quarta-feira, março 22, 2006

Mas onde é que vamos parar?!



O sorriso dO Malfazejo, com a notícia de sua escalação

Pouca gente, muito pouca gente sabe, mas virei colunista do Estado do Amazonas. Começo a escrever nesta quinta-feira, dia 23. Este blog não parará, decerto, mas vai ter uma versão de papel. Aguardo vocês por lá. Se não me engano, escreverei todos os dias, de terça a sábado - ou seja, não em todos os dias.

Agora é pensar nos charutos, nos vinhos, e entrar para o clube de Mainardi, Veríssimo, Vasques, Doria e Ubaldo. E Robério, que nada é perfeito.

Aguardo vocês por lá também, com sugestões de assuntos.

Um abraço a todos.


terça-feira, março 21, 2006

Política, essa arte incompreendida



Braz Silva no Correio / Foto: Ismael Benigno

Sou leitor voraz de jornais, mas neles não procuro mais as notícias, tão mais ágeis no computador. Folheio O Estado, A Crítica, o Correio, o Diário, o Em Tempo e o Maskate, saltando sobre notícias que li ontem - às vezes até anteontem. São as colunas que me interessam.

Hoje, entre Carlos Chagas, Arnaldo Jabor, Mangabeira Unger e Alexandre Garcia, encontrei a foto de Braz Silva, ilustrando sua coluna, e me assustei. Me assustei porque, apesar de não conhecer pessoalmente o mais feroz opositor de Serafim, sempre tive certa admiração pelo comunicador, que parecia ser mais afável, elegante e sedutor. E que qualidade rara essa, especialmente à nossa atual geração de políticos: a capacidade de seduzir. Confesso, Braz Silva já teve minha simpatia, exatamente pelo jeitão afável, firme mas agradável. É claro, não o conheço pessoalmente, posso estar errado. Mas, como leitor, me vi de frente para o pôster de O Iluminado, filme de terror psicológico estrelado por Jack Nickolson e dirigido por Stanley Kubrik, numa adaptação raramente boa de um romance de Stephen King.

Braz Silva, assim como alguns de seus alvos, faz parte de uma época politicamente triste, aqui e no resto do país. Ataca Marcelo Serafim, filho do prefeito, como quem escreve pra não ir às vias de fato, num texto agressivo, intolerante e simplório. Não, não é assim. Política é, essencialmente, convencimento, persuasão, a arte de "dobrar" o outro. Braz, eu sei que você pode ir além disso.


Oscar Schindler convence Amom Goeth, bêbado, de que humilhação, mesmo, é tratar bem o inimigo. Fazendo isso, Schindler salvou centenas de judeus...

Temos tudo, tenho convicção disso, para conviver com a discordância. Homens e mulheres inteligentes, capazes de fazer política elegante, firme e bela. Sem discordância não se vive, a discordância é o sal da política. Mas é imperativo, em se tratando da Política (essa, com pêsão mesmo), que discordemos em paz. Arrombar portas a machadadas só atrai espectadores quando se trata de cinema, e, ainda assim, atrai apenas àqueles que gostam de um bom terrorzinho na tela. Nos jornais, em colunas, não. Ninguém mais ouve Heloísa Helena, há um botãozinho mental na opinião pública, um dijuntor que desarma, e ninguém mais ouve a senadora a partir do bordão "os delinqüentes de luxo do poder". É dizer isso, e já era, trocamos de canal.

Sou leitor, somos leitores. Não queremos mais isso. Ninguém se faz ouvir aos berros, senhores. E que falta faz um bom tapinha nas costas do adversário. Lhes garanto, ilustres representantes meus. Um cafezinho tem poderes milagrosos.

segunda-feira, março 20, 2006

Logan (on the rocks, please) não sabia de nada



O presidente Logan conta aos
americanos que foi traído

Charles Logan, o presidente americano da série 24 Horas, está no olho do furacão durante o quinto pior dia da vida de Jack Bauer. Jack, o agente anti-terror mais sangue-frio da América, não estava morto, como toda a cúpula do governo imaginava. Mais: agora já está diretamente envolvido com a salvação da pátria, arrebentando 4 bandidos por minuto e fuzilando dois ou três por bloco. Terroristas de uma nação separatista da antiga URSS mantêm vários reféns no aeroporto, e estão executando um a cada 15 minutos.

Cercado por assessores experientes, Logan se vê quase sempre em sinucas de bico, tendo que decidir se o país é arrasado por mísseis balísticos ou por ataques de varíola. Não raro nem à toa, mostra, com suas expressões faciais, que danou-se. Agora Logan (uísque bom) descobriu, por Bill Buckanan (uísque médio) e Mike, seu assessor mais próximo - e provavelmente irmão mais novo e mais magro de Dick Chenney -, que Jack Bauer está vivo. Sua reação é querer saber por que ele ainda não fora avisado disso. Logan leva as mãos ao peito, como sentindo dores fortes, vai às lágrimas, e diz ter sido apunhalado pelas costas.

Charles Logan quase nunca sabe nada do que seus auxiliares fazem.

Notas de segunda-feira


Tekle Zigetta, de 45 anos, foi preso na Califórnia com notas falsas de dólar. O curioso era o valor de cada nota: U$ 1 bilhão. As notas tinham data de emissão de 1934 e traziam o rosto do presidente americano Grover Cleveland, que governou durante o século 19. NBC e CBS já negociam os direitos sobre a história, e pensam em lançar séries de mistério, sugerindo que na verdade Tekle se chama Manoel de Alentejo, e que teria vindo do futuro, depois de sobreviver à queda de seu avião, um boeing da TAP.

O cantor Isaac Hayes vai parar de fazer a voz de um personagem em South Park por causa de objeções às sátiras religiosas do seriado. Hayes, que fazia a voz do Chef, disse que estava saindo por causa da "ridicularização inapropriada" da religião. O co-criador da série, Matt Stone, disse que Hayes "nunca teve problemas" até que o seriado tratou da Cientologia, movimento científico-religioso que o cantor segue. O que nos leva à próxima nota...

... a substância que deixa a pimenta ardida também pode levar células de câncer de próstata ao suicídio, segundo uma pesquisa de cientistas do Cedars-Sinai Medical Center, nos Estados Unidos. Testes mostraram que essa substância, chamada capsaicina, fez com que 80% das células de câncer de próstata iniciassem o processo que as leva à morte.

O ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, o "Delúbio deles", entrou com ação de indenização por danos morais contra a Escola Superior de Administração Fazendária (Esaf). Ele acusa a escola de formular questão numa prova de concurso público, mencionando o nome "Delúbio" como autor do crime contra a administração pública. A defesa pede indenização por danos morais no valor de R$ 200 mil. Com o dinheiro, Delúbio pretende fazer aulas de fonoaudiologia e lobby, junto a congressistas, para que a expressão "crimes contra a administração pública" se torne "ingerências acidentais não contabilizadas junto à administração pública".

Como todos sabemos, recursos não contabilizados são uma prática antiga nesse país. A equipe de Lula estuda, inclusive, fazer uma campanha publicitária que mostre que nos países mais ricos isto também ocorre, e que o Brasil pode sim, brigar de igual pra igual com qualquer país do mundo. Tony Blair, do Partido Trabalhista inglês (eu disse inglês), admitiu que recebeu "recursos não contabilizados" também. No governo Bush se faz isso, ora.

Pressionado pelo aumento nos preços do combustível em Honduras, Victor Menchaca começou a fabricar biodiesel a partir do óleo usado na fritura das batatas dos restaurantes McDonald's e Kentuckuy, combinando-o com álcool etílico. O velho caminhão de Victor, antes um vigoroso caminhão-cisterna que distribuía água à comunidade local, agora anda com vários pneuzinhos a mais, só quer saber de ver tevê e não consegue mais subir sequer uma ladeirinha boba.

Homem-aranha é condenado à prisão - Um britânico foi condenado a 21 dias de prisão por ter se fantasiado de "homem-aranha" e escalado uma tela de TV gigante. Ele escolheu o distrito financeiro de Hong Kong para protestar contra o ataque a ativistas pró-democracia em Pequim em 1989, conhecido como o Massacre da Praça da Paz Celestial. Na Sala de Justiça corre solta a discussão, mas ninguém pretende fazer nada pra ajudar o colega. Super-heróis são uma raça muito invejosa.

O extrato bancário de Francenildo Costa, O Caseiro Infiel, foi emitido quando ele estava no prédio da PF, se inscrevendo no programa de proteção à testemunha brasileiro. Entregou CPF e identidade aos agentes. Quando perguntado se possuía conta em banco, disse que sim. Então os agentes levaram seu cartão, para tirar cópias. Depois de alguma demora, os agentes voltaram. Nildo, cidadão humilde, trabalhador e brasileiro comum, esqueceu-se da recomendação dos bancos: "não aceite a ajuda de estranhos" - "especialmente se eles trabalham para seus adversários", diria eu.

O Bradesco comprou nada menos que a American Express brasileira. Mais uma prova do ódio que Lula sempre sentiu pelos banqueiros e por "tudo isso que está aí".

Uma chinesa que queria vingar-se do marido, que pediu o divórcio, explodiu o edifício em que ele morava, matando o cônjuge e outras oito pessoas, informou a polícia. Se a moda pegar em Manaus, teremos ao menos manchetes melhores do que "delegado da PF é esfaqueado por deputado traído", convenhamos.

Trecho de crônica de Tutty Vasques: "Mandar o ministro para o paredão por causa de umas camisinhas e invólucros de Viagra encontrados pelos cantos, pelamordedeus, isso é pinto perto do que o caseiro do Arthur Virgílio já viu nessa vida. Na minha modesta opinião, o caso Palocci pode dar, se tanto, demissão em casa. Dona Margareth Rose tem bons motivos para mandar o marido lamber sabão sem se dar ao trabalho de apurar onde exatamente o ministro andou passando aquela sua língua presa nas festinhas do Lago Sul". Arthur Virgílio, o nosso Arthur, com certeza vai à tribuna prometer meter a porrada no colunista. Vamos ver, vamos ver.

sábado, março 18, 2006

Mentiras sinceras não me interessam


Como assim, não interessa aos eleitores a vida pessoal dos políticos? É claro que interessa. Quem entra na carreira pública é, automaticamente, público. Quero saber, sim, se Palocci comia alguém na mansão da República de Ribeirão. Quero saber, sim, se Lula parou mesmo de beber ou não. Quero saber, sim, se Tasso Jereissati mandou mesmo Pauderney Avelino "se foder" (sic) – e, mais importante, se o pefelista foi. Que hipocrisia coletiva é essa, que transforma pequenos Lurians em TNT durante as eleições, e em assunto sacramente particular depois delas?

Época de eleição é assim, sempre foi assim: puladas de cerca, décadas antes, derrubam uma candidatura. Cigarrinhos de maconha, ainda que não tragados, podem estragar uma carreira política. Charutos podem neutralizar uma biografia, como bem sabe Bill Clinton. Alcoolismo no passado, senhor Bush, dinheirinho sem origem guardado em cofre, Dona Roseana, boleto atrasado de IPTU, seu Amazonino, tartaruga pirata, seu Marcelo, lavagem de dinheiro via loterias, seu Garcia, são sim, interesse meu. Até seu pai e os depósitos dele na sua conta, humilde Nildo, agora são interesse meu. Passaram a ser, desde que você entrou para a vida pública. Aguente, ou então volte à sua vida de caseiro e voyeur da estripulia alheia.

Que história é essa, de que a vida dos homens públicos é coisa privada? Nada disso. Por mim político não tinha sigilo bancário, telefônico nem fiscal, nunca. Elegeu-se? Abra-se a vida do sujeito. Por mim casa de político devia ter circuito fechado de câmera, com um canal exclusivo na tevê aberta, pro povo dar uma espiadinha. Gabinete de político devia ser monitorado. Carro de político devia ser monitorado. A fidelidade conjugal, acompanhada. Todos queremos saber, na hora do palanque, se o candidato tem filho bastardo, não queremos? Então por que esse desinteresse, quando o homem já está lá, sentado no nosso dinheiro?

Quer privacidade, homem público?

Renuncie, deixe essa vida.

Quer defender a privacidade de seus homens públicos, estimado eleitor?

Rasgue seu título, deixe essa vida.

sexta-feira, março 17, 2006

Happy hour


Pois veja como são as coisas. Por ordem direta de Lula, o PT pediu a liminar que calava a boca do Francenildo. Agora, por ordem de não-se-sabe-quem, foi quebrado, ilegalmente o sigilo bancário do caseiro. A revista Época teve acesso aos dados, e descobriu que o rapaz recebera 38 mil reais, desde o início do ano, de um empresário do ramo de transportes no Piauí. Por quê? Diz Francenildo que é filho bastardo do depositante de seu dinheirinho, e que o pai, por motivos óbvios, mantinha secretas as transferências.

Fica a pergunta do Noblat:

Quem é esse não-se-sabe-quem, que ordenou a quebra ilegal do sigilo do rapaz?

Não falam, os que querem e os que não querem


Foto: Gazeta do PovoEra de se esperar, dada a paixão seletiva que o STF tem pela Constituição, que o Poder Judiciário fizesse algo mais, também, pela restauração da ordem ética de Brasília. Francenildo dos Santos, daquele tipo de gente que a imprensa brasileira ama chamar de "um brasileiro comum", foi impedido de continuar falando a verdade, em depoimento à CPI dos Bingos. Um ministro do STF concedeu liminar ao PT, suspendendo a sessão que levava, ao ritmo de uns 2km por resposta, Palocci ao chão.

O que incomoda não é ver a Lei sendo cumprida, ainda que juízos subjetivos sejam necessários, sempre, nessas circunstâncias. Diferentemente da neo-velha direita nacional, feita de garotos estudados, progressistas e liberais (direita?), não defendo coronéis Ubiratans por chacinas contra presidiários nem condeno a presença de comissões de direitos humanos nos presídios, resguardando a integridade de assassinos e traficantes.

Mas ver aquela gente, fazendo a Lei, é o que incomoda. Ver aquela gente, que muito frequentemente advoga em causa própria, julgando os próprios colegas de traquinagem, é triste. Há instâncias superiores a isso, como o STF, que deveriam impedir que essa ordem ética fosse burlada. Nada de choque de poderes, isso é balela. Bastava que essas instâncias estivessem mais empenhadas em cumprir a Lei, que, a despeito do que muitos de nós pensamos, não é tão respeitada assim pelo Legislativo.

O uso do caixa dois, por exemplo, é crime. Invalida mandatos políticos, ponto. O recebimento de dinheiro proveniente de origens fraudulentas é crime. E crimes comprovados com recibos, extratos e faturas, não precisam de nada mais para serem punidos. No entanto, o que se vê são julgamentos políticos, que priorizam o juízo de valor da opinião, como se de empirismo e falta de leis sofresse esse país, de leis mil. Contra tudo e todos, leis, opinião pública e confissões dos culpados, a Câmara absolve seus membros, simplesmente porque acha que isso é o certo.

E assim fica!

Francenildo dos Santos, que "confirma até morrer" que viu e conversou com "O Chefe" várias vezes na mansão de Brasília, foi impedido de falar. O ministro Peloso, do STF, argumentou que o constrangimento pessoal de Palocci nada tinha a ver com investigações sobre bingos e outros jogos de azar. Ora, mas se subjetivo é o julgamento, que subjetivo continue. A CPI dos bingos há tempos não investiga especificamente as casas de jogos, o Brasil inteiro sabe. Muito provavelmente pouca coisa investigada tenha a ver com bingo, mas e se tiver?

A honra e a estabilidade de Palocci, de uns tempos pra cá os ativos imobilizados mais valiosos de nossa república, não chegaram a ser arranhados - pelo menos mais do que já andavam. Francenildo não julgou ninguém, apenas disse o que aconteceu. E o que garante, ao ministro e a Tião Viana (PT-AC), que as reuniões da mansão nada tinham a ver com bingos, uma vez que o caseiro foi calado, à força?

A solidez das instituições democráticas brasileiras, pra mim, é pura balela. Acredito na solidez das instituições de mercado, financeiras. Essas nunca vão se abalar e, nesse ínterim, nada derruba nossa democracia. Ou seja, não se mexendo com o mercado financeiro, vamos aproveitar. Ou o que se tem a dizer sobre democracia sólida, quando generais furam fila em avião, soldados e tanques se misturam a civis nos morros e um "brasileiro comum" é impedido de contar o que viu?

Nossos três poderes gostam de pensar que andar na beira desse abismo da estabilidade é mais seguro do que parece. Nos incitam, com liminares, habeas-corpus preventivos e escutas telefônicas clandestinas, a quebrar o decoro civil e parar o país, numa greve geral de cidadania, como se a sociedade mandasse parar toda a máquina brasileira, de empresas, bancos, lojas, escolas e imprensa, e dissesse a essa gente, amante da Lei quando lhe convém, que se ladrões confessos são inocentes, também queremos nossa parte desse bolo. Que daqui em diante, ou restauramos a ordem ou nos locupletamos todos. Justiça seria isso, STF.

Bom, voltemos às nossas tartarugas.

quinta-feira, março 16, 2006

quarta-feira, março 15, 2006

Juntos chegaremos lá!


Ouvindo a rádio CBN, agora há pouco, voltei 17 anos no tempo. Numa inserção do PFL (é isso?) ouvi Guilherme Afif Domingos dizer que está voltando. Achei que estava ouvindo a coluna "Jingles Inesquecíveis", do Lula Vieira - aquele publicitário que tirou 0,5 ponto da Mangueira porque a escola estava verde-e-rosa demais esse ano -, porque o cara veio com aquele bordão inesquecível dos meus 15 anos: "Juntos chegaremos lá!", fazendo um jogo de punhos fechados e apontando para aquela juventude cara-pintada, tão alienada quanto a de hoje.

Finalmente fiquei com medo dessas eleições. Será que Afif vai voltar? Ele disse que vai, porque os jovens - sempre eles - estão indo embora do país para tentar a vida lá fora.

Em 1989 eu votei nele. Ainda não sei as consequências desse meu voto para os rumos que o país tomou àquela época. Só sei que em Collor não foi, ainda por motivo também ignorado. O mais importante, porém, é a lembrança de que, naquele pleito, que dava direito à população de rir com Ronaldo Cayado montado num cavalo branco, de Brizola falando como sequelado de um derrame cerebral e de Lula, ainda barbudinho e despreparado, é que não votei em Lula.

Estou com medo. Dadas as opções (Garotinho/Rigotto, Alckmin, Lula e outras belezas raras), votaria novamente no Afif. Não inspira muita confiança (aliás, nenhuma) mas aquele bordão é muito legal, fala a verdade! E patife por patife, é tentador escolher o patife com o melhor bordão.

Ladies, start your engines!



Narcisa tira fotinho para seu blog

Narcisa Tamborindeguy, a socialite mais festeira do país, u-hú, já pode estar preparando sua tchurminha de rostos bonitos e politizados para a próxima eleição. Mas ainda não. Por enquanto há coisas mais importantes, como o Carnaboi, o Bloco das Piranhas e as cervejotas na casa de algum colunável, dentre os milhares de rostos lindos que povoam o blog da moça. Só vendo.


terça-feira, março 14, 2006

Você sabe como é feito o foi-gras?


Acordei hoje com uma frase na cabeça:

"O Governo planejou, trabalhou, e a moradia melhorou!"

Alguém aí, por favor, dê um basta nessa farra com o meu dinheiro!


segunda-feira, março 13, 2006

O Rei está nu. E daí?


"Se essa palhaçada fosse na Cinelândia
Ia juntar muita gente pra pegar na saída"

Da música luis inácio (300 picaretas) - Paralamas do Sucesso

Dois bundões, bem ao estilo John Kerry, se bicam pra desafiar Lula. Ou seja, Lula está reeleito, como Bush foi. Duro mesmo é saber que, com um microfone na mão e dada a qualidade da platéia, Lula é imbatível. Herbert Viana, que ainda tinha 100% da massa encefálica intacta à época da composição, cantava que "Luís Inácio falou, Luís Inácio avisou". O homem é um fenômeno, engana o povão e os pensantes, os Silvas e os Buarques de Holanda, os Oliveiras e os Vianas. Simplesmente porque o Brasil não se livra da síndrome de mendigo, da baixa auto-estima, disfarçada com uns golzinhos de quatro em quatro anos. Engana pobres e ricos, brancos e pretos, motoboys e empresários, que nada têm em comum, senão a ingenuidade hipócrita, daqueles que se deixam levar por quem lhes fala do que sentem diariamente, com os mesmos erros de português e com a mesma simplicidade tacanha. Lula ilude os mais pobres, pois fala como eles. Ilude os mais ricos, pois estes precisam sentir-se menos injustos ao ganhar seu dinheiro. Lula é a nova política brasileira: um picareta a mais, mas um picareta que é a nossa cara.

Responda rápido, você, admirador de JK: O que faz você pensar que algo melhorou com a construção daquele clube de campo que é Brasília, erguido com o seu dinheiro, e feito não para outro fim senão o de possibilitar que 513 filhos da puta lhe roubassem diariamente, a uma distância suficientemente segura de qualquer sinal de gente?



Por que se ufanar?


Que a MPB é - ou anda - uma porcaria, eu já sabia. Mas como tudo, absolutamente tudo, nunca é tão ruim que não possa ser piorado, existe música amazonense. Particularmente, odeio tucumã e tapioca com queijo coalho, especialmente se são temas de músicas premiadas em festivais xexelentos, com músicos xexelentos, público xexelento, músicas xexelentas, realizados em alguma cidadezinha xexelenta, como Manaus, Itacoatiara, Maués ou Parintins. Nicolas Jr., um compositor (sim, senhor!) desses xexelentos, é pródigo em letrinhas xexelentas, interpretações xexelentas e divulgação de redes de comunicação xexelentas - como a Rede Amazônica. Mas isso, isso aqui, é demais. Nicolas Jr. nos brinda com duas de suas mais inspiradas letras. Aprecie com moderação.

Geyzislane

eu lembro aquela manhã linda de domingo
você na laje tomando banho de mangueira
nos se olhemo e logo se apaixonemo
e nos juremo que ia ser pra vida inteira
domingo a tarde eu calçava meu all star
minha calça social e a camisa de tergal
você de shortinho de lycra laranjado
e uma blusa sensual com a foto do magal

e na cabeça uma fita verde e branca
que nos ganhemo de lembrança da amazoNHA celular
e na cintura uma carteira de derby
um corote na pochete e saia a passear

primeiramente o balneário da dengosa
sem seguida ponta negra e depois praça do db!
a noite ia pros boteco, tomar cerpa e jogar bilhar
passava a noite nos brega lá da grande circularrrr

[refrão]
oh geyzislane, geizyslane meu amor
pq vc pegou aquele barco
não deixou nenhum recado e se mandou pro interior
oh geyzislane, mande uma carta por favor
aproveita e manda uma fardo de farinha
e a cassete da calypso que você me emprestou

impressionava o seu cabelo bicolor
ao som de fernando mendes a gente acasalava
sonhava em ter um fusca totalmente incrementado
atrás escrito 'turbo' e um terço no retrovisor

e o cordão grosso de prata que te dei de aniversário
ela esqueceu la na gaveta do armário
ficou ainda um turiri do carnaboi
um autógrafo do nunes e um pinguim de geladeira
a camisa do rio negro e o poster do arlindo
e a foto que ela tirou com um ex-vereador

[refrão]

A VIAGEM

Um certo dia fui fazer uma viagem
Lá pras bandas do sudeste
Conhecer nova paisagem
Pedi dormida na casa dum primo meu
Que eu não via há muito tempo
E ele então me acolheu
Já foi dizendo corte logo esse cabelo
Que tu veio lá do mato
Deve ter malária ou dengue
Escondida aí nesse pelo
Ou então uma sucuri
Enrolada aí pelo meio

Aqui tem carro e metrô pra todo lado
Por isso não vá pra rua
Pra não ser atropelado
Me apresentou uma mulher meio fechada
Disse que era sua esposa e de família abastada
Já foi falando a casa tem oito quartos
Duas salas de estar
E um tal de home teatro
Essa cozinha é bem maior que o seu barraco
E isso aqui é uma geladeira, um produto muito caro
E pegou a perguntar
Como estavam os canibais
Se ainda tinha muita onça andando pela cidade
Perguntou se eu tinha vindo de canoa ou de cipó
Se eu trazia alguma flecha pra mostrar pra sociedade

Chamou e disse
Essa aqui é minha piscina
Tem 40 de largura por 70 de lonjura
É a maior da redondeza
Tem mais 8 de fundura
Ela é grande ou não é?
Olhe meu primo
Realmente ela é pequena
A piscina lá de casa
É que é demais já muito grande
Fica até dificultoso pros menino tuma banho
A bicha mede 3 km de largura
Ela nasce no Peru e vai bater no Oceano

Mas veja primo o progresso aqui é grande
A ciência é avançada coisa de 1º mundo
Um dia desses comecei a passar mal
Fui bater no hospital com a morte já no prumo
Eles tiraram meu coração cansado
Colocaram um de plástico, fiquei mais fortificado
Depois pegaram o coração defeituoso
Trocaram umas veias velhas, hoje bate noutro moço

Olhe meu primo isso num me causa espanto
Eu tava ralando mandioca cê sabe
Um trabalho e tanto
E o meu dedo entrou no triturador
O bicho esfarelou e misturou-se com a massa
E o doutor então pegou aquela massa
Moldou o dedo de novo
Olhe só como ficou

Mas essa terra é o centro do Brasil
Coisas que tu nunca viu
E nunca verá por lá
E desafio qualquer um a perguntar
Se não tiver por aqui
Não tem em nenhum lugar
Na sua terra tem pupunha ?
- Não senhor.
Tem umas tapioquinha com uns bejuzinho do lado?
Umas mandioquinha cuzida,com manteiga derretida
Um tambaquizão assado com limão e um pirãozinho tem?
-Não senhor
Umas morena bem corada
Da cara arredondada
Uns muntueiro de perna
E a bundona arrebitada tem?
-Não senhor

Tem Pereira, tem Cileno
Torrinho, Chico da Silva
Tem semáforo no shoppinhg
O pedestre anda nas ruas
Os busão bem geladinhos tem?
Tem um certo Amazonino que governa há vinte anos
E vai governar mais trinta se bobearem pro mano,tem?
-Não senhor
Por aqui tem boi bumbá
Umas canoas atravessando
Paga pra estacionar
Ultrapassa pela direita
Mesmo com os guarda olhando tem?
-Não senhor
Eu quero ir pra lá
Então meu primo
Venda toda essa tranqueira
Aproveite e dê de brinde
Sua mulher e a geladeira
Pois lá num tem serventia
Tudo é feito na hora
Não se guarda pra outro dia
E a comida é de primeira
Já as mulheres tem um sabor diferente
Tomam sol todos os dias
São coradas que nem jambo
São belas por natureza
E fervem mais que café quente
E vou dizer mais uma coisa
Isso muito me convém
Eu não troco essa Amazônia
Por sudeste de ninguém


sexta-feira, março 10, 2006

O mau-gosto, o mau-gosto!


Foto: APSabe a Kate Moss, aquela modelo que, em vez te vomitar, cheira?

Pois é, o nariz cansou.

Agora o negócio é picada.

quinta-feira, março 09, 2006

Regozijamo-nos com Vossa Presença, Afro-Descendentão!!!


15 dias de viagem, 16 cidades visitadas. Fico impressionado com o espírito carinhoso, de união e de sincronia com que as comunidades do interior do Amazonas recebem seus políticos mais amados. Fico feliz, inclusive, em ver que o português da minha gente tem melhorado significativamente. O bom gosto na escolha das cores das faixas, no material, na fonte usada. Meu povo realmente tem seu valor. Percebi que, dos municípios do interior, pelo menos esses 16 já se entendem perfeitamente no quesito "faixas de carinho". Que beleza. Descobri isso no blog ConversaCruzada, que começou bem, meses atrás, quando não recebia - ainda não era hora - ordens superiores, como ele mesmo afirma ("sou soldado, cumpro ordens"). Paciência. Mas há certo bom gosto e leveza no endereço, há de se admitir, o que me fez excluir da lista de candidatos a autor do blog figuras como Narcisa U-hú Tamborindegui e Bruno Sabbá.

Só recomendo ao ilustre autor do blog a reformulação dos dizeres "NADA ROUBA O CARINHO DO POVO". Sabe como é, dá margem para piadas maldosas sobre outras coisas do povo, estas sim, roubadas há tantos anos.







hum...

Antes / Depois



Semana passada: Vídeo mostra assessor de Bush alertando-o para as consequências "catastróficas" do furacão Katrina, um dia antes do atentado.


Ontem: Bush ajuda na reconstrução da cidade.


quarta-feira, março 08, 2006

Até o pornô deles é melhor


Antônio Snake é paraense. Produz filmes pornôs paraenses. Sua temática é o Pará. Tudo nos filmes de Antônio Snake é paraense. Suas atrizes, todas paraenses (“faço questão disso”), despertam a curiosidade dos pornô-cinéfilos paraenses. Antônio Snake tem um slogan: “Uma delas pode ser a sua vizinha”. Rejeita a fórmula importada, de fora do Pará, de loiras bonitas e quartos de motel medianos. Nada de Los Angeles, seus filmes exaltam o Ver-O-Peso. Para Antônio Snake, a atriz pornô paraense é melhor.

Agora, aprendo eu, inclusive o pornô paraense é o melhor.

Via NoMínimo.

segunda-feira, março 06, 2006

City of Disturbing Lights


Uma imagem do show do U2 em São Paulo, transmitido pela Globo, e um post no blog do site NoMínimo, me fizeram pensar na mudança que este mundo experimenta, tecnologicamente falando. Pedro Doria conta que, passeando por Tóquio, viu um homem engravatado falado ao telefone com o aparelho na frente do rosto, e não encostado no ouvido. De repente, conta Pedro, o homem, sorrindo, aproxima os lábios do aparelho e beija a tela. Estava conversando por vídeo com a namorada, e provavelmente trocou aquele beijo por telefone.

É bobo comparar o uso que um executivo faz de seu celular em Tóquio com o que os adolescentes brasileiros fazem num show de rock. Não sou velho a ponto de ter assistido – ao vivo – apresentações dos Rolling Stones ou de qualquer outro dinossauro musical da década de 60, quando os milhares de luzes acesos durante os festivais, nas platéias, eram de isqueiros e cigarros de maconha. Hoje, não. Chegou, em certos momentos, a ser incômodo ver Bono chegando próximo à multidão e se deparando não com meninas histéricas, a ponto de subir ao palco e agarrá-lo. Não, elas não queriam isso. Claro, se quisessem, não poderiam, mas não queriam - essa é a verdade. Parecia que aquele Waldick Soriano irlandês queria ser abraçado, mas a multidão preferia fazer fotos, com seus celulares, a centímetros de distância do astro.

Os filmes de ficção não captam essas ‘nuances humanas’ no comportamento das sociedades futuristas de suas histórias. Com exceções (sempre raras, óbvio), atêm-se a retratar os usos produtivos da tecnologia, com ligações telefônicas que podem evitar uma catástrofe ou com imagens de satélite que podem mudar os rumos do mundo. Não, a tecnologia já está aí, moderna, cheia de funções e de usos, mas as necessidades ainda não a alcançaram. Podemos saber, via Internet, se há engarrafamentos ou pistas bloqueadas na viagem ao litoral, mas preferimos saber, antes de mais nada, outras coisas.

Bono Vox, The Edge, Larry Mullen e Adam ClaytonAs luzes dos telefones no Morumbi eram impressionantes. Parecia que a multidão, em vez de obedecer e imitar os trejeitos de seu astro (como era antigamente, dez anos atrás), queria hipnotizá-lo com seus aparelhinhos apontados para o palco, como querendo segurar e domar a banda, fazendo o contrário do que o senso comum sempre disse sobre o rock, as massas e coisa e tal. Bono Vox e seus colegas (capturados nesta foto, no palco), com aquelas imagens de Direitos Humanos, com aquelas canções sobre brigas de família e mortes absurdas num distante domingo sangrento, não colavam. Estavam, sim, resistindo à hipnose que o público parecia querer lhe infligir. No fim, no que pareceu um final feliz, as luzezinhas apagaram, e o jeito antigo de fazer um show de rock pareceu fazer falta. Mas aquelas imagens marcaram. Ora deixavam claro que estamos a caminho das sociedades individuais, onde cada um terá seu equipamento de sobrevivência (iPods, celulares e palmtops), ora mostravam que a tecnologia não muda necessidades ou desejos, só os torna mais instantâneos e fúteis.

Bono Vox podia ter se atirado ao público, num mergulho digno de Jim Morrison - ou Eddie Vedder, vá lá. Se tivesse tentado, estaria hospitalizado hoje. A multidão mais próxima ao palco, que pra isso deve ter passado fome, frio e calor nas filas, não queria viver o momento, queria registrá-lo. Iria abrir-se num vão, todos de telefone em punho, e veria o roqueiro se espatifando no chão, sob as lentes de todos os orkuteiros do país.

No dia seguinte, alguém até poderia exibir fotos suas socorrendo o astro, mas não teria o sucesso de todos os outros, mostrando, sob todos os ângulos e com as mais variadas taxas de resolução que a tecnologia pode comprar, o músico se estabacando aos pés da massa.

Mas, felizmente, nada disso aconteceu. Bono Vox e companhia encerraram os dois shows bem, e agradaram a todos. Depois de São Paulo, veio a Bahia... Mas isso é outra conversa...

quinta-feira, março 02, 2006

Cinemas Amazonas




Próxima atração.

Quinta-feira, com gosto de segunda


Mário Prata, João Ubaldo Ribeiro e Mathew Shirts são recorrentes. Sofrem de falta de assunto. Igual ao Jabor, que não se envergonha de falar sempre das mesmas coisas, das utopias da geração de 68, da feiúra das mulheres saradas e da santa burrice de Bush. Prata já sentou e escreveu sobre uma vizinha sua que, desavisada, trocava de roupa em frente a seu apartamento. Já escreveu também sobre a saudade que tem de escrever em máquina de escrever, da forma que outros puristas preferem as máquinas a filme fotográfico, os discos de vinil, brincadeiras de massinha e a Vila Sésamo. Pura falta do que dizer. Shirts já publicou duas laudas sobre as peculiaridades da cozinha americana (sua terra natal) e sobre o sanduíche de pasta de amendoim. São pagos, óbvio, para produzir, e assim fazem. Ubaldo bate um papo com os leitores, e sua risada sai do papel, distraindo o leitor e até agradando, com seu cinismo meio infantil, meio bêbado. Jabor faz colagens, tenho certeza. Dá mais certo do que as letras do Engenheiros do Havaí, claro, mas é a mesma coisa, basicamente. Reciclar antigas rimas, fazer outras, novas e absurdas, e cantar.

Admitamos: do que falar? De selvagens ateando fogo a bandeiras dinamarquesas? De americanas gordas encontrando a imagem da Virgem Maria numa batatinha frita? De Lula arrebentando nas pesquisas? De Braga e Amazonino enganando meu povinho com mais uma briguinha de palco? De uma minissérie horrível chamada JK? Dos livros que andei lendo? Do Carnaval que passou? Do trânsito? Das contas?

Não. Eu estou com Jabor, Prata, Ubaldo e Shirts. Sofro, momentaneamente, não de falta de assunto, mas de sobra de tédio. A diferença é que eles recebem pra isso. E por isso precisam escrever. Qualquer coisa.