólatras e não-alcoólatras.

A equipe de cientistas confirmou a conclusão de estudos anteriores que relacionavam o alcoolismo a problemas na rapidez e na clareza da função cognitiva e a uma redução do QI. No entanto, o trabalho revelou ainda que o consumo contínuo de tabaco tem um efeito similar.

"As conseqüências na memória, na capacidade de solução de problemas e no coeficiente intelectual foram maiores entre as pessoas que fumaram durante anos", acrescentou.

quinta-feira, outubro 06, 2005

Tudo na mais perfeita ordem


Brasil é o nono país mais feliz
05 de Outubro de 2005


Pesquisa do instituto britânico GfK NOP mostra que a população brasileira é a nona mais feliz do mundo. Os pesquisadores entrevistaram 30.000 moradores de 30 diferentes países dos cinco continentes, entre dezembro de 2004 e fevereiro deste ano.

De acordo com o levantamento, a população mais feliz do planeta é a da Austrália. Em segundo lugar, ficou a dos Estados Unidos, seguida por Egito, Índia, Reino Unido e Canadá.

Assolado por escândalos e denúncias de corrupção, o Brasil teve índices surpreendentes. Segundo a pesquisa, 53% dos entrevistados no país se consideram "satisfeitos" com a vida que levam e 29%, muito felizes. Os desapontados somam 14%.

Entre os brasileiros, a saúde foi considerada o principal fator para uma vida feliz por 75% dos pesquisados. Ter uma casa própria é sinônimo de felicidade para 63% dos brasileiros. Em terceiro lugar, está a estabilidade financeira.

Os dez países mais felizes do mundo:

1) Austrália (46% da população se disse muito feliz)
2) EUA (40%)
3) Egito (36%)
4) Índia (34%)
5) Reino Unido (32%)
6) Canadá (32%)
7) México (31%)
8) Suécia (30%)
9) Brasil (29%)
10) Arábia Saudita (28%)

Fonte: Veja on-line

segunda-feira, outubro 03, 2005

Veja a Veja



É por edições como a 1925 de Veja que eu sou assinante dessa revista. Há quem imagine que grandes jornais e revistas que se posicionam sobre assuntos espinhosos como o referendo do dia 23 sejam lobistas a serviço de interesses de clientes, leitores ou anunciantes. Pura bobagem. Assim como os grandes jornais americanos e europeus se posicionam durante eleições, Veja usou sua credibilidade para defender essa credibilidade, argumentando claramente por que é contra a proibição da venda de armas no Brasil. Expõe - e derruba argumentos bobos dos pacifistas de Ipanema -, em 7 tópicos, as razões para que o brasileiro mantenha seu direito de possuir armas.

Eu sou contra a proibição. Sempre fui. Para mim as passeatas em favor da paz, as camisetas brancas com o dizer "BASTA!" e o sinalzinho da pomba da paz, feito com as mãos pelos artistas e pensadores pelas ruas do Rio sempre foram em grande embuste, uma tentativa simpaticazinha e inócua de se resolver o problema da criminalidade brasileira. Somos craques em tapar o sol com a peneira, somos contra guerra, o racismo, a violência, o bairrismo, a separação entre Igreja e Estado, a fome mundial, a poluição da atmosfera e as armas. Somos bonzinhos. Queremos a paz.

Quem não quer essa deliciosa utopia, a Paz?

Não tenho arma - na verdade sou averso a elas - e não pretendo ter uma. Me sinto mal na proximidade de uma, tenho medo mesmo. É o tipo de artefato que me traz nervosismo. Mas eu sei por quê. É porque não conheço a índole e a personalidade de quem anda armado perto de mim. Já me apontaram uma arma numa discussão de trânsito, uma situação que não recomendo a ninguém. Um homem completamente embriagado podia ter me matado. Não o fez. Até hoje penso no que poderia ter acontecido, se aquele senhor, e não sua arma, tivesse decidido dar fim à minha vida. O estatuto do desarmamento, lei (ó bela e desprezada palavra..) em vigor há dois anos, proíbe o porte de armas no Brasil. Você sabia disso? Mesmo quem tem o porte só pode usá-la dentro de casa, pra defender (ou tentar defender, quase sempre inutilmente) sua família. Se aquele homem que quase me matou dirigia embriagado e armado, isso nada tem a ver com a liberação da venda de armas. Tem a ver com a polícia, que permite que se dirija embriagado e armado pelas ruas. Já há lei contra a embriaguês no trânsito, e já há lei contra o porte ilegal de armas. Ponto final, assunto encerrado, é isso. Não precisamos dessa lei, burra e baseada na idéia de "solução fácil", a preferida no país. Precisamos cumprir as leis vigentes, precisamos de polícia, de justiça. Só.

Se um dia eu quiser ter uma arma, vou procurar os órgãos oficiais para registrá-la, fazer um curso de manuseio daquilo e procurar fazer exames de sanidade mental. Não porque eu tenha bom senso, mas simplesmente porque - e me desculpe as maiúsculas - A LEI VIGENTE ME OBRIGA A ISSO. Se essa lei não é cumprida e vigiada, esse é o problma desse país, que não respeita a Consituição mas acredita no futuro da nação. Se o trânsito brasileiro, que mata milhares todos os anos, tivesse suas regras cumpridas e os maus motoristas fossem punidos, tudo estaria diferente. Ou estamos caminhando para um referendo popular que consulte a população sobre a proibição da venda de carros no país?

Quem são os responsáveis por tantas mortes? Os carros ou os motoristas? As armas ou seus portadores?

Recomendo a leitura da matéria a todos, e a leitura de tudo o que houver disponível a respeito, inclusive as informações e slogans gritados pelos atores, cantores e artistas famosos engajados na proibição da venda de armas e munição no Brasil. E que mais jornais e revistas tomem sua posição sobre o assunto, que é importante, porque não fala de criminalidade, banditismo, violência ou mortes de inocentes, mas de Liberdade, pura e simples.


Como se não bastasse a inteligência e sobriedade com que a revista brinda seus leitores na reportagem de capa, ainda ganho de brinde uma matéria chamando a novela América de "pródiga em personagens idiotizantes" e outra, sobre outro mito nacional, a filha de Elis Regina, também chamada de Maria Rita, sobre quem ninguém se atreve a falar mal. Veja denuncia, como fez no caso Sivirino, o "Mensalinho da filha de Elis", um esquema de jabás e presentinhos dados aos críticos da imprensa, diz que o disco novo da moça é ruim e desmistifica esse monstro sagrado (com vasta carreira de um disco só) da música brasileira. Veja falou e disse. De novo.

quinta-feira, setembro 29, 2005

Severinos, Delúbios e Dirceus americanos


Diz-me que não é irônico – e doloroso para as Bushetes e entusiastas da “única sociente decente” do planeta – que Tom DeLay, uma espécie de Severino Cavalcanti do presidente americano, líder republicano no congresso, tenha sido forçado a abandonar o cargo mais importante do congresso por causa de seu indiciamento em crimes, pasme, eleitorais.

Tom DeLay, texano da gema como seu tutor, foi indiciado por usar o dinheiro de empresas nas campanhas eleitorais do partido republicano em 2002. Há indícios de que a campanha de Bush à presidência tenha recebido dinheiro ilegal, os delubianos “recursos não contabilizados”. A legislação do Texas permite que apenas pessoas físicas repassem dinheiro às campanhas. Para o promotor responsável pelo caso, Ronnie Earle, DeLay fez uma manobra ilegal para driblar a proibição e receber 150.000 dólares de seis empresas americanas para a campanha.

DeLay – acredite se quiser – defendeu-se acusando o promotor de perseguição política, e como bem fazem os perseguidos políticos desta Pindorama iletrada e monoglota, saiu pelos fundos. Inocentíssimo, renunciou. Bush não quis dar declarações sobre o episódio. Isso lembra algum outro presidente incompetente, por acaso?

Muita gente por aqui vai argumentar com a displicência cínica de sempre. Algo como “tudo bem, eles fazem como nós, fétidos brasileiros, mas por lá pelo menos eles falam inglês fluentemente”. Repelir peremptoriamente e de forma cabal, é verdade, deve soar melhor em inglês.

quarta-feira, setembro 28, 2005

Habemus Patifum!




O líder da oposição na eleição para presidente da Câmara dos Deputados, José Tomás Nonô, enfim, José Tomou Nonô-Cucu.

Com o perdão dos carolas...


segunda-feira, setembro 26, 2005

Notas de segunda-feira


Procuro sócio. O lugar está definido, a decoração já está pronta (na cabeça) e a clientela está esperando. O investimento? Algo como 5 mil reais. Dou a garantia de que se tornarão 50.

Uma manifestação pelas ruas de Washington durante o fim de semana foi marcada pelas faixas que pediam a deposição de Bush, por conta das mentiras sobre a invasão do Iraque e seus milhares de mortos. Os protestos tinham como escala a Casa Branca, mas Bush estava viajando. Como o presidente americano ora está em seu rancho, de férias, ora está discursando em bases militares, é difícil encontrar o mané trabalhando. Como diria Tutty Vasques, isso a oposição brasileira não vê!

Alguém pode me explicar de onde vem a proximidade do bar da novela América com os artistas da MPB que por lá se apresentam? Das duas uma: ou é tática cara-de-pau da autora para ajudar a audiência ou o dono do bar tem ligações com o crime organizado carioca.

Ronaldo Tiradentes, no programa CBN Manaus, acaba de dizer que a passagem de ônibus na cidade Manaus “retornou ao seu status quo anterior, R$ 1,50”. Pelamordedeus...

Segundo o Correio Amazonino, digo, Amazonense, dois galos de briga estão presos em Benjamin Constant. Ronaldo Tiradentes dedicou algo como 40 minutos do mesmo programa ao assunto.

Sivirino (ele pronuncia o próprio nome assim) Cavalcanti renunciou ao mandato semana passada. O discurso geral da camarilha que freqüenta a Câmara é de ocupar a vaga com um nome que vá devolver o respeito do país pelo poder legislativo federal. Eu acho extremamente difícil que Jesus Cristo aceite o convite.

A “máfia do apito”, denunciada esta semana pela revista Veja, manipulou o resultado de alguns jogos do Campeonato Brasileiro e do Paulistão. Alguns desses jogos foram roubados a favor do Vasco da Gama. Coincidências do futebol. E não é que a torcida dos estádios tinha razão esses séculos todos?!

Absolutamente ninguém em Manaus usa as setas no trânsito. Absolutamente ninguém estaciona corretamente, absolutamente ninguém respeita sua faixa. O trânsito de Manaus é, absolutamente, a coisa mais bizarra e desalentadora que eu conheço. Uma pequena amostra dos porquês dessa gente brasileira nunca caminhar pra frente.

Uma dançarina brasileira morreu, provavelmente de overdose, na casa de um famoso ator italiano. Devia estar por lá batalhando uma vida melhor para os pais, para os filhos, para si. Naturalmente deve ter sido obrigada a se prostituir e a se drogar na Europa.

Descobri que o Jorge Nobre, O Estudante de Inglês, criou um blog exclusivo para falar de seus inimigos, entre eles eu. Escreveu um tratado, uma tese, uma monografia sobre o tema. Se dedicasse seu infindo tempo livre para outras coisas - estudar inglês, por exemplo -, estaria melhor. Assim só ficou mais patético.

Os dizeres “Acelera, papai!” que acompanhavam as impressões digitais da filha de Antônio Pizzonia no capacete do piloto foram usados apenas no GP Brasil de Fórmula 1. O piloto não quer admitir, mas a filha não deu muita sorte ao pai.

Por falar em “Acelera, papai!”, depois de “Pedala, Robinho!” e “Samba, Tevez!”, a frase do momento é “Cai fora, Severino!”.

terça-feira, setembro 20, 2005

O Malfazejo recomenda



Dia desses, novamente por acaso, assisti a essa maravilha de filme. Bruce Brown, que trinta anos atrás produziu Endless Summer, aqui dá novamente o que nós queremos ver, ainda que o surf em si, a surf music e os filmes de surf sejam totalmente diferentes dos daquela época. Com um orçamento visivelmente maior, Brown dedica essa seqüência a espetaculares imagens das mais belas ondas do mundo, domadas – ou não – por Robert “Wingnut” Weaver e Patrick O’Connell, ou simplesmente Pat e Wingnut. Com participações especialíssimas de gente como Derek Ho, Jack Johnson (hoje surfista aposentado e maior sucesso da atual surf music) e Kelly Slater, o filme segue a trilha dos dois em busca da onda perfeita. Durante este longo caminho, é difícil driblar, para quem assite, a sensação de “É essa!”. O humor perfeitamente dosado, a edição enxuta e leve, a trilha sonora e, claro, as imagens feitas nas mais deslumbrantes e exóticas praias, ilhas e ondas do planeta deixam os sentidos agradecidos. Marca muito, dá uma enorme sensação de inveja assistir aqueles caras se esbarrando em praias como Cloud Break ou nas Ilhas Fiji, rodando o mundo com suas pranchas, surfando o dia inteiro e, pasme, ganhando muito, mas muito bem pra isso. Talvez Bruce Brown ainda cometa uma seqüência de Endless Summer II. Só espero que não precisemos esperar mais trinta anos por isso. E que continue a busca pela onda perfeita. Pra nós, que aqui os assistimos maravilhados na poltrona da sala, a busca, graças a Deus, nunca terminará. Até lá, a onda perfeita, ainda teremos essas pérolas nos mostrando as imperfeitas. Que bom.

quinta-feira, setembro 08, 2005

O Velho do Farol




Marcus Pessoa, num post que eu gostaria de ter escrito.


Reféns? De bandidos presos?!


Nestes tempos em que os noticiários nacionais nos embrulham o estômago com os indiciamentos inócuos de políticos corruptos, poderíamos sacar dos bolsos o clichê da centenária injustiça social brasileira, lei segundo a qual a cadeia traz na essência a punição para os pobres. Pois nem isso sobrou. Lendo matéria da última sexta-feira, dia 2, no jornal Correio Amazonense, pude ver morrer a idéia que eu tinha da vida detrás das grades para os mortais, traficantes e homicidas de pequeno porte. É impressionante – e desesperador – saber como pensam e como agem todos os atores desse circo de horrores chamado Sistema Prisional Amazonense. Enquanto os bandidos, condenados e presos, ameaçam de morte a direção da Unidade Prisional do Puraquequara e anunciam novos motins e rebeliões. O clima dentro das prisões é de medo e de surpresa. O Secretário Adjunto da Secretaria de Justiça do Estado, Ricardo Trindade, se confessa alarmado com o fato de 10 presos da galeria 11 do presídio terem comandado a última rebelião. “Estou surpreso pois a galeria era a mais tranqüila do presídio!”, explicou Ricardo.

Como tanta coisa que vira folclore por aqui, parecemos estar fadados, mais uma vez, a mitificar o que é, em tese, simples de resolver. O grupo de desordeiros, cerca de 10 presos, já tem apelido, aos moldes do Rat Pack de Sinatra, Martin e Davis Jr – que me perdoariam pela comparação grotesca, com certeza. Pois bem, o nosso Ocean’s Eleven é “Os Folgados”. Sim, Os Folgados são os responsáveis pelo clima de insegurança que vive o sistema prisional amazonense. Formado, anote aí, por Bid, Hulk, Primo, Cepacol, Jorginho e por outros nomes já clássicos no vocabulário criminal local, o grupo faz ameaças claras, a serem cumpridas caso suas exigências não sejam satisfeitas. Ricardo Trindade, dando mais uma prova da seriedade e da competência com que exerce seu cargo, atribui o clima de perigo às insatisfações geradas pelo curto banho de sol a que os presos têm direito, à apreensão esporádica de telefones infiltrados nas partes íntimas das esposas dos presos e ao pouco tempo de televisão.

Então vejamos se entendi: a direção dos presídios amazonenses atribui à perda de regalias inconstitucionais o clima de insegurança que impera nas prisões?

O que está faltando para que Os Folgados sejam isolados e mais intensivamente monitorados pela segurança? O que está faltando para que aparelhos celulares sejam apreendidos dentro das esposas dos bandidos, uma vez que a revista íntima já é prática corrente em outras regiões do Brasil? O que falta para que líderes de rebeliões e assassinatos sejam punidos? O que falta para impedir que presos cerrem as grades das celas e fujam? O que falta para punir agentes que facilitam as fugas, sistemáticas e corriqueiras? Será que, além de conviver com a impunidade dos ladrões das assembléias e câmaras municipais, precisaremos conviver com a impunidade de gente que protagoniza os crimes mais famosos do estado, como o assalto ao Banco do Brasil de Maués?

É perturbador saber que bandidos, encarcerados e cerceados na sua liberdade de cometer seus crimes, sejam tão poderosos, ditando as regras dos presídios e ameaçando a ordem interna dos mesmos no caso do descumprimento destas regras. É perturbador imaginar o dia em que os presos darão prazos para que a diretoria dos presídios os ponha em liberdade, sob pena de promoverem chacinas internas.

Enfim, é perturbador ver como são geridos esses lugares. E saber que essa gestão está a cargo de bandidos, que assaltam, roubam, seqüestram e matam inocentes todos os dias. E saber que, além de precisarmos nos engradar dentro de casa quando estes homens estão soltos, precisamos também torcer para que sejam pouco exigentes dentro da prisão.

quarta-feira, setembro 07, 2005

Sete de Setembro


Me ensinaram a cantar, de mão no peito, à frente da bandeira,
que um dia um povo heróico deu um grito à beira de um rio.
A liberdade teria brilhado bem no instante deste berro.
Me disseram que a gente conseguiu essa liberdade à força,
E que até morrendo eu deveria defende-la.
Então eu gritei, por anos, debaixo desse céu risonho e límpido,
Aquele “Salve! Salve!” no pátio da escola.
Cantei que somos gigantes, belos, fortes, impávidos colossos,
E que o meu futuro espelharia essa grandeza.

Disseram que meu país estaria pra sempre deitado
Num berço esplêndido, pois esplêndido este berço é.
Do som do mar nunca vieram ondas assassinas,
Nem do céu profundo vieram Katrinas,
O Sol do Novo Mundo sempre nos iluminou.
Nossos lindos campos sempre tiveram mais flores,
Nossos bosques sempre tiveram mais vida,
Nossa vida sempre teve mais amores.

E cantei, cantei mais,
O “Salve! Salve!” no pátio da escola.
Mas enquanto eu cantava,
Roubavam minhas flores e
invadiam meus bosques.

As estrelas e o verde dessa bandeira
Diziam “Paz no futuro e glória no passado”.
Esse hino dizia que eu não fugiria à luta,
Caso a justiça precisasse ser defendida.
Mas a justiça não mereceu a minha morte,
Essa justiça ainda não mereceu a minha morte.

Neste 7 de Setembro, dia de praia, cerveja e tevê,
Quero dizer, mais uma vez, como no pátio da escola,
Que das outras mil, o Brasil ainda é minha terra amada,
A minha terra adorada e idolatrada.

E que esses filhos da pátria, bastardos aprumados,
Crianças problemáticas e adolescentes rebeldes,
Vermelhos, azuis, canhotos ou destros,
Nunca me representaram.
Que essa gente feia, analfabeta, rococó e falastrona,
Nunca me representou.
Porque não cantei aquele hino, durante anos,
Pra acabar feito uma carcaça agonizante,
Disputada a tapas e pontapés por abutres e hienas,
gente torpe, baixa, desclassificada, letrada ou iletrada.

Nego, peremptoriamente, ser representado por Lula ou FHC, Severino ou ACMinho,
Porque minha pátria amada, idolatrada,
Não suporta mais. Nem o flosô da filosofia nem a esculhambação do improviso.
Nem a futilidade da loja cara, nem a futilidade do discurso revolucionário,
Nem o cinismo dos ora acusados, defendendo-se com a história,
Nem a hipocrisia dos acusadores, defendendo-se no discurso alheio.

Porque sou eu o filho deste solo, desta mãe gentil,
Que ainda teimo em chamar se Senhora. Essa terra chamada Brasil.


sábado, setembro 03, 2005

Meu momento Vida Bizarra


A semana que acabou, levando agosto consigo, foi surreal, pra amenizar bastante a parada. E uma semana dessas precisava terminar de maneira mais leve, até divertida. Mas o que aconteceu ontem não foi engraçado, e assim que eu lhe contar, por favor imagine-se no meu lugar. Bem, como todos os dias dessas férias não negociadas, eu caminhava com Fezes pelas ruas do bairro, à espera de que ela fizesse na rua o que tão bem faz em casa. Como todos os dias, Fezes se guardou e me fez andar muito, à toa. Então tudo aconteceu. Três garotas de uniforme escolar (sim, camaradas, garotas de uniforme), aparentando não ter mais de 13 anos, cada uma encorajada pela companhia das outras, começaram a dizer grosserias e a me cantar. No auge do mau gosto, uma delas chegou a dizer “Ei, olha pra cá, gatinho! Põe essa coleira em mim!”, enquanto as outras duas riam. Um horror. Propostas sobre a coleira, sobre a corrente, sobre minha bermuda e até sobre a beleza de Fezes me levaram ao fundo do poço dos humilhados. Como as pobres moças que passam em frente às construções. Foi assim que me senti. E Fezes, mais preocupada com todos os cheiros do chão, não fazia idéia do meu constrangimento.

Isso não vai ficar assim. Elas não sabiam que eu sou filho da diretora da escola, a escola na qual elas estudam. Já estou mexendo os pauzinhos para que a primeira medida da minha mãe, já na segunda-feira, seja a alteração de todas as notas das delinqüentes. Dois pontos a mais na média pra cada uma. Sem direito a recurso.

Severino, o jegue expiatório




Severino foi brindado com a edição desta semana de Veja.

Já está negando.

Peremptoriamente, claro.


sexta-feira, setembro 02, 2005

George, a restless stupid


Jorge Nobre, O Estudante de Inglês, não se emenda mesmo. Agora aproveita a notícia de que quase 1.000 iraquianos morreram num tumulto provocado pelo medo de um terrorista suicida e traça um histórico muçulmano de suicídios coletivos, falando em desprezo pela vida. Menino desonesto, esse Jorge. Sabe que em qualquer ponto do mundo onde haja imensas aglomerações de gente as possibilidades de uma tragédia são fortíssimas. Sabe que, nesses tempos de ataques terroristas diários em Bagdá – inaugurados com a invasão americana ao país -, o pânico é companheiro constante. Sabe também que já houve, no mundo civilizado, tragédias semelhantes, como a do estádio de Hillsborough, onde 96 fanáticos (!) torcedores do Liverpool morreram na ânsia de assistir seu time do coração jogar.


Civilizados morrendo como árabes, árabes chorando como civilizados


Jorge Nobre, O Estudante de Inglês que ainda escreve “how the mainstream media see the world”, arremata seu indispensável e relevante texto com o título “They will shame Bush”. Concede, mais uma vez, os louros da vitória ao presidente americano, por ter levado a democracia ao Iraque. E defende seu presidente do coração. Mas não tem jeito. Se houve a tragédia, é porque a multidão se assustou com o rumor de que havia um homem-bomba por perto. E desde quando homens-bomba dão expediente naquele país? Hein?

Mas Jorge Nobre, O Estudante de Inglês, não contava com os eventos de Nova Orleans, e está provavelmente aterrorizado com o que as pessoas em pânico são capazes de fazer, sejam elas americanas ou iraquianas. Como bem se pode ver, os diferentes povos voltam aos seus instintos selvagens de sobrevivência por diferentes motivos. Uns morrem pelo time, outros matam por comida e água, outros pela fé, outros porque perderam suas casas e seu carro financiado, outros pelo medo de morrer.

Jorge Nobre, O Estudante de Inglês, é a Marilena Chauí com o sinal invertido. Se ainda há quem defenda cegamente a burrice e a canalhice da Esquerda, há também quem defenda a burrice e a canalhice da Direita. Jorge Nobre, O Estudante de Inglês, não presta. Isso mesmo, simples assim. Mal dá pro gasto de conjugar uns verbinhos simples em inglês.

Lá vem mais pulseirinha


12,7% da população norte-americana vivem abaixo da linha de pobreza. A pesquisa, divulgada ontem à noite pelo Jornal da Globo, botou por terra o predileto e mais usado argumento dos amantes da América, o de que os EUA são uma imensa Manhattan, cosmopolita, chique e moderna. É claro, não sejamos ingênuos, ninguém esperava que um país tão grande tivesse índice zero de pobreza. Mas 12,7%?!

A cidade Nova Orleans, uma espécie de Rio de Janeiro americana, com sua música, sua mistura de gente e seu carnaval, está praticamente morta. Corpos flutuam em frente às casas, milhares de pessoas passam fome e sede, as doenças estão se espalhando e o caos das gangues e dos saques é total. Policiais se trancaram nas delegacias, com medo dos saques, e a governadora do estado os autorizou a atirar pra matar, como forma de restabelecer a ordem. O prefeito da cidade desabafou a uma rádio, reclamando da rapidez com que o governo americano aprovou a liberação de dinheiro para a invasão do Iraque, enquanto as tropas federais não chegam a Nova Orleans para levar socorro às vítimas da burrice. Sim, burrice, porque não foi o Katrina o algoz da cidade, e sim a falta de manutenção dos diques de contenção, construídos para represar o lago que rodeia a cidade. O caos chegou a níveis africanos. A violência saiu do controle e uma explosão sacudiu a área industrial (foto da CNN - não confunda com Bagdá) da cidade agora de manhã. As pessoas estão se matando por comida e água.

As autoridades mostram completo despreparo para lidar com a situação, o povo, no desespero, apela para cenas selvagens, típicas de povos inferiores, e o presidente, bem, o presidente estava novamente de férias, e novamente demorou a fazer alguma coisa. Paciência, americanos. Agüentem, foram vocês que o escolheram. Duas vezes.

terça-feira, agosto 30, 2005

O que sinto hoje


"Olhai para mim, e pasmai; e ponde a mão sobre a boca, porque, quando me lembro disto, me perturbo, e minha carne é sobressaltada de horror. Por que razão vivem os ímpios, envelhecem, e ainda se esforçam em poder? A sua semente se estabelece com eles perante a sua face, e os seus renovos perante os seus olhos. As suas casas têm paz, sem temor; e a vara de Deus não está sobre eles. O seu touro gera, e não falha, pare a sua vaca, e não aborta. Fazem sair as suas crianças, como a um rebanho, e seus filhos andam saltando. Levantam a voz, ao som do tamboril e da harpa, e alegram-se ao som dos órgãos."

Jó, 21:5-12


Segundo a Bíblia, este é o trecho em que "Jó mostra que os ímpios muitas vezes gozam prosperidade nesta vida".