José Dirceu foi agredido a bengaladas, na noite desta terça-feira, pelo sexagenário e escritor Yves Hublet. Enquanto descia o pau no cara-de-pau, Hublet gritava "Fristão! Fristão!", numa referência ao arquiinimigo de Dom Quixote. Enquanto apanhava, Dirrrceu só dizia "Era só o que faltava!". Não, Dirrrceu, ainda falta mais. O Sérgio Faria, do Catarro Verde, já deu a largada para a campanha da venda dos livros do escritor para as crianças brasileiras. Bom, de seus agressores Dirrrceu não pode reclamar. Dirrrceu tem aquela pose de empresário poderoso, e ficou com uma agressãozinha bem fina. Sua colega cafona, Marta Suplício, tomou foi uma "ovada", com galinha e tudo, na tarraqueta. Como se vê, os agressores brasileiros - todos a mando das "forças conservadoras" - estão investindo no requinte e no bom senso contra essa gente.quarta-feira, novembro 30, 2005
Hublet é meu amigo, mexeu com ele mexeu comigo
José Dirceu foi agredido a bengaladas, na noite desta terça-feira, pelo sexagenário e escritor Yves Hublet. Enquanto descia o pau no cara-de-pau, Hublet gritava "Fristão! Fristão!", numa referência ao arquiinimigo de Dom Quixote. Enquanto apanhava, Dirrrceu só dizia "Era só o que faltava!". Não, Dirrrceu, ainda falta mais. O Sérgio Faria, do Catarro Verde, já deu a largada para a campanha da venda dos livros do escritor para as crianças brasileiras. Bom, de seus agressores Dirrrceu não pode reclamar. Dirrrceu tem aquela pose de empresário poderoso, e ficou com uma agressãozinha bem fina. Sua colega cafona, Marta Suplício, tomou foi uma "ovada", com galinha e tudo, na tarraqueta. Como se vê, os agressores brasileiros - todos a mando das "forças conservadoras" - estão investindo no requinte e no bom senso contra essa gente.terça-feira, novembro 29, 2005
Quêde os ministros do STF?!
Segue abaixo post do Sérgio Faria de segunda-feira. Os comentários são do próprio:
Pátria amada de merda. Enquanto o Zedirceu vai virando o jogo com os juízes do STF a $eu favor + Sarney + ACM para livrar sua cara imunda, veja você o que rola na vida real:
SEM JULGAMENTO, IDOSA AGONIZA NA CADEIA
[Gilmar Penteado, da Falha de S. Paulo]
A ex-bóia-fria estende as mãos e começa a apontar, um a um, os calos dos dedos. Quer mostrar que nunca teve medo de trabalho pesado. Antes de terminar, porém, esquece a conta e usa as mãos para comprimir a bolsa de colostomia, em uma tentativa de aliviar a dor. O gesto é um sinal de que a entrevista terá de ser breve. Aos 79 anos, doente terminal de câncer de ovário e de intestino, pesando menos de 40 quilos, Iolanda Figueiral agora se contorce de dor na cama de uma penitenciária em São Paulo, onde aguarda julgamento longe de casa, dos quatro filhos, dos 15 netos e dos 15 bisnetos.
Iolanda é uma das mais de 600 presas da Penitenciária Feminina do Tatuapé, na zona leste da cidade. A acusação: tráfico de drogas, equiparado a um crime hediondo (como um homicídio cometido com crueldade), segundo a legislação penal brasileira. Só que Iolanda é presa provisória - até o julgamento, existe a presunção de inocência - e nega ter cometido o crime. Policiais encontraram 19 pedras de crack - menos de 17 gramas - na sua casa. Ela foi presa com o filho, de 40 anos, há quase quatro meses, na periferia da cidade de Campinas (95 km de São Paulo).
Iolanda afirma que a droga foi jogada na sua casa por um estranho, momentos antes da chegada da polícia ao local. Desde então, o advogado da família, Rodolpho Pettená Filho, e a Pastoral Carcerária, tentam tirar Iolanda da cadeia. Pediram tudo o que era possível: relaxamento da prisão por falta de prova, liberdade provisória em caráter excepcional, indulto humanitário e prisão albergue domiciliar (o preso cumpre a pena em casa).
Iolanda não tem antecedentes criminais, tem residência fixa e vive com a aposentadoria de R$ 300. Mesmo assim, a Justiça negou todos os pedidos.
O juiz José Guilherme Di Rienzo Marrey, da 6ª Vara Criminal de Campinas, citou a lei de crimes hediondos para mantê-la na prisão, apesar de dois pareceres do Ministério Público favoráveis à liberdade provisória em caráter excepcional. A lei proíbe a concessão de liberdade provisória para crimes hediondos ou equiparados, como o tráfico de drogas. O Tribunal de Justiça de São Paulo também negou habeas corpus.
Analfabeta, ex-bóia fria e ex-catadora de papelão, Iolanda balança a cabeça negativamente quando questionada se sabe o que significa essa lei.
Também não sabe dizer quem é Paulo Maluf, ex-governador e ex-prefeito de São Paulo -cinco anos mais novo do que ela -, também preso com o filho, citado pela Pastoral Carcerária no pedido de liberdade de Iolanda: "Seria injusto recusar a liberdade a alguém nessas condições [referindo-se a Iolanda] quando se concedeu liberdade por razões humanitárias ao sr. Paulo Maluf e seu filho, cuja situação [de saúde], com todo respeito, não pode ser considerada pior do que a de dona Iolanda", diz trecho do pedido. "Que perigo ela representa para a sociedade nessas condições?", afirmou Heidi Cerneka, da coordenação feminina da Pastoral Carcerária.
Para o advogado de Iolanda, o Código Penal é aplicado de forma diferenciada para ricos e pobres. "Eu lamento ver isso na nossa Justiça. O Código Penal é um só, mas a Justiça tem dado decisões mais brandas para os réus com mais recursos e decisões mais severas para os com menos recursos", afirmou. "Enquanto os irmãos Cravinhos [que confessaram o assassinato com golpes de barra de ferro do casal Marísia e Manfred von Richthofen] ganharam liberdade, uma pobre senhora está morrendo no cárcere por um crime bem mais leve."
ÚLTIMO PEDIDO
"Eu só quero morrer perto dos meus filhos", afirmou Iolanda, que tenta se manter sentada na cama. Os filhos e netos se revezam para visitá-la todos os domingos. "Toda família está muito indignada com o que está acontecendo. Não há motivos para fazer com que ela sofra assim", afirmou José Pedro de Almeida, 45, um dos filhos da ex-bóia-fria. Mesmo com a dor, Iolanda quer falar. Reclama que não conseguiu ver o outro filho, Carlos Roberto, 40, que sofre de diabetes e hipertensão, preso com ela também sob acusação de tráfico de drogas. "Na audiência [no fórum de Campinas], não me deixaram falar com ele. Nós não somos bichos", afirmou.
Iolanda é, então, vencida pela dor e desaba na cama. Uma funcionária traz um analgésico. A movimentação na enfermaria agita as presas, que perguntam se a ex-bóia-fria está bem. "O que ela pode fazer no crime?", questiona uma detenta. O médico é chamado às pressas. A entrevista é interrompida. Iolanda se despede com um gesto de mão e um sorriso. "Que Deus faça eles terem dó de mim", ainda consegue balbuciar.
segunda-feira, novembro 28, 2005
Notas de segunda-feira
Para pesquisadores da Universidade de Pavia, na Itália, o aumento dos níveis das proteínas chamadas neurotrofinas está ligado aos primeiros rubores do amor. Depois de um ano, os níveis dessas proteínas caem, e o casal vira um par de amigos que vez por outra fazem sexo.
Pierluigi Politi, da equipe de pesquisadores, disse que os resultados do estudo não sugerem que as pessoas não amam mais, apenas trocam o “amor agudo” pelo amor mais estável. Politi acrescenta que "nosso conhecimento da neurobiologia do amor romântico continua limitado" e que mais pesquisas precisam ser feitas. Ah, tá.
Louise Caroline, vice-presidente da UNE e colaboradora do Blog do Noblat, escreveu artigo sobre o aumento do preço das passagens de ônibus no Recife. Assim começava o artigo: "Companheiros e companheiras,...". Parei por ali mesmo.
É divertido constatar que Palocci realmente é o que sobra de governo neste governo. Há horas em que parece que o país inteiro quer acusá-lo de algo, só pra ter o prazer de vê-lo jogando baldes de água nos acusadores. As revistas, os jornais, os adversários e os colegas de governo adoram gente articulada, habilidosa.
E assim o país vai seguindo, nessas azias modorrentas de crise, ponteadas por pílulas de um Engov qualquer, defendido por um ministro que mal consegue pronunciar corretamente o próprio sobrenome.
O julgamento de Saddam Hussein voltou a ser adiado. José Dirceu já se preparava para trocar seus advogados pelos do ex-ditador, quando foi avisado que Sepúlveda Pertence, melhor amigo do seu melhor amigo, o “Kakay”, irá julgá-lo no STF.
Virou polêmica a atitude de um juiz mineiro de mandar soltar assassinos condenados por causa da superlotação das delegacias mineiras. Acho justo, especialmente se o nível dos freqüentadores desses lugares melhorar, as cadeias virarão hotéis de bom nível. A Polinter, por onde já se hospedaram Malufs e Nicolaus, deve ser um brinco.
Ronaldinho ganhou a Bola de Ouro da Fifa. Pois é.
Vídeo que exibe recrutas sendo obrigados a lutar nus choca o país e é enviado ao Ministério da Defesa. As imagens mostram um grupo de jovens sem roupa assistindo a uma briga entre dois homens, também nus, num lamaçal. Em determinado momento, dois outros entram na briga, um vestido de colegial e outro de cirurgião.
Não, não foi no Brasil, mas na Inglaterra. E as oficiais responsáveis pelo trote alegam que também têm suas fantasias de assistir homens nus lutando na lama, vestidos de colegiais e de médicos, ora essa. Qual o problema?!
Notícia do Portal Terra: “Kelly Osbourne nega fim de carreira”. Perguntada sobre seu trabalho como cantora que não canta, a filha de Ozzy se confundiu e rebateu, em meio a palavrões chulos e de baixo calão: “Mentira! Eu tenho muitas carreiras ainda, viu?! Dinheiro nunca foi problema pra mim, e consigo quantas eu quiser a qualquer hora do dia!”
Raica, a modelo eleita a Musa do Verão de 2006, justificadamente se achando, diz que já escolheu com quem vai ficar: o Príncipe William, da Inglaterra. Ronaldo, que num arroubo de romantismo e mau gosto levara a cruzeta humana para a churrascaria Porcão, no Rio, lamenta. Ficou sem a gorduchinha, a bola da Fifa, e sem a magrelinha. Aliás, Ronaldo vem dando até pena, não?
Responda rápido: “O que você faria com dois quilos a mais?”.
quarta-feira, novembro 23, 2005
Direto de um cyber-café que cheira a café.
Depois deste longo tempo de inconstâncias e sumiços, tudo volta ao normal, ou seja, com posts diários sempre que possível (o que será sempre), quem sabe mais de um. O ritmo volta ao normal na segunda-feira.
Peço desculpas aos visitantes insistentes.
Dito isto, vamos lá.
quinta-feira, novembro 10, 2005
Ele não sabia de nada
Chegou à imprensa a notícia de que, na volta de sua viagem a Moscou, Lula teria assistido ao filme Dois Filhos de Francisco a bordo do avião presidencial. Tudo bem, não fosse o detalhe de que o filme só será lançado em DVD em 7 de dezembro, ou seja, o presidente da república, sua assessoria, sua comitiva e seus companheiros compram e assistem a filmes piratas.
A assessoria do presidente ainda não identificou o membro da oposição que teria “plantado” o DVD a bordo do avião oficial, para que o governo passasse por mais esse constrangimento. A cópia pirata do filme – “não oficial”, na língua oficial petista – foi apreendida depois do incidente, a pedido do presidente, visivelmente abalado.
Um repórter, mau-educado que só ele, conseguiu furar a linha de seguranças, deputados e senadores da tropa de choque do presidente e, aos berros, conseguiu fazer uma pergunta ao supremo mandatário do país:
- Presidente, presidente! Como o senhor explica o fato de que assistiu a um filme pirata a bordo do avião presidencial?!
- Veja, é claro que é intolerável o que aconteceu. Veja, eu não posso admitir que uma coisa dessas aconteça no meu governo. Veja, eu estou me sentindo traído, mas não vou citar nomes para não fazer injustiça, mas veja, o que aconteceu a bordo do avião presidencial, que não é meu, é o que vem acontecendo sistematicamente nesse país, meu caro.
- Mas presidente...
- Veja, eu já esclareci a questão. Vamos esperar que o Ministério Público, a Polícia Federal, as três CPIs que estão em andamento e a Justiça Brasileira apontem os culpados. Já respondi sua pergunta, meu caro. Agora você pode me dar licença pra eu tocar o berimbau do meu companheiro, o presidente de Botsuana, que veio me visitar?! Posso?!
segunda-feira, novembro 07, 2005
Notas de segunda-feira
Não sei pra que tanto protesto. Brasília e Bush têm tudo a ver.
Há 11 dias a França vive clima de guerra urbana, com conflitos violentos, incineração de carros e de prédios. É isso que dá uma nação estar desacostumada a ver adolescentes morrerem fugindo da polícia.
A loja Daslu, a Meca das esposas de políticos (que recebem 15 mil reais por mês), está em crise, demitindo e esperando por compradores – não de bolsinhas, mas da loja mesmo. Constata-se que, nessa terra de muro baixo, dentro da lei as coisas minguam. As importações estão paradas, já que agora Eliana Tranchesi precisa declarar o preço real de seus produtos aos fornecedores e à Receita. Vida difícil, essa de empresário honesto nesse país.
Numa dessas perguntaria Juquinha: “Ué, mas a pose de vocês não vinha justamente porque podiam pagar o que ninguém mais podia?”. Ao que Zezinho responderia: “É que tem gente que gosta de esbanjar, Juquinha, mas sem pagar por isso, entendeu?”
A vazante histórica dos rios amazônicos parece ter trazido às ruas todos os ribeirinhos flagelados. Setas, faixas, limites de velocidade, semáforos, pra quê?!
Terá São Judas Tadeu ouvido as preces do time do Flamengo? Ou o santo anda recebendo propina pra favorecer o time carioca?
Arlindo Chináglia, líder do governo no congresso, disse que só falta que a oposição acuse Lula de ter recebido dinheiro de Osama Bin Laden, depois das acusações de ajuda cubana à campanha de 2002. Pelo jeito o presidente Lula ainda não percebeu – oh! – o mau gosto da comparação. Então Fidel, inspiração histórica da cretinice esquerdista brasileira, está no mesmo balaio de Bin Laden?
Depois de Glória Perez qualquer porcaria seria belíssima, comadre.
Lula, oferecendo churrasco na Granja (pegou, pegou?) com o sugestivo nome de Torto a Jesus W. Christ, preparado por um churrasqueiro sul-mato-grossense? Simão Pessoa está certíssimo, esse é o país da piada pronta.
E pergunta enviada por leitor do Tutty Vasques à coluna: “Se um político comer carne infectada por febre aftosa, toda a manada precisará ser sacrificada?” Hum...
sábado, novembro 05, 2005
Bofetada na cara da idiotia
O bom gosto, caetaneado, do avesso, do avesso, do avesso.
Glória Perez, sobre a notícia de que o público brasileiro rejeitaria o beijo gay no final de América:
“Eu sempre me divirto com os invencionismos publicados sobre a minha história. Tipo, quem vai acabar com quem e até participações de certos atores que não irão acontecer, como é o caso de José Mayer. Mas essa história da rejeição me assustou, porque além de ser mentirosa é preconceituosa e perigosa. Se trabalhasse numa emissora careta, uma matéria desse tipo poderia influenciar na decisão da casa. Felizmente, a Globo não é assim e respeita a decisão do autor”.
Bem, o beijo foi cortado do último capítulo. Torce, espera e anseia esse Malfazejo aqui que Dona Glória fique magoada e nunca mais escreva outra novela.
sexta-feira, novembro 04, 2005
O Malfazejo Recomenda
Portishead, ao vivo em Nova Iorque. Assista, equipado com um copo de água, salpicado por pedras de uísque.
quinta-feira, novembro 03, 2005
Cartilha aberta ao povo brasileiro
- Ninguém, sozinho, irá resolver os problemas do país.
- Quando alguém lhe oferecer um presente em época de eleições, aceite. Seu voto não tem nada a ver com isso. Não há como saberem em quem você votou.
- Não se deixe enganar. Políticos não brigam, não ficam de mal, não se desentendem.
- Não se deixe enganar. Políticos não fazem as pazes. Até porque não brigam.
- Prefeitos, governadores e presidentes não fazem leis sozinhos. Quando lhe prometerem mais ônibus, mais segurança e mais saúde, nunca acredite.
- Ruas asfaltadas, médicos nos hospitais e água na torneira não são presentes. Quando um político lhe oferecer essas coisas como presente, pergunte: "por que você não fez isso antes?". É pura obrigação.
- Quando você souber que alguém recebe da prefeitura ou do governo sem trabalhar, denuncie. É o seu dinheiro que está sendo roubado.
- Partidos do Bem não existem, nem partidos do Mal.
- Nunca, nunca mais vote em quem você considera "bem intencionado". Boas intenções não resolvem nada.
- Interesse-se por política, procure saber quem é quem. Você pode ter raiva de políticos, mas, como o voto é obrigatório, faça-me o favor de se interessar. Ou você já passou em vestibular sem estudar?
- Pare de reclamar dos políticos. A culpa não é deles.
- Desconfie, aliás, não vote em quem visivelmente gasta milhões só pra se eleger e ter um salário de 8.000 reais.
- Pare de admirar o poder daquele político ladrão. As mansões, os carrões, os jornais, as empresas e os helicópeteros foram pagos, muito provavelmente, por você.
- Na política não há santos, acostume-se. Vote naquele chato, que fala manso sobre coisas chatas. E lembre-se: são os assuntos chatos os mais importantes.
- Exija a prestação de contas do seu dinheiro. Você não faz isso em casa?
- Denuncie a corrupção, por mais que não valha a pena.
- Política não é moda, festa nem revolução. Não se deixe enganar por patricinhas e playboys que fazem campanha para alguém. Faça o mesmo com líderes estudantis e qualquer outro tipo de revolucionário.
- Políticos recebem até 15.000 reais, em média, por mês, para trabalhar pra você. Ou seja, político que aparenta ter muito mais do que isso é ladrão, como dois mais dois dá quatro. Não vote nessas pessoas.
Continua...
segunda-feira, outubro 31, 2005
Quiz
sábado, outubro 29, 2005
quinta-feira, outubro 27, 2005
Dream team, reunited
Super-herói não identificado – Sr. Delúbio, o senhor foi pressionado pelo PL para repassar dinheiro ao partido?
Delúbio – Vezja, depujztado... eu zjá ezsclareci essjza quesjztão na pergunta antezriorz.
Super-herói não identificado, irritado – Tudo bem, então me explique novamente, por favor.
Delúbio – Vezja, depujztado, eu acrezdito que zjá rejzspondi esszja quesztão...
Zulaiê Cobra (PSDB-SP) – SEU MARRRCOS VALÉRIO, O SENHORRR REPASSOU DINHEIRO, VIVO!, PARA O SENHORRR JACINTO LAMAS???!!!
Marcos Valério – Sim, senhor. Perdão, senhora...
Zulaiê – É SENHORA MESMO, PORRRQUE EU SOU MULHERRR!!!
...risos dos outros super-heróis...
quarta-feira, outubro 26, 2005
Oooohhhhhh!!!
Referendo
'Não' fechou acordo com indústria de arma
26 de Outubro de 2005
A frente parlamentar que defendeu o "Não" no referendo sobre proibição da venda de armas e munição fechou um acordo com duas fábricas do setor para custear a campanha. Conforme reportagem publicada nesta quarta-feira pelo jornal O Estado de S. Paulo, as indústrias Taurus e Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC) concordaram em pagar dívidas deixadas pela campanha do "Não".
O acordo verbal firmado entre representantes da empresa e o deputado Alberto Fraga (PFL-DF), presidente da Frente Parlamentar pelo Direito da Legítima Defesa, ocorreu antes do referendo. Ficou acertado que as empresas não pagariam nada nem divulgariam seu apoio à frente do "Não" até a consulta popular, ocorrida no doming. Depois, contudo, poderiam contribuir com essa frente.
A ajuda viria através da cobertura das dívidas surgidas caso as doações à frente não cobrissem as despesas da campanha. Fraga confirmou a realização do acordo ao Estado. O presidente da frente do "Não" havia repetido várias vezes que sua campanha não aceitaria dinheiro da indústria de armas porque tinha "atuação independente". O caso, porém, não muda o resultado do pleito.
Estelionato - Conforme um ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que não quis ser identificado, o acordo não configura um crime eleitoral; portanto, a vitória do "Não" está assegurada. A prática representa, contudo, quebra de decoro parlamentar por parte de Fraga, algo que o deputado rejeita. "Não tem isso. Não estou nem aí. Minha honra todos conhecem na Casa", disse.
Na frente do "Sim", a informação provocou indignação. O vice-presidente da frente, deputado Raul Jungmann (PPS-PE), disse que Fraga cometeu "estelionato político" e perguntou: "Por que não se colocou isso de público antes? Esconderam a parceria para iludir o público." Ele pode levar o caso à Comissão de Ética da Câmara. As dívidas do "Não" chegariam a 1,1 milhão de reais.
Fonte: Quem diria, Veja on-line
Cleptomaníaca que rouba cleptomaníaca...
Fernando Paulino Neto, do site NoMinimo, faz reportagem sobre um episódio no mínimo irônico. Lucy Mafra, atriz experiente em papéis sem destaque em novelas da Globo, é acusada de roubar R$ 300,00 de Christiane Torloni. Veja a matéria abaixo:
Enfim, célebre
Fernando Paulino Neto
Mas, do nada, Lucy foi colocada no redemoinho de uma fofoca de bastidores da novela “América”, em que interpretava (ou será que ainda interpretará?) quase despercebida Claudete, a vizinha de Islene (Paula Burlamaqui) que cuida de Flor (Bruna Marquesini). Alguém roubou R$ 300 do escaninho de Christiane Torloni, que vive a cleptomaníaca Haydée, nos camarins do Projac, o reino do faz-de-conta da TV Globo. Uma camareira viu Lucy mexendo no escaninho de baixo (o dela) e a chave do armário da Torloni balançando. Foi o que bastou: dentro do Projac, ela passou a ser olhada de modo atravessado. Logo, logo a coisa vazou para os jornais.
Uma colega do “núcleo Vila Isabel”, aquele lugar onde se samba até em cerimônia de casamento, ligou para a colunista da “Folha de S. Paulo”, Mônica Bergamo, e soprou o nome de Lucy. Pronto. Tudo mudou. No sábado, pouco depois do meio-dia, um amigo de Lucy contabilizava cerca de 850 menções a seu nome no Google, o mais famoso site de busca Internet, citando o caso do roubo. Antes, seu nome aparecia de maneira discreta e esparsa, quase sempre como referência a seu trabalho com o grupo teatral carioca Tá na Rua, liderado por Amir Haddad, ou no meio das listas de “elenco de apoio” de novelas e minisséries.
Agora, transformada numa espécie de “campeã de audiência do Google” e citada por todos os sites de fofoca televisiva, Lucy tem pela primeira vez o reconhecimento público. Não tem sido bom para ela. “Outro dia, eu estava no frescão e uma senhora começou a me xingar”, conta. Andando pela Lapa, teve outra surpresa. Um conhecido e vizinho em uma das diversas oficinas de teatro e grupos de trabalho que ocupam sobrados do início do século passado no bairro não teve dúvida: ao vê-la passar em direção à sede do Tá Na Rua, gritou seu nome bem alto, abriu uma mão, fincou um polegar na palma e, com os dedos estendidos, fez um círculo completo no gesto tão característico. Alguns colegas de trabalho também ficaram contra ela. “Teve gente que disse que eu posei nua e que eu fumo maconha, só como forma de me denegrir. Mas sou só eu?” – pergunta a nova celebridade nacional.
Solidariedade punk
Indignada, Lucy desabafa: “Me sinto um deputado do PT. Hoje, no Brasil, estamos com uma tolerância muito baixo ao roubo, todo mundo fica muito zangado. E, mesmo depois que tudo passar, fica o estigma.” É verdade que ela encontrou solidariedade também entre seus companheiros de Globo. Cita Paula Burlamaqui, com quem contracenava na novela, e Renata Sorrah entre as colegas que lhe deram apoio neste momento difícil e confessa: “Se eu tivesse sido flagrada com a mão na mochila de alguém, pedia desculpas, saía de fininho e ia vender artesanato no Chile, porque eu sou uma atriz. E não sei fazer outra coisa”.
Enquanto recebia a reportagem de NoMínimo, no horário do almoço de sábado, Lucy leu uma mensagem de texto em seu celular. Dizia: “E aí, Lucy, você pode me dizer quem é a cleptomaníaca do núcleo Vila Ezabel (assim mesmo) de ‘América’?” E ela conhece o curioso dono do telefone.
Nem tudo é tristeza, porém. Da rua pode vir também a solidariedade. “Eu tava andando pela Lapa, às oito da manhã, e um grupo de punks malucos, virados da noite, gritou pra mim: ‘Tamo contigo!’”. Lucy diz que está tentando “separar o joio do trigo” – ou “os verdadeiros amigos de quem prefere se afastar em um momento ruim”.
Nos primeiros dias do episódio, ela ficou quieta, aguardando uma reação da Globo. “Esperava uma palavra, que me apoiassem, aumentassem meu papel, sei lá, mas eles só falavam para eu desmentir tudo”, afirma. Depois, passou pelo momento de maior tristeza: “Chorei muito, fui me agarrar na saia da minha mãe lá em Volta Redonda. Foi uma maldade que fizeram, minha mãe tem mais de 70 anos, ficou vendo isso tudo e ainda perguntou se eu ia voltar a trabalhar na novela.”.
Foi então que resolveu partir para a ação. Lucy não hesita em afirmar o que pretende tirar de bom de todo este episódio: “Dinheiro.” Para isso, contratou o “advogado das estrelas”, Sylvio Guerra, especializado em processos de artistas contra seus empregadores, jornais e revistas. “Teve um camera man do Faustão que foi zoado no ar, chamado de veado e levou R$ 500 mil do Faustão e R$ 500 mil da Globo. É um Big Brother”, sonha.
Sylvio Guerra entrou com uma interpelação judicial para que a Globo informe se afastou Lucy da novela e, em caso positivo, qual a razão disso, já que ela está bem de saúde e tem contrato em vigência. Dependendo da resposta, ele entrará com uma ação de perdas e danos. Lucy pretende processar também a colega que a entregou à jornalista. Jura que sabe o nome, mas não revela - pelo menos, até buscar reparação na Justiça.
Da Globo para o SBT
A Central Globo de Comunicação informa, por e-mail, que “nunca fez qualquer acusação contra a atriz ou contra quem quer que seja. Lucy Mafra é contratada por obra certa, tem contrato até o fim da novela e o contrato será cumprido. O personagem saiu da trama por razões dramatúrgicas, já que no final da novela personagens de apoio perdem força. A atriz, contudo, continua no elenco, recebendo até o fim do contrato.”
No entanto, Lucy tinha falas previstas nos capítulos 187, 188 e 190, que já foram ao ar, e não foi chamada para gravar. O roteiro com as falas da personagem Claudete nestes capítulos faz parte das provas que Guerra pretende apresentar à Justiça.
Guerra não é um advogado barato. Depois de uma negociação, chegaram no valor mínimo pelo qual ele estaria disposto a defendê-la: R$ 10 mil. Lucy não tinha esse dinheiro. O próprio advogado deu a solução. Depois de uma entrevista coletiva no início da semana passada, no escritório do advogado, Lucy se calou e só voltou a falar no “Programa do Ratinho”, no SBT, na quinta-feira. Pela participação, recebeu um cachê de R$ 10 mil. Entregou tudo ao advogado.
Gostou da experiência. “O Ratinho foi um gentleman. Me respeitou no programa dele. Não teve baixaria”, afirma. Ela aproveitou para pedir, no ar, emprego no SBT. Não é que deu certo? Foi chamada para ficar mais um dia em São Paulo e negociar a mudança. Como seu contrato com a Globo termina no dia 15 de novembro e “não deve haver interesse em renovação”, está propensa a aceitar a proposta da emissora paulista. “Eles me querem. Fiquei famosa”, ironiza.
A atriz nunca se importou de fazer papéis pequenos. “Dava pra tirar um salário decente e me permitia fazer o que mais gosto, que é trabalhar em teatro”, diz. Ela está há 20 anos no Tá Na Rua. E o chefe da trupe, Amir Haddad, afirma categórico: “Aqui, nesse tempo todo, ela nunca roubou nada.” Amir conheceu Lucy na época em que ela apareceu no “Pasquim” e recorda: “Era uma cover-girl muito bonita e pintava o cabelo. Eu disse a ela: ‘Vem trabalhar comigo que eu quero conhecer a cor do seu cabelo.’ Ela veio e, um tempo depois, me disse: ‘O meu cabelo é esse.’ Lucy é uma pessoa muito interessante.”
Haddad fica apavorado com o que a antiga colaboradora está passando: “O que me assusta é esse linchamento sistemático que a imprensa faz, com base na liberdade de imprensa. Está sempre demolindo. Hoje, tem um linchamento por dia. É uma Imprensa adjetiva e dramática, não é reflexiva. Este modo de tratar as coisas. emocionando e não informando, é a mãe de todas as formas de fascismo.”
Lucy prefere pensar que pode estar desconstruindo tudo para iniciar um novo tempo. “Sou muito apegada a Nossa Senhora Aparecida. Agora que estou fazendo 50 anos, enchi o saco da santa para ela me ajudar no fim do meu contrato com a Globo. Ela deve ter dito: ‘Tá, eu vou ajudar, mas você não está esperando que vá acontecer um milagre.’ Quem sabe, tudo isso não é trabalho de Nossa Senhora e, no fim, vai ficar tudo pra melhor”, diz, sorrindo.
E, logo depois, entristece o semblante e afirma: “Ainda não estou bem”.
terça-feira, outubro 25, 2005
Frente por um Brasil sem Pacifistas
O pacifista, como o vegetariano, o religioso e o vendedor da Herbalife, é acima de tudo um chato. Não há gente mais chata do que alguém que ama a paz, alguém que quer um mundo melhor, sem guerras, sem assaltos e sem bombas caseiras nos estádios. Mas eis as novas, pessoal da paz: não há paz. A paz é a utopia essencial do mundo, e por ela não vale a pena lutar. A paz, essa paz que vocês almejam – mas não perseguem -, é apenas um John Lennon, nu numa cama, tocando uma balada boba qualquer sobre uma chance a ela, a Paz. A paz que vocês almejam – mas não perseguem – é a mais fácil e efêmera de todas, é aquela paz do calçadão carioca, é aquela paz trazida por uma camiseta branca na manhã de domingo. Essa paz, a paz dos sinaizinhos manuais e das faixas penduradas nas sacadas dos apartamentos – protegidos por seguranças armados – é sem valor. A paz dos anti-guerra, a paz dos anti-globalização, a paz dos anti-armas, a paz dos anti-EUA é boba. Boba como um John Lennon, tola como qualquer um que se defina anti-qualquer-coisa. Repilo, repilo veementemente a companhia de ativistas anti-alguma-coisa.
O NÃO venceu. Confesso ter ficado preocupado com o resultado desse referendo. Votei NÃO, mas a vitória do NÃO não deve ser boa coisa, dada a capacidade brasileira de se votar errado. Mas torço, torço para que a violência acabe, para que ninguém mais cheire cocaína, para que a camada de ozônio se recupere, para que Bush assine o Protocolo de Kyoto, para que a China pare de executar cidadãos, para que o gado brasileiro fique curado, para que as galinhas malaias fiquem boas. Torço pra tudo isso. E se um dia decidir agir de alguma forma, vou cobrar o que me tomam à força, e pelo que não recebo nada em troca. Segurança. Segurança pública. Segurança coletiva.
Pacifistas não deviam ficar no país. Têm muito mais trabalho lá fora, onde as tensões são culturais, raciais, étnicas – não há poder público que dê jeito. No Sudão ocorre, nesse momento, um genocídio comparável ao de Ruanda em 1994. Por que os pacifistas brasileiros não vão para lá, fazer a diferença? O Brasil não precisa de paz, precisa de vergonha na cara, de cumprimento de leis. O Brasil não precisa de artistas globais jogando confete nas ruas, precisa ver gente ruim entrar – e ficar – na cadeia. Precisa reverter o quadro das ONGs, onde pouquíssimas existem para fiscalizar e monitorar o comportamento dos políticos e outras centenas ficam no blá-blá-blá da Paz.
Paz não existe. Nem na Islândia, nem da França, nem da Dinamarca. Se eles estão muito melhor, não é por causa de paz, de passeatas nem de campanhas anti-violência. É porque eles cumprem as leis. Diriam os nobres brasileiros, encabulados, então: aí complicou.
segunda-feira, outubro 24, 2005
Cenas de um feriado

Bob Esponja, cachaceiro feito uma esponja, em flagrante embriaguês no feriadão manauara!
Do ótimo Conversa Cruzada.
terça-feira, outubro 18, 2005
Só porque é ele
Sou um democrata. Ribamar, meu ídolo, é do SIM. Ok, ninguém é perfeito (ele é até petista). Mas como sou - ou quero ser - essa metamorfose ambulante, estou disposto a virar a casaca do NÃO para o SIM assim que ouvir o primeiro argumento que valha. Não foi esse, mas vale dar uma conferida. Ei-lo.
SE EU COZINHO, É MEU?
José Ribamar Bessa Freire
16/10/2005 - Diário do Amazonas
O bairro de Aparecida está numa sinuca de bico . Seus moradores, confusos e angustiados, não sabem como enfrentar o referendo popular . Se responderem ‘ não ', contrariam direitos individuais . Se disserem ‘ sim ', abdicam de princípios sagrados e, dessa forma , acabam dando aquilo que o Nêgo Valdir deu: a própria honra . Muitos preferem fugir pela tangente , dizendo: ‘ talvez ', ‘depende', ‘sei lá '. Mas essas alternativas não existem no referendo . Não há meio termo. É ‘ preto ' ou é ‘ branco '. Não tem ‘ cinza '. De todo jeito , a gente se ferra . Com o ‘ sim ', é créu. Com o ‘ não ', é crau. A diferença é apenas de uma mísera vogal?
Manaus viveu drama similar no referendo do peixe que aconteceu há 50 anos . Na época , desnorteado, busquei orientação com tia Eulália. Ela era freira , da Congregação das Adoradoras do Preciosissimo Sangue . Uma santa . Estava mais perto do céu do que eu , pecador empedernido . Quem sabe, a titia podia me iluminar sobre os enigmas do mundo e da vida ? Era domingo , dia de visita ao convento , ali na av. Constantino Nery, bem em frente à igreja de São Geraldo. Cheguei, pedi a benção – benstia – e, à queima roupa , fui logo fazendo a pergunta do referendo do peixe que atormentava, então , os amazonenses .
- Titia , se eu pesco um peixe , se eu cozinho, é meu ?
Minha mãe ralhou: “ Deixa de ser abestado, menino ”. Mas tia Eulália me levou a sério . Não respondeu de chofre . Primeiro , me abençoou: - “ Deus te faça feliz ”. Naquela época , sobrinho pedia benção, tia abençoava e a gente falava “de chofre ”. Hoje , é a maior esculhambação . Minha sobrinha Ana Paula, por exemplo , não me concede sequer a graça do título de ‘ tio ', me trata simplesmente de ‘Beibe', sem qualquer cerimônia . Nunca , nunquinha, me pediu a benção. Essa é mágoa que guardo no fundo do meu coração . Sei que é uma questão familiar , mas preciso compartilhar esse sofrimento com os leitores .
Digo não ao não
Mas onde é mesmo que eu estava? Ah, na titia . Depois de me abençoar , ela coçou a cabeça . Não , pera lá ! Minto! A cena , com certeza , exige uma coçada reflexiva . No entanto , as freiras usavam uma espécie de capacete de plástico , coberto por véu branco , que não deixava coçar a cabeça . Se fosse homem , titia coçaria outra coisa . Acabou mesmo coçando o queixo , enquanto repetia baixinho, quase rezando: “Se eu pesco um peixe , se eu cozinho, é meu ?” Aí , como se descobrisse a pólvora , sentenciou: -“É seu , meu sobrinho . É seu ”. Fez uma pausa e confirmou inapelável : - “ Sim , meu sobrinho , é seu . Indubitavelmente, é seu ”.
Meio século depois , Tia Eulália – a inocente - está morta , mas sua lição orienta o rumo que devo tomar nesse plebiscito nacional sobre o desarmamento , cuja pergunta também é capciosa : "O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?”. Há uma evidente manipulação da linguagem , como no referendo do peixe . Quem responder ‘ sim ', está querendo dizer “ não quero que vendam armas ”. Quem marcar ‘ não ', diz o contrário : “ sim , eu quero que a venda seja permitida”. Está tudo de revestrés. O ‘ não ', que é negativo , libera. Já o ‘ sim ', que tem conotação positiva , proíbe. Eraste! Eu , einh!
Como se isso não bastasse, os partidários de um lado e de outro usam o horário da propaganda política obrigatória na rádio e na televisão para confundir ainda mais . Não discutem princípios , nem esclarecem dúvidas , querem apenas vender ‘o não ' ou o ‘ sim ', usando uma linguagem marqueteira abjeta , como se estivessem anunciando sabão em pó , margarina , telefone celular ou um deputado qualquer do PFL (viche! viche!). Não pretendem nos fazer pensar e refletir , querem apenas nos obrigar a aderir .
A turma do ‘ não ', em vez de provar porque é bom vender arma e munição adoidado , faz terrorismo , jurando que se o ‘ sim ' ganhar , o povão vai se ferrar , o mercado negro de armas vai crescer , o Estado ficará sem o controle sobre revólveres e pistolas , os bandidos vão invadir nossas casas , as empresas de segurança privada vão faturar , enfim , fazendeiros , grandes empresários , lideres políticos , juizes e advogados famosos continuarão a se armar legalmente , enquanto a plebe ficará desarmada. Como se a plebe , hoje , estivesse armada .
Esse é o argumento da revista VEJA, que apresentou sete razões – sete é conta de mentiroso – para provar que é bom vender armas e munições e que , portanto , os leitores devem votar ‘ não '. Quase todas as razões são terroristas , tentam nos amedrontar e desestabilizar , jurando que os bandidos vão se sentir mais seguros para assaltar e invadir as casas , já que sabem que seus proprietários estão desarmados. A revista invoca ainda , cinicamente, o princípio da liberdade : por que impedir o cidadão , que paga impostos , de comprar uma arma e de exercer com ela o direito de legítima defesa ? Depois da novela ‘O direito de nascer ', VEJA roteiriza ‘O direito de matar '.
Digo sim ao sim
O meu amigo Rubem Rola , que mora na Bandeira Branca , discorda da VEJA. Ele e sua mãe Marina votam ‘ sim ' nos dois referendos – o do peixe e o do desarmamento . São pequenos empresários , donos da Rolamar Produtos Alimentícios Ltda.- que fabrica broas . Sua empresa familiar não será prejudicada pelo resultado da consulta popular . Estão conscientes de que os únicos que vão lucrar com o ‘ não ' são os fabricantes e comerciantes de armas . Para eles , a questão é saber se queremos mudar ou se queremos que a situação fique como está. Quem vota ‘ não ', quer que fique como está. Quem vota ‘ sim ‘ quer mudar .
Rubem e Marina são produtores de broas e não de armas. Querem mudança , e por isso votam ‘ sim '. Não desejam ficar do mesmo lado do pistoleiro Bolsonaro e do porquinho Fleury. Raciocinam da seguinte forma : hoje é permitido vender armas e a situação está – com o perdão da palavra – uma merda. Portanto , precisamos mudar . O ‘ sim ' significa mudança , não necessariamente para melhor , é certo . Por isso , depois de proibir a comercialização , devemos pressionar o governo para melhorar a segurança pública . De qualquer forma , o que não pode é ficar como está.
Todos nós sabemos que não haverá diminuição da violência no Brasil, enquanto houver desemprego, miséria , ignorância , fome , doença e corrupção . Votamos no ‘ sim ', sem esperar milagres , mas acreditando que a sociedade com a qual sonhamos não pode ser construída com cada um organizando individualmente sua defesa pessoal . Essa não é a sociedade que quero para meus filhos e netos: um aglomerado de pistoleiros onde cada um é responsável por sua segurança , no lugar de uma comunidade de cidadãos, cuja segurança é responsabilidade do Estado. É preciso ter coragem para não tirar o fiofó da reta e dizer ‘ sim ', como fizeram tia Eulália, Rubem Rola e Marina . Com o ‘sim', sinalizamos a sociedade que queremos, onde a segurança n&atild! e;o é um problema individual e privado, mas é uma questão de política pública.
Quanto ao referendo do peixe , não há nada a temer , leitor (a). Responde “ sim ”, corajosamente , porque o peixe é de quem o pescou e o cozinhou. Se eu cozinho, é meu , indubitavelmente. Não podemos negar isso , só por causa de um joguinho de palavras . Se tens medo de ficar como o Nego Valdir, exige a tradução da pergunta ao inglês : “If I fish a fish, if I cook it, is it mine?”. Ai, podes responder “yes”, sem comprometer tua honra . Afinal , se o Berinho, secretário de Cultura , colocou avisos em inglês para orientar os cavalos das charretes da praça São Sebastião, por que não podemos traduzir aos humanos a pergunta de um referendo ?
P.S. - Por falar em inglês , recebi a seguinte notícia , que é uma forte razão adicional para votar no ‘ sim ': “On October the 11th at 12:35 a.m. was born the princess Maria Rafaela do Espirito Santo Fontoura Nogueira , weighing 3,359 kg and measuring 51 cm. Her Highness and Her Majesty are very well. (assinado) The King”. Agradeço ainda ao José Amaro Júnior e à Ana Paula, pela sugestão do tema da crônica de hoje .
segunda-feira, outubro 17, 2005
Notas de segunda-feira
Bardot, nossa dogo argentino, vulgarmente conhecida como Fezes, precisa de novo nome. Depois de se soltar misteriosamente e destruir parte do jardim novinho da Mansão Benigna, chamar-se-ia Katrina. Agora, depois de desfazer novamente o engate de sua correia, se lambuzar inteira em terra preta e amanhecer alva feito camiseta de comercial de sabão em pó, precisa de nova alcunha. Já pensei em McGyver, Carrie, a Estranha e Mãe Diná. Mas o concurso “Dê um nome para nosso ET” está lançado.
Genial como só ele sabe ser, o Brasil agora divide sua nação de ignorantes indefesos nos eixos do Bem e do Mal. Quem vai votar NÃO é amante de armas, quem vai votar SIM é pela vida. E segue a ladainha de que a democracia brasileira está sólida e de que o povo aprendeu a votar.
O Jornal Hoje acaba de noticiar que um garoto matou um colega, dentro de sala, acidentalmente, quando mostrava duas armas aos colegas. Sabe-se que as armas foram adquiridas há dois anos, por duzentos reais cada uma. A Globo só não investigou, ou não quis contar, qual foi a loja legalizada que vendeu as armas ao rapaz.
Delúbio Soares acaba de dizer, em entrevista, que “as denúncias de corrupção vão virar piada de salão”. Depois ainda tem gente que acusa o cara de nunca falar a verdade...
Os blogs “do Josias de Souza” e “do Fernando” encabeçam as manchetes do UOL. E ainda tem gente torcendo o nariz e fazendo “hummmm” pra quem mantém blogs na Internet...
A pior coisa de estar em casa, sem tevê a cabo, é ouvir aquela voz legal comentando o filme da Sessão da Tarde: “Agora essa turminha vai viver altas aventuras e loucas armações!”
Alguém tem, de cabeça, o nome do remédio pra depressão pós-parto? Falo do meu.
Brainstorming: Não há nada mais anti-romântico do que, no motel, escolher os discos românticos que se quer que ela ouça. Aliás, há sim, algo mais anti-romântico: vinho Peter-brum do frigobar ou Mioranzas e Galiottos comprados na lojinha de conveniência próxima ao motel.
Não estranhe, estou ouvindo um discaço chamado Sexy Vibes.
Brainstorming 2: a música é sempre espontânea nos filmes. Cenas de amor, mesmo numa cabana dos Alpes, sempre têm à disposição um Chet Baker ou um Damien Rice por perto. Já que você não tem, finja que aquele Eagle Eye-Cherry ou aquela Billie Holiday tocando assim que ela entra no carro estavam tocando ao léu, despretensiosamente. Isso é metade da conquista, meu caro. A outra metade é saber dançar.
É, ainda estou ouvindo Sexy Vibes, sozinho.
Cadê você, Meu Amor, que não chega?...
sexta-feira, outubro 14, 2005
Tipo assim... não entendi... explica de novo?
Fumo torna pensamento lento e diminui QI, diz estudo
O consumo contínuo de tabaco torna o pensamento mais lento e reduz o QI (Quociente de Inteligência), segundo um estudo publicado nesta quarta-feira pela Universidade de Michigan.
"Os resultados levarão aqueles que pesquisam o alcoolismo a reavaliar as informações que possuem sobre o impacto do tabagismo. Este fator geralmente não é levado em consideração nos estudos sobre os efeitos do alcoolismo no cérebro", disse a responsável pelo estudo, Jennifer Glass.
"Entre 50% e 80% dos alcoólatras também fumam", acrescentou a pesquisadora do Departamento de Psiquiatria da Universidade de Michigan.
Os resultados da pesquisa contradizem a crença de que um cigarro ajuda os fumantes na concentração, especialmente em momentos de muito trabalho ou estresse.
Os pesquisadores analisaram a relação entre o consumo contínuo de tabaco e a redução na capacidade mental de 172 homens alcoólatras e não-alcoólatras.
A equipe de cientistas confirmou a conclusão de estudos anteriores que relacionavam o alcoolismo a problemas na rapidez e na clareza da função cognitiva e a uma redução do QI. No entanto, o trabalho revelou ainda que o consumo contínuo de tabaco tem um efeito similar.
"As conseqüências na memória, na capacidade de solução de problemas e no coeficiente intelectual foram maiores entre as pessoas que fumaram durante anos", acrescentou.
quinta-feira, outubro 06, 2005
Tudo na mais perfeita ordem
Brasil é o nono país mais feliz
05 de Outubro de 2005
Pesquisa do instituto britânico GfK NOP mostra que a população brasileira é a nona mais feliz do mundo. Os pesquisadores entrevistaram 30.000 moradores de 30 diferentes países dos cinco continentes, entre dezembro de 2004 e fevereiro deste ano.
De acordo com o levantamento, a população mais feliz do planeta é a da Austrália. Em segundo lugar, ficou a dos Estados Unidos, seguida por Egito, Índia, Reino Unido e Canadá.
Assolado por escândalos e denúncias de corrupção, o Brasil teve índices surpreendentes. Segundo a pesquisa, 53% dos entrevistados no país se consideram "satisfeitos" com a vida que levam e 29%, muito felizes. Os desapontados somam 14%.
Entre os brasileiros, a saúde foi considerada o principal fator para uma vida feliz por 75% dos pesquisados. Ter uma casa própria é sinônimo de felicidade para 63% dos brasileiros. Em terceiro lugar, está a estabilidade financeira.
Os dez países mais felizes do mundo:
1) Austrália (46% da população se disse muito feliz)
2) EUA (40%)
3) Egito (36%)
4) Índia (34%)
5) Reino Unido (32%)
6) Canadá (32%)
7) México (31%)
8) Suécia (30%)
9) Brasil (29%)
10) Arábia Saudita (28%)
Fonte: Veja on-line
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