domingo, maio 21, 2006

As crônicas de Malfa: o fã, o alpinista e o torcedor


Desde que eu via aqueles vídeos antigos dos Beatles nos estádios americanos, tocando à toa, para uma multidão que gritava tanto que a música ficava inaudível, tenho profundo preconceito contra fãs. O fã, ao lado do alpinista e do torcedor, é o perfeito idiota. O pior é que o fã nunca se recolhe à sua idiotice, ele precisa, com ela, atrapalhar a vida alheia. Aliás, é por isso que o fã se equipara, pra mim, ao alpinista, a categoria humana que está no topo (com trocadilho mesmo), da pirâmide social da idiotia. Assim como o alpinista, o fã me atrapalha. Se quero ouvir a música, assistir o filme, entender o jogo, lá está ele, enfeitado com boné de idiota, camiseta de idiota e voz de idiota, gritando pela Sandy, pelo Lula, pelo Popó.

As fãs da Sandy estão até perdoadas, pois sempre somos idiotas lá pelos 13, 14 anos de idade. Os fãs de Lula, aqueles que puxam a gritaria dos comícios do presidente durante as inaugurações (preste atenção, sempre há uma voz de mulher, invisível, que puxa o "êêêê..!!!" quando o presidente diz que ‘nunca na história desse país Sobral teve um posto de gasolina tão moderno!!’), e os de Popó, dando socos no ar em frente à tevê, não têm perdão.

O alpinista também me atrapalha muito, pois toda vez que um desses idiotas morre, a televisão brasileira interrompe sua programação pra dar a notícia. Hoje foi Vitor Negrete, que já tinha chegado ao topo do Everest no ano passado e que tinha filhos (um de sete meses). Vitor precisava ir de novo, dessa vez sem oxigênio. Morreu na volta. Idiota. Como é idiota o torcedor, que num minuto grita "olé" pro seu timão, pro seu mengão, pro seu fogão, e noutro é humilhado pelo "olé" adversário, que no minuto anterior era a imagem da humilhação. Ser torcedor também é um exercício de idiotice sem muitos concorrentes.

As fãs da Sandy são idiotas, como são idiotas – e idiotas chatos – os fãs de Raul Seixas e do Pink Floyd. Pois é. E nesse exercício de idiotice as fãs de Sandy, aos berros e no afã de tirar fotos, perdem o principal: a música da Sandy. Por causa da gritaria, aquelas adolescentes, tanto as de onze quanto as de 35 anos, não escutam letras como a de Nas Mãos da Sorte: "O político ladrão é o pior dos bandidos/ Mata o povo de fome com um sorriso fingido/ (...) De manhã pode ir preso, mas é solto de tarde."

É por isso que não gosto de fãs, fico no fundão, tentando prestar atenção apenas ao conteúdo do espetáculo. Apreciadores de times de futebol, de música e de esportes radicais como eu têm essa vantagem: aproveitam melhor a coisa. Eu, por exemplo, tenho mais liberdade do que uma fã, pra refletir sobre o que Sandy quis dizer com "É melhor você ter certeza/ Estou longe de ser a Madre Tereza", na sua composição "mais autoral", chamada Discutível Perfeição.

Preconceituoso, graças a Deus!

Nova pesquisa da revista "Carícias e Bolinações"


Você está cansada de ser discriminada por essa Sociedade Machista???? Ouvir que FUTEBOL é coisa de Macho??!!!! Seus problemas acabaram!!!! Resolva as questões abaixo e mostre que você é muito informada sobre FUTEBOL!!!!

1. Lateral esquerdo da Seleção Brasileira:
( ) Roberto Carlos ( ) Erasmo Carlos ( ) Ney Matogrosso
2. Ex-capitão da seleção brasileira:
( ) Dunga ( ) Soneca ( ) Feliz
3. Centroavante da Argentina:
( ) Batistuta ( ) Prostituta ( ) Filho da P...
4. Atacante do Chile:
( ) Salas ( ) Cozinhas ( ) Banheiros
5. Meia da Colômbia:
( ) Valderrama ( ) Valderruba ( ) Valdestrói
6. Meia da França:
( ) Zidane ( ) Ziferre ( ) Zifoda
7. Atacante da Croácia:
( ) Boban ( ) Tontan ( ) Idiotan
8. Jogador da Espanha:
( ) Amor ( ) Paixão ( ) Tesão
9. Atacante da Argentina:
( ) Crespo ( ) Liso ( ) Pichaim
10. Jogador do Paraguai:
( ) Enciso ( ) Preciso ( ) Indeciso
11. Lateral direito da Seleção Brasileira:
( ) Cafú ( ) Tofú ( ) Sifú
12. Meia da Itália:
( ) Del Piero ( ) Del Maciero ( ) Del Limoero
13. Meio campo da Holanda:
( ) Winter ( ) Summer ( ) Spring
14. Jogador da Áustria:
( ) Schopp ( ) Scerveja ( ) Stequila
15. Goleiro do Chile:
( ) Tápia ( ) Sóquio ( ) Múrrio
16. Capitão da Espanha:
( ) Hierro ( ) Hiengano ( ) Hiequívoco
17. Jogador da Nigéria:
( ) Okocha ( ) Operna ( ) Ojoelho
18. Goleiro dos Camarões:
( ) Songo ( ) Mongo ( ) Gongo
19. Zagueiro da África do Sul:
( ) Mark Fish ( ) Mark Bacon ( ) Mark Lanche Feliz
20. Zagueiro da África do Sul:
( ) Issa ( ) Iiiiissa!!! ( ) Woooo Hoooo!!
21. Jogador do Paraguai:
( ) Caniza ( ) Canizeta ( ) Canizola
22. Goleiro do Paraguai:
( ) Chilavert ( ) Chilamusk ( ) Chilavanda
23. Jogador do Paraguai:
( ) Sarabia ( ) Siraque ( ) Semirados Sarabes Sunidos
24. Goleiro da Itália:
( ) Pagliuca ( ) Barruca ( ) Madeiruca
25. Atacante da Noruega:
( ) TA Flo ( ) TA Fluta ( ) TA Veldula
26. Atacante da Iugoslávia:
( ) Mijatovic ( ) Peidatovic ( ) Cagatovic
27. Goleiro da Nigéria:
( ) Rufai ( ) Tocai ( ) Batucai
28. Atacante da Holanda:
( ) Cocu ( ) Cabunda ( ) Casnádegas
29. Goleiro reserva da França:
( ) Lamas ( ) Barros ( ) Argilas
30. Jogador da Colômbia:
( ) Santa ( ) Poderosa ( ) Vitaminada
31. Atacante da Espanha:
( ) Kiko ( ) Chaves ( ) Sr Madruga
32. Lateral do Cruzeiro
( ) Sorin ( ) Aerolin ( ) Spray Nasal


Repassado por minha amiga Christina. Obrigado pelas risadas, Chris.

sábado, maio 20, 2006

Corra, Ismael, corra!




Enquanto a energia não some, o computador não trava, a internet não cai, o teclado não apaga e o monitor não pisca, deixa eu dizer logo:

Descobri que nos di



segunda-feira, maio 15, 2006

Notas de segunda-feira



Ah, uma noite sem energia de segunda-feira...


Contrata-se, para início imediato, exímio redator publicitário, com sólidos conhecimentos em marketing jornalístico, vasta experiência no ramo e comprovada capacidade de criar assuntos de email do tipo "Oi! Há quanto tempo! Lembra de mim? Sou a Rê, da faculdade! Olha as minhas fotos em Fortaleza!". Apresentar-se, com documento e foto 3x4, ao setor de spamm de nossa empresa.

Os paulistas podem mais uma vez vangloriar-se de morar numa cidade cosmopolita, globalizada. Afinal, o que se vê nas ruas é igualzinho, sem tirar nem pôr, às ruas de Bagdá. Metrópole é isso aí!

Gugu Liberato prepara uma entrevista-bomba com integrantes do PCC, que falarão sobre os ataques que a organização vem fazendo no estado. Como Gugu tem poder até pra reunir Xanddy e Carla Perez, é de se esperar que seus contratados, digo, os bandidos entrevistados defendam a volta da paz às ruas de São Paulo. A polícia já prepara caneta e papel, pra tomar nota do estilo de administração da organização. Quem sabe aprende alguma coisa.

Nelson Azedo, Ari Moutinho e Nelson Amazonas arrancam os dentes dos bangelas da cidade em troca de voto. Prometem o inferno a quem desobedecer, avisam que todos estão sendo filmados e que suas equipes vão verificar se os votos foram corretamente entregues. Eduardo Braga, no nome de quem os três falam, certamente não sabia de nada.

A polícia de São Paulo (e a de Manaus também) está com medo, depois dos ataques dos últimos dias. Segure-se, porque quando a bandidagem fica amedrontada, é porque a vaca já está no brejo há tempos.

O cidadão paulista, notório antenado na política de seu estado, finalmente conheceu seu governador, por conta dos ataques dos bandidos do PCC. É Cláudio Lembo, do PFL, mas há quem diga nas pacíficas ruas de São Paulo, que o estado está sob o comando de Gargamel, inimigo dos Smurfs. Meio velhinho, é verdade, mas com aquelas sobrancelhas já tem gente dormindo mal por aquelas bandas.

As igrejas Universal e Assembléia de Deus preparam ofensiva contra a concorrência desleal de Nelson Azedo. Vão oferecer lotes no céu a preços abaixo do custo, cobrando, para isso, o voto em apenas um de seus Bispos Rodrigues. Luiz Felipe, do sindicato dos postos de gasolina de Manaus, nada fará contra o dumping evangélico. É que o SINDCAM defende apenas o ganha-pão dos desmilingüidos donos de postos da cidade.

Fui flagrado, em pleno começo de noite de sexta-feira, numa “casa de sopa” com minha esposa. Sinal dos tempos... É a nova realidade, minha gente. A vida agora é saudável. E, convenhamos, por 7 reais, até que economizei na minha macarronada. Deixei os caldinhos de lado, peguei lingüiça picadinha, macarrão fusili, cebola e salsinha das guarnições, e fiz meu prato. Que Palazzolo que nada!

Bono Vox presta solidariedade ao Brasil e a Lula pelos "eventos" ocorridos em São Paulo. O Comando Vermelho presta solidariedade ao PCC. Com a política lulista de alianças irrestritas para as eleições, podemos esperar que Bono venha cantar Sunday Bloody Sunday nos palanques eleitorais. Se fosse no último fim de semana, ia dar certinho.


Evangelina Carrozo, militante do Greenpeace, provando que
a carne argentina é realmente de primeira.
Até agora os chefes de estado se perguntam
o que afinal havia escrito naquela faixa.



Néstor Kirchner pergunta a Lula se os brasileiros têm algo assim.
Lula responde que é natural que os argentinos tenham ativistas gostosas,
afinal, são um país soberano e têm o direito de terem ativistas gostosas.


Amazonino Mendes proferiu palestra, isso mesmo, no Instituto Tancredo Neves, falando de Herodes, Nero e Eduardo Braga. Suou, pigarreou e quase chorou, em defesa do povo sofrido do seu Amazonas. A trupe de puxa-sacos gostou. O povo sofrido do Amazonas não foi. Algo a ver, talvez, com o nome do instituto. Se fosse Instituto Amazonino Mendes, quem sabe.

Problemas técnicos andam me impedindo de atualizar esse blog. Um computador bom, uma conexão a cabo de internet, um teclado sem mau contato e um monitorzinho melhorado dariam um jeito nisso, mas não tenho a verba. Por isso ponho aqui meu voto à venda. Pode ser pro Azedo, pro Moutinho ou pro Eduardo - ou pro contrário, ora. Vendo mesmo, sem pedir nada em troca além dos equipamentos. Só não garanto a entrega.

quinta-feira, maio 11, 2006

Comichão e Coçadinha



A reação de Silvinho Pereira, ao ouvir o senador Efraim Morais anunciar:
"Com a palavra o nobre senador Heráclito Fortes! 10 minutos!"

Ouvia, ontem, o depoimento de Sílvio Pereira à CPI dos Bingos. Sou aficionado nessas atrações mórbidas, seja na tevê ou no rádio. Não sei viver, por exemplo, sem A Voz do Brasil. Ouço desde criança.

O caso de ontem infelizmente não eram as notícias do judiciário, mas a entrevista do domingo, em que Silvinho foi possuído por um espírito fofoqueiro e falou com uma repórter de O Globo. Pessoalmente nunca gostei de gente que é tratada no diminutivo. Pra mim são tão malandros quanto motoristas que dirigem com o braço esquerdo pra fora do carro.

Silvinho diz não ter lido a entrevista que deu ao jornal. Não lembra do que disse, mas afirma que a entrevista – que não leu – é verdadeira. Silvinho “Land Rover” conversou com Soraya Aggege, a jornalista, muito calmamente. Falou de 100 Marcos Valérios, de quem manda no PT (incluído o presidente), do bilhão e do medo de ser assassinado. Depois olhou a obra, como quem olha para o fundo do vaso, e disse orgulhoso: “Vai ser um escândalo”.

Mas Soraya publicou tudo. E ontem Silvinho era a expressão da dor e do fingimento, como estão, aliás, todos os petistas que mandam alguma coisa – militantes não contam, pois têm o mesmo rigor ético de Ideli Salvati, ou seja, nenhum. Mentiu ontem por um ano inteiro de silêncio.

Sou absolutamente a favor das CPIs, mas não por querer a Verdade e a Justiça - isso não pertence às CPIs. Gosto delas pelos mesmos motivos por que gosto da Voz do Brasil e da TV Senado. Gosto de ver o sofrimento dos Silvinhos, não pela pressão ou pelo medo de morrer, mas pela tortura que deve ser ficar sentado, durante 8 horas, diante de raposas que nada perguntam, de senhores e senhoras barrigudos que nada querem saber. A cada "Com a palavra o senador Garibaldi Alves, 10 minutos!" e a cada "Com a palavra o senador José Agripino, 10 minutos!" dito por Efraim Morais, eu imaginava a expressão de dor de Silvinho, preso àquela cadeira como um refém de O Albergue, esperando pela próxima sessão de tortura...

Pra balancear, Silvinho, sem hábeas corpus preventivo, mentiu à vontade, sem ser preso. O PT desmoralizou o escândalo, alguém já disse. Banalizou a cara-de-pau, botou o braço pra fora do carro e mandou um dedo pro guarda. Achei um bom negócio, os ladrões sentam, mentem e saem livres, mas não sem antes uma sessão de dor, angústia, nojo e desesperadoras horas num ambiente tão sujo e traumático, a Comissão de Ética do Senado.

Eu quero muitas outras CPIs. CPI é bom, faz bem e diverte. Exatamente como A Voz do Brasil.

quarta-feira, maio 10, 2006

Congresso de "Cerveja Livre" Já!


A Cerveja Livre é simples que só, difícil é encontrar os ingredientes todos. Usa quatro tipos de malte: 6kg de pilsner, 4 de münsner, 1 de caramelo, outro de lager. Moa, ferva em água a uns 60 graus por uma ou duas horas.

Filtre, tasque o extrato de malte a 70 litros d’água, ferva – após uma meia hora inclua na mistura 300g de guaraná em grão e 4kg de açúcar. Mais uma hora ao fogo, filtre, deixe descansar.

O fermento fica lá por duas semanas – na receita original eles especificam que fermento. Após este período o líquido segue para garrafas. Os autores sugerem que se inclua 4g de açúcar por litro. Fica de repouso por 8 a 10 dias.

Esfrie, beba.

Desenvolvida por estudantes dinamarqueses, o nome desta cerveja é Vores ØL – a inclusão do guaraná é idéia deles. Fica mais refrescante e dá uma agitada. É a primeira cerveja de código livre. Assim como o Linux. Pode usar, pode copiar, pode vender, distribuir – só tem que mandar a fórmula junto. Já circulou entre a turma ligada à tecnologia pela Internet – agora foi novamente descoberta pelos que escrevem sobre bebida. via Liquor snob

Direto do Papo de Homem, publicado por Pedro Doria.

Comentário meu: aqui entre nós hein, esse pessoal deve ser menos chato do que os fundamentalistas do Software Livre...

terça-feira, maio 09, 2006

Notas de segunda-feira



David Blaine completa 8 dias dentro dum aquário, vivendo só de água.
Viu, pessoal, eu já tinha dado a idéia, dias atrás.

Garotinho completou oito dias de greve de fome. Está lúcido, mas desidratado e sonolento. Nosso placar registra a perda de 6,3kgs. Garotinho só bebe água, só pode ser visto por trás de uma parede de vidro e jura que não sai de lá. Isso, força Garotinho! Contamos com você!

Garotinho agora corre o risco de ficar até sem teto. É que os condôminos do prédio onde o político faz sua greve de fome querem expulsá-lo, pelos transtornos que vêm tendo que sofrer. Como demonstrado acima, Garotinho podia aproveitar o singelo convite de seus vizinhos e se instalar no Posto 9 de Copacabana, do jeito de David Blaine. Iria ficar rico com direitos de imagem. (valeu, Amaury)

Mirtes Sales, atriz mexicana que adora falar grosso na televisão pra ganhar aplauso de gente desesperada, vereadora nas horas vagas, andou dizendo que nepotismo, nepotismo mesmo é quando um vereador emprega muitos parentes. Segundo ela, um ou dois parentes, daqueles bem competentes, não são problema algum. A vereadora defende uma espécie de cota de parentes na Câmara. Mirtes Sales exige seus direitos.

O Beto Campainha descobriu que fabricantes de aviões planejam oferecer vagas para se viajar de pé na classe econômica. Vou logo avisando: não sou de segurar mochila de estudante, não, mesmo que sejam estudantes lindinhas, com uniformes de colegial. E também não vou ceder assento pra velhinha folgada.

Ainda sobre as viagens de avião em pé: César Maia já estuda uma forma de criar uma classe exclusiva para as mulheres, nos moldes dos vagões femininos nos trens cariocas. Ainda assim, será necessário colocar apenas comissários homens nessas classes femininas, de modo que se evite o assédio dos próprios funcionários das companhias às passageiras.

Evo Morales já prepara novos decretos. Agora que já se apropriou indebitamente de refinarias alheias, pretende expulsar da Bolívia proprietários de terra brasileiros. Em nova nota oficial, lo gobierno brasileiro vai contemporizar, dizendo que "os brasileiros já passaram tempo demais roubando terras daquela gente tão pobre".

O pedido de impeachment de Lula não deu em nada. Segundo a OAB, não há mobilização popular que respalde a iniciativa. O povo brasileiro anda muito ocupado com outras coisas, como disfarçar o constrangimento, típico de criança levada, se escondendo nos cantinhos, pra que não se descubra quem fez a cagada. Só o que posso dizer é que minha a culpa não é.

Ontem Dolph Lundgreen estrelou o filme do Domingo Maior, na Globo.
Como permaneço sem acesso às regalias elitistas da tevê a cabo, precisei acompanhar a saga de um ex-militar que tem seu melhor amigo assassinado por uma poderosa organização criminosa. Dolph, claro, vingou o amigo morto, e ainda por cima desbaratou uma perigosíssima quadrilha mafiosa. Tudo com direito a "altas aventuras", "cheias de perigo e emoção", segundo a Globo.

Luciano Huck fez clara apologia, no último sábado, ao conhecimento e aos estudos, em seu programa de gincanas. Uma moça de 22 anos, fluente em inglês e alemão, que pretende usar o prêmio para investir num mestrado, também incitou, na cara dura, o povo a estudar. Estão, ambos, correndo risco de ser repreendidos por nota oficial do Governo Federal.

Lula garante que o preço do gás boliviano não vai sofrer reajuste, que o impasse com Evo Morales será resolvido diplomaticamente e que o Brasil não será prejudicado pelas novas políticas bolivianas. O que significa dizer que o preço do gás vai sofrer reajuste, o impasse com Evo vai continuar indefinido e o Brasil vai continuar sendo prejudicado pelas novas políticas bolivianas.

Glória Perez estava em Rio Branco, no Acre, para conhecer as locações e a cultura (Glória é acreana) do povo que será retratado em sua nova porcaria, uma minissérie sobre Galvez,Imperador do Acre, de Márcio Souza. Glória fará como já fez com gregos, muçulmanos, boiadeiros e ciganos. Vai ignorar o que viu e avacalhar com tudo e todos. Seu personagem principal deverá ser Murilo Benício, e depois disso Dona Glória vai passar mais 40 anos sem voltar à terrinha, agora por imposição de seus conterrâneos.

Drops da programação jornalística da Rede Amazônica, do Jornalista Felipe Daou: "O fim de semana em Manaus teve vários homicídios. Os destaques vão para o assassinato de...". Imagino o orgulho que esse assassino anda sentindo da cobertura de seu feito: virou "destaque" para a rede de Patrick Mota. Credo.

sexta-feira, maio 05, 2006

Positivo. Positivo. Positivo. Positivo...


Primeiro você me atraiu, feito aquela fumacinha dos desenhos do Pica-Pau, que no ar desenhava uma mão sedutora, hipnotizando Dooley com cheirinho de comida. A mulher decidida e segura, que dirigia um Escort vermelho de descarga barulhenta, me atraía com fitas cassete velhas, onde ouvimos baladas clássicas do Deep Purple.

Você era roqueira, eu engravatado. Sabíamos, porém, que você era o Norte, eu a dúvida. Sofríamos dores de amores quebrados, varávamos noites falando dos outros, como um casal de seres assexuados, cegos e surdos, devotados apenas às amarguras passadas...

Mas não éramos assexuados. Te ensinei a beber, te mostrei meus discos dos Cramberries e te apresentei meu lado vagabundo, que ainda contradiz, até hoje, minha fantasia engravatada. Adorávamos nos enganar. Aquelas fitas velhas eram a sombra do que você já não era mais. Pra me conquistar, você as ressucitou do seu acervo de truques de sedução. Fui fácil. Sempre sou fácil.

Hoje estamos aqui, à beira da estrada, a dois passos do Paraíso. Depois de todo esse tempo, nossa caipirinha primeira ainda não secou. Nossas conversas mudaram, nossos cabelos mudaram, nosso peso mudou. Mudaram as estações, mudaram as paisagens. A poda das plantas será por outras razões, o cuidado com tudo será diferente.

Hoje tudo está diferente. O frio na barriga é constante, e um misto de gozo e tensão encharca meu pensamento. Hoje, mais do que nunca antes, tudo mudou. A grama está mais verde, a chuva passou e o vento esfriou. As cores estão mais vivas, a vida ficou mais colorida.

Minha porção vagabunda vai crescer, a tua porção marota vai amadurecer.

Ainda não sei o que esperar. Mas sei que vai ser muito bom.

Obrigado pelos seis anos de felicidade, Hellen.

Obrigado por me deixar sem palavras.

Me dê um garoto, pra eu ensinar e aprender a ser homem.

Me dê uma menina, pra eu mimar, pra eu proteger, pra eu admirar.



Eu te amo.


terça-feira, maio 02, 2006

Faltam 88,6Kg!


O pré-candidato do PMDB à Presidência da República, Anthony Garotinho, perdeu cerca de 1,3 kg com 42 horas completadas de greve de fome. O novo boletim médico divulgado hoje não registra alterações significativas no estado de saúde do ex-governador do Rio, que está com 88,6 kg ante os 89,9 kg pesados do final de domingo. Garotinho afirma que sofre perseguição da mídia, do sistema financeiro e do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Disse ainda que suas "posições cristãs e éticas" vêm sendo ridicularizadas. Ele é evangélico.

De posse destas informações da reportagem da Folha, fiz alguns cálculos. Neste ritmo Garotinho emagrece 31 gramas por hora. Como agora o ex-governador do Rio pesa 88,6kg, precisaríamos de 2.862,46 horas para nos livrarmos de tão singela, humilde, cristã e ética presença. Convertidas em dias, todas essas horas se transformariam em quase 4 meses – mais precisamente 119,26 dias.

Já estamos em 2 de maio. A ser mantido o atual ritmo, perderíamos Anthony Garotinho lá pelo dia 29 de agosto, portanto, 35 dias antes das eleições que reelegerão Lula. Como temo pela qualidade de nosso eleitorado, injustamente coagido a se apresentar ás urnas como um cego que de dois em dois anos é obrigado por lei a dirigir um ônibus escolar lotado, torço para que seu Garotinho mantenha o ritmo.

Torço, também, para que Michel Temer, presidente da sigla, não se intrometa nas decisões do casal Garotinho. Faço meu humilde apelo para que nossas lideranças deixem que Anthony e Rosinha, que apesar dos nomes são crescidinhos, escolham o que fazer de suas vidas.

E faço outro apelo, este às Organizações Globo, para que montem um enorme painel nos principais pontos do país, com a evolução do quadro do político, minuto a minuto, num contador em regresso. Algo do tipo “Faltam 100 dias”, que neste caso seriam “Faltam 53,28kgs”. Um na praia de Copacabana, um na Praça da Sé, um na Eduardo Ribeiro, e assim por diante.

A festa seria muito maior do que as bobagens de 500 anos do Descobrimento.

O Estado do Amazonas, 3 de maio de 2006

segunda-feira, maio 01, 2006

Notas de segunda-feira


O vencedor do prêmio de melhor Judas do Correio Amazonense, um comerciante, não quis atacar nenhum político local, pois muitos são seus clientes. Se disse fã de "um caboclo" nas eleições, mas não disse quem. Incoerência e cara-de-pau não vêm de cima, vêm de baixo.


O Ato solidário dos amazonenses aos imigrantes brasileiros nos EUA será deixar de comprar produtos americanos, "impondo perdas econômicas" aos gringos. Dá-lhe Amazonas!

Dalai-Lama no Brasil. O trocadilho já gerou piadas demais.

Antony Garotinho está em greve de fome há 19 horas. Exige que O Globo e Veja se retratem das acusações que lhe fizeram. Eis o desespero de um populista rasteiro. Eis o fim de uma candidatura. Temo pelo desdobrar da história. Com a qualidade do eleitorado nacional, Garotinho é bem capaz de se reerguer com a atitude. E ainda por cima perder uns quilinhos.

Lula, que ainda não decidiu se vai ser candidato mas está em campanha há quase quatro anos, diz que vai ser julgado pelo povo. O pior é que está certo.

Fernanda Venturini se aposentou. O vôlei brasileiro ficou um pouco mais feinho. Por mim, tudo bem, detesto esses jogos memoráveis nas manhãs de domingo, entre times com nome de desodorante, de banco e de leite desnatado.

Daniel Veloso, meu amigo Pluto, e Erlon Benjó, meu amigo que não mente, valeu pela conversa. Pluto, não se revolte comigo, por favor.

Mas essa vai pra você. Evo Morales acaba de anunciar, em meio à euforia dos miseráveis que governa, que quer expulsar do país as empresas estrangeiras, que sugam as riquezas nacionais. Por favor não defenda uma coisa dessas, cachorro.

A ConstruNorte acabou ontem. Perdi, assim, uma imperdível oportunidade de não ver nada.

Os trens e metrôs do Rio de Janeiro agora têm vagão exclusivo para mulheres. Agora elas estão livres das dedadas, das fungadas no cangote e do cecê dos homens. E estamos em 2006.

Bom fim de feriado a todos.

sexta-feira, abril 28, 2006

"Me pegaram, precisamos fazer algo!"


No início da madrugada desta sexta-feira dois policiais civis, um homem e uma mulher, foram presos em flagrante por extorsão a dois turistas estrangeiros, um tcheco e um americano. O fato ocorreu no Rio de Janeiro, e foi exibido ainda no Jornal da Globo de ontem.

Os turistas deram 350 reais e 100 dólares aos policiais e ainda foram obrigados a ir ao hotel Meridien, onde estão hospedados, para pegar mais 1.000 dólares. Ao chegarem ao hotel, eles acionaram a segurança, que chamou a polícia.

Imediatamente todos os policiais civis de plantão na área em que tudo aconteceu foram chamados à delegacia. Identificados, os dois foram presos e responderão a "punição exemplar", como sempre faz a polícia com seus integrantes criminosos.

Chama atenção o fato de que os turistas fizeram o que ninguém faz por aqui, denunciando o crime. Chama atenção a presteza com que a polícia resolveu o caso. Chama atenção o fato de uma mulher estar envolvida.

Ontem de manhã Cristiane Torloni fez discurso no programa de Ana Maria Braga, na Globo. Falou tudo, atacou todos, especialmente os maiores culpados pela situação atual do país, nós, o povo.

Depois fiquei sabendo de seus motivos. A atriz foi assaltada na semana passada.

Agora sim, entendi.

quinta-feira, abril 27, 2006

Ah, desliga primeiro você, vai...


Na política tudo corre à boca pequena. Contar o que todo mundo fotografa, ouve, filma e vê, não é nada. É necessário ter fontes “no intestino dos governos”, como diria Roberto Jéferson. O jogo de cena da imprensa, misturado à incapacidade e à preguiça latentes em se investigar esses intestinos, rege a parca opinião pública, que ainda se vale de jornais para saber o que acontece em seu quintal.

Durante a semana passada muito se falou da abortada CPI da CEMA. Eron Bezerra, com suas pistolinhas d’água, conseguiu assinaturas favoráveis às investigações, Precisava de mais duas, precisava de mais duas, só mais duas.

Liberman Moreno fez jogo de cena, assinando o papel de caso pensado, sabedor que era (olha a boca miúda aí) de que outros dois deputados retirariam suas assinaturas mais tarde, inviabilizando a CPI. Por fim, aconteceu o que todos os praticantes da boca pequena esperavam, Evilásio Nascimento e Francisco Balieiro retiraram suas assinaturas. A CPI estava morta, mal paga e enterrada.

Evilásio viajou no final de semana. Com quem? Eduardo Braga (sem compromisso algum). Evilásio é irmão de Alfredo Nascimento, presidente do PL, partido do mensalão. Leonel Feitoza, que agora nega ter relações com Alfredo, também fez pose, ameaçando uma CPI sobre o Expresso. Resultado? Evilásio, irmão de Alfredo, retirou sua assinatura da CPI da CEMA, pra que Leonel, representando os anseios da população, desistisse de investigar seu irmão quanto aos ônibus.

Por motivos que só mesmo à boca pequena seríamos capazes de entender, alguém, na administração passada, comprou remédio suficiente pra 100 anos de doença no Amazonas. Alguém, também não sei por quais motivos, incinerou boa parte desses medicamentos. Alguém roubou e malversou dinheiro durante a implantação do sistema Expresso na cidade.

Alguém mentiu, alguém fraudou e alguém ganhou. Todos sujeitos ocultos.

O único sujeito determinado é o alguém que se ferrou.

Já adivinhou quem?

Pensa, leitor, pensa...


O Estado do Amazonas, 27 de abril de 2006

quarta-feira, abril 26, 2006

Cumpuder, sempuder



"O Governo gasta muito pagando juros da dívida,
e muito pouco ajudando os mais pobres"


PSDB, psiu!, isso não te perteeeeeennnnnnce...


Juro, se eu fosse um cineasta, um animador, desses que pipocam nos botecos de Manaus falando em "desconstrução da idéia", essa terra sem cinema e sem animação, faria um filminho sobre a briga entre governo, qualquer que seja ele, e oposição, qualquer que seja ela, pelo poder. Não, quando falo poder não falo em influência, carisma ou capacidade de mudar o mundo. Não, nada de Churchill. Quando falo em poder, falo em nomeações, verbas indenizatórias para gastos com combustíveis e distribuição de cargos entre parentes. Infelizmente poder, aqui, é isso.

No meu filme haveria um muro, um grande muro, como o de uma fortaleza medieval, onde haveria um trono suntuoso (e portanto brega, pra ambientar o espectador na América Latina), onde estaria sentado o poderoso do momento, dando de ombros à gritaria lá de baixo, onde uma horda de oposicionistas gritariam palavras de desordem, em português fuleiro, babando como os orcs de Peter Jackson.

Mas tudo seria filmado em alta rotação, com oposicionistas assumindo o poder rapidamente, com governistas caindo ao chão rapidamente, numa repetição frenética, como numa dança das cadeiras. Repetiriam-se os gestos, ou seja, a empáfia e a arrogância da governança daria lugar à chatice e à hipocrisia da oposição, tudo a 40 quadros por segundo. O mesmo com a oposição, que a cada 5 segundos trocaria de lugar com os inimigos, trocando o discurso esquerdista pelo governista como quem troca de roupa em Manaus, ou seja, várias vezes por dia.

Uma turma estaria de nariz empinado num quadro, com foices e bonés revolucionários no outro. Outra turma estaria falando errado na tevê contra os juros numa tomada em close, noutra estaria defendendo as instituições democráticas, a estabilidade econômica e o superávit primário - ou seja, os bancos. E assim as duas turmas revezariam-se, durante o filme todo, em alta velocidade (claro, seria um curta, sem incentivo governamental), como o cachorro bobo de um desenho animado, dando voltas ao redor de uma árvore atrás do gato malandro.

Hoje meu horário nobre desprovido de tevê a cabo foi assim, com Alckmin duas vezes por intervalo de Belíssima, dizendo que Lula cobra muitos impostos, que não investe nos pobres. É a repetição eterna, ainda que bizarra e sem sentido, da cena do meu filme.

Não entendeu? Não conseguiu captar, pintar as cenas do meu filme na sua mente? Então estou feito, faço arte. Pra você que não entendeu as nuances sociológicas, antropológicas e jungianas do meu roteiro, simplifico: sabe aquela piadinha de escritório?

Experimente:

- Barbosa, rapá, passei a noite sonhando contigo!
- Quê isso, parceiro, tá me estranhando?!
- Não! Era muito estranho, a gente tava nu, correndo no meio da rua, de madrugada. Você corria atrás de mim!
- Não brinca! Sério?!
- É, rapá, eu fugia de você e você me perseguia, gritando "agora é minha vez, agora é minha vez!"


Pegou agora? É meu filme de arte, em versão nacional, dublada pelo Evandro Mesquita e pelo Diogo Vilela, com produção de Luís Fernando, pra ficar palatável pra você.

terça-feira, abril 25, 2006

"Maratona tevê aberta" - boletim


Depois de uns dois anos, achei o Casseta & Planeta hilário hoje. Depois ri com o Figueirinha de A Diarista. Não me emocionei nem um pouco com a situação humilhante do povo de alguns municípios alagoanos, passando fome à espera da ajuda do governo, no Jornal da Globo, mesmo com aquele início de decote da Cristiane Pelajo. Agora vejo Sidney Magal cantar Sandra Rosa Madalena no Jô, e ainda assim meu asco não me fez desligar a tevê.

Das duas uma: ou as oito latas de Skol que bebi desceram redondo mesmo, ou fui transladado, feito Elias (II Reis 2:11, ó incautos!), para o mundo bizarro.

Confio, meu "Jesus Cristinho", "minha mãezinha Maria, mãe de todos", que a Ambev tenha tomado conta do meu córtex.

Não tive coragem para convidar o povo para uma sessão de "O Declínio do Império Americano" aqui em casa, nem ontem nem hoje. É, definitivamente, meu filme preferido. Adorei, exceto as partes em que falam de Rembrandts, Freuds e Caravaggios. Intelectuais em película perdem a "intelectualidade", tornam-se apenas críticos literários carentes, gozando com o pau dos outros. Prefiro a putaria das entrelinhas, entre as conversas pretensiosas.

Ih, estou bêbado, realmente!

R$ 18,90 no Submarino. A prova cabal de que trata-se de Arte, meu assunto predileto no Master - terceira edição.

O Triângulo das Bermudas, versão GSM



Tatiana, atendente de call-center, me guiando para o
abatedouro do setor de "cancelamento de contas" da TIM

Brasileiro tem mania de fazer piada sobre tudo. Até da desgraça, principalmente a alheia. Brasileiro não gosta de drama, só de comédia. Tenho visto piadinhas na tevê, em revistas, em blogs, em conversas, em todo canto, sobre o que é tentar cancelar uma linha de telefone celular. O filme é de terror, minha gente! Não tem nada de comédia romântica. Não tem nada de Selton Melo, é Paulo Autran puro. Aliás, mais, é Antônio Abujamra na veia!

Já pintei várias versões da cena na cabeça, mas fico com duas. Na primeira, eu via uma ficção científica bem sombria, na qual a simples citação do verbo “cancelar” abria um portal, um alçapão sob os meus pés, que me atiraria para o mais absoluto Nada no espaço sideral, de onde nunca mais eu voltaria. Ficaria eternamente - ou morreria de asfixia antes disso – boiando no limbo do universo, numa dimensão paralela, ouvindo Pour Elise ou algo como “sua ligação é muito importante para nós”. Você, que assistiu Matrix e lembra das pessoas sendo resgatadas pelo fio do telefone pode imaginar, só que ao contrário. Um deslize, um inocente “quero cancelar...” e um wuuuuush!!! me sugaria rumo à morte, do fundo das profundezas do mais sombrio inferno estelar, mais conhecido como "setor de cancelamento de contas", lugar de onde ninguém nunca voltou pra contar a história.

Outra versão teria um galpão gigantesco, cinzento e úmido, repleto de mesas apertadas, onde zumbis com olheiras enormes e tiques nervosos provenientes do estresse me atenderiam sempre com um sotaque caipira, no gerúndio, fingindo uma educação e uma paciência fictícias. Tudo correria bem no início da ligação, parecendo algo cor-de-rosa em forma de voz, até o apocalíptico “cancelar”. Então tudo mudaria. Gritos horrendos tomariam conta do galpão e zumbis correriam em desespero entre as mesas, berrando “Falaram a palavra! Falaram a palavraaaa!!! Corram, salvem-se!!!”. Numa cena típica do mundo da televisão, contra-regras agilíssimos desmontariam o cenário em segundos, picadores de papel seriam acionados aos montes e rostos se derreteriam, como naquela cena de Os Caçadores da Arca Perdida. Tudo viraria pó e sangue, e só o que restariam seriam os milhões de telefonemas sem fim. Gemidos, ranger de dentes, choros angustiados tomariam conta dos escritórios de call-center, com humildes jovenzinhas, aos prantos, conhecendo seu triste destino, e dizendo "Meu Deus, me salve, e juro que vou estar abandonando essa vida!"

A primeira versão é mais verossímil. Dos 30 milhões de clientes que eles gostam de exibir nas propagandas, faço parte dos prováveis 10 milhões que estão flutuando entre as estrelas, ouvindo Pour Elise e um singelo “no momento nosso sistema está fora do ar, senhorrr” ou um "senhora, nosso sistema subitamente ficou inoperante, a senhora poderia estar nos ligando em 30 minutos?".

Terror puro. Terror total.

segunda-feira, abril 24, 2006

Notas de segunda-feira


Felipe Mafa Mafinha, companheiro de Schumacher na Ferrari, andou reclamando da estratégia da equipe durante os treinos classificatórios para o GP de Ímola, quando a equipe o empurrou no engarrafamento, prejudicando-o. "Me jogaram no meio do trânsito!", reclamou o novo Rubinho, aos prantos, refugiando-se no colo da mãe. Que saudade de Senna e Piquet...

Carla Perez e Xanddy reataram a relação. Na semana passada informavam que, depois de 4 dias de conversas, haviam se separado. Agora imagine Carla Perez e Xanddy conversando, durante quatro dias. Só podia dar nisso. Menos mal: uma semana de holofote não faz mal a ninguém sem capacidade de fazer algo além de rebolar. Caras, Quem, Contigo e Amiga agradecem.

Pescadores das Ilhas Maldivas fisgaram, acidentalmente, 1 tonelada e meia de maconha no fundo mar. Aquela rave do mal que iria rolar neste sábado teve que ser cancelada. Bob Esponja explica aos amigos que a casa caiu.

O governo do Rio Grande do Norte investiu R$ 1,25 milhão no último carnaval, em bandas e trios elétricos. O problema é que o carnaval no interior do estado foi mais triste do que sexta-feira santa. Ninguém foi contratado, ninguém tocou. Pra você ver, nem o circo do povo está a salvo.

Geraldo Alckmim andou, duas semanas atrás, comendo porcaria no nordeste, pra ganhar voto de pobre burro. Se aparecer aqui, vou fazer como fiz com um colega paulista. Oferecer uma cuia de tacacá e uma tijela de açaí, duas horas antes do vôo do Chuchu. Vai ser um divertido vôo de volta.

Muda novamente a grade de programação do SBT. Ana Paula Padrão volta para as 19:15h. Imegine o que o marido da moça anda tendo que aguentar em casa...

Evilásio Nascimento e Francisco Faquieiro, digo, Balieiro, devem retirar suas assinaturas do pedido de instalação da CPI da Cema (a CPI dos remédios). Andam justificando a decisão com o argumento do "ano político", que é complicado, sabe? Sabemos, sabemos.

Diz Tutty Vasques que os tucanos já falam em "vestidos não contabilizados" de dona Lu Alckmim.

Xico Vargas, colunista do site NoMinimo, assim descreve Mestrinho: "De Mestrinho sabe-se que o Congresso não ouviu a voz este ano, mas é do PMDB, como a governadora, manda em boa penca de votos no diretório de seu estado, o Amazonas, e marca vários pontos na prévia que escolherá o candidato do partido à presidência da República". Nicolas Jr., compositeiro amazonense, já esboça a letra de uma nova música contra os jornalistas do sudeste.

Pois é, fui assistir Emmerson Nogueira. À parte a companhia dos amigos, show besta, besta. Bom, ao menos finalmente se bolou uma nova versão para Hotel California, que agora conta com versos de Dust in the Wind, Every Breath You Take, Atirei o Pau no Gato, Layla e Moranguinho do Nordeste. Emmerson, que cantou 800 músicas em 1:40h de show, bem que poderia se candidatar ao Se Vira nos Trinta. Muita gente ainda não entendeu o mega-pout-pourri do Mineiro. Desculpa, Amaury, Meddley!

Pra quem ainda não sabe, o Club dos Terríveis voltou.

Interessantes as propagandas das operadoras de celular. Tim, 15 milhões de clientes; Claro, 20 milhões de clientes; Vivo, 30 milhões de clientes. A contrapartida seria algo como Tim, 5 milhões aguardando na linha pra cancelar seu plano; Claro, 8 milhões aguardando na linha pra cancelar seu plano; Vivo, 15 milhões aguardando na linha pra cancelar seu plano...

Ninguém se mete, ninguém se mete!




Aos interessados, Mainardi respondeu.

Notas, daqui a pouco.


sábado, abril 22, 2006

Pro meu velho Ismael


Não me lembro do homem que me levou ali. Eu era garoto, e estava pela primeira vez no Estádio da Colina. Pode ter sido um dos meus tios, pode ter sido um amigo da família. O estranho de não lembrar dele é o fato de que foi uma das únicas vezes na vida em que me senti filho, assistindo uma partida de futebol ao lado do pai.

Eu não entendia porque meu nome enfeitava aquela marquise, com letras enormes, até desproporcionais para o tamanho do estádio. Era muito estranha aquela inscrição “ESTÁDIO ISMAEL BENIGNO”. Do jogo, bem, é claro que não lembro. A imagem mais nítida que tenho daquela tarde era o fato de estarmos atrás de uma das traves, e eu perguntava ao meu “pai” por que nada acontecia ali. Ele me respondeu, reclamando: “É que o nosso time não chega aqui!”. Estávamos sentados às costas de um goleiro atento, mas ocioso. Nosso time não chegava até ele.

Quando penso no velho Ismael, “Patrono da Colina”, imagino as conversas que ele tinha com gente como Flaviano Limongi, e me dói não ter rido daquelas conversas. Quando ouço as histórias, inclusive as do Jokka, uma saudade do que não vivi me abate. Perdi meu velho Ismael muito cedo. Perdi meu pai muito cedo. Perdi as referências dessa veia bonachona da família. O futebol ficou esquecido no nome do velho, nas fotos que tenho do meu pai com Pelé e Tostão na Granja Comari. Ficou nas histórias das peixadas que minha vó serviu a Parreira, nas histórias que nunca vivi. Eu podia ter herdado esse amor pelo futebol, pelo clube. Mas não tive quem me ensinasse isso.

Hoje acompanho esse time à distância, com um carinho comedido e realista. Sei da história, porque sei da história daquele velho, que tanto fez pelo futebol e pelo bairro de São Raimundo. Torço por questão de genética, de lealdade ao passado. Hoje esse time de nome gostoso viaja pelo Brasil, numa glória humilde, em meio à inglória de outros. Hoje sou um pouco mais neto daquele velho, e vou torcer, com meu rádio nas alturas. E tentar lembrar daquela tarde, tantos anos atrás.

O Estado do Amazonas, 21 de abril de 2006