quarta-feira, abril 19, 2006

Franklin Martins desafia Mainardi


Franklin Martins desafia Mainardi
Da Redação do site Comunique-se


Em resposta à coluna de Diogo Mainardi publicada na última edição da revista Veja, em 16/04, o comentarista político da Rede Globo Franklin Martins redigiu e enviou à semanal da Editora Abril e também ao Comunique-se a resposta que publicamos aqui.

Em seu último texto, Mainardi apontou conexões entre parentes de profissionais da imprensa e o poder público para exemplificar o que chamou de frouxidão moral da sociedade brasileira. Além de Martins, Helena Chagas, de O Globo, Eliane Cantanhêde, da Folha de S. Paulo, e Luís Costa Pinto, da Idéias, Fatos e Texto Ltda, também foram atacados pelo colunista. As duas jornalistas preferiram não responder às alegações de Mainardi. Costa Pinto, por outro lado, enviou uma resposta ao Comunique-se, publicada nesta segunda-feira (17/04).

Abaixo, segue o texto de Franklin Martins.

Desafio a um difamador

O sr. Diogo Mainardi, em artigo intitulado “Jornalistas são brasileiros”, publicado na revista Veja de 16 de abril de 2006, acusou a mim e a outros profissionais de imprensa de sermos “moralmente frouxos” e de mantermos “relações promíscuas” com o poder político. No meu caso, saiu-se com a estapafúrdia história de que eu teria uma cota pessoal de nomeações no serviço público. Nessa cota, estariam meu irmão, Victor Martins, diretor da Agência Nacional de Petróleo (ANP), e minha mulher, Ivanisa.

Seguem-se alguns esclarecimentos. Devo-os não ao sr. Mainardi, mas a meus leitores, telespectadores e ouvintes, e também a meus colegas de profissão que, com razão, continuam a acreditar que o jornalismo só tem valor se for exercido com espírito público e ética:

1. Não tive, em qualquer momento ou em qualquer instância, nada a ver com a nomeação de meu irmão, profissional conceituado na área de petróleo, para a diretoria da ANP. Jamais intercedi junto a quem quer que fosse no Poder Executivo para sua indicação. Jamais pedi a qualquer membro do Senado, a quem cabe constitucionalmente aprovar ou recusar as diretorias das agências reguladoras, que olhasse com simpatia seu nome. Não movi uma palha nesse episódio. Meu irmão tem a vida profissional dele e eu, a minha.

O sr. Mainardi não é obrigado a acreditar no que digo. Mas, se não fosse um difamador travestido de jornalista, teria se esforçado para apoiar suas acusações em fatos que revelassem uma conduta inadequada da minha parte, e não apelado para trechos de discursos desse ou daquele parlamentar com referências à minha pessoa que não significam absolutamente nada. Sobre o que falam deputados e senadores nem eu nem o sr. Mainardi temos a menor responsabilidade. Qualquer pessoa medianamente informada sabe disso. Somos eu e ele responsáveis apenas pelos nossos atos.

Por isso, lanço-lhe um desafio. Se qualquer um dos 81 senadores ou senadoras – um só, não é necessário mais do que um – vier a público e afirmar que o procurei pedindo apoio para o nome de meu irmão, me sentirei sem condições de seguir em meu trabalho como comentarista político. Pendurarei as chuteiras e irei fazer outra coisa na vida. Em contrapartida, se nenhum senador ou senadora confirmar a invencionice do sr. Mainardi, ele deverá admitir publicamente que foi leviano e, a partir daí, poupar os leitores da “Veja” da coluna que assina na revista.

Tudo ou nada, bola ou búrica. O sr. Mainardi topa o desafio ?

Se topa, proponho que escolha uma pessoa de sua confiança, enquanto eu pedirei à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) que designe um profissional acima de qualquer suspeita, para que ambos conversem imediatamente com todos os senadores e senadoras e ponham essa história em pratos limpos.

Se não topa o desafio, o sr. Mainardi estará apenas confessando que não tem compromisso com a verdade e deixando claro que não passa de um difamador.

Sei os riscos que estou correndo. Entre os 81 senadores, há vários que, em um ou outro momento, já foram frontalmente criticados por mim. Outros devem ter discordado inúmeras vezes de minhas opiniões e avaliações. É provável que haja, inclusive, quem, em algum episódio, tenha se sentido injustiçado por alguma palavra minha. Mesmo assim duvido que apareça um só senador, governista ou oposicionista, do Norte ou do Sul, veterano ou novato, que confirme a afirmação insultuosa do sr. Mainardi de que fiz tráfico de influência para nomear um irmão para a ANP. Duvido que apareça por uma razão muito simples: isso simplesmente nunca ocorreu.

2. Quanto à minha mulher, é funcionária pública há mais de 20 anos. E servidores públicos, sr. Mainardi, por incrível que lhe pareça, trabalham no serviço público. Não sei qual a razão de sua surpresa com o fato. Devo esclarecer que, embora seja profissional extremamente competente, com mestrado em planejamento social na London School of Economics, já tendo dirigido agências e programas nacionais na área, no momento minha mulher não exerce cargo comissionado e sequer tem função gratificada. Por que? Não sei. Coisas do serviço público ...

Dados os esclarecimentos, sigo adiante.

Nem sempre concordo com o que escrevem Eliane Cantanhede, da “Folha de S. Paulo”, e Helena Chagas, de “O Globo”, também difamadas pelo sr. Mainardi no artigo mencionado. Mas isso não me impede de dizer que são duas tremendas profissionais, das melhores jornalistas deste país. Na nossa profissão, como em todas outras, há gente séria e gente que não presta, pessoas íntegras e pessoas sem caráter. Eliane e Helena estão na primeira categoria e me honra ter sido colocado na companhia delas. Para mim, desabonador seria o contrário.

Os ataques que sofremos Eliane, Helena e eu talvez sejam os mais graves, mas não são os primeiros que o sr. Mainardi lançou recentemente contra jornalistas. Nos últimos meses, semana sim, semana não, pelo menos duas dúzias deles, foram vítimas de investidas absolutamente desrespeitosas, carregadas de insinuações capciosas contra suas atividades e carreiras. Mas como ninguém deu pelota para os arreganhos do rapaz – nem os jornalistas, que simplesmente não o levam a sério, nem os leitores da “Veja”, que já se cansaram de ver um anão de jardim querendo passar-se por um gigante da crônica política –, o sr. Mainardi decidiu aumentar o calibre de seus ataques. E partiu para a difamação pura e simples.

Vivemos numa democracia, felizmente. Todos têm o direito a defender suas idéias, mesmo os doidivanas, e a tornar públicas suas posições, mesmo as equivocadas. Em compensação, todos estão obrigados a aceitar que elas sejam criticadas livremente. O sr. Mainardi, por exemplo, tem a prerrogativa de dizer as bobagens que lhe dão na telha, mas não pode ficar chateado se aparecer alguém em seguida dizendo que ele não passa de um bobo. Pode pedir a deposição do presidente Lula, mas não pode ficar amuado se alguém, por isso, chamá-lo de golpista. Pode dizer que o povo brasileiro é moralmente frouxo, mas não pode se magoar depois se alguém classificá-lo apenas como um tolo enfatuado. Ou seja, o sr. Mainardi pode falar o que quiser, mas não pode querer impedir que os outros falem.

Mais ainda: o sr. Mainardi é responsável pelo que fala e escreve. Enquanto permaneceu no terreno das bobagens e das opiniões disparatadas, tudo bem. Faz parte da democracia conviver com uma cota social de tolices e, além disso, presta atenção no bobo da corte quem quer. Mas quando o bufão passa a atacar a honra alheia, substituindo as bobagens pela calúnia e as opiniões disparatadas pela difamação, seria um erro deixá-lo prosseguir na sua torpe empreitada.

No Estado de Direito, existe um caminho para os que consideram que tiveram a honra atacada por um detrator: recorrer à Justiça. É o que farei nos próximos dias. No processo criminal, o sr. Mainardi terá todas as oportunidades de provar que usei minha condição de jornalista para traficar influência. Como é mais fácil um burro voar do que ele dar substância às suas invencionices a meu respeito, estou confiante de que se fará justiça e o difamador será condenado pelo seu crime.

Desde já, adianto que, se a Justiça fixar indenizações por danos morais, o dinheiro será doado à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e à Associação Brasileira de Imprensa. Não quero um centavo dessa causa. Não dou tanta importância a dinheiro como o sr. Mainardi, que já definiu seu próprio perfil: “Hoje em dia, só dou opinião sobre algo mediante pagamento antecipado. Quando me mandam um e-mail, não respondo, porque me recuso a escrever de graça. Quando minha mulher pede uma opinião sobre uma roupa, fico quieto, à espera de uma moedinha”.

Prefiro ficar com Cláudio Abramo: “O jornalismo é o exercício diário da inteligência e a prática cotidiana do caráter”. Mas, para tanto, o sr. Mainardi está incapacitado. Não porque lhe seja escassa a inteligência; simplesmente falta-lhe caráter. A história da moedinha diz tudo.

Da minha parte, seguirei fazendo o único jornalismo que sei fazer, o que busca dar informações ao leitor, ao telespectador, ao ouvinte, com inteligência e respeito, para que ele forme sua própria opinião sobre os fatos. Não quero fazer a cabeça de ninguém. Não creio que essa seja a missão da imprensa, ainda que alguns jornalistas e alguns órgãos de comunicação, de vez em quando, queiram ir além das suas chinelas. Existimos para informar à sociedade, e não para puxá-la pelo nariz para onde quer que seja.

E desse jornalismo não vou me afastar, apesar das mentiras, da gritaria e das difamações do colunista da “Veja”.

O macartismo não me intimida. O sr. Mainardi, muito menos.


segunda-feira, abril 17, 2006

Notas de segunda-feira


Acabei de saber que estudos apontam os implantes de silicone nos seios como obstáculos que dificultam o diagnóstico de câncer. A poderosa, maquiavélica e demoníaca Rede Globo já estuda formas de desqualificar as pesquisas, preocupada com os efeitos das revelações na sua já combalida audiência de fevereiro.

O UOL acaba de noticiar que aliados de Lula cogitam o nome de Aldo Rebelo para a candidatura petista ao governo de São Paulo. Millôr Fernandes estava errado. E sim, a possibilidade de Aldo governar o mais rico estado brasileiro é prova cabal da completa incompetência eleitoral paulista.

Num claro e simpático exagero, o pessoal da Rádio CBN tem falado numa espécie de "Nosso Arnaldo Jabor" ou "Arnaldo Jabor Baré". O comentário elogioso é uma delícia, mas injusto. Comigo, que não tenho a capacidade do escritor-poeta-cinesta-comentarista, e com ele, que merece comparações mais, digamos, de peso. Obrigado, gente, mas é um pouco demais...

Mas confesso, o comentário tem me subido à cabeça. Em rodadas com amigos, já fui flagrado contando histórias sobre "as velhas utopias da geração de 64" e que "Bin Laden é o maior aliado de Bush".

Uma nota do Portal Terra diz que a rede Record está interessada em FHC para comandar o programa Aprendiz, até aqui apresentado pelo publicitário Roberto Justus. A rede de tevê não nutre utopias ingênuas (olha eu de novo!) sobre um "Sim" do ex-presidente, mas vai tentar um milagre prometendo uma segunda edição com o sociólogo. Uma espécie de reeleição antecipada, com direito a pôsteres do apresentador espalhados por todo o cenário.

Assisti o King Kong de Peter Jackson. Por favor me desculpem, Marco e Renatinha, mas o filme é espetacular. Com Naomi Watts então, uma obra-prima.

Assisto, neste exato momento, a cobertura exclusiva, completa e em tempo real de um dos acontecimentos mais marcantes do ano amazônico: a celebração da Páscoa nas igrejas de Manaus. É a Rede Amazônica e seu faro para o furo jornalístico. Enquanto isso Mestrinho é feito refém em São Conrado (RJ), sua mulher é agredida e sua casa é assaltada. Bobagem, claro.

ôpa! Agora vai começar a edição local do Esporte Espetacular! Dudu Monteiro, coitado, vai fazer o que pode. Mas é até simpática a honestidade de seu trabalho: "Olá, Salve, salve! Por hoje é só! Amanhã? tem mais!". E pronto.

Eis o drama de uma existência: enquanto sonho com o Cirque Du Soleil, que vem ao Brasil em agosto, preciso decidir se quero assistir Emmerson Nogueira em pé ou sentado. Graças a Deus só tenho amigos honestos, afinal, estão todos lisos. Se bem que... deixa pra lá.

Fezes acaba de fazer o que melhor sabe fazer ali, bem na entrada da garagem, pessoal. Vou lá. Até mais.

sexta-feira, abril 14, 2006

Também, eu nem queria...


Um repórter de uma revista chique de Manaus certa vez me ligou. Queria fazer uma entrevista, pois estava trabalhando numa reportagem sobre blogs. O interessante é que, antes que conversássemos, ele me explicou a razão da ligação com um desdenhoso "é, me passaram essa pauta sobre blogs... Eu acho que já é um assunto batido, blogs não são mais novidade...". Então continuamos.

Nunca dei entrevista, nem pro Patrick Mota nem pro Ibope. Era a glória suprema, alguém me entrevistava, e já não mais importava se era a Folha de S. Paulo, O Maskate ou o "Fanzine dos Seguidores do Espírito de Che Guevara".

Então o repórter começou, perguntando se meu estilo era pessoal, baladeiro ou nerd. Acho que foi isso. Fazendo referências ao KibeLoko, um site de charges, me preocupei. Achei que fosse bobagem. Falei, falei e falei. Não sei quanto do que eu falei foi captado.

Enfim, esperei e esperei pela revista. E hoje, Sexta-feira Santa, a encontrei, tentando comprar um peixe num supermercado. R$ 8,90. Não abri a revista até chegar em casa e entregá-la à Hellen, todo orgulhoso.

Ela folheou, folheou, folheou... Nada. Havia uma reportagem sobre blogs, mas entre as fotos da Narcisa Tamborindeguy baré e outras patricinhas baladeiras, nada.

Acho que falei demais naquela entrevista. Disse que não faço piada e não gritei nenhum "U-hú!"

Paciência.

quinta-feira, abril 13, 2006

Ctrl+V Ctrl+V Ctrl+V Ctrl+V Ctrl+V Ctrl+V...




Sei lá, acho que vou pro show do Emerson Nogueira. Tudo bem, já fui. Tudo bem, é a mesma coisa. Tudo bem, ficou meio chatinho, como ficou chatinho o Renato Vargas, como ficou chatinha a Marianna Leporace, como ficou chatinho tudo o que é cópia. Sublimei a expectativa, O Tédio venceu a Esperança.

Paciência. Enquanto nada muda, refugiemo-nos no passado, que, ainda assim, não traz apenas coisas boas.

Paciência. Se é pra ouvir toda noite, em todo bar, uma versãozinha cabeça de Rosa (tu és, estrela graciosa, estátua majestosa...), prefiro Groove is in the Heart.

O homem nasce original e morre cópia.


terça-feira, abril 11, 2006

Um scrap para Pedro Doria


O sempre imprescindível Pedro Doria diz que "Aproximadamente onze milhões dos mais de 15 milhões de usuários registrados no Orkut informam residir no Brasil – uma figura fantástica, dado que as estimativas dizem que apenas 12 milhões de brasileiros acessam a Internet de casa. De Seth Kugel para o New York Times."

Ora, Pedro, os 12 milhões acessam a internet de casa. Os outros milhões, a maioria, acessam o Orkut do trabalho.

segunda-feira, abril 10, 2006

A tábua de passar socialista


Fabrício Lima tinha razão. Serafim Corrêa vem usando, acintosamente, a máquina pública do mercado a favor de si. Como já não bastasse incutir na cabecinha das crianças do primário a mensagem subliminar da borracha do 40, agora molha a mão do Carrefour, multinacional francesa de supermercados. Veja só o flagrante da tábua de passar roupa Passa Fácil. Serafim agora implanta, subliminarmente, na cabeça das Marinetes da vida, seu sistema de bilhetagem nos ônibus da cidade. Serafim não é mole, não!

domingo, abril 09, 2006

The wrong man, the right place and hour...




Nesta segunda-feira, dia 10 de abril, entre as 8 e as 10 da manhã, na CBN, 91,5Mhz, algo muito estranho acontecerá. Sinto muito, eu precisava contar...

Brainstorming


Você não sabe, porque eu nunca falei. Mas amo, simplesmente amo o teu jeito de sentir medo de filme ruinzinho no Super-Cine. Você também não sabe, porque eu nunca falei, mas amo nossos domingos a dois, tomando nossa cerveja - proibida pra você - fazendo nosso peixe e ouvindo nossas músicas. Minto. Suas músicas. Amo ficar aqui, de longe, vendo o teu rebolado ao som de um disco do Ace of Base, pedindo um beliscão apaixonado e um abraço, daqueles por trás. Amo teu jeito de falar feito criança, me pedindo pra checar se não há nada embaixo da cama, toda noite, antes de dormir, no mais fofo dos TOCs que eu pude tratar a base de beijos. Amo ler Cem Anos de Solidão pra ti, pra te fazer dormir enquanto não termino o primeiro parágrafo. Amo o teu molho vinagrete, o teu arroz cozido e a tua completa incompetência pra comprar comida. Amo tudo em você, amo tudo neste domingo nublado, nesta cerveja clandestina.

Eu te amo.

quinta-feira, abril 06, 2006

Oferta e Demanda rule!



Um caça russo MiG foi encontrado dentro de um conteiner em Hong Kong

Por um instante imaginei o cabôco, lá no Galvez, me oferecendo seus produtos:
"Vai DVD, CD, patrão? Relógio, colar, caça supersônico? Vai?"


terça-feira, abril 04, 2006

38, 39, piiiii..., 41, 42...



A borracha de Serafim, flagrada pelo blog ConversaCruzada. Escândalo!

A BORRACHA SOCIALISTA
José Ribamar Bessa Freire
02/04/2006 - Diário do Amazonas


Os moradores da cidade de Manaus podem dormir tranqüilos, porque têm alguém lúcido e corajoso para defendê-los: o vereador Fabrício Lima (PSDB). Bravo, destemido e aguerrido, o jovem edil Fabrício possui aquelas cinco qualidades que, na opinião do escritor alemão Bertolt Brecht, são necessárias para quem quer defender a verdade. Vem, leitor (a). Confere comigo uma por uma.

1 - A inteligência de descobrir a verdade.

Essa é a primeira qualidade assinalada por Brecht. Não é qualquer um que recebeu esse dom de Deus. Em Manaus, o vereador Fabrício é um dos raros cérebros capazes de perceber, por exemplo, aquilo que os babacas não viram: que o material escolar distribuído pela Prefeitura constitui crime de campanha eleitoral antecipada. Aliás, antecipadíssima, como aqui demonstraremos.

Acontece que a Secretaria Municipal de Educação distribuiu uma borracha branca onde aparece escrito "Escolar 40". Os ignorantes acharam que aquilo era apenas a marca de uma borracha que vem sendo comprada pela Prefeitura nos últimos quinze anos. No entanto, com sua perspicácia, Fabrício viu o que ninguém viu: 40 é o número do Partido Socialista, do prefeito Serafim. Aqui pra nós, é muita coincidência, né não?.

“As crianças que vão usar a borracha não votam e, além disso, Serafim não é candidato nas próximas eleições” - gemem os idiotas da objetividade. Tolinhos! Bobinhos! Fabrício sabe que o secretário de Educação, José Cyrino, é um visionário e está olhando para o futuro. Essas crianças, que hoje têm oito anos, serão eleitores com 16 anos, quando provavelmente o Sarafa vai se candidatar a governador.

Ora, no ano de 2014, na hora de votar, essas crianças podem até preferir outro candidato, mas a propaganda subliminar terá sido tão eficaz que elas, mesmo sem querer, votarão no Sarafa, porque a lembrança da borracha socialista não se apagará - sem qualquer trocadilho - de suas memórias. Trata-se, sem dúvida, de crime eleitoral.

2 - A coragem de dizer a verdade.

Pode até existir outro vereador com a mesma lucidez de Fabrício para descobrir a verdade. Mas seguramente não terá a segunda qualidade anunciada por Brecht. É preciso ter - com o perdão da palavra - colhões para dizer a verdade. Essa coragem não falta ao ex-líder estudantil. Não é por acaso que ele foi (e continua sendo) representante de turma do Colégio La Salle...

Continue lendo, você não vai se arrepender, a não ser que não goste de rir. Essa belezura de escracho continua aqui.

Fabrício podia ficar sem essa.


Lula por um triz


Paulo Okamoto, que é pior ator do que aquele japonês de Belíssima, está a ponto de, em péssimo português de presidente do Sebrae de Lula, derrubar o Presidente. É péssimo, tanto que depende da Justiça de Nelson Jobim pra se proteger do fuzilamento. Paulo de Tarso Venceslau, militante do PT com rara inteligência, está sendo acareado com o japa, e sente-se ótimo no meio do ringue, trabalhando na linha de cintura do adversário. Se eu fosse você, ligava na CBN agora e acompanhava o episódio. Arrisco dizer que, feitas as perguntas certas, o amigo de Lula vai ajudar a derrubar o barbudo. Ou isso ou faz haraquiri em frente às câmeras.

Se a Lilian desse essa notícia...


Assessores do centro de dependência química da escola de medicina Saint George's, de Londres, publicaram no jornal de psicologia Psychosomatics o caso de um homem que tomou 40 mil doses de ecstasy ao longo de nove anos.

Enfim, capturaram o Tas.

Não o Marcelo, o Demônio.

Lilian Wite Fibe daria outro showzinho com uma notícia dessas.


domingo, abril 02, 2006

Mau humor


Arnaldo Branco criou o Capitão Presença, um super-herói, digamos, diferente. Agora o grande "Preza" ouviu o clamor das massas e lança sua candidatura a presidente. Ainda vai rolar muita risada.












sexta-feira, março 31, 2006

Nasce uma nova geração...




Retirante, nordestino, pobre, de fala simples, desenvolto, carismático, fotogênico e ovacionado por advogados paulistas na sede da OAB de São Paulo.

Com um bom hair-stylist, um bom alfaiate, um bom marqueteiro e um bom tesoureiro, Francenildo tem futuro.


quarta-feira, março 29, 2006

Telê a minha Copa de 82


Era junho, junho de 1982. Eu estava doente, internado na Santa Casa, num apartamento com vista para a rua 10 de Julho, toda em verde-amarelo, as bandeirinhas de poste a poste e os rojões espalhando o cheiro de pólvora pelo ar.

Copa da Espanha. Da cama, eu vi Júnior sambando, vi Falcão e Zico. Vi os três gols de um Paolo Rossi que nada igual fizera antes daquele dia, e que nada igual faria depois. Com o perdão dos mais velhos, faço parte de uma geração para a qual o time de 82 foi o melhor. Me desculpem os que sofreram com o gol de Gigia, em 50, numa tristeza meio osmótica, resultado do empilhamento de gente demais pra ver uma seleção apenas comum.

A de 82, não. Aquela seleção é grande parte da saudade que tenho da minha infância. Zico, Sócrates, Júnior... e Telê. Aquele senhor de rosto duro, costeletas grisalhas e cara de boa gente me marcou muito. Tinha o mesmo carisma dos jogadores e era tão lembrado quanto eles. Montou o Estado da Arte em forma de seleção e me fez feliz, muito feliz – até Paolo Rossi fazer aquilo. A minha tristeza, a tristeza de todos não era por causa do Maracanã lotado, era por causa da injustiça, um sentimento que deve ser familiar aos holandeses que viram Cruyff e a Laranja Mecânica em campo.

Telê, aquele senhor de trajes simples e topete esvoaçante, não demonstrou tristeza. Não lembro dessa cena, ao menos. Foi o primeiro a ser chamado de Professor, como hoje é chamado qualquer um por seus comandados semi-analfabetos, com suas frases decoradas.

Telê Santana é hoje sequer uma sombra do que foi. Sem parte da perna esquerda, sem parte da fala e da vida, está sedado, numa cama de Belo Horizonte. Numa cama, como eu estive naquele 1982. Deve morrer, ninguém sabe quando. Quando isso acontecer, um pedaço daquela geração vai junto, com a tristeza daquele 82. O Professor morrerá, sem ter ganhado a Copa do Mundo com a melhor seleção que eu vi.

O consolo será lembrar de Fernando Calazans, respondendo a essa provocação da vida: Azar da Copa do Mundo!


Estado do Amazonas, 30 de março de 2006.

terça-feira, março 28, 2006

Notas de segunda-feira, na terça


Abdur Rahman, um afegão de 40 anos, ia ser executado por converter-se ao Cristianismo. Uma lei muçulmana prevê a pena de morte pra quem renega o Islã. Rahman foi libertado, disse o ministro da Justiça do país, em resposta às pressões do Ocidente pela liberdade religiosa. Agora livre, o afegão tem toda a liberdade para cumprir os sacramentos da nova religião, como o batismo, sem os quais certamente ferverá no fogo do inferno pra todo o sempre.

Novo Ministro da Fazenda, Guido Mantega antecipou-se aos jornalistas e evitou especulações sobre aventuras na economia. Jurou, gaguejante, que nada mudará. Setores da Fiesp chiaram, e no lobby (opa!) do Fasano, ontem, o apelido já fazia sucesso: Guido Mantega Derretida.

O namoro de Rafael e Mariana, do Big Brother, já acabou. Rafael tenta reatar, Mariana não. Mariana está certa. Fazendo-se as contas, se celebridades que duram poucos anos têm casamentos que duram três meses, celebridades de 15 minutos não podem passar mais do que 2 minutos juntas.

Z.M.L., gaúcho de 30 anos, conseguiu anular o casamento com O.A.L., também de 30 anos, porque a moça não queria, digamos, consumar o casamento. A justiça gaúcha evitou a comunhão parcial de bens, ou seja, a moça não pôde usufruir dos bens que o casal acumulou ao longo de um ano de amizade contratual. É a formalidade da Lei, avisando que, em português claro, putinha que não trabalha também não recebe.

Uma dica para O.A.L.: um novo vibrador, de 400 dólares, promete o céu às suas proprietárias. Vem com software embutido, porta USB e se conecta ao Mac ou ao PC. Tem 10 programas pré-configurados e com duração de até 30 minutos. É compatível com todos os sistemas operacionais, exceto o Linux. É que os amantes do sistema acham uma heresia o uso do software para fins tão mundanos e pecaminosos. (via Pedro Doria).

Zacarias Moussaoui, o único envolvido nos ataques de 11/Set que foi preso, contou às autoridades que deveria pilotar um quinto avião, que seria lançado sobre a Casa Branca. Moussaoui não queria fazer parte da missão, mas mudou de idéia quando sonhou que conversava com Bin Laden, que lhe falara das 72 virgens que lhe esperavam no céu. É que Zacarias Moussaoui era o Z.M.L. da nota acima, e precisava de alguma diversão, depois de tanta amizade marital.

Como eu viveria sem a seção Boletim de Ocorrência do semanário Maskate?

O blog ConversaCruzada, uma espécie de fotolog das naveganças de Negão pelo interior do estado, lembra que Eduardo Braga utilizou-se dos quadros da máquina pública para contratar cabos eleitorais para as próximas eleições. Repito: Amazonino acusa Eduardo de usar a máquina pública para contratar cabos eleitorais. Pegou?

Entrevista num templo da Igreja Universal, na tevê, dia desses: "- E aí, qual foi o seu 'fundo de poço'? - Eu tava em muita depressão, usando tóchico, me prostituindo. Vivia me atirando na frente dos carros na rua..."

...Se o amazonense respeitasse mais a faixa de trânsito, minha bebedeira notívaga estaria livre dessas coisas na tevê...

"Otávio Mesquita, na madrugada de um pobre desprovido de tevê a cabo: Ninguém merece". Esse deveria ser o slogan do PFL.

Antônio Palocci foi demitido, para desepero de Lula. Leva consigo toda a aura de competência administrativa, uma economia estável, uma balança comercial equilibrada, contas públicas saneadas e todas as concordâncias nominais e verbais corretas do governo petista.

sábado, março 25, 2006

Eu estou com Ângela Guadagnin


Eu estou com Ângela Guadagnin. Não entendo essa celeuma toda por causa da comemoração esfuziante da deputada pela absolvição de um colega de partido. De que Dona Ângela poderia ser acusada? De cara-de-pau? De mal educada? De mensaleira? Não, Dona Ângela fez apenas o que Roberto Brant (e seus pares do PFL) e Professor Luizinho (e seus asseclas do PT) fizeram às escondidas, depois de, na tevê, terem feito pose de "não há o que comemorar, o desgaste pessoal foi muito grande..." Ora, minha gente, falemos a verdade: muitas coreografias diferentes devem ter sido dançadas em Brasília nas últimas semanas. Dona Ângela só o fez de frente pro povo, no começo da madrugada. Empolgou-se, claro, como quem assiste a um show musical. Dava até pra vê-la driblando cadeiras, como se vibrasse com a música mais esperada. Minha única ressalva à legitimíssima atitude de Dona Ângela eram aqueles passos ridículos de dança. O errado não era a tevê, era o canal - nunca gostei de balofas no SBT, dançando a dança do pintinho. Estou com Dona Ângela. Diferentemente dos homens do congresso, até nisso a mulher é mais autêntica e transparente, não esconde a alegria que luizinhos, brants e magnos precisam disfarçar. Viva a mulher, ora pois.

sexta-feira, março 24, 2006

De Tia Miriam a Debra LaFave


Foto: TerraNa minha quinta série do antigo Primeiro Grau, conheci a Professora Miriam. Moça nova, séria, com aquele terninho cor-de-jaca e um corte de cabelo medonho, meio Delis Ortiz. Eu sentava no fundo da sala, bem ao centro. Não era desordeiro nem malfazejo, apesar disso. Já descobria certos efeitos da farta produção de hormônios da idade, em casa. Um dia Tia Miriam cruzou as pernas pela primeira vez, e meu mundo mudou. Usava meias, hoje sei, que contornavam duas das coisas mais lindas que até então eu havia visto. As meias tinham um brilho discreto, e pareciam dar àquelas duas torres gêmeas um bronzeado natural. Não brilhavam muito, apenas o suficiente para parecer uma penugem delicada, divinamente atingida pelos raios do sol das três da tarde, que parecia descer pra focalizar aquilo. Dois dias depois eu continuava no centro da sala, mas agora três carteiras à frente, ansioso por aquele terno, que parecia mais cor-de-cocô, é verdade, aquele penteado meio outra Miriam, a Miriam Leitão e, acima de tudo, aquelas pernas brilhosas, lisinhas, ensolaradas. Me viciei na Tia Miriam, estudei como nunca, querendo um sorriso dela, uma premiação ao aluno mais aplicado da turma. Certo dia cheguei antes de todos, e tive que aguentar horas, longas horas duma aula péssima, de outra tia, que usava calças - que não pareciam esconder grande coisa, felizmente. Recreio. Risoles, refrigerante Crush? Nada, eu queria ver as pernas da Tia Miriam. Voltei do pátio, anti-social como nunca, e aguardei o espetáculo começar.

Mas Tia Miriam não viria. Eu não sabia, como não sabia que aquilo era um par de meias, que ela se mudara da cidade. Cheguei a chorar, em casa. Não era saudade, tristeza ou qualquer coisa parecida. Assim como eu não sabia das meias, não sabia que era tesão. Tia Miriam, em sua casa, provavelmente sem aquelas meias, não sabia que criara um homem.

Agora me aparece essa Debra LaFave, professora de 22 anos anos, acusada de ter seduzido um afortunado aluno de 14. Hoje foi absolvida, vai cumprir uma peninha boba. Olho para ela e lembro da Tia Miriam. Os pais do rapaz - a mãe, pelo menos - devem ter ódio dela. Eu só consigo pensar que o americaninho foi muito, muito feliz. Tia Miriam nunca olhou assim pra mim.