segunda-feira, julho 25, 2005
Notas de segunda-feira, ainda.
O eletricista Jean Charles de Menezes, morto pela polícia inglesa com oito balas, sete na cabeça, por suspeita de terrorismo, estava com o visto de permanência vencido. É o que dizem as autoridades britânicas. Bom, agora pelo menos se sabe por que o brasileiro foi morto, né?
O que falta agora é a polícia americana cometer o mesmo erro com atrizes globais que fazem papel de imigrantes ilegais.
Fernanda Karina Somaggio, a secretária do careca, pretende se candidatar a deputada federal em 2006. Para isso, fez umas continhas e viu que seriam necessários pelo menos dois milhões de reais. Agora pede exatamente os 2 milhões para posar nua na Playboy. Finalmente alguém pra mostrar ao país como se fazem campanhas políticas no Brasil.
Ganhamos uma cadela dogo argentino da Christina. Está linda. Já tentamos vários nomes, Brigitte, Pâmela, Natasha, Waleska, Tânia e outros tantos nomes femininos bem putinhos, mas a cada dia ganha mais força um nome que até agora corria por fora, por não ser, digamos, muito lisonjeiro. Acho que não vai dar outra, o nome dela vai ser simplesmente Fezes.
Você já percebeu que 80% dos palios da sua cidade – seja ela qual for – tem a traseira amassada? Se isso ainda não convence ninguém de que esse carro, e quem estiver dentro, deve ser tirado de circulação, ou pelo menos mandado para a faixa de baixa velocidade das ruas, há algo errado com esse país!
É quase terça, eu sei, mas as notas ainda saíram na segunda-feira.
Heloísa Helena anda sendo ameaçada de morte pela curriola das negociatas, pela camarilha do planalto, pelos delinqüentes de luxo do poder, pela cúpula palaciana, pelos responsáveis pelo balcão de negócios montado em Brasília, pelos babões do poder, etc. Enfim, a senadora anda recebendo telefonemas terríveis de todos os maiores e mais centenários clichês do discurso esquerdista mundial. Poderosa, a alagoana.
Juro, estou tentando me concentrar nestas notas, mas há um Animal Planet da vida que não deixa. Neste exato momento há uma vaca desgovernada dando trabalho para uma equipe de polícia numa das mais emocionantes e eletrizantes perseguições policiais que já vi, só perdendo para Supermacia Bourne e Ronin.
No bloco anterior um gato ("Pink, o gato", segundo a bem humorada apresentadora) passava de bichano fofo di-mamãe a felino-do-demônio, num ataque ensandecido contra o dono, a reportagem, o câmera-man e o mundo todo. Pink, o gato, nunca mais foi visto.
domingo, julho 24, 2005
Aqui, vendo você aí.
A vida trouxe novidades essa semana. Por isso a atualização sofreu uma pequena pausa por aqui, mas nada demais. O problema é que daqui de casa fica difícil atualizar isso, pois o computador fica muito próximo à cama. E daqui, quando sento e procuro o que dizer, olho pra você e vejo você dormir com o óculos no rosto, com esses pés cruzados e em ininterrupto movimento, decido sempre desligar esse troço e ir praí.
Ó, não deu outra. Até logo, pessoal...
quinta-feira, julho 21, 2005
Play Canção da América, Sam...
Confesso, nunca dei muita importância a datas comemorativas como este dia 20 de Julho, o Dia do Amigo. Recebi alguns emails, emails simpáticos, carinhosos, até comoventes, eu diria.
Mas - me desculpem, meus amigos - amizade mesmo, daquelas pra se guardar do lado esquerdo do peito, eu acompanhei hoje, pela CBN, desde as 9:00 da manhã. Delúbio Soares, tesoureiro licenciado do PT - que ainda recebe seus 6 mil reais de salário -, como diria Roberto Jefferson, matou aqui ó, no peito, tudo o que fizeram seus amigos e Vossa Excelência, o Presidente. Pretende arcar com todas as punições pelos crimes confessados (o que, sendo réu primário, deve dar uns... 3 meses em regime aberto) e assumir toda a responsabilidade pelas dezenas de milhões que fluíram pelo PT, sem que ninguém mais notasse.
Isso é amizade, my fellas. Esses arquivos Powerpoint, com essas mensagenzinhas carinhosas, não estão com nada. Amizade mesmo é matar tudo aqui, ó.
Desculpem-me a repetição do assunto. Sei que falo palavras repetidas, mas quais são as palavras que nunca são ditas?
terça-feira, julho 19, 2005
Un país sin cojones
Pés sujos, lençóis mal arrumados, trancas mal fechadas ou sujeira debaixo do colchão me impedem de dormir em paz. Independente do cansaço, do porre, do sono ou da programação da tevê, preciso fazer diariamente esse check-list, senão rolo na cama a noite inteira. Incomoda demais deitar em panos brancos cheirando a amaciante, se sei que bem ali, centímetros abaixo do meu ninho confortavelmente asséptico há sapatos sujos, meias empoeiradas ou migalhas de pão. Não dá. Sei que esses copos sujos de suco, poeira e migalhas de pão sempre voltarão pra lá, praquele cantinho abaixo de mim, protegidos pela penumbra do meu cansaço. Mas nunca deixarei de me incomodar com eles. Porque essa limpeza diária não varre a sujeira pra sempre, precisa ser feita constantemente. Aquela ferida do tombo de bicicleta na minha infância só sarou quando aceitei toda a dor da limpeza, todo o ardor da eliminação da terra, da poeira e do sangue.
O Brasil não vai melhorar com a crise, porque não temos coragem para limpar a ferida de verdade. A dor da abertura dessa ferida veio, novamente, num esbarrão descuidado em uma quina de mesa. Abrimos a ferida por acaso, não por zelo, e apenas algumas células mortas da casquinha da ferida serão arrancadas. A limpeza que devemos fazer não vai resolver nada, amanhã. Vai apenas nos dar um sono mais aconchegante hoje, com aquela sensação gostosa de dormir sobre lençóis macios e cheirosos, que estarão sobre uma cama de madeira lustrada, que pousará sobre um piso de cerâmica limpa. Por hoje, ao final dessa faxina cansativa, estaremos livres dela, a sujeira do topo. Mas e quanto a amanhã? Não nos deparamos com uma espécie, uma raça ou um partido específico de ladrões. Lidamos com um sistema corrupto, um filme B, independente de seus protagonistas. Sujamos por natureza, e enquanto não inventarmos um botão auto-clean ou um sistema político sem interferência humana, de tempos em tempos teremos de juntar esponja e sabão e agüentar o aspecto e o odor da sujeira. Assim, evitaremos nos enganar, pensando que quem faz a sujeira são outros que não nós mesmos. Não poderemos culpar o presidente por suas contratações e indicações medíocres enquanto as nossas permanecerem medíocres nesses outubros e novembros eleitorais.
Cuido da minha cama, da minha higiene pessoal, do meu sono. Lavo os pés, limpo o chão e troco os lençóis da cama, porque detesto enganar a mim mesmo. Amanhã será outro dia. Dia de limpeza, mais um dia do tedioso, mecânico e imprescindível dever da limpeza.
Mas temo e lamento, pois meu país é um menino mimado que não suportaria a dor de limpar suas feridas como elas devem ser limpas.
segunda-feira, julho 18, 2005
Notas de Segunda-Feira
O broche da estrelinha vermelha foi trocado, no paletó presidencial, pela bandeirinha do Brasil. Lula nada mais tem a ver com o PT, esse filho outrora querido que hoje só dá desgosto. Aquele monstro híbrido, mistura de PT com Governo Federal, não existe mais. O PT nada mais tem a ver com o Governo. Incrível.
Estranha, muito estranha a entrevista dada pelo presidente a uma jornalista que não é jornalista, comprada pela Globo e mostrada no Fantástico. Gravada em Paris, a entrevista correu em clima de perguntas ensaiadas e gravadas depois das respostas. Lula não fala a sério com jornalistas brasileiros, como se sabe. Não dá entrevista coletiva, não senta nos jardins do Alvorada ou do Torto para um bate-bola com repórteres nacionais.
Aliás, ganha força a hipótese de que Dirceu tem alguma forma de poder sobre a Globo. Estão aparentemente inauguradas as Parcerias Público-Privadas no Brasil. Na sexta, Marcos Valério. No sábado, Delúbio Soares. No domingo, Lula. Todos traçando a mesma história, seguindo os mesmos passos, apontando nas mesmas direções. O PT falou, enfim, a mesma língua. A da mentira.
Pra quem acha que Dirceu se ferrou (pra não fazer rima chula), junte essa notinha do Ricardo Noblat de sexta-feira às entrevistas em série (sexta-sábado-domingo) conseguidas pela Globo:
“Para quem Delúbio deve falar - Está em curso um intenso, mas discreto debate em meio aos caciques da Articulação, grupo mais poderoso do PT: o ex-tesoureiro Delúbio Soares deve ou não conceder entrevista à imprensa antes de depor na CPI dos Correios na próxima quarta-feira? Se deve, para qual veículo de comunicação? O deputado José Dirceu (PT-SP) só admite que ele fale para algum veículo das Organizações Globo. Certamente porque eles são campeões de audiência”.
Vejamos se a Globo já terminou sua “série de reportagens especiais” (como gosta de fazer) ou se ainda vamos ver, a cada dia dessa semana, Genuíno, Dirceu e Sílvio Pereira recebendo amistosamente repórteres globais para uma entrevista ex-clu-si-va.
Resultado: as entrevistas em série da Platinada deixaram o gosto amargo do “menos pior” na boca do telespectador, que, involuntariamente, anda meio aliviado ao ver que o PT dá sinais de que pode, sim, mentir articuladamente - como fazem políticos de verdade. É triste, mas o Brasil torce para que o presidente seja apenas idiota, não corrupto. A que ponto chegamos...
O Real Madrid está disposto a pagar 50 milhões de euros ao Internazionale de Milão por Adriano, o artilheiro da última Copa das Confederações. De brinde o clube espanhol ainda oferece aos italianos Ronaldo, o Fenômeno. Sério, de brinde mesmo.
Delúbio Soares e Sílvio Pereira também pediram seus hábeas-corpus preventivos ao STF, para sentirem-se à vontade pra mentir ao país na CPI dos Correios. Provam, assim, que mais do que fazer como os ladrões tradicionais do PFL, do PSDB, do PMDB e do PTB, o PT também pode lançar moda em quesito de malandragem. A esta altura, pensam as raposas velhas: “Mas que meninos inovadores!”.
Um polonês, desesperado com a partida de sua namorada lituana, ligou para o aeroporto e disse que havia uma bomba no avião da moça. Foi preso e confessou o ato de amor desesperado. O estranho é que ninguém no avião nem no aeroporto aplaudiu a presepada, como nos filmes da Meg Ryan ou da Drew Barrimore.
Discordo das acusações de que a Polícia Federal está sendo exagerada em suas diligências. Mas convenhamos, a escolha de um procurador com cabelinho Chanel para chefiar a operação foi um acinte, um bofete com luva de pelica. Mas pelica francesa, frise-se, que as peles dos acusados têm hô-rrôrrr a pelica nacional barata.
Arthur Virgílio Neto, líder do PSDB no senado, em entrevista a Ronaldo Tiradentes, pela Rádio CBN de Manaus, que perguntara sobre os dividendos positivos que a crise petista teria trazido aos tucanos: “Não, ainda não acho que a população brasileira esteja morrendo de saudades do PSDB. Sou muito realista sobre isso”. Esqueçam-se as paixões políticas, dá gosto ver político sendo realista.
A socialite Marina de Sabrit deu entrevista ao Fantástico ontem, explicando seu amor ao luxo: “Tem mulheres que procuram um psicólogo quando têm problemas, uma ajuda médica. Tem outras que precisam comprar, pro desespero do parceiro”. Agora diga, tem coisa mais chique e refinada? Palmas para a Globo – mais Globo! -, que retrata tão bem o tipo em suas novelas.
quinta-feira, julho 14, 2005
Picaretagem mudou de nome
Do Rafael Azevedo:
"Bandidos perigosíssimos, assaltando a mão armada, estuprando e sequestrando, transformam a vida do paulistano num inferno. Enquanto isso, a polícia - sempre consciente de suas prioridades - realiza operações importantíssimas para a segurança da cidade como prender a dona da Daslu e um jovem que plantava maconha dentro de seu apartamento. Sou só eu que vê algo suspeito nisso tudo?"
Do Marcelo Tas:
"Os jornais parecem obras de surrealistas nesses dias no Brasil. Enquanto a dona da Daslu vai de camburão pra delega no centrão da cidade, Lula está passeando em Paris."
Da Revista Exame, dois dias antes da operação:
"O templo paulistano do luxo se tornou o grande alvo da histeria anticapitalista no Brasil"
...Cara-de-pau não tem lado nem limite mesmo.
To be or not to be...
Não, não é chique sonegar imposto. Nem é chique criar empresas fantasmas para emitir notas fiscais falsas. Nem é chique ser condenado pela Justiça do Trabalho por pagar salário de funcionários por fora. Nem é chique declarar ao fisco que as gravatas Hermenegildo Zegna, vendidas a 3 mil reais, tenham sido compradas por 5 dólares. Não, isso não é chique. Como também não é chique ser denunciado por formação de quadrilha, por incentivar outras empresas a sonegar. Não é chique, de jeito nenhum é chique, ser suspeito de falsidade material e ideológica, muito menos ser acusado de crimes contra a ordem tributária. Não, não é chique posar acima dessa breguice chamada dinheiro, enquanto se dá tanto valor a ele, a ponto de se roubar e se fraudar o país para tê-lo.
Chique é viver num lugar bom de viver. Chique é andar de Armani pelas calçadas de Manhattan. Não porque Armani é chique, mas porque Manhattan é chique; e porque poder andar nas calçadas da sua cidade é chique. Chique é morar num país em que sonegadores de impostos aparecem algemados no noticiário. Chique é viver num lugar em que fraude dá cadeia, em que condenados choram, sabedores que não escaparão. Chique é morar numa cidade na qual os comerciais dos carros importados possam ser filmados. Chique é ter relógio Bulgary e poder usar, é ter Jaguar e poder dirigir, é ter casa bonita e não precisar esconder. Chique é ter dinheiro, mas mais chique ainda é fingir não ter. Chique não é apenas ser rico, é ser rico e não ter processos e suspeitas nas costas. Chique, no Brasil, é não ter passagem pela polícia. Chique é encontrar gente comum atrás dos balcões das lojas caras, e não a filha de um governador ou a esposa de um publicitário festejado. É ser rico às claras, sem esconderijos, sem palacetes blindados e sem entrevista de triagem na primeira visita.
Chique é ser parte de um todo que é chique. É esbarrar, num passeio de bicicleta, com gente que é rica e com gente que não é. Chique é desfilar de Prada e Versace em Milão, não pelas marcas, mas porque Milão é toda chique; é andar de Channel em Paris, porque Paris é toda chique. Chique é entrar no metrô londrino e encontrar o prefeito e o porteiro do prédio. É passear por Times Square, em Nova Iorque, e entrar em lojas caras a pé. É ver Porsches e Mercedez desfilando por ruas limpas. Chique é se incomodar com a pobreza, não por bondade ou sensibilidade social, mas por querer desfilar sua muambinha de 15 mil reais num cenário melhor, mais adequado. Até porque reza a etiqueta mais básica que é primordial saber combinar, e eis aí a suprema jequice brasileira: teimar em combinar o chique e o descaso, o elegante e a fraude, o requintado e o fruto de roubo. Chique é usar helicóptero pra chegar mais rápido, e não pra evitar seqüestros, é ter jato particular para trabalhar, não para evadir dinheiro. Chique não é blindar o carro, é não ter porque blindá-lo. Chique é ser um cidadão comum e poder comprar sapatos caros de vez em quando, sem que isso seja notícia. É vestir calças de 4 mil em vez de ser vestido por elas. Chique é, como fazem os pobres, pagar impostos. Chique é poder andar a pé pelas ruas da cidade em que se vive. E se a cidade não permitir isso, é chique que se aja como se algo houvesse de errado com ela, e não que se ignore seus problemas.
Chique é ser discreto. Chique é, pra começo de conversa, evitar a palavra “chique”. Não há gente chique que a pronuncie, sem exceções. Depois o mais complicado – e o mais simples também: chique é ter, usar, gastar e exibir seu próprio dinheiro. O resto é só uma horda de Imeldas e Martas, latinas e caipiras, desfilando futilidades e dinheiro dos outros.
Sobre isso aqui, Andy Warhol teria dito que "no futuro, todos terão direito a seus quinze minutos de interrogatório na Polícia Federal".
quarta-feira, julho 13, 2005
Só rico é que vai preso nesse país
Como no Brasil é pecado ser rico, boa parte da clientela de peruas, esposas e filhas de políticos e empresários (a filha do governador Alckmin é dasluzete), está com os cabelos lisinhos de pé. Resta ao país se estarrecer com a notícia. Ninguém, absolutamente ninguém poderia suspeitar de qualquer irregularidade, tanto por parte da empresária, quanto por parte de seus clientes.
terça-feira, julho 12, 2005
Um ano
O Malfazejo fez um ano, precisamente no último 3 de junho. Não percebi. Mantém o compromisso de não ter compromisso e de ser atualizado diariamente, à exceção dos sábados, domingos e feriados, pois folga é folga. Começou com uma citação, passou por seus quinze minutos de fama, caiu no ostracismo, variou mais ou menos a quantidade de assuntos e oscilou entre a chatice e a diversão. É um aniversário um tanto triste, pois chega aqui sem a companhia da Parafernália Cabocla, da Terra de Bárbaros e mais recentemente do Club dos Terríveis. Mas é um aniversário alegre e promissor, pois traz a necessidade de se pensar além, de se traçar outros planos. Nasceu como uma experiência, fruto de um impulso. Hoje, independente dos leitores, precisa continuar, pois fez muito bem ao seu mantenedor. Há idéias, há projetos, e chegou a hora de crescer. Foi muito bom. Poder dizer bobagem e coisa séria, poder brincar, maltratar, defender e atacar, enrolar e polemizar, ser franco e ser cínico. Agradeço as visitas de todos. Voltemos à nossa programação normal.
segunda-feira, julho 11, 2005
Notas de Segunda-Feira
Já passou do momento de se criar a CPI da Bulimia, para investigar as relações do badalado – e nas horas vagas jogador de futebol - Ronaldo “Fenômeno” com os donos das agências de modelos. Todo ano o simpático-lindo-gente-boa do Real Madrid elege a carreira de uma criatura de pele e osso para dar uma força. É a isso que se resume o mundo fashion e quem ao redor dele orbita esfuziante: vazio puro.
A PF acabou de prender João Batista Ramos da Silva, pastor da Igreja Universal e deputado (PFL-SP) nas horas vagas, tentando embarcar no jatinho da igreja rumo a São Paulo com 7 malas de dinheiro (aproximadamente R$ 6 milhões), em notas de 10, 20, 50 e 100 reais. Nada a ver com um mensalão da oposição, infelizmente. É fruto de roubo comum mesmo. Esse, porém, consentido pelas vítimas dos bispos. Menos mal.
Os tigres Toni e King, do circo Stankovitch, não suportaram o frio de Campos do Jordão e morreram no último fim de semana. Os turistas estão chocados com a negligência do dono do circo, que não deu aos animaizinhos nenhum fonduezinho, nenhum bom vinhozinho, nenhuma sopinha italianinha e nenhum outro diminutivozinho do “Vocabulário do Turista de Campos do Jordão”.
O jornal alemão "Süddeutsche Zeitung" afirma que a Wolkswagen alemã pagou “viagens do prazer” a seus executivos, vôos nos quais o serviço de bordo incluía prostitutas. O destino das viagens dos executivos alemães? O Brasil, claro.
Júnior Lima, irmão da cantora SandyJúnior, foi eleito no Prêmio Multishow o melhor músico instrumentista de 2005, à frente de gente como Edgar Scandurra e Roberto Frejat. Tomou uma vaia da platéia e fez um discurso humilde de agradecimento. É isso que dá abrir um prêmio ao voto popular. Injustiça pura. Vaiados deveriam ser o canal Multishow e o povo brasileiro, um pela iniciativa cínica e o outro pelo gosto que tem. Júnior não tem nada com isso.
Segundo especialistas, os ataques a Londres trazem o risco de reações violentas da população contra a comunidade muçulmana na Inglaterra. Dizem os idiotas de um lado que os londrinos mereciam. Dizem os idiotas do outro lado que atacaram a liberdade cosmopolita da cidade. Nada disso. Terror não tem justificativa e não há ar cosmopolita que segure o rancor. Que se preparem italianos, australianos e holandeses.
Hoje é aniversário da minha amiga Cecília. Fica aqui registrada a saudade e a vontade dos amigos de dar-lhe um abraço e desejar-lhe toda a saúde do mundo. Só isso.
quarta-feira, julho 06, 2005
Por amizade e gentileza
1. Qual personagem habita seu blog quando menos se espera?
Minha amiga Cecília, que estranhamente só dava sinal de vida às sextas-feiras. Agora nem isso. Em compensação, liga às vezes por motivos bobos, e esses são os melhores motivos para se receber uma ligação de alguém tão querido.
2. Que post ficou na espera, o bonde passou e você não publicou?
Vários. O último foi algo mais atencioso sobre o Live 8, ocorrido no último dia 2. Escrevi, mas não publiquei. Acho que por desgosto de não ter visto REM, Coldplay, Travis e Keane. Ou por ter tido que aturar um tal de Rafa, VJ da MTV brasileira.
3. Quando a imagem é (ou foi) maior do que qualquer outro texto?
Foi neste post sobre a morte do Papa. Escrevi demais, a imagem passava a mensagem toda. A beleza das cores, do vento, dos cabelos, da postura alquebrada, da fragilidade, da fé, da força de manter firme aquele cajado e ao mesmo tempo depender dele para manter-se de pé, da resignação no sacrifício. Aquela imagem de João Paulo II, pra mim, dispensa comentários.
4. Muitos blogueiros de carne e osso, ou apenas virtuais?
Não há blogueiros de carne e osso. Alguns se tornaram amigos, assim deixando a condição de blogueiros. Mas teimamos em não nos vermos com freqüência.
5. Se um novo batizado fosse possível, que nome escolheria (existente ou inédito) para o seu blog?
Um existente: “O Malfazejo”.
6. Quando é que dá vontade de eliminar o sistema de comentários?
Nunca. Ele não me rege nem me incomoda.
7. Que blog ou blogueiro, presente ou ausente, muitas vezes te traz saudades?
Há vários. Pelo carinho e pela admiração, o Beto, do Rabo de Arraia, e o extinto Terra de Bárbaros. Há outros, mas não vou dar lista de vencedor de Oscar aqui. Outro, por ser tão instável quanto escroto (vão desculpando o termo, mas visitem o Catarro Verde e o adjetivo estará devidamente dentro do contexto), a verborragia escatológica do Sérgio Faria faz falta. Não sei se feliz ou infelizmente, mas o cara é fera. Ah, acabei de descobrir que o Daniell Rezende está vivo. Melhor ainda, continua escrevendo posts como este:
“Errata:
Na edição de ontem, onde escrevemos "um cometa se chocará com a Terra hoje às 20:30", leia-se "um cometa se chocará com a Terra amanhã às 20:30". Pedimos desculpa e esperamos não ter causado nenhum tipo de pânico desnecessário.”
8. Pra quem você passaria o bastão?
Smart Shade of Blue
Orlando Câmara
Daniela Gonzalez
Acho que todos os outros nos quais pensei já receberam a indicação, então, é isso.
Os queridinhos do Ibope
A assessoria de imprensa do pop-star do momento, Roberto Jefferson, precisa ter mais cuidado. Até cantar “Nervos de Aço” no Programa do Jô o homem já anda cantando, meio sem graça, meio sem tom, meio sem ritmo. O risco da superexposição é grande e pode abalar a imagem imaculada do deputado, o que pode levá-lo à saturação, como ocorreu com Sandy, a outra figura angelical e onipresente da história recente do nosso Brasil. A continuar o ritmo atual de entrevistas e depoimentos, muito brevemente seu mandato não deixará saudades e o deputado ganhará rios de dinheiro dando palestras sobre como fazer render contribuições de campanha. Será surpreendido com um “Arquivo Confidencial” no Domingão do Faustão e dará dicas de postura e elegância no sofá da Hebe. Fernanda Karina, a ex-secretária do Rasputin Carequinha, já deve estar sendo sondada por revistas masculinas. Como o que o deputado diz se escreve, espero que Lula tenha assistido a última aparição do guru da política nacional. Bob disse que o presidente está errando novamente, buscando coalizão com o PMDB. Segundo Bob, Lula precisa fechar seu governo e entregar seus cargos vagos a profissionais técnicos como Dilma Roussef; deve esquecer essa história de “governo de alianças”, terminho responsável pelo fim melancólico de uma história – inverossímil, diga-se – de 25 anos de ética, correção e idealismos desse partido de políticos amadores. Que Lula precisa ignorar os urubus e governar com o povo. Simplista? Não, meus caros. A sugestão é dele, o político de maior credibilidade do Brasil, aquele que vive – segundo o próprio – no intestino do poder, há 23 anos, como um protozoário capaz de mutações mil, que mebendazol nenhum pode matar.
Roberto diz. Que assim se escreva, que assim se cumpra, Presidente.
As cores da ilha, por Andreas Valentin
Andreas Valentin, 52 anos, foi aluno de arte de Hélio Oiticica e assistente de direção do filme Fitzcarraldo, do alemão Werner Herzog. Viveu 15 anos na Amazônia, registrando o cotidiano das gentes da floresta e seu entorno ? como neste ensaio sobre a festa do Boi-bumbá em Parintins. Valentin publicou dois livros sobre o festival, "Vermelho, um pessoal Garantido", de 1998, e "Caprichoso, a Terra é Azul", do ano seguinte.
O ensaio completo está no site NoMínimo.
terça-feira, julho 05, 2005
Político quer maconha contra violência em Gaza
O Jerusalém Post relata o plano de um grupo político israelense para que a polêmica retirada de colonos judeus da Faixa de Gaza ocorra em paz. Segundo o jornal, o partido Alei Yarok fez um apelo ao governo israelense para que “permita temporariamente que os colonos e os agentes de segurança usem maconha” para “reduzir os níveis de violência” durante a retirada. O presidente do partido, Boaz Wachtel, diz ao jornal que, “de acordo com pesquisas, a maconha é conhecida por suas propriedades relaxantes e sua capacidade de reduzir comportamentos violentos”.
Da BBC Brasil, na semana passada.
Le Malfaiteur Cuisine
segunda-feira, julho 04, 2005
A triste dor de ser burro
Quando vejo um idealista como José Genuíno passando pelo que ele está passando nestes dias tão pouco idealistas, acuado sem fios elétricos e sem paus-de-arara, mesmo por jornalistas mal preparados, fico confortavelmente triste. Triste porque nasci num país que é essencialmente hipócrita, confortável porque nunca acreditei em ninguém. Quando se diz, a mídia e o povo, que a grande decepção é ver o PT, partido da ética, enlameado, fico triste porque tenho razão. Razão em ser completa e totalmente cético a respeito da integridade de quem não conheço. Quando vejo, no Roda Viva, José Genuíno dizendo ora PT, ora Governo, fico pasmo com a capacidade das pessoas de ainda acreditarem na honestidade e na capacidade alheia, sem comprovação, sem currículo, sem referências, sem indicações.
Sou triste porque não vejo ideais no meu país. Nem de tucanos nem de petistas, nem de petebistas nem de peemedebistas, nem de comunistas nem de conservadores. Sou triste porque a maior parte do meu povo é burra, lindamente burra, romanticamente burra, ideologicamente burra. Não há heróis à disposição para louvarmos, tomemos vergonha na cara. Sei, é belo acreditar, mas prefiro o conforto da tristeza, a mediocridade do ceticismo. Até aqui, no final estou infelizmente certo. E não tenho esperanças de errar tão cedo. E como eu queria estar errado.
Acredito em mim.
Por mim eu ponho a mão no fogo.
Notas de segunda-feira
Eva Green, pra quebrar a acidez dos tempos
Alguns ministérios de Lula não conseguem gastar o que está no Orçamento. Um exemplo: o Programa de Saneamento Ambiental Urbano tem 932 milhões de reais para gastar neste ano. Apenas 6% dessa verba foi usada até agora porque as prefeituras simplesmente não apresentam projetos. Exigir projeto? Peraí, assim também é sacanagem com os prefeitos, né?
De um leitor do blog do Noblat: “O Mensalão acumulou. Ninguém aparece para receber!”.
Desde janeiro, a Polícia Federal fechou dois dos sete postos instalados na fronteira do Brasil com a Colômbia. A terceira base será desativada neste mês, por falta de dinheiro para manter os policiais. Cada uma dessas unidades é composta de dois agentes. É o governo cortando na própria carne, finalmente.
Smart, citando Noblat, citando Arthur Virgílio Neto, nosso John Voight das Amazonas:
“Temos um meio presidente, que é o Roberto Jefferson, que pelo menos demite”
José Dirceu e Delúbio Soares estão brincando com fogo ao conclamar a nação branca-e-encarnada petista a ir às ruas rechaçar o golpe que as elites de direita tramam contra Lula. Da outra vez que um presidente acuado tentou fazer isso, deu no que deu.
Suzanne Richtoffen, assassina confessa dos pais, que mantinha uma pistola calibre 32 e cinqüenta balas dentro de um ursinho de pelúcia, foi libertada porque o STF julgou que não havia motivos para mantê-la presa. Sim, todo brasileiro tem o direito, garantido pela Lei, ao seu primeiro assassinato.
Roger Waters e David Gilmour tocaram juntos Breathe, Money, Wish You Were Here e Confortably Numb no Hyde Park no Live 8, neste sábado. Tudo durou aproximadamente 30 segundos aos meus olhos. Aliás, o dia 2 de julho passou como uma chuva de verão pra mim. Que dia, que noite, seu Geldof!
Cecília, que bom foi receber sua ligação, moça...
Robinho admite que já não gosta mais de jogar no Brasil, e que espera ansiosamente a conclusão das negociações sobre sua ida para o Real Madrid. Robinho não agüenta mais o Brasil falando nele. Nem eu. Já vai tarde.
sexta-feira, julho 01, 2005
Gotcha!
Roberto Jefferson é como aqueles vilões alienígenas maldosos dos filmes de ficção americanos. Sabe aquelas criaturas das quais algumas pessoas só ouviram falar? Políticos corruptos são assim. Todos os conhecem, os apontam com o beiço na rua, como quem diz “Tá vendo ali, aquela meininha ali? Ouvi dizer que é ET, que essa pele e esse vestidinho são de mentirinha, sabia?”. Mas nunca se tem certeza de nada, tudo parece uma eterna teoria da conspiração, um episódio de Arquivo X. Exatamente como aquele “Tá vendo ali? Ouvi dizer que aquele político ali é podre de rico, sabia? Andam dizendo que ele é dono daquele jornal, daquela rede de tevê e daquela gráfica que ganha todas, sabia?”. Histórias mirabolantes sobre festas luxuosas, carrões importados e palácios na Europa são sempre só imaginação popular, um palpite do povão, que nada tem de comprovação científica. Saques de milhões, jatinhos cortando os céus com orgias a bordo, ligações telefônicas entre bispos da Universal e doleiros, pastas cheias de dinheiro saindo de carrões com vidro fumê, etc. Tudo fruto da imaginação, da crendice popular. Exatamente como os vilões extraterrestres. Os poucos que afirmavam tê-los visto são chamados de loucos.
Pois agora temos em mãos um deles. Capturado ainda vivo depois de ser abatido no ar (por fogo amigo) e cair com sua nave espacial em praça pública, este ET está disposto a contar tudo aquilo que sempre povoou apenas o imaginário popular. Vem a público dizer que sim, lá no planeta Mensálion, sua terra natal, os seres humanos são mesmo escravizados, dissecados e usados pra fazer sabão. Que abduziram milhões de humanos, durante décadas, pra dominar o universo inteiro. Dá no mesmo. Este vem dizer que sim, aquelas festas, vinhos e charutos existiam, que o dinheiro roubado tinha nove zeros (quem sabe dez), que havia ali, no Palácio do Planalto, uma salinha dos horrores, onde dinheiro era assunto livre. Que os ladrões abriam o cofre e ainda se davam ao luxo de montar escritório na casa da vítima, onde a divisão do assalto era feita. Este ET veio dizer que sim, nossos mais terríveis temores eram verdade. Estamos sendo roubados há muito tempo. Nunca deixamos, por um segundo sequer, de sermos roubados.
Roberto é daqueles ETs vilões que decidiram dar o final feliz ao filme. Aproveitemos, então!
Ô cara de sorte, meu!
Coluna de Mônica Bergamo na Folha de S. Paulo
Com Ronaldo (e muuitas meninas!) na suíte do xeque Maktoum
E elas não paravam de chegar. Meninas e mais meninas, quase todas modelos (de uns 23 aninhos, no máximo), se aglomeravam na madrugada de ontem nas portas dos elevadores do hotel Unique para subir à suíte do xeque Maktoum Hasher Maktoum al Maktoum. Ele é da família real do emirado de Dubai e veio ao Brasil para lançar a A1 Grand Prix, de carros de corrida, em sociedade com Ronaldo. Os dois promoveram uma festa oficial e comportada nos andares de baixo do hotel. Depois da meia-noite, as garotas eram convidadas para um "after" na suíte presidencial.
Os poucos modelos homens que se misturavam às meninas para visitar a suíte do xeque eram barrados por seguranças: para subir, só sendo mulher. Ou amigo do rei. Quer dizer, do xeque. E do craque Ronaldo. O ator Dado Dolabella arregimentava as modelos na saída da cerimônia oficial. "Vai ter uma festinha lá no 606. Vamos?"
Ao chegar à suíte, de seis ambientes, incluindo a hidromassagem de um segundo andar, as meninas ficavam surpresas. "Ai, amiga, aqui só tem mulher", exclamava uma delas. "Ai, gente, já tô ficando apavorada", dizia outra. "E o som? Não tem som? Que festa é essa?", perguntava uma terceira.
Eis que surge Maktoum - e atrás dele vários seguranças carregando a aparelhagem de som. "Menina, "olhaí", você quase esbarrou no xeque!", gritava uma das modelos. "Credo, nem parece. Pensei que era um empregado!", respondia a outra.
A festa foi lotando, lotando. E então, bingo! A coluna flagra Ronaldo -que tinha "informado" aos jornalistas que iria para a boate Lotus- entre as convidadas. Ele abre os braços. "Estou aqui trabalhando, né? Tenho que puxar o saco do xeque", diz, rindo.
Os seguranças colocam um DVD de Norah Jones. Black Label e champanhe começam a ser servidos à vontade. O xeque e Ronaldo conversam, em inglês.
Xeque Maktoum - Estou solteiro.
Ronaldo - Me too [eu também].
O craque apresenta Maktoum à coluna. O xeque começa a reclamar das mulheres:
Xeque Maktoum - Elas olham para mim e só vêem dinheiro. Olham para o Ronaldo e só enxergam fama. Nenhuma se importa com o que somos de verdade.
Ronaldo - É verdade.
Xeque Maktoum - Sim, mas elas não enxergam...[coloca a mão no peito] o meu eu interior.
Ronaldo - [Também com a mão no peito] O nosso eu profundo...
Xeque Maktoum - É muito, muito difícil homens como nós dois encontrarem uma mulher ideal.
Ronaldo - E nós queremos mulheres inteligentes. Não queremos só mulher bonita.
Xeque Maktoum - [Olhando para as dezenas de mulheres em sua suíte] Mas, Ronaldo, qual delas você acha a mais bonita?
Ronaldo - [Apontando para uma loira] Aquela ali.
Ronaldo, por sinal, estava fascinado com a inteligência da modelo Raica, da agência Elite. Na festa oficial e comportada que aconteceu antes do "after" na suíte, ele se sentou ao lado da modelo, puxou papo, convidou-a para ir a uma boate. Raica, ao menos na frente dos jornalistas, não deu lá muita bola ao craque. "Se ela quiser, até namoro", dizia Ronaldo.
O craque está com saudade da, digamos, inteligência feminina. "Vou namorar de novo, sim", diz ele. "É muito ruim ficar sozinho. Daqui a pouco namoro, caso, separo de novo... E assim vai!". Mas, até encontrar a mulher inteligente que tanto procura, Ronaldo não quer se expor. "Eu pago para quem conseguir me fotografar numa situação qualquer", diz ele.
O craque não se permite nem abraços nem beijos quando está próximo de algum jornalista. Eram 3h quando ele pediu, com toda a gentileza, que a coluna o acompanhasse até a saída da suíte do xeque. "Vamos deixar o xeque em paz. Eu estou indo para uma boate." Ronaldo tomou o elevador no sexto andar, desceu, deu à coluna nome da boate que visitaria. "A gente se encontra lá." Ao se ver "livre", deu meia volta e subiu de novo ao sexto andar.
E a notinha que segue também é ouro puro
COM JOÃO LUIZ VIEIRA E DANIEL BERGAMASCO
RECONCILIAÇÃO
Tudo em cima
Acompanhado da namorada Caroline Bittencourt -aquela, que foi expulsa do casamento de Ronaldo-, o empresário Álvaro Garnero aplaudiu o craque no encontro. "Está tudo bem entre a gente", explicou Garnero. Reconciliados, os dois posaram para fotos exibindo abraços e conversas ao pé do ouvido. Caroline fugiu da foto: "Para não ficar constrangedor", esclareceu. A modelo tinha sido notícia durante a tarde na internet. Fotos suas em um desfile de biquíni, na SPFW, revelaram algumas imperfeições. Caroline ficou chateada.
Folha - O que achou das fotos?
Caroline - Olha, aquela foto foi modificada, porque celulite eu não tenho, não!
Folha - Mas a televisão também mostrou.
Caroline - Bem, o Álvaro sabe que eu não tenho. E ele examina todos os dias. Fiquei triste.
quinta-feira, junho 30, 2005
Quatro tapas na cara
Cortesia do Jornal La Nación
Eu dizia, dias atrás, que a seleção brasileira precisaria de sorte para vencer os argentinos ontem. Não precisou. Numa apresentação, essa sim, digna de representar o melhor futebol do mundo, o Brasil finalmente (e não havia melhor momento para isso) provou que é, sim, melhor do que os argentinos, portanto o melhor do mundo. Mas sabemos, nós aqui, que o Brasil quase nunca é o monstro que foi ontem, tanto que o comentário mais ouvido entre os torcedores era algo como “o Brasil está irreconhecível!”. Verdade. O Brasil não é assim na maioria de seus jogos: briguento, marcador, concentrado e inspirado. Sem nenhum gol de falta, pênalti ou escanteio, mostrou, jogando, que ontem a Argentina não tinha a menor chance. Adriano, melhor jogador e artilheiro da competição, nos fez esquecer a ausência de Enroladinho Fenômeno, que enquanto o desfile brasileiro acontecia em Frankfurt, recepcionava a onipresente top-model Naomi Campbel na São Paulo Fashion Week. Isso mesmo.
Mas faço justiça e assumo a língua queimada. Agora o Brasil é o campeão da tríplice coroa, uma espécie de Grand Slam do futebol, formada pela Copa do Mundo, pela Copa América e pela Copa das Confederações. É cinco vezes campeão do mundo, três vezes mais que a Argentina. Levou a chuteira e a bola de ouro. Aplicou a maior goleada na Argentina em 37 anos, pela primeira vez numa final de competição organizada pela Fifa. Leu, ouviu e aturou piadas, ironias, vodus e a tradicional arrogância Argentina. No fim, ignorou tudo isso e aplicou uma surra humilhante no rival, em frente aos alemães, país de futebol feio, chato e ainda assim com mais títulos mundiais do que a Argentina. Argentina que não ganha nada oficial há 12 anos como seleção principal.
Daqui da posição de torcedor, o prazer realmente inenarrável é ver as manchetes dos jornais argentinos, agora humildes e resignados, dando os parabéns ao Brasil e aceitando o chocolate que tomaram. Mas como são argentinos e não podem negar o sangue que lhes corre nas veias, não desistem da soberba. No momento do apito final de ontem, o jornal Clarín dizia que “A pesar de la diferencia amplia, el score fue mentiroso”. Hoje mais calmos, conformados e surpreendentemente profissionais, os jornalistas argentinos disseram que a lição dada pela seleção brasileira será "difícil de imitar". O La Nación destaca os 10 erros da Argentina, como a insistência de Sorín em "jogar com a 9", a apatia de Riquelme e Aimar, a fragilidade do goleiro Germán Lux, a ausência de um artilheiro, o esgotamento físico, a falta de "coração" da equipe e o desempenho dos reservas brasileiros muito superior aos argentinos. O nono erro é tratado como "perdemos porque provocamos um monstro", e, o último cita uma frase de Diego Simeone, ex-volante da seleção, que definiu que "O Brasil tem craques, a Argentina, bons jogadores". Este sim foi o gosto mais doce que senti ao final do jogo de ontem. A arrogância humilhada.
Mas o Olé não se entrega e insiste em seu “jornalismo” tosco. Ao final da matéria, simplesmente diz "Parabéns. Mas Maradona é argentino. E foi melhor que Pelé". Pelo jeito, por sobretaxas Kirshnerianas à entrada de filmes brasileiros em solo portenho ou por pura incapacidade de se render aos fatos, os argentinos não puderam (ou não quiseram) assistir a Pelé Eterno, o filme que mostra o que fez um tal de Atleta do Século. Apesar dos títulos mundiais, das inúmeras chuteiras de ouro, do topo do ranking da Fifa, das vitórias e das surras que tomam, eles não se entregam e se sustentam nos títulos sul-americanos, onde são historicamente muito superiores aos macaquitos.
Nem isso vão levar. Ainda ontem, na já silenciosa Buenos Aires, tomaram mais três do Brasil, representado pelo São Paulo. Ficaram de fora da Taça Libertadores da América.
Restam agora a incurável arrogância, momentaneamente abalada, e a indisfarçável inveja.
Talvez os louros do título nem sejam tão caros aos brasileiros. Se a lição servir para que deixem a nossa paciência em paz, já estará de bom tamanho esse 29 de junho de 2005.
quarta-feira, junho 29, 2005
Quer mais? Então toma
Jefferson fala sobre caso de Santo André
O deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ) ainda tem munição para novas revelações. Em entrevista a uma rádio de belo Horizonte, ele falou sobre os supostos esquemas de corrupção do atual governo e fez ligações com o assassinato do prefeito petista de Santo André, Celso Daniel, seqüestrado e morto em janeiro de 2002.
Jefferson foi questionado se via relação entre os três casos - bingos, Correios e "mensalão". Respondeu: "E o assassinato do Celso Daniel, de Santo André". "Eu não tenho dúvida disso. Isso é uma estrutura de corrupção, de "caixa dois", que sustentou um grupo de dirigentes do PT durante muito tempo. E é isso o que está vindo a dar esse escândalo hoje, criar esse problema ao Brasil", completou. A entrevista foi gravada no sábado e veiculada na segunda pela rádio Solar AM, de Juiz de Fora (MG).
Jefferson não deu mais detalhes, disse apenas que falaria sobre o assunto somente em seu depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito dos Correios, marcado para esta quinta-feira.
Santo André - Celso Daniel foi seqüestrado ao voltar de jantar em companhia do empresário Sérgio Gomes da Silva, conhecido como Sombra. Dois dias depois, foi encontrado morto. A Polícia Civil concluiu que o crime foi comum. O Ministério Público teve outro entendimento e denunciou (acusou formalmente) Gomes da Silva em dezembro de 2003. Ele foi preso, mas atualmente está solto. Segundo a Promotoria, o empresário teria mandado matar o prefeito porque Daniel não concordaria com suposto esquema de cobrança de propina de empresários do setor de transporte público de Santo André durante sua gestão. Parte do dinheiro cobrado financiaria campanhas políticas do PT, o que o partido nega.
Além de lançar mais uma acusação contra o PT, o presidente licenciado do PTB afirmou que está pronto para uma acareação com o ex-ministro da Casa Civil, deputado José Dirceu. Segundo Roberto Jefferson, suas declarações sobre o mensalão estão sendo confirmadas pelas investigações do Ministério Público e da Polícia Federal. " As pontas estão sendo amarradas " , disse. " Com os cruzamentos dos sigilos bancários e telefônicos, você vai ver claramente a comprovação do que digo. "
O presidente do PT, José Genoino, afirmou, por meio da assessoria de imprensa do partido, que irá interpelar Jefferson judicialmente para que o deputado explique suas declarações. Jefferson também falou que embora tenha entregue a maior parte de seus cargos no governo federal, o PTB "quer dar governabilidade ao presidente Lula". "Vamos com ele até o final, sem participar do governo."
Fonte: Veja on-line
terça-feira, junho 28, 2005
Adesivo pra Carro
Este boneco vodu de Pelé veio estampado nas páginas do Olé, o arremedo de jornal que a imprensa argentina mantém como porta-voz futebolístico. Esqueça-se a qualidade, que assim perdemos a comparação. Vamos apenas à prática: 5 a 2.
La envidia és una mierda
A Turma da Lazinha, as armas
Agora ouço falar sobre esse plebiscito da proibição da venda de armas de fogo. A gritaria geral supõe que a maldade está nelas, as cruéis, sanguinárias, desumanas armas de fogo, como se na calada da noite gangues de pistolas e esquadrões da morte, formados por fuzis encapuzados, se juntassem pra “matar geral”, com seu bonde do terror. Segundo os pacifistas brasileiros, é plausível que escopetas e metralhadoras, assassinas cruéis e inescrupulosas, se juntem nos bares e encham a cara, pra depois passar fogo em inocentes desarmados. Segundo os militantes anti-armas, são elas a fonte do todo o mal, como se na Noruega inexistissem armas, como se na Suécia ou no Canadá elas fossem proibidas. Não são. A se confirmar, por exemplo, a tendência de aumento da violência nas estradas brasileiras nos próximos anos, brevemente teremos um movimento contra a fabricação e venda de carros no Brasil.
A idéia do plebiscito contra as armas é bem brasileira mesmo. Com essa mania de errar o foco de seus problemas e atacar apenas seus sintomas, fazemos o que aparentemente é mais fácil, ou seja, dar sumiço nos pobres em vez de erradicar a pobreza. Armas não disparam por si só, como se fossem robôs rebelados num filme de ficção. São carregadas por bandidos, sejam eles juízes ou traficantes. Não entram nos presídios por conta própria, não desfilam pelos bares por decisão sua, não freqüentam restaurantes por sua conveniência. Esse plebiscito deveria perguntar, em vez de “Deve-se proibir no Brasil o comércio de armas de fogo e munições?”, algo como “Deve-se permitir que traficantes de drogas, policiais bandidos e juízes alcoolizados matem outras pessoas?”. Outra sugestão seria “Deve-se permitir que milhares de pessoas sejam assassinadas todos os anos, e que seus assassinos continuem impunes?”.
A pergunta mais apropriada, na verdade, é a mais simples de todas:
“Deve-se seguir as leis no Brasil?”
segunda-feira, junho 27, 2005
Da pelota
O atacante Adriano, destaque da seleção brasileira em sua alternância de jogos bons e jogos porcaria, se machucou no treino dessa segunda-feira na Alemanha. Num choque com outro jogador, caiu e sentiu fortes dores no pé. Segundo o médico da seleção, foi apenas um susto, e Adriano deve jogar contra a Argentina sem problemas.
Não sei por que, mas lembrei de um causo que me contaram certa vez. Passando por um cruzamento nas redondezas do Conjunto Eldorado, meu amigo viu um opalão, daqueles diplomatas de quatro portas, com a frente completamente destruída. Mas não havia outro carro envolvido, e ele decidiu perguntar aos curiosos de plantão o que ocorrera.
- Foi um Ka que bateu nele - respondeu o transeunte, sem tremer a cara.
- Um Ka fez esse estrago todo num opalão desses?!
- É, pois é.
- Mas como pode? Cadê o Ka?
- Ainda não acharam.
Notas de segunda-feira
A Liga do Norte, partido de extrema-direita na Itália, apresentou um projeto de lei nesta semana que permite a castração de condenados por estupro. A proposta surgiu em meio ao aumento de registros no número de estupros no norte da Itália e a um debate que aponta a ampliação da imigração como a causa. Nos fóruns de discussão sobre São Paulo na Internet pode-se notar que os paulistanos legítimos – como se auto-denominam os descendentes de imigrantes – concordam plenamente com a idéia. Pura falta de vergonha na cara.
Sabe os americanos, que não negociam com terroristas? Pois é, andaram se reunindo com rebeldes insurgentes (aqueles que matam uns 40 em média por dia), pra negociar uma saída para o inferno que se tornou o Iraque livre e democrático. Quem contou a história? Apenas Donald Rumsfeld. Dizendo que forças estrangeiras não são capazes de reprimir as insurgências, o falcão previu que "as insurgências tendem a se arrastar por cinco, seis, oito, 10, 12 anos". E absolutamente ninguém propõe uma CPI para investigar o que os americanos fizeram com o Iraque.
Dois assaltantes disfarçados de flanelinhas foram presos em Copacabana ontem à noite. Com extensa ficha corrida e foragidos da justiça, escolheram a pior camuflagem. É como se um pedófilo foragido da polícia se disfarçasse de padre, entende?
Donna Kyman, uma americana de 66 anos que afirma ter sido mordida por um cachorro chamado "Flash", de propriedade de Michael Jackson. Adivinhe o que ela pede como reparação pelo "grande sofrimento e dor mental, emocional e física"?
Quem assistiu ao Festival de Parintins ontem viu o Boi Caprichoso ir até os jurados, cumprimentar um por um. Fontes de confiança do jornal mais imparcial e sério do Amazonas dizem que um dos jurados, que já pediu proteção policial, recebeu proposta de 50 mil reais e um passeio pelo Rio Negro com 15 cunhantãs menores de idade, feita pelo “tripa do boi” no momento da aproximação.
Depois da lipoaspiração, o tipo de cirurgia plástica mais procurado do momento é o de vagina. Sim, há cirurgia plástica vaginal, geralmente para estreitar o órgão ou reconstituir o hímen. A procura tem aumentado exponencialmente e o doutor David Matlock, de Los Angeles, já arrisca prever que dentro de 5 anos todas as noivas de Hollywood serão virgenzinhas inocentes.
Como é a sensação de saber que neste exato momento, enquanto você trabalha, tem gente roubando o dinheiro que o governo te tomou durante quatro meses do ano?
O Brasil vai fazer a final da Copa das Confederações com a Argentina. Eu torcia pro México. Perder duas vezes da Argentina vai ficar muito feio. Se o Brasil ganhar, pra mim é zebra. A seleção argentina é pelo menos três vezes melhor, joga muito mais bonito, objetivamente, elegantemente, com a combinação perfeita de raça e categoria. Pena que é feita de argentinos. Boa sorte, Brasil, você vai precisar.
sexta-feira, junho 24, 2005
A Jihad dos chatos continua
Li, ontem à noite, um texto do cãozinho de guarda dos wunderbloggers, o polemista de um assunto só, o meu amigo Jorge Nobre, que mais uma vez “linko” aqui, por caridade. O texto é de alguns dias atrás, e chama-se “Enemies, a love story”, uma notinha de 3 páginas na qual o carente Jorge explica porque odeia tanta gente, dando nomes, criando apelidos (eu virei Alfafa Zejo) e “desconstruindo” seus inimigos. Ninguém ligou, ninguém deu bola, mais uma vez. Jorginho “Direita, volver!” Nobre interrompe, esporadicamente, seus textos diários sobre os “esquerdinhas” que tanto lhe causam pesadelos e fala de pessoas que ele decidiu chamar de inimigos. Uma tentativa primária de criar algum embate, movimentar seu blog, chamar a atenção de alguém. Como sempre, ninguém deu bola.
Mas eu, que leio de tudo o que posso e tenho paciência de ler, cheguei lá. Com intervalos de alguns dias, sempre faço minha visitinha de médico à dupla Rafael Azevedo-Jorge “Direita, volver!” Nobre. Já foi mais divertida, a dupla. Agora são simplesmente dois chatos. Rafael, judeuzinho fundamentalista, continua seu nobre ofício de detectar breguices brasileiras e xingar muçulmanos em Londres. Não interrompamos tão valiosa contribuição ao mundo. Jorge “Direita, volver!” Nobre é mais rançoso, tem menos paciência. Escreve com raiva, porque com raiva vive, das coisas mais atuais do mundo atual, a saber: o comunismo, o comunismo e o comunismo. Uma vida em preto e branco, a de Jorge.
Agora, pra provocar um choque, veio dizer que eu citei a pesquisa do Lancenet em que se avaliava as mortes civis iraquianas em 100.000. Disse que a pesquisa, de 29 de outubro do ano passado, sumiu. Mentira. Está aqui, nos arquivos do Guardian. Jorge Desonesto Nobre questionou os motivos que levaram o The Guardian, jornal que noticiou a pesquisa, a não ter mais falado na mesma. Sei lá, algo me diz que é porque uma pesquisa de outubro de um ano geralmente fica desatualizada em junho do ano seguinte. Acho que é por aí, nobre Jorge. À taxa de umas quarenta pessoas mortas por dia, sou a favor de que se faça as contas novamente.
Há sites americanos que inclusive têm contadores de mortos americanos, similares a esses de visitas em blogs, que podem ser instalados na página de quem se interessar. Assim a população americana (e você, Jorge, ou George, como queira) pode se indignar e lamentar as perdas de seus filhos. Já sobre as baixas iraquianas, niente. Natural, natural. É mais fácil acompanhar mortes aliadas no varejo do que mortes inimigas no atacado.
Mas Jorge “Direita, volver!” Nobre vai além. Diz, por exemplo, que na guerra do Vietnã os americanos mataram civis sim, mas por acidente. Quem matou geral mesmo foi quem? Quem? Sim, eles, os comunistas. Os soldados americanos que passaram fogo em cerca de quinhentas pessoas, a maioria mulheres e crianças, na aldeia de My Lai em 1968, por exemplo, na verdade estavam mirando em comunistas perigosíssimos. Apenas erraram o alvo, umas quinhentas vezes. Soldados que mais tarde testemunharam contra seus colegas sobre o episódio (provavelmente comunistas infiltrados no exército americano) contaram de um bebê que saiu engatinhando da pilha de corpos. Um dos soldados lhe explodiu a cabeça com uma pistola e jogou o resto de volta à pilha. Acidente.
A aldeia de My Lai, dizimada por acidente pelos americanos
Assim foi com o napalm, com o agente laranja, com o gás mostarda. Tudo acidente, gente. Quando a força aérea americana atacava aldeias, na verdade mirava nos vietcongues, dentro da floresta, aqueles comunistas assassinos sem coração.
Jorge “Direita, volver!” Nobre é cretino, no mínimo. Com seu transtorno obssessivo-compulsivo, que o faz enxergar apenas zeros e uns, resume a vida, o mundo, as pessoas à direita e à esquerda. Os cristãos, liderados por Jesus W. Christ, de um lado. Os comunistas do outro. Até eu já virei comunista nas palavras do lunático. Na sua sanha por briga, Jorge segue falando sozinho. Não erra em atacar esse ou aquele. Erra em defender quem quer que seja. Até porque o comunismo, que acabou há quase 15 anos, realmente foi o responsável por milhões de mortes em todo o mundo, e provou, caindo, que não prestava. Mas para isso seu Jorge “Direita, volver!” Nobre defende as guerras americanas, e aí assina seu atestado de cretino. Desonesto, bitolado, chato pra porra, repetitivo, inconveniente e ingênuo.
Larga do meu pé, Jorge Nobre. Volta pro teu mundinho monocromático e pára de me chamar de inimigo, porque não sou nada seu. Sei que a comparação é especialmente ofensiva pra você (e nesse caso te dou razão), mas você está me lembrando o Hugo Chavez, gritando bobagens contra seus inimigos, enquanto os inimigos pouco se lixam pra ele.
É assim com você, Jorge. Que ironia, não?
quarta-feira, junho 22, 2005
Universidade Gratuita Paga
Pra você ver como fazer as coisas errado no Brasil é fácil. A USP está sendo acusada pelo Ministério Público Estadual de São Paulo de cobrar por cursos de pós-graduação e especialização ministrados nas suas dependências. A USP, que é pública, faz convênios com fundações, que são privadas, que cobram pelos cursos e repassam um porcentual do faturamento à universidade.
A resposta da USP? “Desconhecemos o conteúdo da ação”.
Qualquer semelhança com o que acontece na esfera política é mera coincidência. Os órgãos investigativos analisam, fiscalizam, apontam, citam e requerem providências, e os acusados dizem um singelo “só me pronuncio à justiça” ou um “desconheço as acusações”. Exemplo fresquinho vem de Zé Dirceu, que depois de prometer ir à câmara se defender e rebater todas as acusações de que é vítima, hoje disse um singelo “não vou me defender. Não há acusação nem provas contra mim”.
Mas as coincidências não param aí. Como é sabido por alguns, a UFAM também mantém cursos de especialização e mestrado promovidos por instituições civis, que cobram pela educação que fornecem nas dependências públicas da universidade. Basta que o Ministério Público Estadual verifique a situação.
Para que o paralelo das coincidências fique bem visível, cito o mega-astro da hora: “todo mundo sabe que sempre funcionou assim”.
terça-feira, junho 21, 2005
Speechless
Em tudo que achávamos tão certo,
Teríamos o mundo inteiro e até um pouco mais:
Faríamos floresta do deserto
E diamantes de pedaços de vidro.
Mas percebo agora
Que o teu sorriso
Vem diferente,
Quase parecendo te ferir.
Não queria te ver assim -
Quero a tua força como era antes.
O que tens é só teu
E de nada vale fugir
E não sentir mais nada.
Às vezes parecia que era só improvisar
E o mundo então seria um livro aberto,
Até chegar o dia em que tentamos ter demais,
Vendendo fácil o que não tinha preço.
Eu sei - é tudo sem sentido.
Quero ter alguém com quem conversar,
Alguém que depois não use o que eu disse
Contra mim.
Nada mais vai me ferir.
É que já me acostumei
Com a estrada errada que eu segui
E com a minha própria lei.
Tenho o que ficou
E tenho sorte até demais,
com sei que tens também...
Andrea Doria
Renato Russo
segunda-feira, junho 20, 2005
Notas de segunda-feira
Impressionantes as cenas do show de Carlinhos Brown em Madri, exibidas no Fantástico. Cerca de um milhão de pessoas foram atrás do trio do baiano. Ainda estão confusos, muito confusos, os brasileiros que atribuem o sucesso da Bahia à vagabundagem nacional. Agora Carlinhos provavelmente passará a ser reverenciado em São Paulo. Finalmente.
Cristiana Oliveira, Giovanna Antonelli, Adriane Galisteu e Carla Regina andam constrangidas com as reprises das novelas Xica da Silva e Pantanal. É que, em começo de carreira, topavam tudo (leia-se cenas de nudez e de sexo) para ficar famosas.
Hoje fazendo coisas de enorme bom gosto como apresentar programas de variedades xexelentos e estrelar novelas da Glória Perez, querem se livrar do passado. Algo como fez Xuxa com o filme Amor Estranho Amor, em que seduzia um felizardo garoto. Todas as cópias do filme foram tiradas de circulação pela Rainha dos Baixinhos.
A ex-mulher de Waldemar da Costa Neto, presidente do PL, já anuncia que vai contar tudo o que sabe sobre o ex-marido. Sugestão: grampeiem, urgentemente, os telefones desse pessoal que ameaça jogar lama no ventilador. Freqüentemente acontece algo que os faz voltar atrás. Ou isso ou terminam todos mortos, com um singelo “Crime Passional” num atestado de óbito assinado por Badan Palhares.
E esse fim de mês que não chega! E as contas se acumulando! Ainda são 10 longos dias até que saia o meu mensalinho.
Quer saber o que é falta de timing? Pense em Ana Paula Padrão.
Estou com medo. Com uma sensação de participante do Big Brother, aguardando, de mochila pronta, pra saber se posso ficar ou se vou sair mais cedo dessa.
Sunday Crappy Sunday – Numa corrida com dois carros, que seria definida por Parreira como um racha de luxo, Schumacher venceu Rubinho. No futebol, o Brasil sucumbiu a toda a garra, técnica e tradição do futebol mexicano. Dominguinho nojento, esse. Nem Rubinho ultrapassou nem Robinho pedalou. Resta jogar as fichas no Robinho da Câmara, pedalando pra cima dos pernas de pau.
Passei pela Bola da Suframa esse fim de semana, mas não consegui saber o que se passava lá dentro, tantas que eram as faixas de agradecimento da “população” ao governador Eduardo Braga, estendidas a cada 3 metros de cerca. Enquanto isso Patrick Mota, o jornalista-mala da rede-mala, questionava, em entrevista na tevê, o prefeito Serafim Corrêa sobre sua aparição nas propagandas institucionais do PSB, partido do prefeito. E acredite, saiu coisa pior dessa entrevista.
A nova mansão dos Benigno será inaugurada nos próximos dias. Estão todos convidados para os bebes-e-bebes, cujos detalhes revelo brevemente. O que levar? Que tal uma lavadora de roupas (aquele novo modelo da Brastemp tá bom), um refrigerador Sub-Zero ou um home-theater Toshiba?
Roberto Jefferson será o entrevistado de hoje no programa Roda Viva, da TV Cultura. Começa às 21:30, horário de Manaus.
sexta-feira, junho 17, 2005
By Tutty Vasques, NoMínimo
Diferença clara
Roberto Jefferson pode até ser parecido com André Gonçalves, mas, cá pra nós, é muito melhor ator.
Moral da história
Entreouvido, numa rodinha de gente atônita: “O que desmoraliza o governo não é a acusação. É o acusador.”
quinta-feira, junho 16, 2005
Reescrevendo a História
Da Agência Estado:
“Uma dona de casa de São José do Rio Preto, interior do Estado de São Paulo, se fez passar pela neta de 11 anos e ajudou a polícia a prender o pedófilo que tentava seduzir a menina pela internet numa sala de bate-papo para crianças de 8 a 12 anos. A avó, que não quis se identificar, passou 50 dias trocando mensagens com o pedófilo, o técnico de refrigeração Antônio Agilmar Caldas, de 46 anos, até a polícia prendê-lo ontem em Pitangui (MG), com a namorada, Suelen Cássia da Silva, de 20.”
Sinal dos tempos mesmo. A Vovozinha se fazendo passar por Chapeuzinho Vermelho para enganar o Lobo Mau.
quarta-feira, junho 15, 2005
A safadeza-arte e a safadeza-resultado
Ainda não compreendi bem por que algumas pessoas andam tristes com tudo o que vem acontecendo em Brasília. Eu estou radiante. Prefiro ser assaltado ao som de sirenes de polícia, prefiro esse canibalismo grotesco; as serpentes se devorando entre si. Digamos que seja esse o meu “mensalão”: assistir às prisões mensais de ladrões espalhados pelo país. Hoje, por exemplo, ganhei minha “desencravada de unha” do mês de junho, a prisão de 60 supostos sonegadores de impostos. Ser roubado no mais absoluto silêncio é o que incomoda. Nunca deixaremos de ser roubados, mas umas algeminhas de vez em quando caem bem, não caem?
Não entendo também aqueles que dizem que políticos como Roberto Jefferson representam o Brasil. Mentira (aliás, inverdade, leviandade)! O homem-bomba da vez é muito melhor do que a média da safadeza nacional. É claro, o bom senso ensina a nunca generalizar, mas quando o presidente do PTB diz que a “grossa maioria” da casa sabia do esquema de mesadas a parlamentares, é impossível não traçar um paralelo com a “grossa maioria” do país, que sabe – mesmo sem fitas gravadas – que seus políticos lhe roubam.
O fato é que estou muito positivamente surpreso com o que vi ontem. Foi gratificante saber que o Brasil ainda pode, sim, contar com escroques tão eloqüentes e cheios de estilo quanto Roberto Jefferson. Confesso que já andava meio desanimado com a política nacional, cheia de personagens caricatos e rasos, Severinos que parecem ter saído de novela da Globo. Já sentia certo desgosto em ver nos noticiários a mesma repetição apática de denúncias de obras fantasmas e acusações de nepotismo, sem fim e sem novidades. Os mesmos rostos engessados, os mesmos olhares desfocados, as mesmas bocas cercadas de microfones e as mesmas frases de cartilha. “Vossa Excelência” pra cá, “Nobre Deputado” pra lá, “Isso é uma calúnia!” de um lado, “Vamos apurar rigorosamente” do outro... Enfim, uma chatice sem fim, feito entrevista de jogador de futebol, com a singela diferença do roubo do meu dinheiro, do que, até onde sei, os jogadores ainda não podem ser acusados.
Então vem Seu Roberto e fala como quem diz “Presta atenção e aprende, manezada!”. Num baile – mentiroso ou não – sem precedentes, embolsou (ôpa) umas dezenas de experimentados políticos. Foi um show, uma aula. Roberto Jefferson está anos-luz à frente do político médio brasileiro – técnica, e não eticamente falando, diga-se. Já no final de seu espetáculo, angariava declarados fãs entre seus inquisidores. Sim, depois de algumas horas, Roberto Jefferson já ouvia apaixonadas e adolescentes declarações de apoio, de politicozinhos meia-boca de vários partidos. Confessou crime eleitoral e declarou “não ser melhor que ninguém aqui”. Pronto! Na condição de mártir da renovação política brasileira, proclamada nas entrelinhas de suas ironias e olhares engaguejantes, “sublimou seu cargo”. Ou seja, para dar um start na limpeza ética que se mostrou urgentemente necessária com a crise, ofereceu-se em sacrifício, para ser imolado por uma nobre causa. Muita gente do povo adorou, o que não surpreende. Estamos tão miseravelmente entorpecidos por nosso histórico nacional de “cafajestes que negam até a morte” que um raríssimo “assumo que pequei” nos cativa feito meninas bobas, que gostam de bad-boys assumidos.
Muito se falou sobre a falta de provas, de fitas, de vídeos, de documentos. Por isso muito provavelmente Seu Roberto Jefferson será cassado, simples assim. Quebrou o decoro e assumiu? Rua. Recebeu grana pra campanha e não declarou? Rua. A imprensa, felizmente amarrada ao bom senso, não pode acusar ninguém. O jornalista é apenas um fofoqueiro, mas um fofoqueiro de relevâncias, e precisa, sente falta de gente como Roberto Jefferson. É sabido que ele é homem de muitas faces, estrategista tarimbado e calculista. E talvez seja por isso que eu estou gostando tanto desse jogo, que começou com cara de amistoso de segunda divisão e virou um clássico mundial. Subitamente a safadeza-arte surgiu no meio da safadeza-resultado. Jefferson elevou o nível do tráfico de influência, do peculato, da nomeação comprada e da traição política. Craques da safadeza-arte são raros hoje em dia. Mal conseguem mostrar seu potencial em campo e já há fila de clubes querendo seu passe. Esses craques destroem Waldemares e Janenes como quem dá “dribles da vaca” num zagueiro perna-de-pau, desconcerta Sandros e Genuínos como quem dá “chapéus” num adversário perebento do campinho de várzea.
A pergunta que me faço agora é: em qual segunda-feira o Jornal Nacional será interrompido por 20 minutos para que Roberto Jefferson venha me encher os olhos com seus passes e lançamentos? Já chega dessa piada de mau gosto de ter que ouvir Waldemar da Costa Neto e Pedro Corrêa falando de virtude e honestidade no meio do jornal, com suas frases feitas e seu discurso empoeirado. Eu quero Roberto Jefferson em campo, com suas caretas, seus olhares sacanas, sua sede de vingança e sua cara-de-pau. Nem que, embaixo das traves adversárias, depois de fazer fila com o time adversário, pense bem e decida “quer saber? Não vou fazer esse gol agora, não. Quero me divertir mais.” e devolva a bola aos beques entortados, pra dar mais graça à partida. Eu, aqui da arquibancada, grito “olé!” e não quero que isso acabe tão cedo. Quero que Roberto Jefferson seja ainda mais provocado, ameaçado e pressionado, porque sei que, como diria Galvão Bueno, vai fazer das suas. Vai ser divertido.
Que Roberto ainda me divirta muito, porque mereço, depois de tantos anos de corruptos sem carisma, satisfeitos com sua safadeza-resultado. Depois quero quantos forem possíveis, a começar por ele, indo pro vestiário mais cedo. Roberto Jefferson anda dando espetáculo para a torcida, mas, como ele mesmo disse, não é melhor do que ninguém. Pois que caia, levando junto seus traídos e traidores. A torcida, cansada de tristeza, vai agradecer.
terça-feira, junho 14, 2005
Abalando no Congresso, u-hú!
Jefferson contou com mais detalhes como recebeu - ou diz que recebeu - ajuda financeira do PT para anabolizar as campanhas de candidatos do PTB nas eleições municipais do ano passado.
Em julho de 2004, segundo ele, o publicitário mineiro Marcos Valério, que trabalhava com Delúbio Soares, tesoureiro do PT, desembarcou com uma mala de dinheiro na sede do PTB em Brasília.
Havia dentro da mala, contou Jefferson, R$ 2.200 mil em notas de cinquenta e de cem reais - todas com etiquetas dos bancos Rural e do Brasil.
Dali a alguns dias, Valério voltou à sede do partido com outra mala de dinheiro - mais R$ 1.800 mil. Novamente em notas de cinquenta e de cem reais. Com etiquetas dos mesmos bancos.
Jefferson disse que Genoino, presidente do PT, prometeu que o dinheiro seria, digamos, legalizado mais tarde. Não foi.
Disse também que o ministro José Dirceu avalizou a operação de ajuda ao PTB. E que ouviu dele que o resto do dinheiro prometido pelo PT (no total, R$ 20 milhões) estava difícil de ser obtido porque a "Polícia Federal é meio tucana e prendeu 60 doleiros.
Não está dando para internar dinheiro" (no país).
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O que ele disse
Alguns pontos do depoimento de Jefferson no Conselho de Ética que merecem destaque:
* Ele acusou a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) de ter montado o flagrante de suborno do ex-diretor dos Correios, Maurício Marinho. "Foram arapongas que fizeram aquilo", disse.
* Disse que nem a Polícia Federal nem o Ministério Público se interessaram até agora em investigar os negócios feitos pela Diretoria de Informática dos Correios. "Ali, sim, eram feitos os negócios milionários da empresa", observou. Acrescentou que o diretor de Informática dos Correios foi indicado por Sílvio Pereira, secretário-geral do PT.
* "Silvinho, José Dirceu: O PTB não é responsável pela corrupção nos Correios. Vocês sabem disso".
* "Gente boa dos Correios começa a me dar informações". (Jefferson repetiu a mesma frase três vezes.
* "Não arredo pé em nada do que disse à Folha de S. Paulo nas duas entrevistas que dei".
* "Tenho 23 anos como deputado. Jamais vi um partido do governo pagar mesada a deputados para que apóiem o governo. Nem mesmo no governo do presidente escorraçado. Mas desde agosto de 2003 é voz corrente até nos banheiros da Câmara que o Dr. Delúbio, com o conhecimento do Sr. Genoino, repassava dinheiro para deputados, sim".
* "Recebi o Dr. Delúbio em minha casa. É um homem simples, do interior. Ele fumou um charuto. E se ofereceu para "desencravar" alguma unha que incomodasse algum deputado do PTB. Disse que o PP e o PL recebiam o mensalão. Eu disse a ele: Delúbio, o PTB não quer mensalão".
* "Palocci, com todo o respeito, eu lhe falei a respeito do mensalão, sim. Você nega, mas eu falei."
* "O deputado Pedro Henry (líder do PL na Câmara) tentou tirar dois deputados do PTB. Eu mandei avisar a ele: Se continuar tentando, eu vou à tribuna denunciar".
* "Não sou melhor do que ninguém. Mas também não sou pior. Sou igual a qualquer um de vocês. Faço tudo isso para lavar minha honra e a honra do PTB. Estou tentando reconstruir minha imagem".
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Baixou o nível
"Eu prefiro gostar de mulher do que de um cidadão de Cabo Frio" - acaba de dizer o deputado Waldemar Costa Neto, presidente do PL, desacatando o deputado Roberto Jefferson.
"Eu direi os nomes dos deputados do seu partido que recebiam o mensalão. O senhor recebia, sim", respondeu Jefferson.
Do Blig do Noblat.
segunda-feira, junho 13, 2005
Sinceridade é tudo
Propaganda da Cristal Engenharia sobre seu novo empreendimento, agora, na tevê:
"A poesia de Carlos Drummond de Andrade não tem preço. Morar no Carlos Drummond de Andrade, tem."
Vem cá, existe publicitário em Manaus mesmo?!
Vou me candidatar a um emprego nas agências de Manaus.
Aliás, está lançado meu currículo aqui.
Portfolio? Nah.
Experiência com publicidade? Sinto muito.
Vontade de fazer isso e saber escrever? Tô aí, pode me dar carta branca.
Notas de segunda-feira
Bob Geldof, o organizador do Africa Live 8, conseguiu. Pela primeira vez em 24 anos, Roger Waters, David Gilmour, Richard Wright e Nick Mason vão tocar juntos. Ou seja, o Pink Floyd vai tocar junto, em 2 de julho, em Londres. E eu não vou ver isso.
A cidade de Colônia, na Alemanha, estava hoje no “Bom Dia Brasil”. Fala português, tem escola de samba, a “Unidos de Colônia”, e adora o futebol brasileiro. Aí lembrei de uma notinha que vi no UOL semana passada, que dizia que a Alemanha deve receber 40 mil prostitutas durante a copa de 2006.
A cidade de Colônia (sim, ela) já programa a construção de mega-puteiros só para o evento. É o encontro da organização brasileira com a devassidão alemã dando seus frutos.
A Justiça chinesa condenou à morte na terça-feira (07/06) um jogador de videogame que esfaqueou um adversário após a disputa por uma arma virtual. Francamente, a manchete não dá espaço para comentários.
A namorada de 16 anos de um preso o agarrou na saída do Fórum de Penápolis, interior de São Paulo, e o beijou apaixonadamente. Os policiais que acompanhavam o rapaz desconfiaram da atitude da adolescente e conseguiram evitar que ela passasse ao namorado, no beijo, um pacote de maconha. Essas adolescentes são espetaculosas demais...
O médico Celso Gromatzky falou dia desses sobre a ejaculação precoce. Num arroubo de humor negro, definiu traços do perfil dos portadores da síndrome do “vai ser bom, não foi?”: “Alguns indivíduos têm o perfil do ejaculador precoce. É o sujeito ansioso, perfeccionista, é aquele ‘executivo bem sucedido’, que quer tudo pra ontem”. Ótima, doutor!
Roberto Jefferson disse que, se afundar, leva a república junto. Pode ser que mais tarde fale que fez apenas bravatas, como já virou praxe na sucessão de episódios que começou com Maurício Marinho, lá nos Correios. Mas provavelmente não. Já o chamam de maníaco-depressivo, e essa é praticamente uma prova de que o que Roberto fala é verdade. Isso pra você ter idéia de quanto pus ainda vai sair (se sair) dessa ferida chamada Política no Brasil. Eu pago pra ver.
Marizete dos Santos, moradora da favela Funchal, que fica nos fundos da loja Villa Daslu, disse esperar que sua comunidade de 215 barracos seja beneficiada com a proximidade da loja. A Secretaria de Habitação respondeu prontamente ao apelo de Marizete e anunciou a solução do problema. Os 215 barracos serão removidos e os moradores despejados do terreno, que é particular.
Ribamar Bessa Freire, o autor da coluna TaquiPraTi, descreveu o julgamento de Sabino Castelo Branco. Imperdível.
sexta-feira, junho 10, 2005
Sobre meninos e lobos
E tem também aquela história da reunião entre clientes e fornecedores, naquela repartição pública, logo depois do final do expediente. Os dois lados ligam seus gravadores e filmadoras com o prévio conhecimento da outra parte. No afã de desinfetar a máquina pública, o governo agilizara a aprovação da Reforma Administrativa, sob a qual todas as negociatas federais passaram a ser obrigadas a serem registradas em áudio e vídeo, do jeito que funcionam os call-centers. O primeiro e imediato efeito da Reforma Administrativa fora a melhora da imagem pública. Agora, todos com suas gravatas alinhadas e suas barbas irretocáveis, procuram seus melhores ângulos e trocam segredinhos cabeludos:
- Boa noite, Dr. João Ferreira, tudo bem?
- Tudo bem. E como vão vocês?
- Tudo bem, graças a Deus. Os negócios estão mal, os juros são altos demais e infelizmente estamos impedidos de contratar pessoal e ajudar esse grande país a crescer como merece. Mas deixa pra lá, ainda temos fé nessa nação.
- Eh... Vamos lá, em que posso ajudar vocês e o nosso grande país?
- Bom, como você sabe, estamos participando daquela concorrência de 400 milhões, lembra?
- Sim, claro. Eu e este grande país estamos ansiosos pela compra dessas trezentas réguas e desses 200 lápis nro. 2.
- Pois é. A gente veio aqui pra te fazer uma proposta.
- Proposta? Mas ela vai beneficiar o país?
- Claro, claro! [Nesse momento a reunião passa a ser escrita]
Transcritos os bilhetinhos, escritos em post-its comprados a R$ 350 o bloquinho, se veria:
- É o seguinte, Ferreirinha: você assistiu Velocidade Máxima, com aquele cara da Matrix?
- Veloc... Veloc... não, acho que não. Por quê?
- Seguinte: pra despistar o vilão, que filmava todos os seus passos e prometia explodir o ônibus se alguma saísse do script, os mocinhos decidem exibir, como se fossem ao vivo, imagens gravadas, nas quais obviamente nada demais acontece. Enquanto isso eles poderiam dar um jeito de livrar-se das vistas do cara mau e salvar todos os inocentes.
- Sim, mas o que a gente ganha dessa bosta de país com isso?
- Calma, Ferreirinha. Temos aqui fitas com imagens gravadas na sua sala, enquanto fazíamos aquele blá-blá-blá sobre essa merda desse povo. Agora a gente põe essas gravações pra rodar repetidamente, enquanto a gente conversa mais à vontade... Entendeu?
- Arrã... Então vamo logo, mermão!
[Fitas trocadas]
- Ahhhh... porra, eu já tava cansando de escrever!
- Hehehe... Ferreirinha, ta aqui, ó. 3 paus pra gente começar a conversar, cabôco.
- Opa, dá aqui... [pigarrinho]
- Então, o que você vai arrumar pra gente?
- Já tá tudo arrumado, parceiro! Dinheiro na mão, calcinha no chão!
- Ótimo! Agora vamo destrocar as fitas.
[Fitas destrocadas]
- Então, Doutor João Ferreira, nós agradecemos novamente a oportunidade, viu? E esperamos que todo esse mal-entendido na imprensa seja esclarecido. Essa repartição não pode ser manchada por denúncias de corrupção. No que depender de nós, empresários, essa grande nação vai se ver livre de pessoas desonestas.
- Que bom, senhores. É de empresários como vocês que esse país precisa.
- Boa noite.
- Boa noite.
quinta-feira, junho 09, 2005
Flashes do vácuo...
Do Futebol - Tudo seria diferente se os brasileiros tivessem tanta certeza de que são melhores que os argentinos como os argentinos têm certeza de que são melhores que os brasileiros...
Da Breguice - 15 dos 450 garçons que trabalharam na inauguração da Daslu em São Paulo passaram mal depois de almoçarem. Foram atendidos no ambulatório e voltaram ao batente. Nem os garçons dessa gente têm estômago forte pra agüentar feijão com arroz. Te mete.
Da Demência - Acabaram de me perguntar por que o Durex se chama Durex. Por que não Molex, Colex, Grudex ou Fitex? Por favor, se alguém tiver a resposta, me passe.
Da Genialidade - Mais tarde dou melhor atenção a esse assunto, mas já o adianto pra você. Inventaram o Pac-Man real, onde os jogadores fogem de fantasminhas e “comem” bônus em labirintos reais.
quarta-feira, junho 08, 2005
Filme nacional é ruim, mesmo.
Roberto Jefferson está aquecendo a voz, cantando antigas canções italianas do tenor Caruso em seu apartamento. O deputado estuda canto lírico. Agora há pouco foi aplaudido pelos jornalistas que se amontoam em frente ao prédio. O que está faltando para que a Polícia Federal consiga um mandado de busca e apreensão para o apartamento do patife, onde supostamente estaria o futuro de boa parte dos ocupantes da Câmara, do Senado e do Ministério de Lula?
O Brasil vai ser refém dessa gente por quanto tempo mais?
terça-feira, junho 07, 2005
Não tire as crianças da sala!
Nota fresquinha do Blig do Noblat:
"Vou lavar minha alma"
O deputado Roberto Jefferson, presidente do PTB, confidenciou hoje a dois amigos, também deputados do PTB, que tem 51 fitas com gravações de conversas dele com políticos de vários partidos e até ministros de Estado. "Vou botar prá foder", disse ele a um dos seus confidentes.
Jefferson contou que está muito magoado com um monte de gente - especialmente com gente do governo. Mas também com colegas de partido que querem vê-lo pelas costas.
De fato, a maioria dos deputados federais do PTB quer que ele renuncie ao cargo. Fernando Bezerra (PTB-RN) ameaça renunciar à liderança do governo no Senado se Jefferson não largar a presidência do partido.
- Vou lavar minha alma - prometeu Jefferson.
Recomendação malfazeja: ponham, urgentemente, um colete à prova de balas no patife. Pelo menos por enquanto. Depois que o ventilador parar de girar, podem tirar e jogá-lo na Praça da Sé.
Os macaquitos são um hit
Fila de arianos às portas do Zoológico Monumental de Nuñes
Da Veja on-line:
"Torcedores esperam na fila para comprar ingressos para a partida de futebol entre Brasil e Argentina, que acontece nesta quarta-feira no Estádio Monumental de Buenos Aires. A venda dos 15.000 ingressos para as arquibancadas populares começou meia hora mais cedo devido ao acúmulo de pessoas interessadas em assistir à partida eliminatória para a Copa do Mundo de 2006. Os primeiros da fila - que pela manhã reunia 20.000 pessoas ao redor do estádio - estão acampados no local desde sábado. A Argentina é a primeira colocada entre os países da América do Sul, com 28 pontos. O Brasil tem 27."
segunda-feira, junho 06, 2005
Impeachment à vista, acredite.
A oposição tem evitado falar a palavra impeachment desde que a crise do governo Lula começou. A idéia era que se deixasse Lula e sua trupe morrerem sozinhos, afundados na própria incompetência. Não interessa à oposição uma crise política, o caos institucional e a quebra do país. Mas o PFL já fala na palavra. Sim, o impeachment. E não se engane, você que lê. Há motivos suficientes para que se leve a sério a idéia. Ao que tudo indica, mais indícios vão surgir e mais trapalhadas serão feitas. A corja que se apossou do governo e da debilidade do governo vai começar a se engolir. Cobras vão devorar cobras, e muita, mas muita porcaria será jogada ao ventilador. Tenhamos estômago forte, pois precisamos assistir a esse filme. De outra forma, nada dessa doença será curado. Acompanhe o desenrolar do caso no blog do Ricardo Noblat.
Notas de segunda-feira
Em retaliação contra um atentado que matou cinco pessoas numa mesquita xiita, uma multidão revoltada ateou fogo a uma loja da rede KFC, empresa americana de alimentos, no Paquistão. A polícia descobriu os corpos de seis empregados entre os restos da loja. Esses muçulmanos seguem à risca o “olho por olho”, mesmo. A rede KFC vende frango frito.
Um caminhão carregado com bolsas de R$ 3.000, sapatos de R$ 2.500 e calças jeans de R$ 1.300, com destino à nova loja da Daslu, em São Paulo, foi roubado. Carlos Ferreirinha, consultor da marca Burberry, dona da carga, expressou toda a indignação e preocupação – tão notória entre seus clientes – com o estado social do país, num desabafo contundente: “Montamos um esquema de emergência para trazer outras peças da marca para a inauguração da Daslu. Imagine a Daslu inaugurar sem nossa coleção?!”
Pelo menos 86 náufragos equatorianos foram resgatados perto da ilha de Coco, no Pacífico da Costa Rica, graças a uma mensagem que enviaram em uma garrafa achada por uma embarcação que saiu em sua busca, informou neste domingo uma fonte oficial. O bilhete encontrado dentro da garrafa dizia “SOCORRO, ESTAMOS À DERIVA! NAVIO NAUFRAGOU 3 DIAS, ESTAMOS SEM ÁGUA. CRIANÇAS A BORDO – PESSOAS FERIDAS... OBS.: PEDALA, ROBINHO!”
Em entrevista a Larry King na CNN, semana passada, o ex-presidente americano George Bush, pai de Jesus W. Cristo, disse que deseja muito que, terminado o segundo mandato de Jesus, seu outro filho, Jeb, governador da Flórida, seja o presidente americano. Resista, caro leitor, a ver piada nisso. Os americanos já provaram que são capazes.
Dois meninos de 12 anos assaltaram uma pet shop em São Paulo com uma espingarda de mentirinha. Anunciaram o assalto, fecharam a loja e, tranqüilamente, limparam o lugar. Já estão na mira de olheiros do PTB, do PFL, do PSDB e do PT, onde já são cotados como promessas nas categorias de base.
Roberto Jefferson, que ninguém pode chamar de ladrão até prova em contrário, disse à Folha de S. Paulo que o PT, via Delúbio Soares, seu tesoureiro (lembram de PC Farias?), pagava uma mesada de 30 mil reais aos deputados aliados, para conseguir governar. Disse que Zé Dirceu e Palocci sabiam. Disse também que toda a briga entre o governo e a câmara é porque os deputados queriam um aumento para 50 ou 60 mil reais.
O presidente Collor, derrubado democraticamente em 1992, foi à tevê e pediu ao Brasil que não lhe deixasse só, e que no dia seguinte saísse às ruas vestido de verde e amarelo. Resultado? O Brasil vestiu preto (que é mais elegante e combina com tudo) e foi às ruas, matar aula e pedir o fim da corrupção.
O governo Lula escalou o Ministro da Justiça, Márcio Thomas Bastos, para ir à tevê pedir o apoio da população e prometer acabar com a bandalheira que está instalada no país. Corre o sério risco de, enfim, indignar o país. Como sabemos, o Brasil rouba e deixa roubar. Agora, ir à tevê e pedir providências do povo já é demais.
Pelé foi convidado pela Rede Globo a participar da novela América. Como eu já disse antes, não digo mais nada, apenas mantenho minha aposta: assessores da autora já estão à procura do Saci Pererê, do ET de Varginha e do Mapinguari.
Triste a situação desse país. Nem uma novela que preste há para desviar a atenção do noticiário policial, digo, político.
O Ipea divulgou estudo mostrando que o Brasil tem a segunda pior distribuição de renda do mundo conhecido. Como sou um otimista crônico, prefiro ver o lado positivo. Estamos bem à frente de Serra Leoa, o último colocado na pesquisa.
quinta-feira, junho 02, 2005
Casa de ferreiro...
O jornal Diário do Amazonas de hoje aponta a gasolina manauense como a quarta mais cara do Brasil. Perde apenas para os estados do Mato Grosso, do Acre e de Roraima. O dado interessante fica por conta da inexistência, nesses estados, de produção de petróleo ou de refinarias. Agora preste atenção: o estado do Pará, que não fica no Amazonas, compra a mesma gasolina que os donos dos postos manauenses, da refinaria Isaac Sabbá, que fica no Amazonas. Os manauenses pagam menos, cerca de R$ 2,076. Mas, estranhamente, pagamos mais do que os paraenses pela gasolina. É a tal margem de lucro local, às vezes até forçada, pela justiça, a ser aumentada. É impressionante a perfeição da concorrência perfeita de Manaus. Aqui a competição é tão acirrada que o equilíbrio perfeito, possível somente nos livros de física mecânica do ensino médio, acontece. É como se um cabo de guerra fosse tão equilibrado que durasse anos, sem que sequer um centímetro fosse movido. Mas não se turbe o vosso coração, amada Manaus. É a justiça. Ou iríamos querer ser a quarta cidade mais rica do país e não pagar a quarta gasolina mais cara?
quarta-feira, junho 01, 2005
Ô terrinha...
Jack e Meg ouvem a pergunta dos repórteres:
"e aí, gostaram da nossa gente?"
Do jornal A Crítica de hoje:
"Os fãs que não conseguiram, ou não puderam, comprar ingressos para o show do White Stripes no Teatro Amazonas, não precisam se preocupar. A banda autorizou a instalação de um telão no Largo de São Sebastião, onde o público vai poder conferir o show, que vai ser transmitido simultaneamente."
A todos os que pagaram 40, 80, 110 ou 150 reais - eu inclusive - nossa provincianíssima província de Manaós manda o recado:
"Bando de leso!"
terça-feira, maio 31, 2005
Café sem amor pelo trabalho dá nisso...
Um colega sabotador, uma servente distraída ou um comprador desatento abasteceu as máquinas automáticas de café do escritório com café sem cafeína. Provou, querendo ou não, o que eu já disse: ninguém gostaria de estar trabalhando.
Ah, como eu queria uma máquina fotográfica aqui comigo...
Enfim, o povo foi às ruas!
Eu dizia que pararia de beber, àquela época em que cerveja em Manaus era Antarctica, assim que os pingüins do rótulo da garrafa enfim se abraçassem. Achava que aquele era o supremo desafio à realidade, protegendo-me da abstinência com condições inexeqüíveis. Agora vejo a mobilização social que ocorre em São Paulo, o coração do país. Aí traço outro desafio, este aparentemente invencível: deixo de repetir-me em queixas a esse país sem-vergonha assim que, entre as paradas evangélicas de 2 milhões de pessoas e as paradas gays de 1.8 milhão de pessoas, ao menos 1.000 pessoas cheguem à Avenida Paulista pra dizer alguma coisa, qualquer coisa (uma faixa, uma camiseta preta, umas listras verde-amarelo no rosto) sobre o que tem vindo à tona na privada da vida pública nacional.
Não que marchas evangélicas, caras pintadas gazeteiros e travestis fazendo caras e bocas ao som de música techno não sejam importantes. Longe de mim dizer uma coisa dessas, são manifestações de suma importância para o momento atual do país, como os flash-mobs e as festas do abraço, importadas instantaneamente das ruas de Manhattan para as ruas de São Paulo.
Mas pra que falar repetidamente sobre política ou sobre os desgostos que esse arremedo de política nos dá nesse país, se podemos fazer e falar sobre coisas tão mais interessantes, como a questão que não queria calar na última semana. Não, não era sobre a dimensão da sujeira que essa CPI vai alcançar. Era se existem, em São Paulo, mais crentes ou mais gays.
segunda-feira, maio 30, 2005
A diverticulite do PT
Ninguém, ninguém mesmo, deveria fazer chacota com a morte deste PT que eles, os petistas, imaginaram e sonharam. Hoje vejo esse partido debatendo-se à morte, e de certa forma me entristeço, apesar de nunca ter sido seu eleitor. Tenho visto, nas piscadas de olhos entre uma matéria e outra dos jornais e revistas, aquela cena de O Exterminador do Futuro 2, na qual o robô vilão cai numa caldeira de metal incandescente e, nos seus últimos momentos, toma a forma de todos aqueles de cujo corpo fizera uso durante sua “vida”; debatendo-se aos berros com mil rostos, mil corpos e mil disfarces. É o PT, é a idéia infantil do PT morrendo. Porque o PT foi concebido, como o socialismo, para outros mundos, mundos perfeitos, sem a imunda e viciada interferência humana, essencialmente capitalista.
Esse partido nasceu pelos motivos errados. Não se funda um partido por ideologias como justiça ou ética. Justiça e ética não são idéias, são princípios fundamentais da vida em grupo, pilares obrigatórios da civilização, sem os quais nada fica de pé. E o PT, gerado e cercado pela ignorância sofrida de brasileiros cheios de boa alma e vazios de informação, ganhou simpatia e poder.
Ladrões não têm bandeira ou ideologia, têm fome, apenas fome. Deputados ladrões são como prostitutas; fazem e dizem o que se pede que façam e digam, e cada “eu te amo”, cada “você é o melhor!” tem seu preço. Aquele grupo que mesclava intelectuais comunistas com semi-analfabetos de cordas vocais potentes acabou. Para mim, um triste descrente na raça humana, é melancólico ver a utopia e a burrice dessa gente ruindo. Ingênuos e arrogantes como só a esquerda sabe ser – a direita é arrogante, mas nada ingênua -, essas pessoas que queriam nos governar menosprezaram a experiência da direita em matéria de poder; seus truques, sua sabedoria política. Fizeram pouco caso da habilidade de históricas raposas da roubalheira política. Beijaram, abraçaram e até dormiram com quem não deviam. Burros e irresponsáveis como um pobre com um cartão de crédito recém-adquirido, foram às compras, enforcaram-se e enguiçaram. Agora a conta chegou, ela sempre chega, com juros e correção monetária. Por dinheiro, as prostitutas juram amor e até aceitam uns tapas, meus queridos e ingênuos garotos petistas. Vocês, pré-adolescentes com hormônios demais e capacidade de menos para a política, ainda precisam comer muito feijão com arroz.
Não me doem os dinheiros que se vão do meu bolso com a ruína dessa gente. Já fui assaltado outras vezes, serei ainda muito mais, mas dessa vez pago a conta sem raiva. É como se eu pagasse por um jardim que não floresceu, presente de um vizinho bem intencionado, tagarela e burrinho. Pago pra nunca mais precisar ouvir falar daquele jardineiro nem daquele vizinho. Poderia cobrar o prejuízos do vizinho, mas prefiro que ele fique “pianinho” comigo, envergonhado com a lição que lhe dou abrindo minha carteira e pagando a conta.
A morte desse partido precisa ser didática. Seu cadáver precisa ser dissecado por todos nós. Pra mim, com meu entediado ceticismo, essa é uma oportunidade única na vida desse país. Oportunidade de aprender a pensar, de aprender a valorizar a inteligência, o poder de mudar as coisas de forma chata, metódica e planejada, sem estripulias. Eu sei, dói ver esse William Wallace chinfrim perdendo a cabeça em praça pública, pagando por sua arrogância e por sua incompetência, enquanto as hienas dos bastidores procuram por novas carcaças. Mas não tiremos as crianças da sala, deixemos que se impressionem mesmo, que tenham pesadelos de madrugada. Elas precisam ver esses rostos e corpos se debatendo no metal incandescente, como no filme, tomando a forma grotesca dos Jucás, dos Jéffersons, dos Rorizes, dos Fleurys e dos Waldomiros. Mostremos aos nossos filhos, ainda que nos doa, como morre a burrice, para que eles aprendam, com seus estomaguinhos engulhados e seus pelinhos arrepiados, a livrar-se dessas experiências tão penosas e inúteis. E voltemos para nossa cadeirinha de vítima. Sei também, vamos continuar sendo roubados, mas ao menos será por gente competente, tarimbada no sagrado ofício do roubar. Porque dolorido não é ser apenas assaltado, é ter o assalto anunciado por um adolescente estabanado e sem estilo, cheio de espinhas, a gritar “Isso não é um assalto, pessoal! Tamos pegando esse dinheiro docês pra dar pros pobre!”.
Notas de segunda-feira
Guerra, e não o clima, é a maior causa da fome no mundo, segundo a ONU. Das 36 nações que enfrentam grave falta de comida, 23 estão na África.
Um casal malaio decidiu vender o bebê que está perto de nascer por 8.000 dólares, dinheiro de que precisam para pagar a cirurgia cardíaca do filho mais velho, de sete meses. Jamal Harun, de 41 anos, e sua esposa, Siti Rogayah Sharudin, de 21, grávida, pedem 30.000 ringgit (7.895 dólares), para dar ao filho em adoção, valor proposto por um casal de Cingapura. Falando sério, o que você faria no lugar de Jamal e Siti?
Globo escala Vera Fischer para levantar "América". Sei que meu grande chapa Amaury (que aprecia muito as notas das segundas) vai discordar meigamente, mas a Vera Fisher nunca levantou nada em mim. Ah, eu ia falar de América, mas chutar cachorro morto não tem graça*.
Mas continua a nota: “Até o momento, Vera ainda não foi chamada e passa as horas escrevendo, produzindo e editando os seus filmes de terror, feitos em sua própria casa e que trazem no elenco seus amigos e familiares. No próximo final de semana, uma nova produção caseira está a caminho”...
...peraí, como é que é?!
Luís Figo não dá mais nem “bom dia” a Wanderley Luxemburgo depois de ter sido “promovido ao mercado”, ou seja, mandado para o banco de reservas do Real Madrid. Vou lhes dizer uma coisa, custe o que me custar: o Luxemburgo e o Ciro Gomes têm meu respeito.
Simplificando o que complicaram: idiota não é o Diogo Mainardi. Idiota é quem o discute.
Na última quinta-feira aconteceu, em São Paulo, a Marcha para Jesus, onde 2.000.000 de evangélicos se amontoaram para proclamar sua fé. Como o mercado religioso evolui mais rapidamente do que a velocidade dos micro-chips, já há grupos de evangélicos homossexuais, que ainda brigam por seu espaço dentro do mundo crente.
Mais: já há butiques especializadas em “moda evangélica”. Nicho de mercado é isso.
E São Paulo não pára (a não ser quando chove, claro). Semana passada a cidade se candidatou oficialmente a Sede da Olimpíada Gay de 2009. O time paulistano de vôlei gay já treina intensamente para a edição de 2006. Ué, mas o vôlei já não era essencialmente um esporte gay?!
Pergunta da Hellen, minha “teórica da conspiração” preferida: por que será que os maiores prêmios da Megasena sempre saem para uma única pessoa?
Os franceses disseram “Não” à Constituição Européia. Seus maiores argumentos eram os de que a nova constituição era liberal demais e que pouco contribuiria para as questões sociais. Esses “esquerdinhas” não têm jeito mesmo... Vão continuar na pobreza e na incultura, esses franceses...
* Chutar cachorro morto é figura de expressão, viu?
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