terça-feira, maio 02, 2006

Faltam 88,6Kg!


O pré-candidato do PMDB à Presidência da República, Anthony Garotinho, perdeu cerca de 1,3 kg com 42 horas completadas de greve de fome. O novo boletim médico divulgado hoje não registra alterações significativas no estado de saúde do ex-governador do Rio, que está com 88,6 kg ante os 89,9 kg pesados do final de domingo. Garotinho afirma que sofre perseguição da mídia, do sistema financeiro e do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Disse ainda que suas "posições cristãs e éticas" vêm sendo ridicularizadas. Ele é evangélico.

De posse destas informações da reportagem da Folha, fiz alguns cálculos. Neste ritmo Garotinho emagrece 31 gramas por hora. Como agora o ex-governador do Rio pesa 88,6kg, precisaríamos de 2.862,46 horas para nos livrarmos de tão singela, humilde, cristã e ética presença. Convertidas em dias, todas essas horas se transformariam em quase 4 meses – mais precisamente 119,26 dias.

Já estamos em 2 de maio. A ser mantido o atual ritmo, perderíamos Anthony Garotinho lá pelo dia 29 de agosto, portanto, 35 dias antes das eleições que reelegerão Lula. Como temo pela qualidade de nosso eleitorado, injustamente coagido a se apresentar ás urnas como um cego que de dois em dois anos é obrigado por lei a dirigir um ônibus escolar lotado, torço para que seu Garotinho mantenha o ritmo.

Torço, também, para que Michel Temer, presidente da sigla, não se intrometa nas decisões do casal Garotinho. Faço meu humilde apelo para que nossas lideranças deixem que Anthony e Rosinha, que apesar dos nomes são crescidinhos, escolham o que fazer de suas vidas.

E faço outro apelo, este às Organizações Globo, para que montem um enorme painel nos principais pontos do país, com a evolução do quadro do político, minuto a minuto, num contador em regresso. Algo do tipo “Faltam 100 dias”, que neste caso seriam “Faltam 53,28kgs”. Um na praia de Copacabana, um na Praça da Sé, um na Eduardo Ribeiro, e assim por diante.

A festa seria muito maior do que as bobagens de 500 anos do Descobrimento.

O Estado do Amazonas, 3 de maio de 2006

segunda-feira, maio 01, 2006

Notas de segunda-feira


O vencedor do prêmio de melhor Judas do Correio Amazonense, um comerciante, não quis atacar nenhum político local, pois muitos são seus clientes. Se disse fã de "um caboclo" nas eleições, mas não disse quem. Incoerência e cara-de-pau não vêm de cima, vêm de baixo.


O Ato solidário dos amazonenses aos imigrantes brasileiros nos EUA será deixar de comprar produtos americanos, "impondo perdas econômicas" aos gringos. Dá-lhe Amazonas!

Dalai-Lama no Brasil. O trocadilho já gerou piadas demais.

Antony Garotinho está em greve de fome há 19 horas. Exige que O Globo e Veja se retratem das acusações que lhe fizeram. Eis o desespero de um populista rasteiro. Eis o fim de uma candidatura. Temo pelo desdobrar da história. Com a qualidade do eleitorado nacional, Garotinho é bem capaz de se reerguer com a atitude. E ainda por cima perder uns quilinhos.

Lula, que ainda não decidiu se vai ser candidato mas está em campanha há quase quatro anos, diz que vai ser julgado pelo povo. O pior é que está certo.

Fernanda Venturini se aposentou. O vôlei brasileiro ficou um pouco mais feinho. Por mim, tudo bem, detesto esses jogos memoráveis nas manhãs de domingo, entre times com nome de desodorante, de banco e de leite desnatado.

Daniel Veloso, meu amigo Pluto, e Erlon Benjó, meu amigo que não mente, valeu pela conversa. Pluto, não se revolte comigo, por favor.

Mas essa vai pra você. Evo Morales acaba de anunciar, em meio à euforia dos miseráveis que governa, que quer expulsar do país as empresas estrangeiras, que sugam as riquezas nacionais. Por favor não defenda uma coisa dessas, cachorro.

A ConstruNorte acabou ontem. Perdi, assim, uma imperdível oportunidade de não ver nada.

Os trens e metrôs do Rio de Janeiro agora têm vagão exclusivo para mulheres. Agora elas estão livres das dedadas, das fungadas no cangote e do cecê dos homens. E estamos em 2006.

Bom fim de feriado a todos.

sexta-feira, abril 28, 2006

"Me pegaram, precisamos fazer algo!"


No início da madrugada desta sexta-feira dois policiais civis, um homem e uma mulher, foram presos em flagrante por extorsão a dois turistas estrangeiros, um tcheco e um americano. O fato ocorreu no Rio de Janeiro, e foi exibido ainda no Jornal da Globo de ontem.

Os turistas deram 350 reais e 100 dólares aos policiais e ainda foram obrigados a ir ao hotel Meridien, onde estão hospedados, para pegar mais 1.000 dólares. Ao chegarem ao hotel, eles acionaram a segurança, que chamou a polícia.

Imediatamente todos os policiais civis de plantão na área em que tudo aconteceu foram chamados à delegacia. Identificados, os dois foram presos e responderão a "punição exemplar", como sempre faz a polícia com seus integrantes criminosos.

Chama atenção o fato de que os turistas fizeram o que ninguém faz por aqui, denunciando o crime. Chama atenção a presteza com que a polícia resolveu o caso. Chama atenção o fato de uma mulher estar envolvida.

Ontem de manhã Cristiane Torloni fez discurso no programa de Ana Maria Braga, na Globo. Falou tudo, atacou todos, especialmente os maiores culpados pela situação atual do país, nós, o povo.

Depois fiquei sabendo de seus motivos. A atriz foi assaltada na semana passada.

Agora sim, entendi.

quinta-feira, abril 27, 2006

Ah, desliga primeiro você, vai...


Na política tudo corre à boca pequena. Contar o que todo mundo fotografa, ouve, filma e vê, não é nada. É necessário ter fontes “no intestino dos governos”, como diria Roberto Jéferson. O jogo de cena da imprensa, misturado à incapacidade e à preguiça latentes em se investigar esses intestinos, rege a parca opinião pública, que ainda se vale de jornais para saber o que acontece em seu quintal.

Durante a semana passada muito se falou da abortada CPI da CEMA. Eron Bezerra, com suas pistolinhas d’água, conseguiu assinaturas favoráveis às investigações, Precisava de mais duas, precisava de mais duas, só mais duas.

Liberman Moreno fez jogo de cena, assinando o papel de caso pensado, sabedor que era (olha a boca miúda aí) de que outros dois deputados retirariam suas assinaturas mais tarde, inviabilizando a CPI. Por fim, aconteceu o que todos os praticantes da boca pequena esperavam, Evilásio Nascimento e Francisco Balieiro retiraram suas assinaturas. A CPI estava morta, mal paga e enterrada.

Evilásio viajou no final de semana. Com quem? Eduardo Braga (sem compromisso algum). Evilásio é irmão de Alfredo Nascimento, presidente do PL, partido do mensalão. Leonel Feitoza, que agora nega ter relações com Alfredo, também fez pose, ameaçando uma CPI sobre o Expresso. Resultado? Evilásio, irmão de Alfredo, retirou sua assinatura da CPI da CEMA, pra que Leonel, representando os anseios da população, desistisse de investigar seu irmão quanto aos ônibus.

Por motivos que só mesmo à boca pequena seríamos capazes de entender, alguém, na administração passada, comprou remédio suficiente pra 100 anos de doença no Amazonas. Alguém, também não sei por quais motivos, incinerou boa parte desses medicamentos. Alguém roubou e malversou dinheiro durante a implantação do sistema Expresso na cidade.

Alguém mentiu, alguém fraudou e alguém ganhou. Todos sujeitos ocultos.

O único sujeito determinado é o alguém que se ferrou.

Já adivinhou quem?

Pensa, leitor, pensa...


O Estado do Amazonas, 27 de abril de 2006

quarta-feira, abril 26, 2006

Cumpuder, sempuder



"O Governo gasta muito pagando juros da dívida,
e muito pouco ajudando os mais pobres"


PSDB, psiu!, isso não te perteeeeeennnnnnce...


Juro, se eu fosse um cineasta, um animador, desses que pipocam nos botecos de Manaus falando em "desconstrução da idéia", essa terra sem cinema e sem animação, faria um filminho sobre a briga entre governo, qualquer que seja ele, e oposição, qualquer que seja ela, pelo poder. Não, quando falo poder não falo em influência, carisma ou capacidade de mudar o mundo. Não, nada de Churchill. Quando falo em poder, falo em nomeações, verbas indenizatórias para gastos com combustíveis e distribuição de cargos entre parentes. Infelizmente poder, aqui, é isso.

No meu filme haveria um muro, um grande muro, como o de uma fortaleza medieval, onde haveria um trono suntuoso (e portanto brega, pra ambientar o espectador na América Latina), onde estaria sentado o poderoso do momento, dando de ombros à gritaria lá de baixo, onde uma horda de oposicionistas gritariam palavras de desordem, em português fuleiro, babando como os orcs de Peter Jackson.

Mas tudo seria filmado em alta rotação, com oposicionistas assumindo o poder rapidamente, com governistas caindo ao chão rapidamente, numa repetição frenética, como numa dança das cadeiras. Repetiriam-se os gestos, ou seja, a empáfia e a arrogância da governança daria lugar à chatice e à hipocrisia da oposição, tudo a 40 quadros por segundo. O mesmo com a oposição, que a cada 5 segundos trocaria de lugar com os inimigos, trocando o discurso esquerdista pelo governista como quem troca de roupa em Manaus, ou seja, várias vezes por dia.

Uma turma estaria de nariz empinado num quadro, com foices e bonés revolucionários no outro. Outra turma estaria falando errado na tevê contra os juros numa tomada em close, noutra estaria defendendo as instituições democráticas, a estabilidade econômica e o superávit primário - ou seja, os bancos. E assim as duas turmas revezariam-se, durante o filme todo, em alta velocidade (claro, seria um curta, sem incentivo governamental), como o cachorro bobo de um desenho animado, dando voltas ao redor de uma árvore atrás do gato malandro.

Hoje meu horário nobre desprovido de tevê a cabo foi assim, com Alckmin duas vezes por intervalo de Belíssima, dizendo que Lula cobra muitos impostos, que não investe nos pobres. É a repetição eterna, ainda que bizarra e sem sentido, da cena do meu filme.

Não entendeu? Não conseguiu captar, pintar as cenas do meu filme na sua mente? Então estou feito, faço arte. Pra você que não entendeu as nuances sociológicas, antropológicas e jungianas do meu roteiro, simplifico: sabe aquela piadinha de escritório?

Experimente:

- Barbosa, rapá, passei a noite sonhando contigo!
- Quê isso, parceiro, tá me estranhando?!
- Não! Era muito estranho, a gente tava nu, correndo no meio da rua, de madrugada. Você corria atrás de mim!
- Não brinca! Sério?!
- É, rapá, eu fugia de você e você me perseguia, gritando "agora é minha vez, agora é minha vez!"


Pegou agora? É meu filme de arte, em versão nacional, dublada pelo Evandro Mesquita e pelo Diogo Vilela, com produção de Luís Fernando, pra ficar palatável pra você.

terça-feira, abril 25, 2006

"Maratona tevê aberta" - boletim


Depois de uns dois anos, achei o Casseta & Planeta hilário hoje. Depois ri com o Figueirinha de A Diarista. Não me emocionei nem um pouco com a situação humilhante do povo de alguns municípios alagoanos, passando fome à espera da ajuda do governo, no Jornal da Globo, mesmo com aquele início de decote da Cristiane Pelajo. Agora vejo Sidney Magal cantar Sandra Rosa Madalena no Jô, e ainda assim meu asco não me fez desligar a tevê.

Das duas uma: ou as oito latas de Skol que bebi desceram redondo mesmo, ou fui transladado, feito Elias (II Reis 2:11, ó incautos!), para o mundo bizarro.

Confio, meu "Jesus Cristinho", "minha mãezinha Maria, mãe de todos", que a Ambev tenha tomado conta do meu córtex.

Não tive coragem para convidar o povo para uma sessão de "O Declínio do Império Americano" aqui em casa, nem ontem nem hoje. É, definitivamente, meu filme preferido. Adorei, exceto as partes em que falam de Rembrandts, Freuds e Caravaggios. Intelectuais em película perdem a "intelectualidade", tornam-se apenas críticos literários carentes, gozando com o pau dos outros. Prefiro a putaria das entrelinhas, entre as conversas pretensiosas.

Ih, estou bêbado, realmente!

R$ 18,90 no Submarino. A prova cabal de que trata-se de Arte, meu assunto predileto no Master - terceira edição.

O Triângulo das Bermudas, versão GSM



Tatiana, atendente de call-center, me guiando para o
abatedouro do setor de "cancelamento de contas" da TIM

Brasileiro tem mania de fazer piada sobre tudo. Até da desgraça, principalmente a alheia. Brasileiro não gosta de drama, só de comédia. Tenho visto piadinhas na tevê, em revistas, em blogs, em conversas, em todo canto, sobre o que é tentar cancelar uma linha de telefone celular. O filme é de terror, minha gente! Não tem nada de comédia romântica. Não tem nada de Selton Melo, é Paulo Autran puro. Aliás, mais, é Antônio Abujamra na veia!

Já pintei várias versões da cena na cabeça, mas fico com duas. Na primeira, eu via uma ficção científica bem sombria, na qual a simples citação do verbo “cancelar” abria um portal, um alçapão sob os meus pés, que me atiraria para o mais absoluto Nada no espaço sideral, de onde nunca mais eu voltaria. Ficaria eternamente - ou morreria de asfixia antes disso – boiando no limbo do universo, numa dimensão paralela, ouvindo Pour Elise ou algo como “sua ligação é muito importante para nós”. Você, que assistiu Matrix e lembra das pessoas sendo resgatadas pelo fio do telefone pode imaginar, só que ao contrário. Um deslize, um inocente “quero cancelar...” e um wuuuuush!!! me sugaria rumo à morte, do fundo das profundezas do mais sombrio inferno estelar, mais conhecido como "setor de cancelamento de contas", lugar de onde ninguém nunca voltou pra contar a história.

Outra versão teria um galpão gigantesco, cinzento e úmido, repleto de mesas apertadas, onde zumbis com olheiras enormes e tiques nervosos provenientes do estresse me atenderiam sempre com um sotaque caipira, no gerúndio, fingindo uma educação e uma paciência fictícias. Tudo correria bem no início da ligação, parecendo algo cor-de-rosa em forma de voz, até o apocalíptico “cancelar”. Então tudo mudaria. Gritos horrendos tomariam conta do galpão e zumbis correriam em desespero entre as mesas, berrando “Falaram a palavra! Falaram a palavraaaa!!! Corram, salvem-se!!!”. Numa cena típica do mundo da televisão, contra-regras agilíssimos desmontariam o cenário em segundos, picadores de papel seriam acionados aos montes e rostos se derreteriam, como naquela cena de Os Caçadores da Arca Perdida. Tudo viraria pó e sangue, e só o que restariam seriam os milhões de telefonemas sem fim. Gemidos, ranger de dentes, choros angustiados tomariam conta dos escritórios de call-center, com humildes jovenzinhas, aos prantos, conhecendo seu triste destino, e dizendo "Meu Deus, me salve, e juro que vou estar abandonando essa vida!"

A primeira versão é mais verossímil. Dos 30 milhões de clientes que eles gostam de exibir nas propagandas, faço parte dos prováveis 10 milhões que estão flutuando entre as estrelas, ouvindo Pour Elise e um singelo “no momento nosso sistema está fora do ar, senhorrr” ou um "senhora, nosso sistema subitamente ficou inoperante, a senhora poderia estar nos ligando em 30 minutos?".

Terror puro. Terror total.

segunda-feira, abril 24, 2006

Notas de segunda-feira


Felipe Mafa Mafinha, companheiro de Schumacher na Ferrari, andou reclamando da estratégia da equipe durante os treinos classificatórios para o GP de Ímola, quando a equipe o empurrou no engarrafamento, prejudicando-o. "Me jogaram no meio do trânsito!", reclamou o novo Rubinho, aos prantos, refugiando-se no colo da mãe. Que saudade de Senna e Piquet...

Carla Perez e Xanddy reataram a relação. Na semana passada informavam que, depois de 4 dias de conversas, haviam se separado. Agora imagine Carla Perez e Xanddy conversando, durante quatro dias. Só podia dar nisso. Menos mal: uma semana de holofote não faz mal a ninguém sem capacidade de fazer algo além de rebolar. Caras, Quem, Contigo e Amiga agradecem.

Pescadores das Ilhas Maldivas fisgaram, acidentalmente, 1 tonelada e meia de maconha no fundo mar. Aquela rave do mal que iria rolar neste sábado teve que ser cancelada. Bob Esponja explica aos amigos que a casa caiu.

O governo do Rio Grande do Norte investiu R$ 1,25 milhão no último carnaval, em bandas e trios elétricos. O problema é que o carnaval no interior do estado foi mais triste do que sexta-feira santa. Ninguém foi contratado, ninguém tocou. Pra você ver, nem o circo do povo está a salvo.

Geraldo Alckmim andou, duas semanas atrás, comendo porcaria no nordeste, pra ganhar voto de pobre burro. Se aparecer aqui, vou fazer como fiz com um colega paulista. Oferecer uma cuia de tacacá e uma tijela de açaí, duas horas antes do vôo do Chuchu. Vai ser um divertido vôo de volta.

Muda novamente a grade de programação do SBT. Ana Paula Padrão volta para as 19:15h. Imegine o que o marido da moça anda tendo que aguentar em casa...

Evilásio Nascimento e Francisco Faquieiro, digo, Balieiro, devem retirar suas assinaturas do pedido de instalação da CPI da Cema (a CPI dos remédios). Andam justificando a decisão com o argumento do "ano político", que é complicado, sabe? Sabemos, sabemos.

Diz Tutty Vasques que os tucanos já falam em "vestidos não contabilizados" de dona Lu Alckmim.

Xico Vargas, colunista do site NoMinimo, assim descreve Mestrinho: "De Mestrinho sabe-se que o Congresso não ouviu a voz este ano, mas é do PMDB, como a governadora, manda em boa penca de votos no diretório de seu estado, o Amazonas, e marca vários pontos na prévia que escolherá o candidato do partido à presidência da República". Nicolas Jr., compositeiro amazonense, já esboça a letra de uma nova música contra os jornalistas do sudeste.

Pois é, fui assistir Emmerson Nogueira. À parte a companhia dos amigos, show besta, besta. Bom, ao menos finalmente se bolou uma nova versão para Hotel California, que agora conta com versos de Dust in the Wind, Every Breath You Take, Atirei o Pau no Gato, Layla e Moranguinho do Nordeste. Emmerson, que cantou 800 músicas em 1:40h de show, bem que poderia se candidatar ao Se Vira nos Trinta. Muita gente ainda não entendeu o mega-pout-pourri do Mineiro. Desculpa, Amaury, Meddley!

Pra quem ainda não sabe, o Club dos Terríveis voltou.

Interessantes as propagandas das operadoras de celular. Tim, 15 milhões de clientes; Claro, 20 milhões de clientes; Vivo, 30 milhões de clientes. A contrapartida seria algo como Tim, 5 milhões aguardando na linha pra cancelar seu plano; Claro, 8 milhões aguardando na linha pra cancelar seu plano; Vivo, 15 milhões aguardando na linha pra cancelar seu plano...

Ninguém se mete, ninguém se mete!




Aos interessados, Mainardi respondeu.

Notas, daqui a pouco.


sábado, abril 22, 2006

Pro meu velho Ismael


Não me lembro do homem que me levou ali. Eu era garoto, e estava pela primeira vez no Estádio da Colina. Pode ter sido um dos meus tios, pode ter sido um amigo da família. O estranho de não lembrar dele é o fato de que foi uma das únicas vezes na vida em que me senti filho, assistindo uma partida de futebol ao lado do pai.

Eu não entendia porque meu nome enfeitava aquela marquise, com letras enormes, até desproporcionais para o tamanho do estádio. Era muito estranha aquela inscrição “ESTÁDIO ISMAEL BENIGNO”. Do jogo, bem, é claro que não lembro. A imagem mais nítida que tenho daquela tarde era o fato de estarmos atrás de uma das traves, e eu perguntava ao meu “pai” por que nada acontecia ali. Ele me respondeu, reclamando: “É que o nosso time não chega aqui!”. Estávamos sentados às costas de um goleiro atento, mas ocioso. Nosso time não chegava até ele.

Quando penso no velho Ismael, “Patrono da Colina”, imagino as conversas que ele tinha com gente como Flaviano Limongi, e me dói não ter rido daquelas conversas. Quando ouço as histórias, inclusive as do Jokka, uma saudade do que não vivi me abate. Perdi meu velho Ismael muito cedo. Perdi meu pai muito cedo. Perdi as referências dessa veia bonachona da família. O futebol ficou esquecido no nome do velho, nas fotos que tenho do meu pai com Pelé e Tostão na Granja Comari. Ficou nas histórias das peixadas que minha vó serviu a Parreira, nas histórias que nunca vivi. Eu podia ter herdado esse amor pelo futebol, pelo clube. Mas não tive quem me ensinasse isso.

Hoje acompanho esse time à distância, com um carinho comedido e realista. Sei da história, porque sei da história daquele velho, que tanto fez pelo futebol e pelo bairro de São Raimundo. Torço por questão de genética, de lealdade ao passado. Hoje esse time de nome gostoso viaja pelo Brasil, numa glória humilde, em meio à inglória de outros. Hoje sou um pouco mais neto daquele velho, e vou torcer, com meu rádio nas alturas. E tentar lembrar daquela tarde, tantos anos atrás.

O Estado do Amazonas, 21 de abril de 2006

quarta-feira, abril 19, 2006

Passarinho que come pedra sabe


Na última edição da revista Veja Diogo Mainardi trabalhou, mais uma vez, contra a classe dos jornalistas. Movido indubitavelmente pela mais legítima intenção de desmascarar as hipocrisias diárias do Brasil, Mainardi tem seu Norte: escolher a dedo seus alvos, avaliar o grau de barulho que seu dedo apontado pode causar e atirar. Gritando feito bobo contra o presidente Lula, praticamente caiu no esquecimento.

Diogo achava, e lhes demos razão pra isso, que Lula era o assunto perfeito para um polemista nato. Lula, no entanto, provou que é apenas um chato. E, na condição de chato, é daqueles em quem apelidos não pegam, pois não parecem se incomodar com qualquer um deles. Diogo, então, sempre atento aos humores da platéia, viu que bater em Lula não rendia mais cartinhas revoltadas.

Ligado no movimento da audiência, deixou de perceber que nem Lulistas mais tinham ânimo para defender o presidente. Ele, Diogo, e ele, Lula, cairiam no esquecimento. Um sendo puxado e empurrado pelas várias áreas de uma revista, feito uma Galisteu pela grade do SBT, outro improvisando metáforas futebolísticas para uma nação de burros, ávidos para gritar. Então Diogo pesquisou, esperto que é, atrás de alguém, de uma classe que estivesse incólume à onda de frouxidão ética em que o país descobriu, pasmo, estar atolado. E ali estava! E não era apenas um, eram dezenas de Santos Graals, dando sopa a seu estilo ferino. Os jornalistas.

Diogo fez algumas ligações, conversou com algumas fontes e alçou mira. Depois, no entanto, de ajoelhar-se reverentemente em seu altar particular, numa humilde porém elegante capelinha, instalada num dos cômodos de seu apartamento, onde descansa uma imagem em gesso de Paulo Francis, cuidadosamente esculpida por artistas venezianos, com um paletó bem cortado e o par de óculos de fundo de garrafa – de vinho Bordeaux, si vou plais. Diogo rezou, pediu a benção do velho e abriu o notebook. É verdade, diga-se, que acertou em cheio no artigo sobre Marcelo Netto, Marcelo Netto, Marcelo Netto. Então empolgou-se, ignorando os conselhos de seu padroeiro. Acusou Franklin Martins de fazer lobby, junto a lobistas, por um emprego ao irmão.

Agora Franklin Martins, comentarista político da Globo e notório craque do jornalismo, rebate Diogo, e lhe propõe um desafio: provar que Franklin é eticamente frouxo, apontando o senador que o teria ajudado com o emprego do irmão, ou deixar as páginas de Veja. A conferir, mas, à primeira vista, Mainardi dessa vez se fodeu (perdão, a palavra é essa mesmo). E ainda foi chamado de "um anão de jardim querendo passar-se por um gigante da crônica política" - Franklin cunhou, afinal, a frase que tanta gente nunca conseguiu formular. Já tive mais coisas contra Mainardi, não sou nenhum “odiador” do rapaz. Por isso fico até triste em constatar que, enfim, o homem-bomba de Veja se estrepou. Com um sorrisinho prazeroso nos lábios, admito, mas triste.

Acompanhe e divirta-se no post abaixo.

Franklin Martins desafia Mainardi


Franklin Martins desafia Mainardi
Da Redação do site Comunique-se


Em resposta à coluna de Diogo Mainardi publicada na última edição da revista Veja, em 16/04, o comentarista político da Rede Globo Franklin Martins redigiu e enviou à semanal da Editora Abril e também ao Comunique-se a resposta que publicamos aqui.

Em seu último texto, Mainardi apontou conexões entre parentes de profissionais da imprensa e o poder público para exemplificar o que chamou de frouxidão moral da sociedade brasileira. Além de Martins, Helena Chagas, de O Globo, Eliane Cantanhêde, da Folha de S. Paulo, e Luís Costa Pinto, da Idéias, Fatos e Texto Ltda, também foram atacados pelo colunista. As duas jornalistas preferiram não responder às alegações de Mainardi. Costa Pinto, por outro lado, enviou uma resposta ao Comunique-se, publicada nesta segunda-feira (17/04).

Abaixo, segue o texto de Franklin Martins.

Desafio a um difamador

O sr. Diogo Mainardi, em artigo intitulado “Jornalistas são brasileiros”, publicado na revista Veja de 16 de abril de 2006, acusou a mim e a outros profissionais de imprensa de sermos “moralmente frouxos” e de mantermos “relações promíscuas” com o poder político. No meu caso, saiu-se com a estapafúrdia história de que eu teria uma cota pessoal de nomeações no serviço público. Nessa cota, estariam meu irmão, Victor Martins, diretor da Agência Nacional de Petróleo (ANP), e minha mulher, Ivanisa.

Seguem-se alguns esclarecimentos. Devo-os não ao sr. Mainardi, mas a meus leitores, telespectadores e ouvintes, e também a meus colegas de profissão que, com razão, continuam a acreditar que o jornalismo só tem valor se for exercido com espírito público e ética:

1. Não tive, em qualquer momento ou em qualquer instância, nada a ver com a nomeação de meu irmão, profissional conceituado na área de petróleo, para a diretoria da ANP. Jamais intercedi junto a quem quer que fosse no Poder Executivo para sua indicação. Jamais pedi a qualquer membro do Senado, a quem cabe constitucionalmente aprovar ou recusar as diretorias das agências reguladoras, que olhasse com simpatia seu nome. Não movi uma palha nesse episódio. Meu irmão tem a vida profissional dele e eu, a minha.

O sr. Mainardi não é obrigado a acreditar no que digo. Mas, se não fosse um difamador travestido de jornalista, teria se esforçado para apoiar suas acusações em fatos que revelassem uma conduta inadequada da minha parte, e não apelado para trechos de discursos desse ou daquele parlamentar com referências à minha pessoa que não significam absolutamente nada. Sobre o que falam deputados e senadores nem eu nem o sr. Mainardi temos a menor responsabilidade. Qualquer pessoa medianamente informada sabe disso. Somos eu e ele responsáveis apenas pelos nossos atos.

Por isso, lanço-lhe um desafio. Se qualquer um dos 81 senadores ou senadoras – um só, não é necessário mais do que um – vier a público e afirmar que o procurei pedindo apoio para o nome de meu irmão, me sentirei sem condições de seguir em meu trabalho como comentarista político. Pendurarei as chuteiras e irei fazer outra coisa na vida. Em contrapartida, se nenhum senador ou senadora confirmar a invencionice do sr. Mainardi, ele deverá admitir publicamente que foi leviano e, a partir daí, poupar os leitores da “Veja” da coluna que assina na revista.

Tudo ou nada, bola ou búrica. O sr. Mainardi topa o desafio ?

Se topa, proponho que escolha uma pessoa de sua confiança, enquanto eu pedirei à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) que designe um profissional acima de qualquer suspeita, para que ambos conversem imediatamente com todos os senadores e senadoras e ponham essa história em pratos limpos.

Se não topa o desafio, o sr. Mainardi estará apenas confessando que não tem compromisso com a verdade e deixando claro que não passa de um difamador.

Sei os riscos que estou correndo. Entre os 81 senadores, há vários que, em um ou outro momento, já foram frontalmente criticados por mim. Outros devem ter discordado inúmeras vezes de minhas opiniões e avaliações. É provável que haja, inclusive, quem, em algum episódio, tenha se sentido injustiçado por alguma palavra minha. Mesmo assim duvido que apareça um só senador, governista ou oposicionista, do Norte ou do Sul, veterano ou novato, que confirme a afirmação insultuosa do sr. Mainardi de que fiz tráfico de influência para nomear um irmão para a ANP. Duvido que apareça por uma razão muito simples: isso simplesmente nunca ocorreu.

2. Quanto à minha mulher, é funcionária pública há mais de 20 anos. E servidores públicos, sr. Mainardi, por incrível que lhe pareça, trabalham no serviço público. Não sei qual a razão de sua surpresa com o fato. Devo esclarecer que, embora seja profissional extremamente competente, com mestrado em planejamento social na London School of Economics, já tendo dirigido agências e programas nacionais na área, no momento minha mulher não exerce cargo comissionado e sequer tem função gratificada. Por que? Não sei. Coisas do serviço público ...

Dados os esclarecimentos, sigo adiante.

Nem sempre concordo com o que escrevem Eliane Cantanhede, da “Folha de S. Paulo”, e Helena Chagas, de “O Globo”, também difamadas pelo sr. Mainardi no artigo mencionado. Mas isso não me impede de dizer que são duas tremendas profissionais, das melhores jornalistas deste país. Na nossa profissão, como em todas outras, há gente séria e gente que não presta, pessoas íntegras e pessoas sem caráter. Eliane e Helena estão na primeira categoria e me honra ter sido colocado na companhia delas. Para mim, desabonador seria o contrário.

Os ataques que sofremos Eliane, Helena e eu talvez sejam os mais graves, mas não são os primeiros que o sr. Mainardi lançou recentemente contra jornalistas. Nos últimos meses, semana sim, semana não, pelo menos duas dúzias deles, foram vítimas de investidas absolutamente desrespeitosas, carregadas de insinuações capciosas contra suas atividades e carreiras. Mas como ninguém deu pelota para os arreganhos do rapaz – nem os jornalistas, que simplesmente não o levam a sério, nem os leitores da “Veja”, que já se cansaram de ver um anão de jardim querendo passar-se por um gigante da crônica política –, o sr. Mainardi decidiu aumentar o calibre de seus ataques. E partiu para a difamação pura e simples.

Vivemos numa democracia, felizmente. Todos têm o direito a defender suas idéias, mesmo os doidivanas, e a tornar públicas suas posições, mesmo as equivocadas. Em compensação, todos estão obrigados a aceitar que elas sejam criticadas livremente. O sr. Mainardi, por exemplo, tem a prerrogativa de dizer as bobagens que lhe dão na telha, mas não pode ficar chateado se aparecer alguém em seguida dizendo que ele não passa de um bobo. Pode pedir a deposição do presidente Lula, mas não pode ficar amuado se alguém, por isso, chamá-lo de golpista. Pode dizer que o povo brasileiro é moralmente frouxo, mas não pode se magoar depois se alguém classificá-lo apenas como um tolo enfatuado. Ou seja, o sr. Mainardi pode falar o que quiser, mas não pode querer impedir que os outros falem.

Mais ainda: o sr. Mainardi é responsável pelo que fala e escreve. Enquanto permaneceu no terreno das bobagens e das opiniões disparatadas, tudo bem. Faz parte da democracia conviver com uma cota social de tolices e, além disso, presta atenção no bobo da corte quem quer. Mas quando o bufão passa a atacar a honra alheia, substituindo as bobagens pela calúnia e as opiniões disparatadas pela difamação, seria um erro deixá-lo prosseguir na sua torpe empreitada.

No Estado de Direito, existe um caminho para os que consideram que tiveram a honra atacada por um detrator: recorrer à Justiça. É o que farei nos próximos dias. No processo criminal, o sr. Mainardi terá todas as oportunidades de provar que usei minha condição de jornalista para traficar influência. Como é mais fácil um burro voar do que ele dar substância às suas invencionices a meu respeito, estou confiante de que se fará justiça e o difamador será condenado pelo seu crime.

Desde já, adianto que, se a Justiça fixar indenizações por danos morais, o dinheiro será doado à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e à Associação Brasileira de Imprensa. Não quero um centavo dessa causa. Não dou tanta importância a dinheiro como o sr. Mainardi, que já definiu seu próprio perfil: “Hoje em dia, só dou opinião sobre algo mediante pagamento antecipado. Quando me mandam um e-mail, não respondo, porque me recuso a escrever de graça. Quando minha mulher pede uma opinião sobre uma roupa, fico quieto, à espera de uma moedinha”.

Prefiro ficar com Cláudio Abramo: “O jornalismo é o exercício diário da inteligência e a prática cotidiana do caráter”. Mas, para tanto, o sr. Mainardi está incapacitado. Não porque lhe seja escassa a inteligência; simplesmente falta-lhe caráter. A história da moedinha diz tudo.

Da minha parte, seguirei fazendo o único jornalismo que sei fazer, o que busca dar informações ao leitor, ao telespectador, ao ouvinte, com inteligência e respeito, para que ele forme sua própria opinião sobre os fatos. Não quero fazer a cabeça de ninguém. Não creio que essa seja a missão da imprensa, ainda que alguns jornalistas e alguns órgãos de comunicação, de vez em quando, queiram ir além das suas chinelas. Existimos para informar à sociedade, e não para puxá-la pelo nariz para onde quer que seja.

E desse jornalismo não vou me afastar, apesar das mentiras, da gritaria e das difamações do colunista da “Veja”.

O macartismo não me intimida. O sr. Mainardi, muito menos.


segunda-feira, abril 17, 2006

Notas de segunda-feira


Acabei de saber que estudos apontam os implantes de silicone nos seios como obstáculos que dificultam o diagnóstico de câncer. A poderosa, maquiavélica e demoníaca Rede Globo já estuda formas de desqualificar as pesquisas, preocupada com os efeitos das revelações na sua já combalida audiência de fevereiro.

O UOL acaba de noticiar que aliados de Lula cogitam o nome de Aldo Rebelo para a candidatura petista ao governo de São Paulo. Millôr Fernandes estava errado. E sim, a possibilidade de Aldo governar o mais rico estado brasileiro é prova cabal da completa incompetência eleitoral paulista.

Num claro e simpático exagero, o pessoal da Rádio CBN tem falado numa espécie de "Nosso Arnaldo Jabor" ou "Arnaldo Jabor Baré". O comentário elogioso é uma delícia, mas injusto. Comigo, que não tenho a capacidade do escritor-poeta-cinesta-comentarista, e com ele, que merece comparações mais, digamos, de peso. Obrigado, gente, mas é um pouco demais...

Mas confesso, o comentário tem me subido à cabeça. Em rodadas com amigos, já fui flagrado contando histórias sobre "as velhas utopias da geração de 64" e que "Bin Laden é o maior aliado de Bush".

Uma nota do Portal Terra diz que a rede Record está interessada em FHC para comandar o programa Aprendiz, até aqui apresentado pelo publicitário Roberto Justus. A rede de tevê não nutre utopias ingênuas (olha eu de novo!) sobre um "Sim" do ex-presidente, mas vai tentar um milagre prometendo uma segunda edição com o sociólogo. Uma espécie de reeleição antecipada, com direito a pôsteres do apresentador espalhados por todo o cenário.

Assisti o King Kong de Peter Jackson. Por favor me desculpem, Marco e Renatinha, mas o filme é espetacular. Com Naomi Watts então, uma obra-prima.

Assisto, neste exato momento, a cobertura exclusiva, completa e em tempo real de um dos acontecimentos mais marcantes do ano amazônico: a celebração da Páscoa nas igrejas de Manaus. É a Rede Amazônica e seu faro para o furo jornalístico. Enquanto isso Mestrinho é feito refém em São Conrado (RJ), sua mulher é agredida e sua casa é assaltada. Bobagem, claro.

ôpa! Agora vai começar a edição local do Esporte Espetacular! Dudu Monteiro, coitado, vai fazer o que pode. Mas é até simpática a honestidade de seu trabalho: "Olá, Salve, salve! Por hoje é só! Amanhã? tem mais!". E pronto.

Eis o drama de uma existência: enquanto sonho com o Cirque Du Soleil, que vem ao Brasil em agosto, preciso decidir se quero assistir Emmerson Nogueira em pé ou sentado. Graças a Deus só tenho amigos honestos, afinal, estão todos lisos. Se bem que... deixa pra lá.

Fezes acaba de fazer o que melhor sabe fazer ali, bem na entrada da garagem, pessoal. Vou lá. Até mais.

sexta-feira, abril 14, 2006

Também, eu nem queria...


Um repórter de uma revista chique de Manaus certa vez me ligou. Queria fazer uma entrevista, pois estava trabalhando numa reportagem sobre blogs. O interessante é que, antes que conversássemos, ele me explicou a razão da ligação com um desdenhoso "é, me passaram essa pauta sobre blogs... Eu acho que já é um assunto batido, blogs não são mais novidade...". Então continuamos.

Nunca dei entrevista, nem pro Patrick Mota nem pro Ibope. Era a glória suprema, alguém me entrevistava, e já não mais importava se era a Folha de S. Paulo, O Maskate ou o "Fanzine dos Seguidores do Espírito de Che Guevara".

Então o repórter começou, perguntando se meu estilo era pessoal, baladeiro ou nerd. Acho que foi isso. Fazendo referências ao KibeLoko, um site de charges, me preocupei. Achei que fosse bobagem. Falei, falei e falei. Não sei quanto do que eu falei foi captado.

Enfim, esperei e esperei pela revista. E hoje, Sexta-feira Santa, a encontrei, tentando comprar um peixe num supermercado. R$ 8,90. Não abri a revista até chegar em casa e entregá-la à Hellen, todo orgulhoso.

Ela folheou, folheou, folheou... Nada. Havia uma reportagem sobre blogs, mas entre as fotos da Narcisa Tamborindeguy baré e outras patricinhas baladeiras, nada.

Acho que falei demais naquela entrevista. Disse que não faço piada e não gritei nenhum "U-hú!"

Paciência.

quinta-feira, abril 13, 2006

Ctrl+V Ctrl+V Ctrl+V Ctrl+V Ctrl+V Ctrl+V...




Sei lá, acho que vou pro show do Emerson Nogueira. Tudo bem, já fui. Tudo bem, é a mesma coisa. Tudo bem, ficou meio chatinho, como ficou chatinho o Renato Vargas, como ficou chatinha a Marianna Leporace, como ficou chatinho tudo o que é cópia. Sublimei a expectativa, O Tédio venceu a Esperança.

Paciência. Enquanto nada muda, refugiemo-nos no passado, que, ainda assim, não traz apenas coisas boas.

Paciência. Se é pra ouvir toda noite, em todo bar, uma versãozinha cabeça de Rosa (tu és, estrela graciosa, estátua majestosa...), prefiro Groove is in the Heart.

O homem nasce original e morre cópia.


terça-feira, abril 11, 2006

Um scrap para Pedro Doria


O sempre imprescindível Pedro Doria diz que "Aproximadamente onze milhões dos mais de 15 milhões de usuários registrados no Orkut informam residir no Brasil – uma figura fantástica, dado que as estimativas dizem que apenas 12 milhões de brasileiros acessam a Internet de casa. De Seth Kugel para o New York Times."

Ora, Pedro, os 12 milhões acessam a internet de casa. Os outros milhões, a maioria, acessam o Orkut do trabalho.

segunda-feira, abril 10, 2006

A tábua de passar socialista


Fabrício Lima tinha razão. Serafim Corrêa vem usando, acintosamente, a máquina pública do mercado a favor de si. Como já não bastasse incutir na cabecinha das crianças do primário a mensagem subliminar da borracha do 40, agora molha a mão do Carrefour, multinacional francesa de supermercados. Veja só o flagrante da tábua de passar roupa Passa Fácil. Serafim agora implanta, subliminarmente, na cabeça das Marinetes da vida, seu sistema de bilhetagem nos ônibus da cidade. Serafim não é mole, não!

domingo, abril 09, 2006

The wrong man, the right place and hour...




Nesta segunda-feira, dia 10 de abril, entre as 8 e as 10 da manhã, na CBN, 91,5Mhz, algo muito estranho acontecerá. Sinto muito, eu precisava contar...

Brainstorming


Você não sabe, porque eu nunca falei. Mas amo, simplesmente amo o teu jeito de sentir medo de filme ruinzinho no Super-Cine. Você também não sabe, porque eu nunca falei, mas amo nossos domingos a dois, tomando nossa cerveja - proibida pra você - fazendo nosso peixe e ouvindo nossas músicas. Minto. Suas músicas. Amo ficar aqui, de longe, vendo o teu rebolado ao som de um disco do Ace of Base, pedindo um beliscão apaixonado e um abraço, daqueles por trás. Amo teu jeito de falar feito criança, me pedindo pra checar se não há nada embaixo da cama, toda noite, antes de dormir, no mais fofo dos TOCs que eu pude tratar a base de beijos. Amo ler Cem Anos de Solidão pra ti, pra te fazer dormir enquanto não termino o primeiro parágrafo. Amo o teu molho vinagrete, o teu arroz cozido e a tua completa incompetência pra comprar comida. Amo tudo em você, amo tudo neste domingo nublado, nesta cerveja clandestina.

Eu te amo.

quinta-feira, abril 06, 2006

Oferta e Demanda rule!



Um caça russo MiG foi encontrado dentro de um conteiner em Hong Kong

Por um instante imaginei o cabôco, lá no Galvez, me oferecendo seus produtos:
"Vai DVD, CD, patrão? Relógio, colar, caça supersônico? Vai?"


terça-feira, abril 04, 2006

38, 39, piiiii..., 41, 42...



A borracha de Serafim, flagrada pelo blog ConversaCruzada. Escândalo!

A BORRACHA SOCIALISTA
José Ribamar Bessa Freire
02/04/2006 - Diário do Amazonas


Os moradores da cidade de Manaus podem dormir tranqüilos, porque têm alguém lúcido e corajoso para defendê-los: o vereador Fabrício Lima (PSDB). Bravo, destemido e aguerrido, o jovem edil Fabrício possui aquelas cinco qualidades que, na opinião do escritor alemão Bertolt Brecht, são necessárias para quem quer defender a verdade. Vem, leitor (a). Confere comigo uma por uma.

1 - A inteligência de descobrir a verdade.

Essa é a primeira qualidade assinalada por Brecht. Não é qualquer um que recebeu esse dom de Deus. Em Manaus, o vereador Fabrício é um dos raros cérebros capazes de perceber, por exemplo, aquilo que os babacas não viram: que o material escolar distribuído pela Prefeitura constitui crime de campanha eleitoral antecipada. Aliás, antecipadíssima, como aqui demonstraremos.

Acontece que a Secretaria Municipal de Educação distribuiu uma borracha branca onde aparece escrito "Escolar 40". Os ignorantes acharam que aquilo era apenas a marca de uma borracha que vem sendo comprada pela Prefeitura nos últimos quinze anos. No entanto, com sua perspicácia, Fabrício viu o que ninguém viu: 40 é o número do Partido Socialista, do prefeito Serafim. Aqui pra nós, é muita coincidência, né não?.

“As crianças que vão usar a borracha não votam e, além disso, Serafim não é candidato nas próximas eleições” - gemem os idiotas da objetividade. Tolinhos! Bobinhos! Fabrício sabe que o secretário de Educação, José Cyrino, é um visionário e está olhando para o futuro. Essas crianças, que hoje têm oito anos, serão eleitores com 16 anos, quando provavelmente o Sarafa vai se candidatar a governador.

Ora, no ano de 2014, na hora de votar, essas crianças podem até preferir outro candidato, mas a propaganda subliminar terá sido tão eficaz que elas, mesmo sem querer, votarão no Sarafa, porque a lembrança da borracha socialista não se apagará - sem qualquer trocadilho - de suas memórias. Trata-se, sem dúvida, de crime eleitoral.

2 - A coragem de dizer a verdade.

Pode até existir outro vereador com a mesma lucidez de Fabrício para descobrir a verdade. Mas seguramente não terá a segunda qualidade anunciada por Brecht. É preciso ter - com o perdão da palavra - colhões para dizer a verdade. Essa coragem não falta ao ex-líder estudantil. Não é por acaso que ele foi (e continua sendo) representante de turma do Colégio La Salle...

Continue lendo, você não vai se arrepender, a não ser que não goste de rir. Essa belezura de escracho continua aqui.

Fabrício podia ficar sem essa.


Lula por um triz


Paulo Okamoto, que é pior ator do que aquele japonês de Belíssima, está a ponto de, em péssimo português de presidente do Sebrae de Lula, derrubar o Presidente. É péssimo, tanto que depende da Justiça de Nelson Jobim pra se proteger do fuzilamento. Paulo de Tarso Venceslau, militante do PT com rara inteligência, está sendo acareado com o japa, e sente-se ótimo no meio do ringue, trabalhando na linha de cintura do adversário. Se eu fosse você, ligava na CBN agora e acompanhava o episódio. Arrisco dizer que, feitas as perguntas certas, o amigo de Lula vai ajudar a derrubar o barbudo. Ou isso ou faz haraquiri em frente às câmeras.

Se a Lilian desse essa notícia...


Assessores do centro de dependência química da escola de medicina Saint George's, de Londres, publicaram no jornal de psicologia Psychosomatics o caso de um homem que tomou 40 mil doses de ecstasy ao longo de nove anos.

Enfim, capturaram o Tas.

Não o Marcelo, o Demônio.

Lilian Wite Fibe daria outro showzinho com uma notícia dessas.


domingo, abril 02, 2006

Mau humor


Arnaldo Branco criou o Capitão Presença, um super-herói, digamos, diferente. Agora o grande "Preza" ouviu o clamor das massas e lança sua candidatura a presidente. Ainda vai rolar muita risada.












sexta-feira, março 31, 2006

Nasce uma nova geração...




Retirante, nordestino, pobre, de fala simples, desenvolto, carismático, fotogênico e ovacionado por advogados paulistas na sede da OAB de São Paulo.

Com um bom hair-stylist, um bom alfaiate, um bom marqueteiro e um bom tesoureiro, Francenildo tem futuro.


quarta-feira, março 29, 2006

Telê a minha Copa de 82


Era junho, junho de 1982. Eu estava doente, internado na Santa Casa, num apartamento com vista para a rua 10 de Julho, toda em verde-amarelo, as bandeirinhas de poste a poste e os rojões espalhando o cheiro de pólvora pelo ar.

Copa da Espanha. Da cama, eu vi Júnior sambando, vi Falcão e Zico. Vi os três gols de um Paolo Rossi que nada igual fizera antes daquele dia, e que nada igual faria depois. Com o perdão dos mais velhos, faço parte de uma geração para a qual o time de 82 foi o melhor. Me desculpem os que sofreram com o gol de Gigia, em 50, numa tristeza meio osmótica, resultado do empilhamento de gente demais pra ver uma seleção apenas comum.

A de 82, não. Aquela seleção é grande parte da saudade que tenho da minha infância. Zico, Sócrates, Júnior... e Telê. Aquele senhor de rosto duro, costeletas grisalhas e cara de boa gente me marcou muito. Tinha o mesmo carisma dos jogadores e era tão lembrado quanto eles. Montou o Estado da Arte em forma de seleção e me fez feliz, muito feliz – até Paolo Rossi fazer aquilo. A minha tristeza, a tristeza de todos não era por causa do Maracanã lotado, era por causa da injustiça, um sentimento que deve ser familiar aos holandeses que viram Cruyff e a Laranja Mecânica em campo.

Telê, aquele senhor de trajes simples e topete esvoaçante, não demonstrou tristeza. Não lembro dessa cena, ao menos. Foi o primeiro a ser chamado de Professor, como hoje é chamado qualquer um por seus comandados semi-analfabetos, com suas frases decoradas.

Telê Santana é hoje sequer uma sombra do que foi. Sem parte da perna esquerda, sem parte da fala e da vida, está sedado, numa cama de Belo Horizonte. Numa cama, como eu estive naquele 1982. Deve morrer, ninguém sabe quando. Quando isso acontecer, um pedaço daquela geração vai junto, com a tristeza daquele 82. O Professor morrerá, sem ter ganhado a Copa do Mundo com a melhor seleção que eu vi.

O consolo será lembrar de Fernando Calazans, respondendo a essa provocação da vida: Azar da Copa do Mundo!


Estado do Amazonas, 30 de março de 2006.

terça-feira, março 28, 2006

Notas de segunda-feira, na terça


Abdur Rahman, um afegão de 40 anos, ia ser executado por converter-se ao Cristianismo. Uma lei muçulmana prevê a pena de morte pra quem renega o Islã. Rahman foi libertado, disse o ministro da Justiça do país, em resposta às pressões do Ocidente pela liberdade religiosa. Agora livre, o afegão tem toda a liberdade para cumprir os sacramentos da nova religião, como o batismo, sem os quais certamente ferverá no fogo do inferno pra todo o sempre.

Novo Ministro da Fazenda, Guido Mantega antecipou-se aos jornalistas e evitou especulações sobre aventuras na economia. Jurou, gaguejante, que nada mudará. Setores da Fiesp chiaram, e no lobby (opa!) do Fasano, ontem, o apelido já fazia sucesso: Guido Mantega Derretida.

O namoro de Rafael e Mariana, do Big Brother, já acabou. Rafael tenta reatar, Mariana não. Mariana está certa. Fazendo-se as contas, se celebridades que duram poucos anos têm casamentos que duram três meses, celebridades de 15 minutos não podem passar mais do que 2 minutos juntas.

Z.M.L., gaúcho de 30 anos, conseguiu anular o casamento com O.A.L., também de 30 anos, porque a moça não queria, digamos, consumar o casamento. A justiça gaúcha evitou a comunhão parcial de bens, ou seja, a moça não pôde usufruir dos bens que o casal acumulou ao longo de um ano de amizade contratual. É a formalidade da Lei, avisando que, em português claro, putinha que não trabalha também não recebe.

Uma dica para O.A.L.: um novo vibrador, de 400 dólares, promete o céu às suas proprietárias. Vem com software embutido, porta USB e se conecta ao Mac ou ao PC. Tem 10 programas pré-configurados e com duração de até 30 minutos. É compatível com todos os sistemas operacionais, exceto o Linux. É que os amantes do sistema acham uma heresia o uso do software para fins tão mundanos e pecaminosos. (via Pedro Doria).

Zacarias Moussaoui, o único envolvido nos ataques de 11/Set que foi preso, contou às autoridades que deveria pilotar um quinto avião, que seria lançado sobre a Casa Branca. Moussaoui não queria fazer parte da missão, mas mudou de idéia quando sonhou que conversava com Bin Laden, que lhe falara das 72 virgens que lhe esperavam no céu. É que Zacarias Moussaoui era o Z.M.L. da nota acima, e precisava de alguma diversão, depois de tanta amizade marital.

Como eu viveria sem a seção Boletim de Ocorrência do semanário Maskate?

O blog ConversaCruzada, uma espécie de fotolog das naveganças de Negão pelo interior do estado, lembra que Eduardo Braga utilizou-se dos quadros da máquina pública para contratar cabos eleitorais para as próximas eleições. Repito: Amazonino acusa Eduardo de usar a máquina pública para contratar cabos eleitorais. Pegou?

Entrevista num templo da Igreja Universal, na tevê, dia desses: "- E aí, qual foi o seu 'fundo de poço'? - Eu tava em muita depressão, usando tóchico, me prostituindo. Vivia me atirando na frente dos carros na rua..."

...Se o amazonense respeitasse mais a faixa de trânsito, minha bebedeira notívaga estaria livre dessas coisas na tevê...

"Otávio Mesquita, na madrugada de um pobre desprovido de tevê a cabo: Ninguém merece". Esse deveria ser o slogan do PFL.

Antônio Palocci foi demitido, para desepero de Lula. Leva consigo toda a aura de competência administrativa, uma economia estável, uma balança comercial equilibrada, contas públicas saneadas e todas as concordâncias nominais e verbais corretas do governo petista.

sábado, março 25, 2006

Eu estou com Ângela Guadagnin


Eu estou com Ângela Guadagnin. Não entendo essa celeuma toda por causa da comemoração esfuziante da deputada pela absolvição de um colega de partido. De que Dona Ângela poderia ser acusada? De cara-de-pau? De mal educada? De mensaleira? Não, Dona Ângela fez apenas o que Roberto Brant (e seus pares do PFL) e Professor Luizinho (e seus asseclas do PT) fizeram às escondidas, depois de, na tevê, terem feito pose de "não há o que comemorar, o desgaste pessoal foi muito grande..." Ora, minha gente, falemos a verdade: muitas coreografias diferentes devem ter sido dançadas em Brasília nas últimas semanas. Dona Ângela só o fez de frente pro povo, no começo da madrugada. Empolgou-se, claro, como quem assiste a um show musical. Dava até pra vê-la driblando cadeiras, como se vibrasse com a música mais esperada. Minha única ressalva à legitimíssima atitude de Dona Ângela eram aqueles passos ridículos de dança. O errado não era a tevê, era o canal - nunca gostei de balofas no SBT, dançando a dança do pintinho. Estou com Dona Ângela. Diferentemente dos homens do congresso, até nisso a mulher é mais autêntica e transparente, não esconde a alegria que luizinhos, brants e magnos precisam disfarçar. Viva a mulher, ora pois.

sexta-feira, março 24, 2006

De Tia Miriam a Debra LaFave


Foto: TerraNa minha quinta série do antigo Primeiro Grau, conheci a Professora Miriam. Moça nova, séria, com aquele terninho cor-de-jaca e um corte de cabelo medonho, meio Delis Ortiz. Eu sentava no fundo da sala, bem ao centro. Não era desordeiro nem malfazejo, apesar disso. Já descobria certos efeitos da farta produção de hormônios da idade, em casa. Um dia Tia Miriam cruzou as pernas pela primeira vez, e meu mundo mudou. Usava meias, hoje sei, que contornavam duas das coisas mais lindas que até então eu havia visto. As meias tinham um brilho discreto, e pareciam dar àquelas duas torres gêmeas um bronzeado natural. Não brilhavam muito, apenas o suficiente para parecer uma penugem delicada, divinamente atingida pelos raios do sol das três da tarde, que parecia descer pra focalizar aquilo. Dois dias depois eu continuava no centro da sala, mas agora três carteiras à frente, ansioso por aquele terno, que parecia mais cor-de-cocô, é verdade, aquele penteado meio outra Miriam, a Miriam Leitão e, acima de tudo, aquelas pernas brilhosas, lisinhas, ensolaradas. Me viciei na Tia Miriam, estudei como nunca, querendo um sorriso dela, uma premiação ao aluno mais aplicado da turma. Certo dia cheguei antes de todos, e tive que aguentar horas, longas horas duma aula péssima, de outra tia, que usava calças - que não pareciam esconder grande coisa, felizmente. Recreio. Risoles, refrigerante Crush? Nada, eu queria ver as pernas da Tia Miriam. Voltei do pátio, anti-social como nunca, e aguardei o espetáculo começar.

Mas Tia Miriam não viria. Eu não sabia, como não sabia que aquilo era um par de meias, que ela se mudara da cidade. Cheguei a chorar, em casa. Não era saudade, tristeza ou qualquer coisa parecida. Assim como eu não sabia das meias, não sabia que era tesão. Tia Miriam, em sua casa, provavelmente sem aquelas meias, não sabia que criara um homem.

Agora me aparece essa Debra LaFave, professora de 22 anos anos, acusada de ter seduzido um afortunado aluno de 14. Hoje foi absolvida, vai cumprir uma peninha boba. Olho para ela e lembro da Tia Miriam. Os pais do rapaz - a mãe, pelo menos - devem ter ódio dela. Eu só consigo pensar que o americaninho foi muito, muito feliz. Tia Miriam nunca olhou assim pra mim.

quarta-feira, março 22, 2006

Mas onde é que vamos parar?!



O sorriso dO Malfazejo, com a notícia de sua escalação

Pouca gente, muito pouca gente sabe, mas virei colunista do Estado do Amazonas. Começo a escrever nesta quinta-feira, dia 23. Este blog não parará, decerto, mas vai ter uma versão de papel. Aguardo vocês por lá. Se não me engano, escreverei todos os dias, de terça a sábado - ou seja, não em todos os dias.

Agora é pensar nos charutos, nos vinhos, e entrar para o clube de Mainardi, Veríssimo, Vasques, Doria e Ubaldo. E Robério, que nada é perfeito.

Aguardo vocês por lá também, com sugestões de assuntos.

Um abraço a todos.


terça-feira, março 21, 2006

Política, essa arte incompreendida



Braz Silva no Correio / Foto: Ismael Benigno

Sou leitor voraz de jornais, mas neles não procuro mais as notícias, tão mais ágeis no computador. Folheio O Estado, A Crítica, o Correio, o Diário, o Em Tempo e o Maskate, saltando sobre notícias que li ontem - às vezes até anteontem. São as colunas que me interessam.

Hoje, entre Carlos Chagas, Arnaldo Jabor, Mangabeira Unger e Alexandre Garcia, encontrei a foto de Braz Silva, ilustrando sua coluna, e me assustei. Me assustei porque, apesar de não conhecer pessoalmente o mais feroz opositor de Serafim, sempre tive certa admiração pelo comunicador, que parecia ser mais afável, elegante e sedutor. E que qualidade rara essa, especialmente à nossa atual geração de políticos: a capacidade de seduzir. Confesso, Braz Silva já teve minha simpatia, exatamente pelo jeitão afável, firme mas agradável. É claro, não o conheço pessoalmente, posso estar errado. Mas, como leitor, me vi de frente para o pôster de O Iluminado, filme de terror psicológico estrelado por Jack Nickolson e dirigido por Stanley Kubrik, numa adaptação raramente boa de um romance de Stephen King.

Braz Silva, assim como alguns de seus alvos, faz parte de uma época politicamente triste, aqui e no resto do país. Ataca Marcelo Serafim, filho do prefeito, como quem escreve pra não ir às vias de fato, num texto agressivo, intolerante e simplório. Não, não é assim. Política é, essencialmente, convencimento, persuasão, a arte de "dobrar" o outro. Braz, eu sei que você pode ir além disso.


Oscar Schindler convence Amom Goeth, bêbado, de que humilhação, mesmo, é tratar bem o inimigo. Fazendo isso, Schindler salvou centenas de judeus...

Temos tudo, tenho convicção disso, para conviver com a discordância. Homens e mulheres inteligentes, capazes de fazer política elegante, firme e bela. Sem discordância não se vive, a discordância é o sal da política. Mas é imperativo, em se tratando da Política (essa, com pêsão mesmo), que discordemos em paz. Arrombar portas a machadadas só atrai espectadores quando se trata de cinema, e, ainda assim, atrai apenas àqueles que gostam de um bom terrorzinho na tela. Nos jornais, em colunas, não. Ninguém mais ouve Heloísa Helena, há um botãozinho mental na opinião pública, um dijuntor que desarma, e ninguém mais ouve a senadora a partir do bordão "os delinqüentes de luxo do poder". É dizer isso, e já era, trocamos de canal.

Sou leitor, somos leitores. Não queremos mais isso. Ninguém se faz ouvir aos berros, senhores. E que falta faz um bom tapinha nas costas do adversário. Lhes garanto, ilustres representantes meus. Um cafezinho tem poderes milagrosos.

segunda-feira, março 20, 2006

Logan (on the rocks, please) não sabia de nada



O presidente Logan conta aos
americanos que foi traído

Charles Logan, o presidente americano da série 24 Horas, está no olho do furacão durante o quinto pior dia da vida de Jack Bauer. Jack, o agente anti-terror mais sangue-frio da América, não estava morto, como toda a cúpula do governo imaginava. Mais: agora já está diretamente envolvido com a salvação da pátria, arrebentando 4 bandidos por minuto e fuzilando dois ou três por bloco. Terroristas de uma nação separatista da antiga URSS mantêm vários reféns no aeroporto, e estão executando um a cada 15 minutos.

Cercado por assessores experientes, Logan se vê quase sempre em sinucas de bico, tendo que decidir se o país é arrasado por mísseis balísticos ou por ataques de varíola. Não raro nem à toa, mostra, com suas expressões faciais, que danou-se. Agora Logan (uísque bom) descobriu, por Bill Buckanan (uísque médio) e Mike, seu assessor mais próximo - e provavelmente irmão mais novo e mais magro de Dick Chenney -, que Jack Bauer está vivo. Sua reação é querer saber por que ele ainda não fora avisado disso. Logan leva as mãos ao peito, como sentindo dores fortes, vai às lágrimas, e diz ter sido apunhalado pelas costas.

Charles Logan quase nunca sabe nada do que seus auxiliares fazem.

Notas de segunda-feira


Tekle Zigetta, de 45 anos, foi preso na Califórnia com notas falsas de dólar. O curioso era o valor de cada nota: U$ 1 bilhão. As notas tinham data de emissão de 1934 e traziam o rosto do presidente americano Grover Cleveland, que governou durante o século 19. NBC e CBS já negociam os direitos sobre a história, e pensam em lançar séries de mistério, sugerindo que na verdade Tekle se chama Manoel de Alentejo, e que teria vindo do futuro, depois de sobreviver à queda de seu avião, um boeing da TAP.

O cantor Isaac Hayes vai parar de fazer a voz de um personagem em South Park por causa de objeções às sátiras religiosas do seriado. Hayes, que fazia a voz do Chef, disse que estava saindo por causa da "ridicularização inapropriada" da religião. O co-criador da série, Matt Stone, disse que Hayes "nunca teve problemas" até que o seriado tratou da Cientologia, movimento científico-religioso que o cantor segue. O que nos leva à próxima nota...

... a substância que deixa a pimenta ardida também pode levar células de câncer de próstata ao suicídio, segundo uma pesquisa de cientistas do Cedars-Sinai Medical Center, nos Estados Unidos. Testes mostraram que essa substância, chamada capsaicina, fez com que 80% das células de câncer de próstata iniciassem o processo que as leva à morte.

O ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, o "Delúbio deles", entrou com ação de indenização por danos morais contra a Escola Superior de Administração Fazendária (Esaf). Ele acusa a escola de formular questão numa prova de concurso público, mencionando o nome "Delúbio" como autor do crime contra a administração pública. A defesa pede indenização por danos morais no valor de R$ 200 mil. Com o dinheiro, Delúbio pretende fazer aulas de fonoaudiologia e lobby, junto a congressistas, para que a expressão "crimes contra a administração pública" se torne "ingerências acidentais não contabilizadas junto à administração pública".

Como todos sabemos, recursos não contabilizados são uma prática antiga nesse país. A equipe de Lula estuda, inclusive, fazer uma campanha publicitária que mostre que nos países mais ricos isto também ocorre, e que o Brasil pode sim, brigar de igual pra igual com qualquer país do mundo. Tony Blair, do Partido Trabalhista inglês (eu disse inglês), admitiu que recebeu "recursos não contabilizados" também. No governo Bush se faz isso, ora.

Pressionado pelo aumento nos preços do combustível em Honduras, Victor Menchaca começou a fabricar biodiesel a partir do óleo usado na fritura das batatas dos restaurantes McDonald's e Kentuckuy, combinando-o com álcool etílico. O velho caminhão de Victor, antes um vigoroso caminhão-cisterna que distribuía água à comunidade local, agora anda com vários pneuzinhos a mais, só quer saber de ver tevê e não consegue mais subir sequer uma ladeirinha boba.

Homem-aranha é condenado à prisão - Um britânico foi condenado a 21 dias de prisão por ter se fantasiado de "homem-aranha" e escalado uma tela de TV gigante. Ele escolheu o distrito financeiro de Hong Kong para protestar contra o ataque a ativistas pró-democracia em Pequim em 1989, conhecido como o Massacre da Praça da Paz Celestial. Na Sala de Justiça corre solta a discussão, mas ninguém pretende fazer nada pra ajudar o colega. Super-heróis são uma raça muito invejosa.

O extrato bancário de Francenildo Costa, O Caseiro Infiel, foi emitido quando ele estava no prédio da PF, se inscrevendo no programa de proteção à testemunha brasileiro. Entregou CPF e identidade aos agentes. Quando perguntado se possuía conta em banco, disse que sim. Então os agentes levaram seu cartão, para tirar cópias. Depois de alguma demora, os agentes voltaram. Nildo, cidadão humilde, trabalhador e brasileiro comum, esqueceu-se da recomendação dos bancos: "não aceite a ajuda de estranhos" - "especialmente se eles trabalham para seus adversários", diria eu.

O Bradesco comprou nada menos que a American Express brasileira. Mais uma prova do ódio que Lula sempre sentiu pelos banqueiros e por "tudo isso que está aí".

Uma chinesa que queria vingar-se do marido, que pediu o divórcio, explodiu o edifício em que ele morava, matando o cônjuge e outras oito pessoas, informou a polícia. Se a moda pegar em Manaus, teremos ao menos manchetes melhores do que "delegado da PF é esfaqueado por deputado traído", convenhamos.

Trecho de crônica de Tutty Vasques: "Mandar o ministro para o paredão por causa de umas camisinhas e invólucros de Viagra encontrados pelos cantos, pelamordedeus, isso é pinto perto do que o caseiro do Arthur Virgílio já viu nessa vida. Na minha modesta opinião, o caso Palocci pode dar, se tanto, demissão em casa. Dona Margareth Rose tem bons motivos para mandar o marido lamber sabão sem se dar ao trabalho de apurar onde exatamente o ministro andou passando aquela sua língua presa nas festinhas do Lago Sul". Arthur Virgílio, o nosso Arthur, com certeza vai à tribuna prometer meter a porrada no colunista. Vamos ver, vamos ver.

sábado, março 18, 2006

Mentiras sinceras não me interessam


Como assim, não interessa aos eleitores a vida pessoal dos políticos? É claro que interessa. Quem entra na carreira pública é, automaticamente, público. Quero saber, sim, se Palocci comia alguém na mansão da República de Ribeirão. Quero saber, sim, se Lula parou mesmo de beber ou não. Quero saber, sim, se Tasso Jereissati mandou mesmo Pauderney Avelino "se foder" (sic) – e, mais importante, se o pefelista foi. Que hipocrisia coletiva é essa, que transforma pequenos Lurians em TNT durante as eleições, e em assunto sacramente particular depois delas?

Época de eleição é assim, sempre foi assim: puladas de cerca, décadas antes, derrubam uma candidatura. Cigarrinhos de maconha, ainda que não tragados, podem estragar uma carreira política. Charutos podem neutralizar uma biografia, como bem sabe Bill Clinton. Alcoolismo no passado, senhor Bush, dinheirinho sem origem guardado em cofre, Dona Roseana, boleto atrasado de IPTU, seu Amazonino, tartaruga pirata, seu Marcelo, lavagem de dinheiro via loterias, seu Garcia, são sim, interesse meu. Até seu pai e os depósitos dele na sua conta, humilde Nildo, agora são interesse meu. Passaram a ser, desde que você entrou para a vida pública. Aguente, ou então volte à sua vida de caseiro e voyeur da estripulia alheia.

Que história é essa, de que a vida dos homens públicos é coisa privada? Nada disso. Por mim político não tinha sigilo bancário, telefônico nem fiscal, nunca. Elegeu-se? Abra-se a vida do sujeito. Por mim casa de político devia ter circuito fechado de câmera, com um canal exclusivo na tevê aberta, pro povo dar uma espiadinha. Gabinete de político devia ser monitorado. Carro de político devia ser monitorado. A fidelidade conjugal, acompanhada. Todos queremos saber, na hora do palanque, se o candidato tem filho bastardo, não queremos? Então por que esse desinteresse, quando o homem já está lá, sentado no nosso dinheiro?

Quer privacidade, homem público?

Renuncie, deixe essa vida.

Quer defender a privacidade de seus homens públicos, estimado eleitor?

Rasgue seu título, deixe essa vida.

sexta-feira, março 17, 2006

Happy hour


Pois veja como são as coisas. Por ordem direta de Lula, o PT pediu a liminar que calava a boca do Francenildo. Agora, por ordem de não-se-sabe-quem, foi quebrado, ilegalmente o sigilo bancário do caseiro. A revista Época teve acesso aos dados, e descobriu que o rapaz recebera 38 mil reais, desde o início do ano, de um empresário do ramo de transportes no Piauí. Por quê? Diz Francenildo que é filho bastardo do depositante de seu dinheirinho, e que o pai, por motivos óbvios, mantinha secretas as transferências.

Fica a pergunta do Noblat:

Quem é esse não-se-sabe-quem, que ordenou a quebra ilegal do sigilo do rapaz?

Não falam, os que querem e os que não querem


Foto: Gazeta do PovoEra de se esperar, dada a paixão seletiva que o STF tem pela Constituição, que o Poder Judiciário fizesse algo mais, também, pela restauração da ordem ética de Brasília. Francenildo dos Santos, daquele tipo de gente que a imprensa brasileira ama chamar de "um brasileiro comum", foi impedido de continuar falando a verdade, em depoimento à CPI dos Bingos. Um ministro do STF concedeu liminar ao PT, suspendendo a sessão que levava, ao ritmo de uns 2km por resposta, Palocci ao chão.

O que incomoda não é ver a Lei sendo cumprida, ainda que juízos subjetivos sejam necessários, sempre, nessas circunstâncias. Diferentemente da neo-velha direita nacional, feita de garotos estudados, progressistas e liberais (direita?), não defendo coronéis Ubiratans por chacinas contra presidiários nem condeno a presença de comissões de direitos humanos nos presídios, resguardando a integridade de assassinos e traficantes.

Mas ver aquela gente, fazendo a Lei, é o que incomoda. Ver aquela gente, que muito frequentemente advoga em causa própria, julgando os próprios colegas de traquinagem, é triste. Há instâncias superiores a isso, como o STF, que deveriam impedir que essa ordem ética fosse burlada. Nada de choque de poderes, isso é balela. Bastava que essas instâncias estivessem mais empenhadas em cumprir a Lei, que, a despeito do que muitos de nós pensamos, não é tão respeitada assim pelo Legislativo.

O uso do caixa dois, por exemplo, é crime. Invalida mandatos políticos, ponto. O recebimento de dinheiro proveniente de origens fraudulentas é crime. E crimes comprovados com recibos, extratos e faturas, não precisam de nada mais para serem punidos. No entanto, o que se vê são julgamentos políticos, que priorizam o juízo de valor da opinião, como se de empirismo e falta de leis sofresse esse país, de leis mil. Contra tudo e todos, leis, opinião pública e confissões dos culpados, a Câmara absolve seus membros, simplesmente porque acha que isso é o certo.

E assim fica!

Francenildo dos Santos, que "confirma até morrer" que viu e conversou com "O Chefe" várias vezes na mansão de Brasília, foi impedido de falar. O ministro Peloso, do STF, argumentou que o constrangimento pessoal de Palocci nada tinha a ver com investigações sobre bingos e outros jogos de azar. Ora, mas se subjetivo é o julgamento, que subjetivo continue. A CPI dos bingos há tempos não investiga especificamente as casas de jogos, o Brasil inteiro sabe. Muito provavelmente pouca coisa investigada tenha a ver com bingo, mas e se tiver?

A honra e a estabilidade de Palocci, de uns tempos pra cá os ativos imobilizados mais valiosos de nossa república, não chegaram a ser arranhados - pelo menos mais do que já andavam. Francenildo não julgou ninguém, apenas disse o que aconteceu. E o que garante, ao ministro e a Tião Viana (PT-AC), que as reuniões da mansão nada tinham a ver com bingos, uma vez que o caseiro foi calado, à força?

A solidez das instituições democráticas brasileiras, pra mim, é pura balela. Acredito na solidez das instituições de mercado, financeiras. Essas nunca vão se abalar e, nesse ínterim, nada derruba nossa democracia. Ou seja, não se mexendo com o mercado financeiro, vamos aproveitar. Ou o que se tem a dizer sobre democracia sólida, quando generais furam fila em avião, soldados e tanques se misturam a civis nos morros e um "brasileiro comum" é impedido de contar o que viu?

Nossos três poderes gostam de pensar que andar na beira desse abismo da estabilidade é mais seguro do que parece. Nos incitam, com liminares, habeas-corpus preventivos e escutas telefônicas clandestinas, a quebrar o decoro civil e parar o país, numa greve geral de cidadania, como se a sociedade mandasse parar toda a máquina brasileira, de empresas, bancos, lojas, escolas e imprensa, e dissesse a essa gente, amante da Lei quando lhe convém, que se ladrões confessos são inocentes, também queremos nossa parte desse bolo. Que daqui em diante, ou restauramos a ordem ou nos locupletamos todos. Justiça seria isso, STF.

Bom, voltemos às nossas tartarugas.

quinta-feira, março 16, 2006

quarta-feira, março 15, 2006

Juntos chegaremos lá!


Ouvindo a rádio CBN, agora há pouco, voltei 17 anos no tempo. Numa inserção do PFL (é isso?) ouvi Guilherme Afif Domingos dizer que está voltando. Achei que estava ouvindo a coluna "Jingles Inesquecíveis", do Lula Vieira - aquele publicitário que tirou 0,5 ponto da Mangueira porque a escola estava verde-e-rosa demais esse ano -, porque o cara veio com aquele bordão inesquecível dos meus 15 anos: "Juntos chegaremos lá!", fazendo um jogo de punhos fechados e apontando para aquela juventude cara-pintada, tão alienada quanto a de hoje.

Finalmente fiquei com medo dessas eleições. Será que Afif vai voltar? Ele disse que vai, porque os jovens - sempre eles - estão indo embora do país para tentar a vida lá fora.

Em 1989 eu votei nele. Ainda não sei as consequências desse meu voto para os rumos que o país tomou àquela época. Só sei que em Collor não foi, ainda por motivo também ignorado. O mais importante, porém, é a lembrança de que, naquele pleito, que dava direito à população de rir com Ronaldo Cayado montado num cavalo branco, de Brizola falando como sequelado de um derrame cerebral e de Lula, ainda barbudinho e despreparado, é que não votei em Lula.

Estou com medo. Dadas as opções (Garotinho/Rigotto, Alckmin, Lula e outras belezas raras), votaria novamente no Afif. Não inspira muita confiança (aliás, nenhuma) mas aquele bordão é muito legal, fala a verdade! E patife por patife, é tentador escolher o patife com o melhor bordão.

Ladies, start your engines!



Narcisa tira fotinho para seu blog

Narcisa Tamborindeguy, a socialite mais festeira do país, u-hú, já pode estar preparando sua tchurminha de rostos bonitos e politizados para a próxima eleição. Mas ainda não. Por enquanto há coisas mais importantes, como o Carnaboi, o Bloco das Piranhas e as cervejotas na casa de algum colunável, dentre os milhares de rostos lindos que povoam o blog da moça. Só vendo.


terça-feira, março 14, 2006

Você sabe como é feito o foi-gras?


Acordei hoje com uma frase na cabeça:

"O Governo planejou, trabalhou, e a moradia melhorou!"

Alguém aí, por favor, dê um basta nessa farra com o meu dinheiro!


segunda-feira, março 13, 2006

O Rei está nu. E daí?


"Se essa palhaçada fosse na Cinelândia
Ia juntar muita gente pra pegar na saída"

Da música luis inácio (300 picaretas) - Paralamas do Sucesso

Dois bundões, bem ao estilo John Kerry, se bicam pra desafiar Lula. Ou seja, Lula está reeleito, como Bush foi. Duro mesmo é saber que, com um microfone na mão e dada a qualidade da platéia, Lula é imbatível. Herbert Viana, que ainda tinha 100% da massa encefálica intacta à época da composição, cantava que "Luís Inácio falou, Luís Inácio avisou". O homem é um fenômeno, engana o povão e os pensantes, os Silvas e os Buarques de Holanda, os Oliveiras e os Vianas. Simplesmente porque o Brasil não se livra da síndrome de mendigo, da baixa auto-estima, disfarçada com uns golzinhos de quatro em quatro anos. Engana pobres e ricos, brancos e pretos, motoboys e empresários, que nada têm em comum, senão a ingenuidade hipócrita, daqueles que se deixam levar por quem lhes fala do que sentem diariamente, com os mesmos erros de português e com a mesma simplicidade tacanha. Lula ilude os mais pobres, pois fala como eles. Ilude os mais ricos, pois estes precisam sentir-se menos injustos ao ganhar seu dinheiro. Lula é a nova política brasileira: um picareta a mais, mas um picareta que é a nossa cara.

Responda rápido, você, admirador de JK: O que faz você pensar que algo melhorou com a construção daquele clube de campo que é Brasília, erguido com o seu dinheiro, e feito não para outro fim senão o de possibilitar que 513 filhos da puta lhe roubassem diariamente, a uma distância suficientemente segura de qualquer sinal de gente?



Por que se ufanar?


Que a MPB é - ou anda - uma porcaria, eu já sabia. Mas como tudo, absolutamente tudo, nunca é tão ruim que não possa ser piorado, existe música amazonense. Particularmente, odeio tucumã e tapioca com queijo coalho, especialmente se são temas de músicas premiadas em festivais xexelentos, com músicos xexelentos, público xexelento, músicas xexelentas, realizados em alguma cidadezinha xexelenta, como Manaus, Itacoatiara, Maués ou Parintins. Nicolas Jr., um compositor (sim, senhor!) desses xexelentos, é pródigo em letrinhas xexelentas, interpretações xexelentas e divulgação de redes de comunicação xexelentas - como a Rede Amazônica. Mas isso, isso aqui, é demais. Nicolas Jr. nos brinda com duas de suas mais inspiradas letras. Aprecie com moderação.

Geyzislane

eu lembro aquela manhã linda de domingo
você na laje tomando banho de mangueira
nos se olhemo e logo se apaixonemo
e nos juremo que ia ser pra vida inteira
domingo a tarde eu calçava meu all star
minha calça social e a camisa de tergal
você de shortinho de lycra laranjado
e uma blusa sensual com a foto do magal

e na cabeça uma fita verde e branca
que nos ganhemo de lembrança da amazoNHA celular
e na cintura uma carteira de derby
um corote na pochete e saia a passear

primeiramente o balneário da dengosa
sem seguida ponta negra e depois praça do db!
a noite ia pros boteco, tomar cerpa e jogar bilhar
passava a noite nos brega lá da grande circularrrr

[refrão]
oh geyzislane, geizyslane meu amor
pq vc pegou aquele barco
não deixou nenhum recado e se mandou pro interior
oh geyzislane, mande uma carta por favor
aproveita e manda uma fardo de farinha
e a cassete da calypso que você me emprestou

impressionava o seu cabelo bicolor
ao som de fernando mendes a gente acasalava
sonhava em ter um fusca totalmente incrementado
atrás escrito 'turbo' e um terço no retrovisor

e o cordão grosso de prata que te dei de aniversário
ela esqueceu la na gaveta do armário
ficou ainda um turiri do carnaboi
um autógrafo do nunes e um pinguim de geladeira
a camisa do rio negro e o poster do arlindo
e a foto que ela tirou com um ex-vereador

[refrão]

A VIAGEM

Um certo dia fui fazer uma viagem
Lá pras bandas do sudeste
Conhecer nova paisagem
Pedi dormida na casa dum primo meu
Que eu não via há muito tempo
E ele então me acolheu
Já foi dizendo corte logo esse cabelo
Que tu veio lá do mato
Deve ter malária ou dengue
Escondida aí nesse pelo
Ou então uma sucuri
Enrolada aí pelo meio

Aqui tem carro e metrô pra todo lado
Por isso não vá pra rua
Pra não ser atropelado
Me apresentou uma mulher meio fechada
Disse que era sua esposa e de família abastada
Já foi falando a casa tem oito quartos
Duas salas de estar
E um tal de home teatro
Essa cozinha é bem maior que o seu barraco
E isso aqui é uma geladeira, um produto muito caro
E pegou a perguntar
Como estavam os canibais
Se ainda tinha muita onça andando pela cidade
Perguntou se eu tinha vindo de canoa ou de cipó
Se eu trazia alguma flecha pra mostrar pra sociedade

Chamou e disse
Essa aqui é minha piscina
Tem 40 de largura por 70 de lonjura
É a maior da redondeza
Tem mais 8 de fundura
Ela é grande ou não é?
Olhe meu primo
Realmente ela é pequena
A piscina lá de casa
É que é demais já muito grande
Fica até dificultoso pros menino tuma banho
A bicha mede 3 km de largura
Ela nasce no Peru e vai bater no Oceano

Mas veja primo o progresso aqui é grande
A ciência é avançada coisa de 1º mundo
Um dia desses comecei a passar mal
Fui bater no hospital com a morte já no prumo
Eles tiraram meu coração cansado
Colocaram um de plástico, fiquei mais fortificado
Depois pegaram o coração defeituoso
Trocaram umas veias velhas, hoje bate noutro moço

Olhe meu primo isso num me causa espanto
Eu tava ralando mandioca cê sabe
Um trabalho e tanto
E o meu dedo entrou no triturador
O bicho esfarelou e misturou-se com a massa
E o doutor então pegou aquela massa
Moldou o dedo de novo
Olhe só como ficou

Mas essa terra é o centro do Brasil
Coisas que tu nunca viu
E nunca verá por lá
E desafio qualquer um a perguntar
Se não tiver por aqui
Não tem em nenhum lugar
Na sua terra tem pupunha ?
- Não senhor.
Tem umas tapioquinha com uns bejuzinho do lado?
Umas mandioquinha cuzida,com manteiga derretida
Um tambaquizão assado com limão e um pirãozinho tem?
-Não senhor
Umas morena bem corada
Da cara arredondada
Uns muntueiro de perna
E a bundona arrebitada tem?
-Não senhor

Tem Pereira, tem Cileno
Torrinho, Chico da Silva
Tem semáforo no shoppinhg
O pedestre anda nas ruas
Os busão bem geladinhos tem?
Tem um certo Amazonino que governa há vinte anos
E vai governar mais trinta se bobearem pro mano,tem?
-Não senhor
Por aqui tem boi bumbá
Umas canoas atravessando
Paga pra estacionar
Ultrapassa pela direita
Mesmo com os guarda olhando tem?
-Não senhor
Eu quero ir pra lá
Então meu primo
Venda toda essa tranqueira
Aproveite e dê de brinde
Sua mulher e a geladeira
Pois lá num tem serventia
Tudo é feito na hora
Não se guarda pra outro dia
E a comida é de primeira
Já as mulheres tem um sabor diferente
Tomam sol todos os dias
São coradas que nem jambo
São belas por natureza
E fervem mais que café quente
E vou dizer mais uma coisa
Isso muito me convém
Eu não troco essa Amazônia
Por sudeste de ninguém


sexta-feira, março 10, 2006

O mau-gosto, o mau-gosto!


Foto: APSabe a Kate Moss, aquela modelo que, em vez te vomitar, cheira?

Pois é, o nariz cansou.

Agora o negócio é picada.

quinta-feira, março 09, 2006

Regozijamo-nos com Vossa Presença, Afro-Descendentão!!!


15 dias de viagem, 16 cidades visitadas. Fico impressionado com o espírito carinhoso, de união e de sincronia com que as comunidades do interior do Amazonas recebem seus políticos mais amados. Fico feliz, inclusive, em ver que o português da minha gente tem melhorado significativamente. O bom gosto na escolha das cores das faixas, no material, na fonte usada. Meu povo realmente tem seu valor. Percebi que, dos municípios do interior, pelo menos esses 16 já se entendem perfeitamente no quesito "faixas de carinho". Que beleza. Descobri isso no blog ConversaCruzada, que começou bem, meses atrás, quando não recebia - ainda não era hora - ordens superiores, como ele mesmo afirma ("sou soldado, cumpro ordens"). Paciência. Mas há certo bom gosto e leveza no endereço, há de se admitir, o que me fez excluir da lista de candidatos a autor do blog figuras como Narcisa U-hú Tamborindegui e Bruno Sabbá.

Só recomendo ao ilustre autor do blog a reformulação dos dizeres "NADA ROUBA O CARINHO DO POVO". Sabe como é, dá margem para piadas maldosas sobre outras coisas do povo, estas sim, roubadas há tantos anos.







hum...

Antes / Depois



Semana passada: Vídeo mostra assessor de Bush alertando-o para as consequências "catastróficas" do furacão Katrina, um dia antes do atentado.


Ontem: Bush ajuda na reconstrução da cidade.


quarta-feira, março 08, 2006

Até o pornô deles é melhor


Antônio Snake é paraense. Produz filmes pornôs paraenses. Sua temática é o Pará. Tudo nos filmes de Antônio Snake é paraense. Suas atrizes, todas paraenses (“faço questão disso”), despertam a curiosidade dos pornô-cinéfilos paraenses. Antônio Snake tem um slogan: “Uma delas pode ser a sua vizinha”. Rejeita a fórmula importada, de fora do Pará, de loiras bonitas e quartos de motel medianos. Nada de Los Angeles, seus filmes exaltam o Ver-O-Peso. Para Antônio Snake, a atriz pornô paraense é melhor.

Agora, aprendo eu, inclusive o pornô paraense é o melhor.

Via NoMínimo.

segunda-feira, março 06, 2006

City of Disturbing Lights


Uma imagem do show do U2 em São Paulo, transmitido pela Globo, e um post no blog do site NoMínimo, me fizeram pensar na mudança que este mundo experimenta, tecnologicamente falando. Pedro Doria conta que, passeando por Tóquio, viu um homem engravatado falado ao telefone com o aparelho na frente do rosto, e não encostado no ouvido. De repente, conta Pedro, o homem, sorrindo, aproxima os lábios do aparelho e beija a tela. Estava conversando por vídeo com a namorada, e provavelmente trocou aquele beijo por telefone.

É bobo comparar o uso que um executivo faz de seu celular em Tóquio com o que os adolescentes brasileiros fazem num show de rock. Não sou velho a ponto de ter assistido – ao vivo – apresentações dos Rolling Stones ou de qualquer outro dinossauro musical da década de 60, quando os milhares de luzes acesos durante os festivais, nas platéias, eram de isqueiros e cigarros de maconha. Hoje, não. Chegou, em certos momentos, a ser incômodo ver Bono chegando próximo à multidão e se deparando não com meninas histéricas, a ponto de subir ao palco e agarrá-lo. Não, elas não queriam isso. Claro, se quisessem, não poderiam, mas não queriam - essa é a verdade. Parecia que aquele Waldick Soriano irlandês queria ser abraçado, mas a multidão preferia fazer fotos, com seus celulares, a centímetros de distância do astro.

Os filmes de ficção não captam essas ‘nuances humanas’ no comportamento das sociedades futuristas de suas histórias. Com exceções (sempre raras, óbvio), atêm-se a retratar os usos produtivos da tecnologia, com ligações telefônicas que podem evitar uma catástrofe ou com imagens de satélite que podem mudar os rumos do mundo. Não, a tecnologia já está aí, moderna, cheia de funções e de usos, mas as necessidades ainda não a alcançaram. Podemos saber, via Internet, se há engarrafamentos ou pistas bloqueadas na viagem ao litoral, mas preferimos saber, antes de mais nada, outras coisas.

Bono Vox, The Edge, Larry Mullen e Adam ClaytonAs luzes dos telefones no Morumbi eram impressionantes. Parecia que a multidão, em vez de obedecer e imitar os trejeitos de seu astro (como era antigamente, dez anos atrás), queria hipnotizá-lo com seus aparelhinhos apontados para o palco, como querendo segurar e domar a banda, fazendo o contrário do que o senso comum sempre disse sobre o rock, as massas e coisa e tal. Bono Vox e seus colegas (capturados nesta foto, no palco), com aquelas imagens de Direitos Humanos, com aquelas canções sobre brigas de família e mortes absurdas num distante domingo sangrento, não colavam. Estavam, sim, resistindo à hipnose que o público parecia querer lhe infligir. No fim, no que pareceu um final feliz, as luzezinhas apagaram, e o jeito antigo de fazer um show de rock pareceu fazer falta. Mas aquelas imagens marcaram. Ora deixavam claro que estamos a caminho das sociedades individuais, onde cada um terá seu equipamento de sobrevivência (iPods, celulares e palmtops), ora mostravam que a tecnologia não muda necessidades ou desejos, só os torna mais instantâneos e fúteis.

Bono Vox podia ter se atirado ao público, num mergulho digno de Jim Morrison - ou Eddie Vedder, vá lá. Se tivesse tentado, estaria hospitalizado hoje. A multidão mais próxima ao palco, que pra isso deve ter passado fome, frio e calor nas filas, não queria viver o momento, queria registrá-lo. Iria abrir-se num vão, todos de telefone em punho, e veria o roqueiro se espatifando no chão, sob as lentes de todos os orkuteiros do país.

No dia seguinte, alguém até poderia exibir fotos suas socorrendo o astro, mas não teria o sucesso de todos os outros, mostrando, sob todos os ângulos e com as mais variadas taxas de resolução que a tecnologia pode comprar, o músico se estabacando aos pés da massa.

Mas, felizmente, nada disso aconteceu. Bono Vox e companhia encerraram os dois shows bem, e agradaram a todos. Depois de São Paulo, veio a Bahia... Mas isso é outra conversa...

quinta-feira, março 02, 2006

Cinemas Amazonas




Próxima atração.

Quinta-feira, com gosto de segunda


Mário Prata, João Ubaldo Ribeiro e Mathew Shirts são recorrentes. Sofrem de falta de assunto. Igual ao Jabor, que não se envergonha de falar sempre das mesmas coisas, das utopias da geração de 68, da feiúra das mulheres saradas e da santa burrice de Bush. Prata já sentou e escreveu sobre uma vizinha sua que, desavisada, trocava de roupa em frente a seu apartamento. Já escreveu também sobre a saudade que tem de escrever em máquina de escrever, da forma que outros puristas preferem as máquinas a filme fotográfico, os discos de vinil, brincadeiras de massinha e a Vila Sésamo. Pura falta do que dizer. Shirts já publicou duas laudas sobre as peculiaridades da cozinha americana (sua terra natal) e sobre o sanduíche de pasta de amendoim. São pagos, óbvio, para produzir, e assim fazem. Ubaldo bate um papo com os leitores, e sua risada sai do papel, distraindo o leitor e até agradando, com seu cinismo meio infantil, meio bêbado. Jabor faz colagens, tenho certeza. Dá mais certo do que as letras do Engenheiros do Havaí, claro, mas é a mesma coisa, basicamente. Reciclar antigas rimas, fazer outras, novas e absurdas, e cantar.

Admitamos: do que falar? De selvagens ateando fogo a bandeiras dinamarquesas? De americanas gordas encontrando a imagem da Virgem Maria numa batatinha frita? De Lula arrebentando nas pesquisas? De Braga e Amazonino enganando meu povinho com mais uma briguinha de palco? De uma minissérie horrível chamada JK? Dos livros que andei lendo? Do Carnaval que passou? Do trânsito? Das contas?

Não. Eu estou com Jabor, Prata, Ubaldo e Shirts. Sofro, momentaneamente, não de falta de assunto, mas de sobra de tédio. A diferença é que eles recebem pra isso. E por isso precisam escrever. Qualquer coisa.

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Usos alternativos para uma Caixa Preta

Brincadeira de soldado com colegas de trabalho?


Mouse-pad?


Pazinha pra cocô de cachorro?


Organizador de contas pessoais?

domingo, fevereiro 05, 2006

Tempo Rei


Não me iludo, tudo permanecerá do jeito que tem sido
Transcorrendo, transformando
Tempo e espaço navegando todos os sentidos

Pães de Açúcar, corcovados
Fustigados pela chuva e pelo eterno vento
Água mole, pedra dura
Tanto bate que não restará nem pensamento

Tempo rei, ó, tempo rei, ó, tempo rei
Transformai as velhas formas do viver
Ensinai-me, ó, pai, o que eu ainda não sei
Mãe Senhora do Perpétuo, socorrei

Pensamento, mesmo o fundamento singular do ser humano
De um momento para o outro
Poderá não mais fundar nem gregos nem baianos

Mães zelosas, pais corujas
Vejam como as águas de repente ficam sujas
Não se iludam, não me iludo
Tudo agora mesmo pode estar por um segundo

Tempo rei, ó, tempo rei, ó, tempo rei
Transformai as velhas formas do viver
Ensinai-me, ó, pai, o que eu ainda não sei
Mãe Senhora do Perpétuo, socorrei

Gilberto Gil