quarta-feira, dezembro 28, 2005

Votos de fim de ano


Recesso de final de ano.
(Não fui convocado extraordinariamente)

Tenha saúde.
Seja honesto.
Ajude o próximo.
Sinta paz.
Realize-se no trabalho.
Ame sua mulher.
Ame seu homem.
Tenha saúde.
Aprenda a votar.
Respeite seus pais.
Proteja seus filhos.
Ganhe dinheiro.
Faça sucesso.
Siga as regras.
Tenha saúde.
Seja pontual.
Odeie mais. Faz bem.
Tenha amigos.
Seja amigo.
Beba.
Faça o Bem.
Tenha saúde.
Caminhe mais.
Viaje.
Leia mais.
Faça amor.
Grite.
Ligue para os amigos.
Ouça música.
Troque de carro.
Pare de fumar.
Seja bom.
Seja feliz.
E tenha saúde.


quinta-feira, dezembro 22, 2005

Crash test em San Ciro



O atacante Adriano, da Internazionalle de Milão, ficou inconsciente, nesta quarta-feira, depois de chocar-se violentamente com um jogador adversário, em jogo pelo campeonato italiano. O estádio ficou apreensivo durante os longos minutos em que o jogador brasileiro esteve desmaiado. Já na maca, Adriano começou a recobrar os sentidos. O técnico do time preferiu poupá-lo do restante da partida e enviá-lo ao hospital, onde exames mais profundos seriam feitos. O jogador adversário que protagonizou a trombada com o brasileiro ainda não foi encontrado.

quarta-feira, dezembro 21, 2005

Alguém, por favor, tire essa imagem da minha frente


clique para versão maior da imagem


A Virgin Records acaba de criar mais um adicto no seu concurso. A imagem acima faz alusão a 74 bandas. Algumas são fáceis, outras não. Só um aviso: se você gosta de música como eu (especialmente a estrangeira), você vai ficar louco. Clique na imagem para uma versão maior. A indicação foi da revista Veja, e eu consegui identificar pouco mais de 30 bandas. É claro que não vou entregá-las, tente e me diga quantas encontrou. Quando levantar, aproveite e vá ao banheiro por mim, que eu estou ocupado...

terça-feira, dezembro 20, 2005

Você está convidado


Realiza. Você entra no restaurante. Encontra aquelas mesas enormes, enfileiradas ao estilo linha de produção, mesinha com mesinha num desenho lógico, divididas em empresas, numa cena que lembra (visualmente também) aquelas tomadas aéreas dos depósitos de Auschwitz. O restaurante é o seu preferido, mas a sua mesa preferida não existe mais, está perdida num mar de toalhas brancas, salpicadas de celulares, crachás e chaves de carro. O garçom que sempre lhe atende mal lhe atende, e lhe conduz a uma mesinha de canto, improvisada perto da porta, espaço reservado nesta época aos fumantes, aos portadores de doenças contagiosas e aos desavisados que ali entram sozinhos. Você releva ao ver que os garçons estão todos assim, semblantes transtornados, com aquelas bandejas repletas de refrigerante e cerveja, ziguezagueando entre as mesas numa rebolativa marcha atlética em alta rotação. É, o termo é chulo, tire as crianças da sala: você está numa “confraternização de final de ano”.



Claro, você, incauto e desatento cidadão, não participa dessas coisas, ou porque não trabalha ou porque mantém princípios pessoais intactos contra visitas ao inferno. Bom, o fato é que você precisa almoçar, e hoje havia decidido comer aquele rodízio de churrasco. Então é ali que você fica. Por pura curiosidade mórbida, decide assistir àquilo tudo.

Às 12:00, 12:30, tudo ainda está em perfeita ordem - tudo falso. A chegada é civilizada e há uma timidez coletiva no ar, como se aquelas centenas de pessoas estivessem todas na sala de espera do consultório médico, constrangidamente lendo uma revista que, de tão atual, ainda conta os bastidores do casamento eterno do ano, entre Adriane Galisteu e Roberto Justus.

Mas é fim de ano, e o pandemônio vai começar. CDs e mais CDs, embrulhadinhos com papel de presente da loja, começam a cruzar as mesas, entre petiscos de lingüiça e copos de cerveja. CDs dispensam o trabalhão que dá conhecer os gostos do colega, e com as brasileiríssimas listinhas, cada um ganha exatamente o que quer. Outra vantagem do amigo secreto de empresa é que você (você não, eles!) sempre tem a opção de fazer como o presidente, e comprar aquele lançamento da dupla-solo Bruno & Marrone por apenas sete real, nos melhores camelôs do ramo.

É nesse momento, o momento do amigo secreto, que as flores começam a desabrochar, com toda sua graça e delicadeza. Flashes fotográficos parecem estar todos voltados pra você, e você come sua picanha com a sensação de estar apertando as mãos do Kofi Annan. Os beijinhos de antes viram abraços calorosos, os copos começam a secar mais rápido, e a gritaria começa. Agora, além de abstrair o espetáculo de luzes, cores e tipos humanos, você precisa abstrair também a euforia ensurdecedora de gargalhadas, berros e palmas. Numa festa de confraternização de fim de ano tudo é engraçado, divertido e emocionante. Coraçõezinhos de frango e pão de alho à vontade, enquanto o chefe não chega e o almoço não começa.

Você se identifica, de certa forma, com a ala evangélica daquelas turmas – e todas as turmas têm a ala evangélica. Bebendo guaraná Antarctica com aqueles sorrisos amarelos e com aqueles cabelos longos, parecem compartilhar com você o anúncio da indigestão vindoura. Estão sofrendo, como você, e procuram agarrar-se à sua fé fazendo aquelas oraçõezinhas de 17 minutos, em silêncio, com o cotovelo esquerdo apoiado à mesa, o gesto contrito do polegar e do indicador segurando o nariz, agradecendo pela benção da comida. Então os garçons servem o grosso: a picanha e a maminha. Você, em sua reles insignificância de cliente solitário, recebe o que restou de cada espeto, de cada corte. E, como quem corta o braço de um inimigo no front, num só golpe o churrasqueiro lhe despejará no prato um pedaço de carne crua, equivalente a meia alcatra. Você não terá tempo de reclamar; ele já terá ido pegar mais carne para “os com crachá”.

Alguns copos de chope tombam, molhando as pernas de alguém que muito provavelmente não bebe, o que também causará urros, gargalhadas, palmas e aquele “êêê...” descontraído e cativante, próprio dos estádios de futebol e dos restaurantes. Os garçons começam a receber puxões nos braços e pedidos individuais por cortes preferidos. Colegas que não se cheiraram durante o ano já trocam declarações do tipo “saiba que eu ji conzidero bagaraio!”.

O ciclo então se repete. Mais copos vão cair, mais gritos vão ecoar e mais fotos panorâmicas vão ser tiradas nas cabeceiras das megamesas. Muitos CDs, de todos os estilos - pagode - serão trocados. Todos discordarão da conta e reclamarão da carne, mas o importante terá sido a descoberta do amor incondicional à empresa e aos colegas, a paz na terra, o ecumenismo entre crentes e bêbados, pagodeiros e roqueiros, puxa-sacos e estagiários, secretárias gostosas e velhas invejosas.

É tarde de segunda-feira, e muitas confraternizações de final de ano ainda vão acontecer. Proteja-se.

segunda-feira, dezembro 19, 2005

Notas de segunda-feira


O país mais democrático, justo e cumpridor de leis do planeta, que mantém prisões secretas em vários países, onde interroga – sem tortura! – pessoas detidas sem acusação formal, julgamento ou direito de defesa, mostra-se cada vez mais. Bush admitiu, irritado, que autorizou pessoalmente, por mais de trinta vezes, escutas telefônicas clandestinas. Foram 500 americanos e 7 mil estrangeiros os agraciados com o monitoramento da NSA, a estatal americana criada para vigiar o mundo inteiro. Viva a liberdade!

Netinho de Paula, aquela aberração que geme enquanto canta e gosta de dar uns tabefes em mulher, iria fazer um show de gemedeira, em Piracicaba. Iria, porque o show foi cancelado. O motivo? Foram vendidos 13 ingressos. Netinho agora procura os filhos que não compraram entrada, pruma conversinha ao pé do ouvido.

Um alemãozinho de quatro anos morreu, em casa, ao tentar salvar seu gato de um incêndio. O gato também morreu, mas já deu entrada no pedido de autorização para usar outra de suas vidas.

O professor Lucio Capurso, do Hospital San Filippo Neri de Roma, na Itália, recomenda sexo durante o Natal, como forma de aliviar a sensação de estômago estufado, causada pelos pratos pesados desta época. O partido Republicano americano já estuda autorizar escutas clandestinas no hospital romano. O professor Lucio teria claramente atentado contra Jesus, Maria e a fé de Dick Chenney com suas declarações.


Dona Ivone, artista plástica que assistia tevê com a família em seu apartamento, no Rio, foi brindada com uma bala de fuzil na nuca. Perdeu a novela e estrelou a foto do dia. Ainda bem que Manoel Carlos está vindo aí...

O Brasil já está em campanha pelo Oscar. Vai começar a chatice de ver Dois Filhos de Francisco em todo lugar. Vamos comprar pipoca e guaraná, e esperar por mais essa frustração nacional em Los Angeles, ano que vem. Assim, o país prova que não tem mais o que fazer, além de sua vocação para a derrota.

Manchete da semana passada, no UOL: Beatles processam gravadora EMI em disputa por royalties. Paul McCartney e Ringo Star, além de parentes de Lennon e Harrison, mostram que o sonho não acabou.



Naomi Watts, perfeita aqui. King Kong tinha bom gosto.


São Paulo, tricampeão do mundo. Curitianos e parmerenses já movimentam o Orkut, agendando nova sessão de espancamentos e assassinatos, na cidade mais cosmopolita do país. Parabéns, tricolor. E se cuidem.

sexta-feira, dezembro 16, 2005

Ah, se houvesse concurso público pra isso...


Reportagem de hoje no jornal O Globo nos conta que, entre este dezembro e o próximo fevereiro, três meses segundo minhas contas, nossos 513 (quinhentos e treze) defilhadaputados receberão 8 (oito) salários. Só a auto-convocação, decidida ontem, nos custará 100 (cem) milhões de reais. Segundo nossos representantes legislativos, que a cada 4 (quatro) anos contam com nosso voto livre e espontâneo, votações importantes sobre a reforma política e o orçamento de 2006 (dois mil e seis), não votadas durante todo o ano, não podem ser postergadas. Bom, entre salários, décimo terceiro, auxílio para início e fim de sessões (!) e convocação extraordinária, são 8 (oito) mensalões, estes completamente legais – legalizados por eles, nossos representantes, eleitos democraticamente. Não torça o nariz e deixe de inveja. O que você faria se estivesse lá?

quinta-feira, dezembro 15, 2005

Cutucando a onça com vara curta




Lembra quando ele dizia que cada brasileiro iria comer três vezes por dia?

De Leonencio Nossa em O Estado de S. Paulo, hoje:

"O comandante do Exército, general Francisco Albuquerque, reclamou ontem que militares não estão conseguindo fazer as três refeições por dia.

Em depoimento na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, ele disse que 52% dos canhões da força são da Segunda Guerra, os fuzis têm 40 anos, os blindados Urutus foram comprados em 1971 e as fardas das tropas estão incompletas.

"O homem tem direito de tomar café, almoçar e jantar, mas isso não está acontecendo", disse Albuquerque, ao comentar as poucas verbas para alimentação dos militares."


quarta-feira, dezembro 14, 2005

Keep walking. And shitting, Johnny


Já faz algum tempo que tenho, digamos, distúrbios alimentares freqüentemente. Já falei com médicos, já fiz exames e já tomei remédios, mas nada adiantou. Já desconfiei do álcool, do tabaco e do alho e do azeite na comida. Já sonhei com câncer, nó nas tripas, com aquela ladainha de “intestino funcionando como um reloginho” do Lactopurga. Já cheguei a chorar, quietinho, de noite, em meio a cólicas absurdas e à impaciência da situação. Não consigo resolver. Então um dos médicos que me consultaram falou em Síndrome do Intestino Irritável, uma disfunção causada na maior parte das vezes por estresse, nervosismo e coisas similares. Pode não ser isso, mas fez algum sentido saber que essa tal síndrome progride à medida que o paciente tem cada vez menos paciência com o que o rodeia. Dissabores bobos como os do trânsito, medianos como as contas pra pagar e sérios como casos de saúde – ou a falta dela – na família podem trazer situações chatas, dores desesperadoras e até certo desânimo. Depressão ajuda. Não o paciente, a doença, claro. Raiva, rancor, ansiedade, tristeza, enfim, tudo o que é ruim. O médico examinou, examinou e examinou. Acha que é isso, mas pode ser outra coisa mais séria, o que pra mim, infelizmente não será novidade. Enfim, a situação é aquela, patética, em que fico cá, torcendo para que o meu problema seja apenas estresse, depressão, raiva, tristeza, nervosismo e umas fugas ao banheiro no meio da noite, quase sempre mal dormida. Tristes esses tempos modernos, em que insondáveis mistérios da alma e da mente fazem toda a diferença na porra do funcionar do seu reloginho...

terça-feira, dezembro 13, 2005

segunda-feira, dezembro 12, 2005

Mas que jaraqui caro e passado, esse!


Faz parte da cultura artística da minha capital o tripé ócio-álcool-governo. Escutando os eternos programas de música brasileira de Manaus, posso ouvir os artistas locais, freqüentadores assíduos do Bar do Armando e do Galvez Botequim, reclamando da falta de apoio das autoridades aos artistas da terra molhada e do cheiro de peixe. É que esse pessoal não sabe criar sem uma mesadinha do povo. E o problema não é esse, pois pra gravar, se apresentar, viajar e fazer pose, essa turminha de dez ou doze intrépidos cantadores de Porto de Lenha ganha muito bem do Governo do Estado, ou seja, eu e você. E haja choro no programa Mesa de Bar. Todos os empurrõezinhos que essa turma recebe de Robério Brega não adiantam, em parte porque o povo não agüenta mais ouvir esse ufanismo regional sobre as tarrafas e o cheiro de peixe que tem a cabocla – que por isso deve ser uma cabocla meio fedida. Se há outro motivo, é essa panelinha Célio Cruz – Lucilene Castro – Zezinho Corrêa – Torrinho – Márcia Siqueira – Lucinha Cabral e outra meia dúzia de eternos funcionários do Governo do Estado (ou seja, eu e você) cantando as mesmas músicas que cantavam quando ainda éramos todos néscios ouvintes do sempre paupérrimo Festival Universitário de Música da UFAM. Deve haver motivos para essa mesmice regada a dinheiro do povo. Um deles eu conheço: falta tempo pra compor algo (ainda que seja algo que não preste) entre umas e outras, cervejas e discussões frívolas sobre os efeitos das novelas globais na cultura popular, sempre travadas ali no Galvez. Não falta apoio governamental a essa gente – o que, aliás, sobra. O que falta é mais ostracismo, mais horas de sobriedade e uma pitada de vergonha na cara.

quinta-feira, dezembro 08, 2005

Daslu x Daspu


As prostitutas profissionais de São Paulo ganharam uma loja própria, a Daspu. Isso mesmo, Daspu. Imediatamente Eliana Tranchesi, dona da Daslu e afamada fraudadora fashion, estelionatária chiquérrima e sonegadora de impostos cheia de charme (não sou eu quem diz, é o Ministério Público), pôs a Daspu na justiça, exigindo que o nome da loja fosse mudado. Os argumentos? As prostitutas profissionais poderiam denegrir a imagem da Daslu, voltada, entre outras coisas mais, a atender prostitutas amadoras e políticos profissionais - estes sim, potenciais clientes da Daspu.

Acontece que a Daslu não precisa que denigram sua imagem. A Daslu precisa é de clientes e de novos esquemas de fraudes em importações, se não quiser fechar as portas. Eu até sugeriria que a Daspu realmente mudasse de nome, para evitar que as pessoas a confundissem com a Daslu. Afinal de contas, a Daspu é frequentada por moças que, estas sim, trabalham. E, estas sim, trabalham honestamente.

Daspu, a loja da vida. Ótimo, não?

terça-feira, dezembro 06, 2005

Para Dodora


Acredito que a discrição é uma das qualidades das pessoas verdadeiramente boas, elegantes e sérias. Acabei de receber, via email, a notícia de que o Presidente Nacional da OAB, Roberto Busato, se surpreendeu com fato de que, em Manaus, o desembargador do TJ-AM, João de Jesus Abdala Simões, contratou para sua assessoria os dois primeiros colocados no exame da OAB, em detrimento dos tradicionais parentes e filhos de colegas. A nomeação eu já conhecia, a surpresa de Busato, não.

Pois bem, uma delas é Maria Auxiliadora Benigno, que vem a ser minha irmã. O que me chamou a atenção, conhecedor que sou da inteligência e da competência da moça, foi o fato de ela ter enviado a notícia apenas aos parentes mais próximos. Um primor de elegância. Mas não posso deixar isso passar. Como vivemos num país assolado pela anti-meritocracia, qualquer drops de bom senso e de justiça precisa ser alardeado, e não vou ser eu, esse irmão coruja e orgulhoso, que vou deixar isso passar em branco.

Minha irmã, você sabe que a sua capacidade não me surpreende. Aliás, isso é muito pouco pra você. Guardarei esse pequeno recorte como recordação, como o início de uma carreira belíssima e cheia de grandes feitos e sucessos. Ser escolhida pelos seus méritos é o mínimo que merecem todos os que fazem jus a isso. E que bom que a grata surpresa tenha vindo com o reconhecimento do seu trabalho.

Você sempre me orgulhou muito, desde menina, quando quis ser advogada e não conseguia fugir do nervosismo das provas. Desde sua graduação em Administração, sua graduação em Direito - e certamente na sua próxima graduação, em Psicologia. O trabalho, a paixão e a gana por conhecimento, pela correção e pelo futuro sempre foram lições valiosas para esse irmão mais velho que não cansa de aprender com você.

Aproveite o sucesso e mostre a eles do que você é feita. Seja simplesmente a Dodora, a Maria, a minha irmã. Basta isso para que essa "premiação" seja apenas o ponto de partida de uma carreira belíssima no Direito.

E me desculpe a indiscrição. O orgulho falou mais alto.

Ismael

segunda-feira, dezembro 05, 2005

Notas de segunda-feira



Bunito, hein, Curítia!


Funcionários do PT, que não receberam seus salários de novembro, entraram em greve. Para resolver o problema financeiro do partido, deputados e senadores saíram em campanha para arrecadar dinheiro para o diretório central e ajudar o partido a pagar seus funcionários.

Não há uma vogal sequer, na história toda, que não soe cruelmente irônica. Então os petistas gostam de dinheiro, trabalham não somente pelo amor à causa, cruzam os braços ao primeiro sinal de sacanagem patronal e encerram a greve diante de promessas de solução rápida! É constrangedor, até para quem nunca simpatizou com essa gente, ver o partido na maior crise financeira de sua história, iniciada justamente quando as fontes, Valério-Delúbio-Rural-BMG-Prefeituras, secaram.

Olhando para o outro extremo (nem tão outro assim): A crise vivida pela loja Daslu começou quando o Brasil proibiu que se subfaturasse preços de produtos importados, ou seja, quando a farra da fraude acabou no reduto mais caro de São Paulo. O que nos permite deduzir que, neste país, é melhor desconfiar do sucesso alheio. Antes o luxo, agora até a ética é pirateada.

Diga que não lembrou de Roberto Jefferson falando nos pintos de bico aberto quando o esquema foi desbaratado...


No Dia Internacional de Combate à AIDS, Buenos Aires se previne para o caso de sexo casual com uma improvável mulher gigante. Européia, por supuesto


A despeito da política de juros altos adotada pela equipe econômica do governo, há grave perigo de que a inflação dê as caras neste fim de ano. Exemplo: as bolas de natal, vermelhas e lisas (sem detalhes), sumiram das lojas de Manaus, e só são encontradas no mercado ilegal dos camelôs. Espero que o COPOM esteja atento a isso.

Manchete do Estadão: "São Paulo alaga, bomba quebra e Serra culpa lei de Murphy".

Egberto Baptista vem aí. Tremei, seguidores da decência.

Dando confiança pra bêbado chato


Uma nota para o anti-esquerda mais esquerdista que já vi: Jorge Nobre. Camarada Jorge, não há sequer um momento em que você perceba que é explicita e extremamente triste viver dessa forma? Eu passo dois, às vezes três meses sem visitá-lo e então decido tirá-lo do traço de audiência. Aí...

...Aí vejo o mesmo rancor e a mesma obsessão comigo e com a esquerda que você tão bem representa. Heloísas, Babás e Lucianas são poços profundos de elegância e conservadorismo comparados a você, camarada. Larga essa vida, dá uma mudada de assunto, contrata um terapeuta, um analista, uma call-girl, sei lá... Mas deixa disso, camarada, ou as pessoas vão acabar achando que você, na verdade, é um esquerdista querendo formar opiniões contra os conservadores. Porque é só isso o que você consegue, além de umas correções no seu inglês autodidata – e às vezes até no seu português.

Por exemplo, “O Bush acreditou ser possível criar uma democracia não digo perfeita mas forte o bastante para resistir ao radicalismo muçulmano”. Ora, camarada Jorge, vá para o raio que o parta. Ou para a Lua, que até tem a sua poesia, se você pensar no dragão para lhe distrair. Bom, companhia, enfim, você terá. E quem sabe alguém para lhe ouvir - se o dragão topar a missão, claro.

sábado, dezembro 03, 2005

My early morning deepest thoughts


Você sente, quase pode tocar, a realidade de ser adulto, casado e assalariado quando, sem sono, decide visitar uns sites de compras, escolhe cerca de 10 DVDs sem os quais a sua existência é algo insondável e sofrido, e lembra que precisa sair dali imediatamente, pois os cartões de crédito precisam de saldo para a compra daquele roupeiro branco/tabaco que vocês tanto precisam.

Essa é toda a poesia de que disponho no momento. Aprecie.

quarta-feira, novembro 30, 2005

Hublet é meu amigo, mexeu com ele mexeu comigo


José Dirceu foi agredido a bengaladas, na noite desta terça-feira, pelo sexagenário e escritor Yves Hublet. Enquanto descia o pau no cara-de-pau, Hublet gritava "Fristão! Fristão!", numa referência ao arquiinimigo de Dom Quixote. Enquanto apanhava, Dirrrceu só dizia "Era só o que faltava!". Não, Dirrrceu, ainda falta mais. O Sérgio Faria, do Catarro Verde, já deu a largada para a campanha da venda dos livros do escritor para as crianças brasileiras. Bom, de seus agressores Dirrrceu não pode reclamar. Dirrrceu tem aquela pose de empresário poderoso, e ficou com uma agressãozinha bem fina. Sua colega cafona, Marta Suplício, tomou foi uma "ovada", com galinha e tudo, na tarraqueta. Como se vê, os agressores brasileiros - todos a mando das "forças conservadoras" - estão investindo no requinte e no bom senso contra essa gente.

terça-feira, novembro 29, 2005

Quêde os ministros do STF?!


Segue abaixo post do Sérgio Faria de segunda-feira. Os comentários são do próprio:

Pátria amada de merda. Enquanto o Zedirceu vai virando o jogo com os juízes do STF a $eu favor + Sarney + ACM para livrar sua cara imunda, veja você o que rola na vida real:
SEM JULGAMENTO, IDOSA AGONIZA NA CADEIA
[Gilmar Penteado, da Falha de S. Paulo]

A ex-bóia-fria estende as mãos e começa a apontar, um a um, os calos dos dedos. Quer mostrar que nunca teve medo de trabalho pesado. Antes de terminar, porém, esquece a conta e usa as mãos para comprimir a bolsa de colostomia, em uma tentativa de aliviar a dor. O gesto é um sinal de que a entrevista terá de ser breve. Aos 79 anos, doente terminal de câncer de ovário e de intestino, pesando menos de 40 quilos, Iolanda Figueiral agora se contorce de dor na cama de uma penitenciária em São Paulo, onde aguarda julgamento longe de casa, dos quatro filhos, dos 15 netos e dos 15 bisnetos.

Iolanda é uma das mais de 600 presas da Penitenciária Feminina do Tatuapé, na zona leste da cidade. A acusação: tráfico de drogas, equiparado a um crime hediondo (como um homicídio cometido com crueldade), segundo a legislação penal brasileira. Só que Iolanda é presa provisória - até o julgamento, existe a presunção de inocência - e nega ter cometido o crime. Policiais encontraram 19 pedras de crack - menos de 17 gramas - na sua casa. Ela foi presa com o filho, de 40 anos, há quase quatro meses, na periferia da cidade de Campinas (95 km de São Paulo).

Iolanda afirma que a droga foi jogada na sua casa por um estranho, momentos antes da chegada da polícia ao local. Desde então, o advogado da família, Rodolpho Pettená Filho, e a Pastoral Carcerária, tentam tirar Iolanda da cadeia. Pediram tudo o que era possível: relaxamento da prisão por falta de prova, liberdade provisória em caráter excepcional, indulto humanitário e prisão albergue domiciliar (o preso cumpre a pena em casa).

Iolanda não tem antecedentes criminais, tem residência fixa e vive com a aposentadoria de R$ 300. Mesmo assim, a Justiça negou todos os pedidos.
O juiz José Guilherme Di Rienzo Marrey, da 6ª Vara Criminal de Campinas, citou a lei de crimes hediondos para mantê-la na prisão, apesar de dois pareceres do Ministério Público favoráveis à liberdade provisória em caráter excepcional. A lei proíbe a concessão de liberdade provisória para crimes hediondos ou equiparados, como o tráfico de drogas. O Tribunal de Justiça de São Paulo também negou habeas corpus.
Analfabeta, ex-bóia fria e ex-catadora de papelão, Iolanda balança a cabeça negativamente quando questionada se sabe o que significa essa lei.

Também não sabe dizer quem é Paulo Maluf, ex-governador e ex-prefeito de São Paulo -cinco anos mais novo do que ela -, também preso com o filho, citado pela Pastoral Carcerária no pedido de liberdade de Iolanda: "Seria injusto recusar a liberdade a alguém nessas condições [referindo-se a Iolanda] quando se concedeu liberdade por razões humanitárias ao sr. Paulo Maluf e seu filho, cuja situação [de saúde], com todo respeito, não pode ser considerada pior do que a de dona Iolanda", diz trecho do pedido. "Que perigo ela representa para a sociedade nessas condições?", afirmou Heidi Cerneka, da coordenação feminina da Pastoral Carcerária.

Para o advogado de Iolanda, o Código Penal é aplicado de forma diferenciada para ricos e pobres. "Eu lamento ver isso na nossa Justiça. O Código Penal é um só, mas a Justiça tem dado decisões mais brandas para os réus com mais recursos e decisões mais severas para os com menos recursos", afirmou. "Enquanto os irmãos Cravinhos [que confessaram o assassinato com golpes de barra de ferro do casal Marísia e Manfred von Richthofen] ganharam liberdade, uma pobre senhora está morrendo no cárcere por um crime bem mais leve."

ÚLTIMO PEDIDO

"Eu só quero morrer perto dos meus filhos", afirmou Iolanda, que tenta se manter sentada na cama. Os filhos e netos se revezam para visitá-la todos os domingos. "Toda família está muito indignada com o que está acontecendo. Não há motivos para fazer com que ela sofra assim", afirmou José Pedro de Almeida, 45, um dos filhos da ex-bóia-fria. Mesmo com a dor, Iolanda quer falar. Reclama que não conseguiu ver o outro filho, Carlos Roberto, 40, que sofre de diabetes e hipertensão, preso com ela também sob acusação de tráfico de drogas. "Na audiência [no fórum de Campinas], não me deixaram falar com ele. Nós não somos bichos", afirmou.

Iolanda é, então, vencida pela dor e desaba na cama. Uma funcionária traz um analgésico. A movimentação na enfermaria agita as presas, que perguntam se a ex-bóia-fria está bem. "O que ela pode fazer no crime?", questiona uma detenta. O médico é chamado às pressas. A entrevista é interrompida. Iolanda se despede com um gesto de mão e um sorriso. "Que Deus faça eles terem dó de mim", ainda consegue balbuciar.

segunda-feira, novembro 28, 2005

Notas de segunda-feira


Para pesquisadores da Universidade de Pavia, na Itália, o aumento dos níveis das proteínas chamadas neurotrofinas está ligado aos primeiros rubores do amor. Depois de um ano, os níveis dessas proteínas caem, e o casal vira um par de amigos que vez por outra fazem sexo.

Pierluigi Politi, da equipe de pesquisadores, disse que os resultados do estudo não sugerem que as pessoas não amam mais, apenas trocam o “amor agudo” pelo amor mais estável. Politi acrescenta que "nosso conhecimento da neurobiologia do amor romântico continua limitado" e que mais pesquisas precisam ser feitas. Ah, tá.

Louise Caroline, vice-presidente da UNE e colaboradora do Blog do Noblat, escreveu artigo sobre o aumento do preço das passagens de ônibus no Recife. Assim começava o artigo: "Companheiros e companheiras,...". Parei por ali mesmo.

É divertido constatar que Palocci realmente é o que sobra de governo neste governo. Há horas em que parece que o país inteiro quer acusá-lo de algo, só pra ter o prazer de vê-lo jogando baldes de água nos acusadores. As revistas, os jornais, os adversários e os colegas de governo adoram gente articulada, habilidosa.

E assim o país vai seguindo, nessas azias modorrentas de crise, ponteadas por pílulas de um Engov qualquer, defendido por um ministro que mal consegue pronunciar corretamente o próprio sobrenome.

O julgamento de Saddam Hussein voltou a ser adiado. José Dirceu já se preparava para trocar seus advogados pelos do ex-ditador, quando foi avisado que Sepúlveda Pertence, melhor amigo do seu melhor amigo, o “Kakay”, irá julgá-lo no STF.

Virou polêmica a atitude de um juiz mineiro de mandar soltar assassinos condenados por causa da superlotação das delegacias mineiras. Acho justo, especialmente se o nível dos freqüentadores desses lugares melhorar, as cadeias virarão hotéis de bom nível. A Polinter, por onde já se hospedaram Malufs e Nicolaus, deve ser um brinco.

Ronaldinho ganhou a Bola de Ouro da Fifa. Pois é.

Vídeo que exibe recrutas sendo obrigados a lutar nus choca o país e é enviado ao Ministério da Defesa. As imagens mostram um grupo de jovens sem roupa assistindo a uma briga entre dois homens, também nus, num lamaçal. Em determinado momento, dois outros entram na briga, um vestido de colegial e outro de cirurgião.

Não, não foi no Brasil, mas na Inglaterra. E as oficiais responsáveis pelo trote alegam que também têm suas fantasias de assistir homens nus lutando na lama, vestidos de colegiais e de médicos, ora essa. Qual o problema?!

Notícia do Portal Terra: “Kelly Osbourne nega fim de carreira”. Perguntada sobre seu trabalho como cantora que não canta, a filha de Ozzy se confundiu e rebateu, em meio a palavrões chulos e de baixo calão: “Mentira! Eu tenho muitas carreiras ainda, viu?! Dinheiro nunca foi problema pra mim, e consigo quantas eu quiser a qualquer hora do dia!”

Raica, a modelo eleita a Musa do Verão de 2006, justificadamente se achando, diz que já escolheu com quem vai ficar: o Príncipe William, da Inglaterra. Ronaldo, que num arroubo de romantismo e mau gosto levara a cruzeta humana para a churrascaria Porcão, no Rio, lamenta. Ficou sem a gorduchinha, a bola da Fifa, e sem a magrelinha. Aliás, Ronaldo vem dando até pena, não?

Responda rápido: “O que você faria com dois quilos a mais?”.

quarta-feira, novembro 23, 2005

Direto de um cyber-café que cheira a café.


Pronto, agora sim.

Depois deste longo tempo de inconstâncias e sumiços, tudo volta ao normal, ou seja, com posts diários sempre que possível (o que será sempre), quem sabe mais de um. O ritmo volta ao normal na segunda-feira.

Peço desculpas aos visitantes insistentes.

Dito isto, vamos lá.


quinta-feira, novembro 10, 2005

Ele não sabia de nada


Chegou à imprensa a notícia de que, na volta de sua viagem a Moscou, Lula teria assistido ao filme Dois Filhos de Francisco a bordo do avião presidencial. Tudo bem, não fosse o detalhe de que o filme só será lançado em DVD em 7 de dezembro, ou seja, o presidente da república, sua assessoria, sua comitiva e seus companheiros compram e assistem a filmes piratas.

A assessoria do presidente ainda não identificou o membro da oposição que teria “plantado” o DVD a bordo do avião oficial, para que o governo passasse por mais esse constrangimento. A cópia pirata do filme – “não oficial”, na língua oficial petista – foi apreendida depois do incidente, a pedido do presidente, visivelmente abalado.

Um repórter, mau-educado que só ele, conseguiu furar a linha de seguranças, deputados e senadores da tropa de choque do presidente e, aos berros, conseguiu fazer uma pergunta ao supremo mandatário do país:

- Presidente, presidente! Como o senhor explica o fato de que assistiu a um filme pirata a bordo do avião presidencial?!

- Veja, é claro que é intolerável o que aconteceu. Veja, eu não posso admitir que uma coisa dessas aconteça no meu governo. Veja, eu estou me sentindo traído, mas não vou citar nomes para não fazer injustiça, mas veja, o que aconteceu a bordo do avião presidencial, que não é meu, é o que vem acontecendo sistematicamente nesse país, meu caro.

- Mas presidente...

- Veja, eu já esclareci a questão. Vamos esperar que o Ministério Público, a Polícia Federal, as três CPIs que estão em andamento e a Justiça Brasileira apontem os culpados. Já respondi sua pergunta, meu caro. Agora você pode me dar licença pra eu tocar o berimbau do meu companheiro, o presidente de Botsuana, que veio me visitar?! Posso?!

segunda-feira, novembro 07, 2005

Notas de segunda-feira


Não sei pra que tanto protesto. Brasília e Bush têm tudo a ver.

Há 11 dias a França vive clima de guerra urbana, com conflitos violentos, incineração de carros e de prédios. É isso que dá uma nação estar desacostumada a ver adolescentes morrerem fugindo da polícia.

A loja Daslu, a Meca das esposas de políticos (que recebem 15 mil reais por mês), está em crise, demitindo e esperando por compradores – não de bolsinhas, mas da loja mesmo. Constata-se que, nessa terra de muro baixo, dentro da lei as coisas minguam. As importações estão paradas, já que agora Eliana Tranchesi precisa declarar o preço real de seus produtos aos fornecedores e à Receita. Vida difícil, essa de empresário honesto nesse país.

Numa dessas perguntaria Juquinha: “Ué, mas a pose de vocês não vinha justamente porque podiam pagar o que ninguém mais podia?”. Ao que Zezinho responderia: “É que tem gente que gosta de esbanjar, Juquinha, mas sem pagar por isso, entendeu?”

A vazante histórica dos rios amazônicos parece ter trazido às ruas todos os ribeirinhos flagelados. Setas, faixas, limites de velocidade, semáforos, pra quê?!

Terá São Judas Tadeu ouvido as preces do time do Flamengo? Ou o santo anda recebendo propina pra favorecer o time carioca?

Arlindo Chináglia, líder do governo no congresso, disse que só falta que a oposição acuse Lula de ter recebido dinheiro de Osama Bin Laden, depois das acusações de ajuda cubana à campanha de 2002. Pelo jeito o presidente Lula ainda não percebeu – oh! – o mau gosto da comparação. Então Fidel, inspiração histórica da cretinice esquerdista brasileira, está no mesmo balaio de Bin Laden?

Depois de Glória Perez qualquer porcaria seria belíssima, comadre.

Lula, oferecendo churrasco na Granja (pegou, pegou?) com o sugestivo nome de Torto a Jesus W. Christ, preparado por um churrasqueiro sul-mato-grossense? Simão Pessoa está certíssimo, esse é o país da piada pronta.

E pergunta enviada por leitor do Tutty Vasques à coluna: “Se um político comer carne infectada por febre aftosa, toda a manada precisará ser sacrificada?” Hum...

sábado, novembro 05, 2005

Bofetada na cara da idiotia



O bom gosto, caetaneado, do avesso, do avesso, do avesso.

Glória Perez, sobre a notícia de que o público brasileiro rejeitaria o beijo gay no final de América:

“Eu sempre me divirto com os invencionismos publicados sobre a minha história. Tipo, quem vai acabar com quem e até participações de certos atores que não irão acontecer, como é o caso de José Mayer. Mas essa história da rejeição me assustou, porque além de ser mentirosa é preconceituosa e perigosa. Se trabalhasse numa emissora careta, uma matéria desse tipo poderia influenciar na decisão da casa. Felizmente, a Globo não é assim e respeita a decisão do autor”.

Bem, o beijo foi cortado do último capítulo. Torce, espera e anseia esse Malfazejo aqui que Dona Glória fique magoada e nunca mais escreva outra novela.

sexta-feira, novembro 04, 2005

O Malfazejo Recomenda



Portishead, ao vivo em Nova Iorque. Assista, equipado com um copo de água, salpicado por pedras de uísque.


quinta-feira, novembro 03, 2005

Cartilha aberta ao povo brasileiro



- Ninguém, sozinho, irá resolver os problemas do país.
- Quando alguém lhe oferecer um presente em época de eleições, aceite. Seu voto não tem nada a ver com isso. Não há como saberem em quem você votou.
- Não se deixe enganar. Políticos não brigam, não ficam de mal, não se desentendem.
- Não se deixe enganar. Políticos não fazem as pazes. Até porque não brigam.
- Prefeitos, governadores e presidentes não fazem leis sozinhos. Quando lhe prometerem mais ônibus, mais segurança e mais saúde, nunca acredite.
- Ruas asfaltadas, médicos nos hospitais e água na torneira não são presentes. Quando um político lhe oferecer essas coisas como presente, pergunte: "por que você não fez isso antes?". É pura obrigação.
- Quando você souber que alguém recebe da prefeitura ou do governo sem trabalhar, denuncie. É o seu dinheiro que está sendo roubado.
- Partidos do Bem não existem, nem partidos do Mal.
- Nunca, nunca mais vote em quem você considera "bem intencionado". Boas intenções não resolvem nada.
- Interesse-se por política, procure saber quem é quem. Você pode ter raiva de políticos, mas, como o voto é obrigatório, faça-me o favor de se interessar. Ou você já passou em vestibular sem estudar?
- Pare de reclamar dos políticos. A culpa não é deles.
- Desconfie, aliás, não vote em quem visivelmente gasta milhões só pra se eleger e ter um salário de 8.000 reais.
- Pare de admirar o poder daquele político ladrão. As mansões, os carrões, os jornais, as empresas e os helicópeteros foram pagos, muito provavelmente, por você.
- Na política não há santos, acostume-se. Vote naquele chato, que fala manso sobre coisas chatas. E lembre-se: são os assuntos chatos os mais importantes.
- Exija a prestação de contas do seu dinheiro. Você não faz isso em casa?
- Denuncie a corrupção, por mais que não valha a pena.
- Política não é moda, festa nem revolução. Não se deixe enganar por patricinhas e playboys que fazem campanha para alguém. Faça o mesmo com líderes estudantis e qualquer outro tipo de revolucionário.
- Políticos recebem até 15.000 reais, em média, por mês, para trabalhar pra você. Ou seja, político que aparenta ter muito mais do que isso é ladrão, como dois mais dois dá quatro. Não vote nessas pessoas.

Continua...

segunda-feira, outubro 31, 2005

Quiz




Alguém procurando um administrador de empresas, com experiência extensa em informática, que fale inglês, que respeite minimamente o português e seja honesto, trabalhador e responsável?


quinta-feira, outubro 27, 2005

Dream team, reunited


Enquanto isso, na Sala de Justiça, durante a reunião do G-8, o grupo das sete pessoas mais conhecidas do Brasil mais o Sr. Marcos Valério...

Super-herói não identificado – Sr. Delúbio, o senhor foi pressionado pelo PL para repassar dinheiro ao partido?

Delúbio – Vezja, depujztado... eu zjá ezsclareci essjza quesjztão na pergunta antezriorz.

Super-herói não identificado, irritado – Tudo bem, então me explique novamente, por favor.

Delúbio – Vezja, depujztado, eu acrezdito que zjá rejzspondi esszja quesztão...

Zulaiê Cobra (PSDB-SP) – SEU MARRRCOS VALÉRIO, O SENHORRR REPASSOU DINHEIRO, VIVO!, PARA O SENHORRR JACINTO LAMAS???!!!

Marcos Valério – Sim, senhor. Perdão, senhora...

Zulaiê – É SENHORA MESMO, PORRRQUE EU SOU MULHERRR!!!

...risos dos outros super-heróis...

quarta-feira, outubro 26, 2005

Oooohhhhhh!!!


Referendo
'Não' fechou acordo com indústria de arma
26 de Outubro de 2005


A frente parlamentar que defendeu o "Não" no referendo sobre proibição da venda de armas e munição fechou um acordo com duas fábricas do setor para custear a campanha. Conforme reportagem publicada nesta quarta-feira pelo jornal O Estado de S. Paulo, as indústrias Taurus e Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC) concordaram em pagar dívidas deixadas pela campanha do "Não".

O acordo verbal firmado entre representantes da empresa e o deputado Alberto Fraga (PFL-DF), presidente da Frente Parlamentar pelo Direito da Legítima Defesa, ocorreu antes do referendo. Ficou acertado que as empresas não pagariam nada nem divulgariam seu apoio à frente do "Não" até a consulta popular, ocorrida no doming. Depois, contudo, poderiam contribuir com essa frente.

A ajuda viria através da cobertura das dívidas surgidas caso as doações à frente não cobrissem as despesas da campanha. Fraga confirmou a realização do acordo ao Estado. O presidente da frente do "Não" havia repetido várias vezes que sua campanha não aceitaria dinheiro da indústria de armas porque tinha "atuação independente". O caso, porém, não muda o resultado do pleito.

Estelionato - Conforme um ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que não quis ser identificado, o acordo não configura um crime eleitoral; portanto, a vitória do "Não" está assegurada. A prática representa, contudo, quebra de decoro parlamentar por parte de Fraga, algo que o deputado rejeita. "Não tem isso. Não estou nem aí. Minha honra todos conhecem na Casa", disse.

Na frente do "Sim", a informação provocou indignação. O vice-presidente da frente, deputado Raul Jungmann (PPS-PE), disse que Fraga cometeu "estelionato político" e perguntou: "Por que não se colocou isso de público antes? Esconderam a parceria para iludir o público." Ele pode levar o caso à Comissão de Ética da Câmara. As dívidas do "Não" chegariam a 1,1 milhão de reais.

Fonte: Quem diria, Veja on-line

Cleptomaníaca que rouba cleptomaníaca...



Fernando Paulino Neto, do site NoMinimo, faz reportagem sobre um episódio no mínimo irônico. Lucy Mafra, atriz experiente em papéis sem destaque em novelas da Globo, é acusada de roubar R$ 300,00 de Christiane Torloni. Veja a matéria abaixo:

Enfim, célebre

Fernando Paulino Neto

25.10.2005 | Lucy Mafra é atriz. Trabalhou em 19 novelas, cinco minisséries, filmes, peças de teatro, posou nua para a capa do “Pasquim” na década de 70, tem 29 anos de carreira e 50 de vida. Ninguém nunca deu a mínima para ela. Nenhum jornalista telefonou para a sua casa, nunca foi fotografada numa noite de estréia, jamais protagonizou uma novela na TV, mas, do dia para a noite, virou uma celebridade. O que ela fez? Nada, pelo menos até prova em contrário.

Mas, do nada, Lucy foi colocada no redemoinho de uma fofoca de bastidores da novela “América”, em que interpretava (ou será que ainda interpretará?) quase despercebida Claudete, a vizinha de Islene (Paula Burlamaqui) que cuida de Flor (Bruna Marquesini). Alguém roubou R$ 300 do escaninho de Christiane Torloni, que vive a cleptomaníaca Haydée, nos camarins do Projac, o reino do faz-de-conta da TV Globo. Uma camareira viu Lucy mexendo no escaninho de baixo (o dela) e a chave do armário da Torloni balançando. Foi o que bastou: dentro do Projac, ela passou a ser olhada de modo atravessado. Logo, logo a coisa vazou para os jornais.

Uma colega do “núcleo Vila Isabel”, aquele lugar onde se samba até em cerimônia de casamento, ligou para a colunista da “Folha de S. Paulo”, Mônica Bergamo, e soprou o nome de Lucy. Pronto. Tudo mudou. No sábado, pouco depois do meio-dia, um amigo de Lucy contabilizava cerca de 850 menções a seu nome no Google, o mais famoso site de busca Internet, citando o caso do roubo. Antes, seu nome aparecia de maneira discreta e esparsa, quase sempre como referência a seu trabalho com o grupo teatral carioca Tá na Rua, liderado por Amir Haddad, ou no meio das listas de “elenco de apoio” de novelas e minisséries.

Agora, transformada numa espécie de “campeã de audiência do Google” e citada por todos os sites de fofoca televisiva, Lucy tem pela primeira vez o reconhecimento público. Não tem sido bom para ela. “Outro dia, eu estava no frescão e uma senhora começou a me xingar”, conta. Andando pela Lapa, teve outra surpresa. Um conhecido e vizinho em uma das diversas oficinas de teatro e grupos de trabalho que ocupam sobrados do início do século passado no bairro não teve dúvida: ao vê-la passar em direção à sede do Tá Na Rua, gritou seu nome bem alto, abriu uma mão, fincou um polegar na palma e, com os dedos estendidos, fez um círculo completo no gesto tão característico. Alguns colegas de trabalho também ficaram contra ela. “Teve gente que disse que eu posei nua e que eu fumo maconha, só como forma de me denegrir. Mas sou só eu?” – pergunta a nova celebridade nacional.

Solidariedade punk

Indignada, Lucy desabafa: “Me sinto um deputado do PT. Hoje, no Brasil, estamos com uma tolerância muito baixo ao roubo, todo mundo fica muito zangado. E, mesmo depois que tudo passar, fica o estigma.” É verdade que ela encontrou solidariedade também entre seus companheiros de Globo. Cita Paula Burlamaqui, com quem contracenava na novela, e Renata Sorrah entre as colegas que lhe deram apoio neste momento difícil e confessa: “Se eu tivesse sido flagrada com a mão na mochila de alguém, pedia desculpas, saía de fininho e ia vender artesanato no Chile, porque eu sou uma atriz. E não sei fazer outra coisa”.

Enquanto recebia a reportagem de NoMínimo, no horário do almoço de sábado, Lucy leu uma mensagem de texto em seu celular. Dizia: “E aí, Lucy, você pode me dizer quem é a cleptomaníaca do núcleo Vila Ezabel (assim mesmo) de ‘América’?” E ela conhece o curioso dono do telefone.

Nem tudo é tristeza, porém. Da rua pode vir também a solidariedade. “Eu tava andando pela Lapa, às oito da manhã, e um grupo de punks malucos, virados da noite, gritou pra mim: ‘Tamo contigo!’”. Lucy diz que está tentando “separar o joio do trigo” – ou “os verdadeiros amigos de quem prefere se afastar em um momento ruim”.

Nos primeiros dias do episódio, ela ficou quieta, aguardando uma reação da Globo. “Esperava uma palavra, que me apoiassem, aumentassem meu papel, sei lá, mas eles só falavam para eu desmentir tudo”, afirma. Depois, passou pelo momento de maior tristeza: “Chorei muito, fui me agarrar na saia da minha mãe lá em Volta Redonda. Foi uma maldade que fizeram, minha mãe tem mais de 70 anos, ficou vendo isso tudo e ainda perguntou se eu ia voltar a trabalhar na novela.”.

Foi então que resolveu partir para a ação. Lucy não hesita em afirmar o que pretende tirar de bom de todo este episódio: “Dinheiro.” Para isso, contratou o “advogado das estrelas”, Sylvio Guerra, especializado em processos de artistas contra seus empregadores, jornais e revistas. “Teve um camera man do Faustão que foi zoado no ar, chamado de veado e levou R$ 500 mil do Faustão e R$ 500 mil da Globo. É um Big Brother”, sonha.

Sylvio Guerra entrou com uma interpelação judicial para que a Globo informe se afastou Lucy da novela e, em caso positivo, qual a razão disso, já que ela está bem de saúde e tem contrato em vigência. Dependendo da resposta, ele entrará com uma ação de perdas e danos. Lucy pretende processar também a colega que a entregou à jornalista. Jura que sabe o nome, mas não revela - pelo menos, até buscar reparação na Justiça.

Da Globo para o SBT

A Central Globo de Comunicação informa, por e-mail, que “nunca fez qualquer acusação contra a atriz ou contra quem quer que seja. Lucy Mafra é contratada por obra certa, tem contrato até o fim da novela e o contrato será cumprido. O personagem saiu da trama por razões dramatúrgicas, já que no final da novela personagens de apoio perdem força. A atriz, contudo, continua no elenco, recebendo até o fim do contrato.”

No entanto, Lucy tinha falas previstas nos capítulos 187, 188 e 190, que já foram ao ar, e não foi chamada para gravar. O roteiro com as falas da personagem Claudete nestes capítulos faz parte das provas que Guerra pretende apresentar à Justiça.

Guerra não é um advogado barato. Depois de uma negociação, chegaram no valor mínimo pelo qual ele estaria disposto a defendê-la: R$ 10 mil. Lucy não tinha esse dinheiro. O próprio advogado deu a solução. Depois de uma entrevista coletiva no início da semana passada, no escritório do advogado, Lucy se calou e só voltou a falar no “Programa do Ratinho”, no SBT, na quinta-feira. Pela participação, recebeu um cachê de R$ 10 mil. Entregou tudo ao advogado.

Gostou da experiência. “O Ratinho foi um gentleman. Me respeitou no programa dele. Não teve baixaria”, afirma. Ela aproveitou para pedir, no ar, emprego no SBT. Não é que deu certo? Foi chamada para ficar mais um dia em São Paulo e negociar a mudança. Como seu contrato com a Globo termina no dia 15 de novembro e “não deve haver interesse em renovação”, está propensa a aceitar a proposta da emissora paulista. “Eles me querem. Fiquei famosa”, ironiza.

A atriz nunca se importou de fazer papéis pequenos. “Dava pra tirar um salário decente e me permitia fazer o que mais gosto, que é trabalhar em teatro”, diz. Ela está há 20 anos no Tá Na Rua. E o chefe da trupe, Amir Haddad, afirma categórico: “Aqui, nesse tempo todo, ela nunca roubou nada.” Amir conheceu Lucy na época em que ela apareceu no “Pasquim” e recorda: “Era uma cover-girl muito bonita e pintava o cabelo. Eu disse a ela: ‘Vem trabalhar comigo que eu quero conhecer a cor do seu cabelo.’ Ela veio e, um tempo depois, me disse: ‘O meu cabelo é esse.’ Lucy é uma pessoa muito interessante.”

Haddad fica apavorado com o que a antiga colaboradora está passando: “O que me assusta é esse linchamento sistemático que a imprensa faz, com base na liberdade de imprensa. Está sempre demolindo. Hoje, tem um linchamento por dia. É uma Imprensa adjetiva e dramática, não é reflexiva. Este modo de tratar as coisas. emocionando e não informando, é a mãe de todas as formas de fascismo.”

Lucy prefere pensar que pode estar desconstruindo tudo para iniciar um novo tempo. “Sou muito apegada a Nossa Senhora Aparecida. Agora que estou fazendo 50 anos, enchi o saco da santa para ela me ajudar no fim do meu contrato com a Globo. Ela deve ter dito: ‘Tá, eu vou ajudar, mas você não está esperando que vá acontecer um milagre.’ Quem sabe, tudo isso não é trabalho de Nossa Senhora e, no fim, vai ficar tudo pra melhor”, diz, sorrindo.

E, logo depois, entristece o semblante e afirma: “Ainda não estou bem”.

terça-feira, outubro 25, 2005

Frente por um Brasil sem Pacifistas


O pacifista, como o vegetariano, o religioso e o vendedor da Herbalife, é acima de tudo um chato. Não há gente mais chata do que alguém que ama a paz, alguém que quer um mundo melhor, sem guerras, sem assaltos e sem bombas caseiras nos estádios. Mas eis as novas, pessoal da paz: não há paz. A paz é a utopia essencial do mundo, e por ela não vale a pena lutar. A paz, essa paz que vocês almejam – mas não perseguem -, é apenas um John Lennon, nu numa cama, tocando uma balada boba qualquer sobre uma chance a ela, a Paz. A paz que vocês almejam – mas não perseguem – é a mais fácil e efêmera de todas, é aquela paz do calçadão carioca, é aquela paz trazida por uma camiseta branca na manhã de domingo. Essa paz, a paz dos sinaizinhos manuais e das faixas penduradas nas sacadas dos apartamentos – protegidos por seguranças armados – é sem valor. A paz dos anti-guerra, a paz dos anti-globalização, a paz dos anti-armas, a paz dos anti-EUA é boba. Boba como um John Lennon, tola como qualquer um que se defina anti-qualquer-coisa. Repilo, repilo veementemente a companhia de ativistas anti-alguma-coisa.

O NÃO venceu. Confesso ter ficado preocupado com o resultado desse referendo. Votei NÃO, mas a vitória do NÃO não deve ser boa coisa, dada a capacidade brasileira de se votar errado. Mas torço, torço para que a violência acabe, para que ninguém mais cheire cocaína, para que a camada de ozônio se recupere, para que Bush assine o Protocolo de Kyoto, para que a China pare de executar cidadãos, para que o gado brasileiro fique curado, para que as galinhas malaias fiquem boas. Torço pra tudo isso. E se um dia decidir agir de alguma forma, vou cobrar o que me tomam à força, e pelo que não recebo nada em troca. Segurança. Segurança pública. Segurança coletiva.

Pacifistas não deviam ficar no país. Têm muito mais trabalho lá fora, onde as tensões são culturais, raciais, étnicas – não há poder público que dê jeito. No Sudão ocorre, nesse momento, um genocídio comparável ao de Ruanda em 1994. Por que os pacifistas brasileiros não vão para lá, fazer a diferença? O Brasil não precisa de paz, precisa de vergonha na cara, de cumprimento de leis. O Brasil não precisa de artistas globais jogando confete nas ruas, precisa ver gente ruim entrar – e ficar – na cadeia. Precisa reverter o quadro das ONGs, onde pouquíssimas existem para fiscalizar e monitorar o comportamento dos políticos e outras centenas ficam no blá-blá-blá da Paz.

Paz não existe. Nem na Islândia, nem da França, nem da Dinamarca. Se eles estão muito melhor, não é por causa de paz, de passeatas nem de campanhas anti-violência. É porque eles cumprem as leis. Diriam os nobres brasileiros, encabulados, então: aí complicou.

segunda-feira, outubro 24, 2005

Cenas de um feriado




Bob Esponja, cachaceiro feito uma esponja, em flagrante embriaguês no feriadão manauara!

Do ótimo Conversa Cruzada.


terça-feira, outubro 18, 2005

Só porque é ele


Sou um democrata. Ribamar, meu ídolo, é do SIM. Ok, ninguém é perfeito (ele é até petista). Mas como sou - ou quero ser - essa metamorfose ambulante, estou disposto a virar a casaca do NÃO para o SIM assim que ouvir o primeiro argumento que valha. Não foi esse, mas vale dar uma conferida. Ei-lo.


SE EU COZINHO, É MEU?
José Ribamar Bessa Freire

16/10/2005 - Diário do Amazonas

O bairro de Aparecida está numa sinuca de bico . Seus moradores, confusos e angustiados, não sabem como enfrentar o referendo popular . Se responderem ‘ não ', contrariam direitos individuais . Se disserem ‘ sim ', abdicam de princípios sagrados e, dessa forma , acabam dando aquilo que o Nêgo Valdir deu: a própria honra . Muitos preferem fugir pela tangente , dizendo: ‘ talvez ', ‘depende', ‘sei lá '. Mas essas alternativas não existem no referendo . Não há meio termo. É ‘ preto ' ou é ‘ branco '. Não tem ‘ cinza '. De todo jeito , a gente se ferra . Com o ‘ sim ', é créu. Com o ‘ não ', é crau. A diferença é apenas de uma mísera vogal?

Manaus viveu drama similar no referendo do peixe que aconteceu há 50 anos . Na época , desnorteado, busquei orientação com tia Eulália. Ela era freira , da Congregação das Adoradoras do Preciosissimo Sangue . Uma santa . Estava mais perto do céu do que eu , pecador empedernido . Quem sabe, a titia podia me iluminar sobre os enigmas do mundo e da vida ? Era domingo , dia de visita ao convento , ali na av. Constantino Nery, bem em frente à igreja de São Geraldo. Cheguei, pedi a benção – benstia – e, à queima roupa , fui logo fazendo a pergunta do referendo do peixe que atormentava, então , os amazonenses .

- Titia , se eu pesco um peixe , se eu cozinho, é meu ?

Minha mãe ralhou: “ Deixa de ser abestado, menino ”. Mas tia Eulália me levou a sério . Não respondeu de chofre . Primeiro , me abençoou: - “ Deus te faça feliz ”. Naquela época , sobrinho pedia benção, tia abençoava e a gente falava “de chofre ”. Hoje , é a maior esculhambação . Minha sobrinha Ana Paula, por exemplo , não me concede sequer a graça do título de ‘ tio ', me trata simplesmente de ‘Beibe', sem qualquer cerimônia . Nunca , nunquinha, me pediu a benção. Essa é mágoa que guardo no fundo do meu coração . Sei que é uma questão familiar , mas preciso compartilhar esse sofrimento com os leitores .



Digo não ao não

Mas onde é mesmo que eu estava? Ah, na titia . Depois de me abençoar , ela coçou a cabeça . Não , pera lá ! Minto! A cena , com certeza , exige uma coçada reflexiva . No entanto , as freiras usavam uma espécie de capacete de plástico , coberto por véu branco , que não deixava coçar a cabeça . Se fosse homem , titia coçaria outra coisa . Acabou mesmo coçando o queixo , enquanto repetia baixinho, quase rezando: “Se eu pesco um peixe , se eu cozinho, é meu ?” Aí , como se descobrisse a pólvora , sentenciou: -“É seu , meu sobrinho . É seu ”. Fez uma pausa e confirmou inapelável : - “ Sim , meu sobrinho , é seu . Indubitavelmente, é seu ”.

Meio século depois , Tia Eulália – a inocente - está morta , mas sua lição orienta o rumo que devo tomar nesse plebiscito nacional sobre o desarmamento , cuja pergunta também é capciosa : "O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?”. Há uma evidente manipulação da linguagem , como no referendo do peixe . Quem responder ‘ sim ', está querendo dizer “ não quero que vendam armas ”. Quem marcar ‘ não ', diz o contrário : “ sim , eu quero que a venda seja permitida”. Está tudo de revestrés. O ‘ não ', que é negativo , libera. Já o ‘ sim ', que tem conotação positiva , proíbe. Eraste! Eu , einh!

Como se isso não bastasse, os partidários de um lado e de outro usam o horário da propaganda política obrigatória na rádio e na televisão para confundir ainda mais . Não discutem princípios , nem esclarecem dúvidas , querem apenas vender ‘o não ' ou o ‘ sim ', usando uma linguagem marqueteira abjeta , como se estivessem anunciando sabão em pó , margarina , telefone celular ou um deputado qualquer do PFL (viche! viche!). Não pretendem nos fazer pensar e refletir , querem apenas nos obrigar a aderir .

A turma do ‘ não ', em vez de provar porque é bom vender arma e munição adoidado , faz terrorismo , jurando que se o ‘ sim ' ganhar , o povão vai se ferrar , o mercado negro de armas vai crescer , o Estado ficará sem o controle sobre revólveres e pistolas , os bandidos vão invadir nossas casas , as empresas de segurança privada vão faturar , enfim , fazendeiros , grandes empresários , lideres políticos , juizes e advogados famosos continuarão a se armar legalmente , enquanto a plebe ficará desarmada. Como se a plebe , hoje , estivesse armada .

Esse é o argumento da revista VEJA, que apresentou sete razões – sete é conta de mentiroso – para provar que é bom vender armas e munições e que , portanto , os leitores devem votar ‘ não '. Quase todas as razões são terroristas , tentam nos amedrontar e desestabilizar , jurando que os bandidos vão se sentir mais seguros para assaltar e invadir as casas , já que sabem que seus proprietários estão desarmados. A revista invoca ainda , cinicamente, o princípio da liberdade : por que impedir o cidadão , que paga impostos , de comprar uma arma e de exercer com ela o direito de legítima defesa ? Depois da novela ‘O direito de nascer ', VEJA roteiriza ‘O direito de matar '.



Digo sim ao sim

O meu amigo Rubem Rola , que mora na Bandeira Branca , discorda da VEJA. Ele e sua mãe Marina votam ‘ sim ' nos dois referendos – o do peixe e o do desarmamento . São pequenos empresários , donos da Rolamar Produtos Alimentícios Ltda.- que fabrica broas . Sua empresa familiar não será prejudicada pelo resultado da consulta popular . Estão conscientes de que os únicos que vão lucrar com o ‘ não ' são os fabricantes e comerciantes de armas . Para eles , a questão é saber se queremos mudar ou se queremos que a situação fique como está. Quem vota ‘ não ', quer que fique como está. Quem vota ‘ sim ‘ quer mudar .

Rubem e Marina são produtores de broas e não de armas. Querem mudança , e por isso votam ‘ sim '. Não desejam ficar do mesmo lado do pistoleiro Bolsonaro e do porquinho Fleury. Raciocinam da seguinte forma : hoje é permitido vender armas e a situação está – com o perdão da palavra – uma merda. Portanto , precisamos mudar . O ‘ sim ' significa mudança , não necessariamente para melhor , é certo . Por isso , depois de proibir a comercialização , devemos pressionar o governo para melhorar a segurança pública . De qualquer forma , o que não pode é ficar como está.

Todos nós sabemos que não haverá diminuição da violência no Brasil, enquanto houver desemprego, miséria , ignorância , fome , doença e corrupção . Votamos no ‘ sim ', sem esperar milagres , mas acreditando que a sociedade com a qual sonhamos não pode ser construída com cada um organizando individualmente sua defesa pessoal . Essa não é a sociedade que quero para meus filhos e netos: um aglomerado de pistoleiros onde cada um é responsável por sua segurança , no lugar de uma comunidade de cidadãos, cuja segurança é responsabilidade do Estado. É preciso ter coragem para não tirar o fiofó da reta e dizer ‘ sim ', como fizeram tia Eulália, Rubem Rola e Marina . Com o ‘sim', sinalizamos a sociedade que queremos, onde a segurança n&atild! e;o é um problema individual e privado, mas é uma questão de política pública.

Quanto ao referendo do peixe , não há nada a temer , leitor (a). Responde “ sim ”, corajosamente , porque o peixe é de quem o pescou e o cozinhou. Se eu cozinho, é meu , indubitavelmente. Não podemos negar isso , só por causa de um joguinho de palavras . Se tens medo de ficar como o Nego Valdir, exige a tradução da pergunta ao inglês : “If I fish a fish, if I cook it, is it mine?”. Ai, podes responder “yes”, sem comprometer tua honra . Afinal , se o Berinho, secretário de Cultura , colocou avisos em inglês para orientar os cavalos das charretes da praça São Sebastião, por que não podemos traduzir aos humanos a pergunta de um referendo ?

P.S. - Por falar em inglês , recebi a seguinte notícia , que é uma forte razão adicional para votar no ‘ sim ': “On October the 11th at 12:35 a.m. was born the princess Maria Rafaela do Espirito Santo Fontoura Nogueira , weighing 3,359 kg and measuring 51 cm. Her Highness and Her Majesty are very well. (assinado) The King”. Agradeço ainda ao José Amaro Júnior e à Ana Paula, pela sugestão do tema da crônica de hoje .

segunda-feira, outubro 17, 2005

Notas de segunda-feira


Bardot, nossa dogo argentino, vulgarmente conhecida como Fezes, precisa de novo nome. Depois de se soltar misteriosamente e destruir parte do jardim novinho da Mansão Benigna, chamar-se-ia Katrina. Agora, depois de desfazer novamente o engate de sua correia, se lambuzar inteira em terra preta e amanhecer alva feito camiseta de comercial de sabão em pó, precisa de nova alcunha. Já pensei em McGyver, Carrie, a Estranha e Mãe Diná. Mas o concurso “Dê um nome para nosso ET” está lançado.

Genial como só ele sabe ser, o Brasil agora divide sua nação de ignorantes indefesos nos eixos do Bem e do Mal. Quem vai votar NÃO é amante de armas, quem vai votar SIM é pela vida. E segue a ladainha de que a democracia brasileira está sólida e de que o povo aprendeu a votar.

O Jornal Hoje acaba de noticiar que um garoto matou um colega, dentro de sala, acidentalmente, quando mostrava duas armas aos colegas. Sabe-se que as armas foram adquiridas há dois anos, por duzentos reais cada uma. A Globo só não investigou, ou não quis contar, qual foi a loja legalizada que vendeu as armas ao rapaz.

Delúbio Soares acaba de dizer, em entrevista, que “as denúncias de corrupção vão virar piada de salão”. Depois ainda tem gente que acusa o cara de nunca falar a verdade...

Os blogs “do Josias de Souza” e “do Fernando” encabeçam as manchetes do UOL. E ainda tem gente torcendo o nariz e fazendo “hummmm” pra quem mantém blogs na Internet...

A pior coisa de estar em casa, sem tevê a cabo, é ouvir aquela voz legal comentando o filme da Sessão da Tarde: “Agora essa turminha vai viver altas aventuras e loucas armações!”

Alguém tem, de cabeça, o nome do remédio pra depressão pós-parto? Falo do meu.

Brainstorming: Não há nada mais anti-romântico do que, no motel, escolher os discos românticos que se quer que ela ouça. Aliás, há sim, algo mais anti-romântico: vinho Peter-brum do frigobar ou Mioranzas e Galiottos comprados na lojinha de conveniência próxima ao motel.

Não estranhe, estou ouvindo um discaço chamado Sexy Vibes.

Brainstorming 2: a música é sempre espontânea nos filmes. Cenas de amor, mesmo numa cabana dos Alpes, sempre têm à disposição um Chet Baker ou um Damien Rice por perto. Já que você não tem, finja que aquele Eagle Eye-Cherry ou aquela Billie Holiday tocando assim que ela entra no carro estavam tocando ao léu, despretensiosamente. Isso é metade da conquista, meu caro. A outra metade é saber dançar.

É, ainda estou ouvindo Sexy Vibes, sozinho.

Cadê você, Meu Amor, que não chega?...

sexta-feira, outubro 14, 2005

Tipo assim... não entendi... explica de novo?


Fumo torna pensamento lento e diminui QI, diz estudo

O consumo contínuo de tabaco torna o pensamento mais lento e reduz o QI (Quociente de Inteligência), segundo um estudo publicado nesta quarta-feira pela Universidade de Michigan.

"Os resultados levarão aqueles que pesquisam o alcoolismo a reavaliar as informações que possuem sobre o impacto do tabagismo. Este fator geralmente não é levado em consideração nos estudos sobre os efeitos do alcoolismo no cérebro", disse a responsável pelo estudo, Jennifer Glass.

"Entre 50% e 80% dos alcoólatras também fumam", acrescentou a pesquisadora do Departamento de Psiquiatria da Universidade de Michigan.

Os resultados da pesquisa contradizem a crença de que um cigarro ajuda os fumantes na concentração, especialmente em momentos de muito trabalho ou estresse.

Os pesquisadores analisaram a relação entre o consumo contínuo de tabaco e a redução na capacidade mental de 172 homens alcoólatras e não-alcoólatras.

A equipe de cientistas confirmou a conclusão de estudos anteriores que relacionavam o alcoolismo a problemas na rapidez e na clareza da função cognitiva e a uma redução do QI. No entanto, o trabalho revelou ainda que o consumo contínuo de tabaco tem um efeito similar.

"As conseqüências na memória, na capacidade de solução de problemas e no coeficiente intelectual foram maiores entre as pessoas que fumaram durante anos", acrescentou.

quinta-feira, outubro 06, 2005

Tudo na mais perfeita ordem


Brasil é o nono país mais feliz
05 de Outubro de 2005


Pesquisa do instituto britânico GfK NOP mostra que a população brasileira é a nona mais feliz do mundo. Os pesquisadores entrevistaram 30.000 moradores de 30 diferentes países dos cinco continentes, entre dezembro de 2004 e fevereiro deste ano.

De acordo com o levantamento, a população mais feliz do planeta é a da Austrália. Em segundo lugar, ficou a dos Estados Unidos, seguida por Egito, Índia, Reino Unido e Canadá.

Assolado por escândalos e denúncias de corrupção, o Brasil teve índices surpreendentes. Segundo a pesquisa, 53% dos entrevistados no país se consideram "satisfeitos" com a vida que levam e 29%, muito felizes. Os desapontados somam 14%.

Entre os brasileiros, a saúde foi considerada o principal fator para uma vida feliz por 75% dos pesquisados. Ter uma casa própria é sinônimo de felicidade para 63% dos brasileiros. Em terceiro lugar, está a estabilidade financeira.

Os dez países mais felizes do mundo:

1) Austrália (46% da população se disse muito feliz)
2) EUA (40%)
3) Egito (36%)
4) Índia (34%)
5) Reino Unido (32%)
6) Canadá (32%)
7) México (31%)
8) Suécia (30%)
9) Brasil (29%)
10) Arábia Saudita (28%)

Fonte: Veja on-line

segunda-feira, outubro 03, 2005

Veja a Veja



É por edições como a 1925 de Veja que eu sou assinante dessa revista. Há quem imagine que grandes jornais e revistas que se posicionam sobre assuntos espinhosos como o referendo do dia 23 sejam lobistas a serviço de interesses de clientes, leitores ou anunciantes. Pura bobagem. Assim como os grandes jornais americanos e europeus se posicionam durante eleições, Veja usou sua credibilidade para defender essa credibilidade, argumentando claramente por que é contra a proibição da venda de armas no Brasil. Expõe - e derruba argumentos bobos dos pacifistas de Ipanema -, em 7 tópicos, as razões para que o brasileiro mantenha seu direito de possuir armas.

Eu sou contra a proibição. Sempre fui. Para mim as passeatas em favor da paz, as camisetas brancas com o dizer "BASTA!" e o sinalzinho da pomba da paz, feito com as mãos pelos artistas e pensadores pelas ruas do Rio sempre foram em grande embuste, uma tentativa simpaticazinha e inócua de se resolver o problema da criminalidade brasileira. Somos craques em tapar o sol com a peneira, somos contra guerra, o racismo, a violência, o bairrismo, a separação entre Igreja e Estado, a fome mundial, a poluição da atmosfera e as armas. Somos bonzinhos. Queremos a paz.

Quem não quer essa deliciosa utopia, a Paz?

Não tenho arma - na verdade sou averso a elas - e não pretendo ter uma. Me sinto mal na proximidade de uma, tenho medo mesmo. É o tipo de artefato que me traz nervosismo. Mas eu sei por quê. É porque não conheço a índole e a personalidade de quem anda armado perto de mim. Já me apontaram uma arma numa discussão de trânsito, uma situação que não recomendo a ninguém. Um homem completamente embriagado podia ter me matado. Não o fez. Até hoje penso no que poderia ter acontecido, se aquele senhor, e não sua arma, tivesse decidido dar fim à minha vida. O estatuto do desarmamento, lei (ó bela e desprezada palavra..) em vigor há dois anos, proíbe o porte de armas no Brasil. Você sabia disso? Mesmo quem tem o porte só pode usá-la dentro de casa, pra defender (ou tentar defender, quase sempre inutilmente) sua família. Se aquele homem que quase me matou dirigia embriagado e armado, isso nada tem a ver com a liberação da venda de armas. Tem a ver com a polícia, que permite que se dirija embriagado e armado pelas ruas. Já há lei contra a embriaguês no trânsito, e já há lei contra o porte ilegal de armas. Ponto final, assunto encerrado, é isso. Não precisamos dessa lei, burra e baseada na idéia de "solução fácil", a preferida no país. Precisamos cumprir as leis vigentes, precisamos de polícia, de justiça. Só.

Se um dia eu quiser ter uma arma, vou procurar os órgãos oficiais para registrá-la, fazer um curso de manuseio daquilo e procurar fazer exames de sanidade mental. Não porque eu tenha bom senso, mas simplesmente porque - e me desculpe as maiúsculas - A LEI VIGENTE ME OBRIGA A ISSO. Se essa lei não é cumprida e vigiada, esse é o problma desse país, que não respeita a Consituição mas acredita no futuro da nação. Se o trânsito brasileiro, que mata milhares todos os anos, tivesse suas regras cumpridas e os maus motoristas fossem punidos, tudo estaria diferente. Ou estamos caminhando para um referendo popular que consulte a população sobre a proibição da venda de carros no país?

Quem são os responsáveis por tantas mortes? Os carros ou os motoristas? As armas ou seus portadores?

Recomendo a leitura da matéria a todos, e a leitura de tudo o que houver disponível a respeito, inclusive as informações e slogans gritados pelos atores, cantores e artistas famosos engajados na proibição da venda de armas e munição no Brasil. E que mais jornais e revistas tomem sua posição sobre o assunto, que é importante, porque não fala de criminalidade, banditismo, violência ou mortes de inocentes, mas de Liberdade, pura e simples.


Como se não bastasse a inteligência e sobriedade com que a revista brinda seus leitores na reportagem de capa, ainda ganho de brinde uma matéria chamando a novela América de "pródiga em personagens idiotizantes" e outra, sobre outro mito nacional, a filha de Elis Regina, também chamada de Maria Rita, sobre quem ninguém se atreve a falar mal. Veja denuncia, como fez no caso Sivirino, o "Mensalinho da filha de Elis", um esquema de jabás e presentinhos dados aos críticos da imprensa, diz que o disco novo da moça é ruim e desmistifica esse monstro sagrado (com vasta carreira de um disco só) da música brasileira. Veja falou e disse. De novo.

quinta-feira, setembro 29, 2005

Severinos, Delúbios e Dirceus americanos


Diz-me que não é irônico – e doloroso para as Bushetes e entusiastas da “única sociente decente” do planeta – que Tom DeLay, uma espécie de Severino Cavalcanti do presidente americano, líder republicano no congresso, tenha sido forçado a abandonar o cargo mais importante do congresso por causa de seu indiciamento em crimes, pasme, eleitorais.

Tom DeLay, texano da gema como seu tutor, foi indiciado por usar o dinheiro de empresas nas campanhas eleitorais do partido republicano em 2002. Há indícios de que a campanha de Bush à presidência tenha recebido dinheiro ilegal, os delubianos “recursos não contabilizados”. A legislação do Texas permite que apenas pessoas físicas repassem dinheiro às campanhas. Para o promotor responsável pelo caso, Ronnie Earle, DeLay fez uma manobra ilegal para driblar a proibição e receber 150.000 dólares de seis empresas americanas para a campanha.

DeLay – acredite se quiser – defendeu-se acusando o promotor de perseguição política, e como bem fazem os perseguidos políticos desta Pindorama iletrada e monoglota, saiu pelos fundos. Inocentíssimo, renunciou. Bush não quis dar declarações sobre o episódio. Isso lembra algum outro presidente incompetente, por acaso?

Muita gente por aqui vai argumentar com a displicência cínica de sempre. Algo como “tudo bem, eles fazem como nós, fétidos brasileiros, mas por lá pelo menos eles falam inglês fluentemente”. Repelir peremptoriamente e de forma cabal, é verdade, deve soar melhor em inglês.

quarta-feira, setembro 28, 2005

Habemus Patifum!




O líder da oposição na eleição para presidente da Câmara dos Deputados, José Tomás Nonô, enfim, José Tomou Nonô-Cucu.

Com o perdão dos carolas...


segunda-feira, setembro 26, 2005

Notas de segunda-feira


Procuro sócio. O lugar está definido, a decoração já está pronta (na cabeça) e a clientela está esperando. O investimento? Algo como 5 mil reais. Dou a garantia de que se tornarão 50.

Uma manifestação pelas ruas de Washington durante o fim de semana foi marcada pelas faixas que pediam a deposição de Bush, por conta das mentiras sobre a invasão do Iraque e seus milhares de mortos. Os protestos tinham como escala a Casa Branca, mas Bush estava viajando. Como o presidente americano ora está em seu rancho, de férias, ora está discursando em bases militares, é difícil encontrar o mané trabalhando. Como diria Tutty Vasques, isso a oposição brasileira não vê!

Alguém pode me explicar de onde vem a proximidade do bar da novela América com os artistas da MPB que por lá se apresentam? Das duas uma: ou é tática cara-de-pau da autora para ajudar a audiência ou o dono do bar tem ligações com o crime organizado carioca.

Ronaldo Tiradentes, no programa CBN Manaus, acaba de dizer que a passagem de ônibus na cidade Manaus “retornou ao seu status quo anterior, R$ 1,50”. Pelamordedeus...

Segundo o Correio Amazonino, digo, Amazonense, dois galos de briga estão presos em Benjamin Constant. Ronaldo Tiradentes dedicou algo como 40 minutos do mesmo programa ao assunto.

Sivirino (ele pronuncia o próprio nome assim) Cavalcanti renunciou ao mandato semana passada. O discurso geral da camarilha que freqüenta a Câmara é de ocupar a vaga com um nome que vá devolver o respeito do país pelo poder legislativo federal. Eu acho extremamente difícil que Jesus Cristo aceite o convite.

A “máfia do apito”, denunciada esta semana pela revista Veja, manipulou o resultado de alguns jogos do Campeonato Brasileiro e do Paulistão. Alguns desses jogos foram roubados a favor do Vasco da Gama. Coincidências do futebol. E não é que a torcida dos estádios tinha razão esses séculos todos?!

Absolutamente ninguém em Manaus usa as setas no trânsito. Absolutamente ninguém estaciona corretamente, absolutamente ninguém respeita sua faixa. O trânsito de Manaus é, absolutamente, a coisa mais bizarra e desalentadora que eu conheço. Uma pequena amostra dos porquês dessa gente brasileira nunca caminhar pra frente.

Uma dançarina brasileira morreu, provavelmente de overdose, na casa de um famoso ator italiano. Devia estar por lá batalhando uma vida melhor para os pais, para os filhos, para si. Naturalmente deve ter sido obrigada a se prostituir e a se drogar na Europa.

Descobri que o Jorge Nobre, O Estudante de Inglês, criou um blog exclusivo para falar de seus inimigos, entre eles eu. Escreveu um tratado, uma tese, uma monografia sobre o tema. Se dedicasse seu infindo tempo livre para outras coisas - estudar inglês, por exemplo -, estaria melhor. Assim só ficou mais patético.

Os dizeres “Acelera, papai!” que acompanhavam as impressões digitais da filha de Antônio Pizzonia no capacete do piloto foram usados apenas no GP Brasil de Fórmula 1. O piloto não quer admitir, mas a filha não deu muita sorte ao pai.

Por falar em “Acelera, papai!”, depois de “Pedala, Robinho!” e “Samba, Tevez!”, a frase do momento é “Cai fora, Severino!”.

terça-feira, setembro 20, 2005

O Malfazejo recomenda



Dia desses, novamente por acaso, assisti a essa maravilha de filme. Bruce Brown, que trinta anos atrás produziu Endless Summer, aqui dá novamente o que nós queremos ver, ainda que o surf em si, a surf music e os filmes de surf sejam totalmente diferentes dos daquela época. Com um orçamento visivelmente maior, Brown dedica essa seqüência a espetaculares imagens das mais belas ondas do mundo, domadas – ou não – por Robert “Wingnut” Weaver e Patrick O’Connell, ou simplesmente Pat e Wingnut. Com participações especialíssimas de gente como Derek Ho, Jack Johnson (hoje surfista aposentado e maior sucesso da atual surf music) e Kelly Slater, o filme segue a trilha dos dois em busca da onda perfeita. Durante este longo caminho, é difícil driblar, para quem assite, a sensação de “É essa!”. O humor perfeitamente dosado, a edição enxuta e leve, a trilha sonora e, claro, as imagens feitas nas mais deslumbrantes e exóticas praias, ilhas e ondas do planeta deixam os sentidos agradecidos. Marca muito, dá uma enorme sensação de inveja assistir aqueles caras se esbarrando em praias como Cloud Break ou nas Ilhas Fiji, rodando o mundo com suas pranchas, surfando o dia inteiro e, pasme, ganhando muito, mas muito bem pra isso. Talvez Bruce Brown ainda cometa uma seqüência de Endless Summer II. Só espero que não precisemos esperar mais trinta anos por isso. E que continue a busca pela onda perfeita. Pra nós, que aqui os assistimos maravilhados na poltrona da sala, a busca, graças a Deus, nunca terminará. Até lá, a onda perfeita, ainda teremos essas pérolas nos mostrando as imperfeitas. Que bom.

quinta-feira, setembro 08, 2005

O Velho do Farol




Marcus Pessoa, num post que eu gostaria de ter escrito.


Reféns? De bandidos presos?!


Nestes tempos em que os noticiários nacionais nos embrulham o estômago com os indiciamentos inócuos de políticos corruptos, poderíamos sacar dos bolsos o clichê da centenária injustiça social brasileira, lei segundo a qual a cadeia traz na essência a punição para os pobres. Pois nem isso sobrou. Lendo matéria da última sexta-feira, dia 2, no jornal Correio Amazonense, pude ver morrer a idéia que eu tinha da vida detrás das grades para os mortais, traficantes e homicidas de pequeno porte. É impressionante – e desesperador – saber como pensam e como agem todos os atores desse circo de horrores chamado Sistema Prisional Amazonense. Enquanto os bandidos, condenados e presos, ameaçam de morte a direção da Unidade Prisional do Puraquequara e anunciam novos motins e rebeliões. O clima dentro das prisões é de medo e de surpresa. O Secretário Adjunto da Secretaria de Justiça do Estado, Ricardo Trindade, se confessa alarmado com o fato de 10 presos da galeria 11 do presídio terem comandado a última rebelião. “Estou surpreso pois a galeria era a mais tranqüila do presídio!”, explicou Ricardo.

Como tanta coisa que vira folclore por aqui, parecemos estar fadados, mais uma vez, a mitificar o que é, em tese, simples de resolver. O grupo de desordeiros, cerca de 10 presos, já tem apelido, aos moldes do Rat Pack de Sinatra, Martin e Davis Jr – que me perdoariam pela comparação grotesca, com certeza. Pois bem, o nosso Ocean’s Eleven é “Os Folgados”. Sim, Os Folgados são os responsáveis pelo clima de insegurança que vive o sistema prisional amazonense. Formado, anote aí, por Bid, Hulk, Primo, Cepacol, Jorginho e por outros nomes já clássicos no vocabulário criminal local, o grupo faz ameaças claras, a serem cumpridas caso suas exigências não sejam satisfeitas. Ricardo Trindade, dando mais uma prova da seriedade e da competência com que exerce seu cargo, atribui o clima de perigo às insatisfações geradas pelo curto banho de sol a que os presos têm direito, à apreensão esporádica de telefones infiltrados nas partes íntimas das esposas dos presos e ao pouco tempo de televisão.

Então vejamos se entendi: a direção dos presídios amazonenses atribui à perda de regalias inconstitucionais o clima de insegurança que impera nas prisões?

O que está faltando para que Os Folgados sejam isolados e mais intensivamente monitorados pela segurança? O que está faltando para que aparelhos celulares sejam apreendidos dentro das esposas dos bandidos, uma vez que a revista íntima já é prática corrente em outras regiões do Brasil? O que falta para que líderes de rebeliões e assassinatos sejam punidos? O que falta para impedir que presos cerrem as grades das celas e fujam? O que falta para punir agentes que facilitam as fugas, sistemáticas e corriqueiras? Será que, além de conviver com a impunidade dos ladrões das assembléias e câmaras municipais, precisaremos conviver com a impunidade de gente que protagoniza os crimes mais famosos do estado, como o assalto ao Banco do Brasil de Maués?

É perturbador saber que bandidos, encarcerados e cerceados na sua liberdade de cometer seus crimes, sejam tão poderosos, ditando as regras dos presídios e ameaçando a ordem interna dos mesmos no caso do descumprimento destas regras. É perturbador imaginar o dia em que os presos darão prazos para que a diretoria dos presídios os ponha em liberdade, sob pena de promoverem chacinas internas.

Enfim, é perturbador ver como são geridos esses lugares. E saber que essa gestão está a cargo de bandidos, que assaltam, roubam, seqüestram e matam inocentes todos os dias. E saber que, além de precisarmos nos engradar dentro de casa quando estes homens estão soltos, precisamos também torcer para que sejam pouco exigentes dentro da prisão.

quarta-feira, setembro 07, 2005

Sete de Setembro


Me ensinaram a cantar, de mão no peito, à frente da bandeira,
que um dia um povo heróico deu um grito à beira de um rio.
A liberdade teria brilhado bem no instante deste berro.
Me disseram que a gente conseguiu essa liberdade à força,
E que até morrendo eu deveria defende-la.
Então eu gritei, por anos, debaixo desse céu risonho e límpido,
Aquele “Salve! Salve!” no pátio da escola.
Cantei que somos gigantes, belos, fortes, impávidos colossos,
E que o meu futuro espelharia essa grandeza.

Disseram que meu país estaria pra sempre deitado
Num berço esplêndido, pois esplêndido este berço é.
Do som do mar nunca vieram ondas assassinas,
Nem do céu profundo vieram Katrinas,
O Sol do Novo Mundo sempre nos iluminou.
Nossos lindos campos sempre tiveram mais flores,
Nossos bosques sempre tiveram mais vida,
Nossa vida sempre teve mais amores.

E cantei, cantei mais,
O “Salve! Salve!” no pátio da escola.
Mas enquanto eu cantava,
Roubavam minhas flores e
invadiam meus bosques.

As estrelas e o verde dessa bandeira
Diziam “Paz no futuro e glória no passado”.
Esse hino dizia que eu não fugiria à luta,
Caso a justiça precisasse ser defendida.
Mas a justiça não mereceu a minha morte,
Essa justiça ainda não mereceu a minha morte.

Neste 7 de Setembro, dia de praia, cerveja e tevê,
Quero dizer, mais uma vez, como no pátio da escola,
Que das outras mil, o Brasil ainda é minha terra amada,
A minha terra adorada e idolatrada.

E que esses filhos da pátria, bastardos aprumados,
Crianças problemáticas e adolescentes rebeldes,
Vermelhos, azuis, canhotos ou destros,
Nunca me representaram.
Que essa gente feia, analfabeta, rococó e falastrona,
Nunca me representou.
Porque não cantei aquele hino, durante anos,
Pra acabar feito uma carcaça agonizante,
Disputada a tapas e pontapés por abutres e hienas,
gente torpe, baixa, desclassificada, letrada ou iletrada.

Nego, peremptoriamente, ser representado por Lula ou FHC, Severino ou ACMinho,
Porque minha pátria amada, idolatrada,
Não suporta mais. Nem o flosô da filosofia nem a esculhambação do improviso.
Nem a futilidade da loja cara, nem a futilidade do discurso revolucionário,
Nem o cinismo dos ora acusados, defendendo-se com a história,
Nem a hipocrisia dos acusadores, defendendo-se no discurso alheio.

Porque sou eu o filho deste solo, desta mãe gentil,
Que ainda teimo em chamar se Senhora. Essa terra chamada Brasil.


sábado, setembro 03, 2005

Meu momento Vida Bizarra


A semana que acabou, levando agosto consigo, foi surreal, pra amenizar bastante a parada. E uma semana dessas precisava terminar de maneira mais leve, até divertida. Mas o que aconteceu ontem não foi engraçado, e assim que eu lhe contar, por favor imagine-se no meu lugar. Bem, como todos os dias dessas férias não negociadas, eu caminhava com Fezes pelas ruas do bairro, à espera de que ela fizesse na rua o que tão bem faz em casa. Como todos os dias, Fezes se guardou e me fez andar muito, à toa. Então tudo aconteceu. Três garotas de uniforme escolar (sim, camaradas, garotas de uniforme), aparentando não ter mais de 13 anos, cada uma encorajada pela companhia das outras, começaram a dizer grosserias e a me cantar. No auge do mau gosto, uma delas chegou a dizer “Ei, olha pra cá, gatinho! Põe essa coleira em mim!”, enquanto as outras duas riam. Um horror. Propostas sobre a coleira, sobre a corrente, sobre minha bermuda e até sobre a beleza de Fezes me levaram ao fundo do poço dos humilhados. Como as pobres moças que passam em frente às construções. Foi assim que me senti. E Fezes, mais preocupada com todos os cheiros do chão, não fazia idéia do meu constrangimento.

Isso não vai ficar assim. Elas não sabiam que eu sou filho da diretora da escola, a escola na qual elas estudam. Já estou mexendo os pauzinhos para que a primeira medida da minha mãe, já na segunda-feira, seja a alteração de todas as notas das delinqüentes. Dois pontos a mais na média pra cada uma. Sem direito a recurso.

Severino, o jegue expiatório




Severino foi brindado com a edição desta semana de Veja.

Já está negando.

Peremptoriamente, claro.


sexta-feira, setembro 02, 2005

George, a restless stupid


Jorge Nobre, O Estudante de Inglês, não se emenda mesmo. Agora aproveita a notícia de que quase 1.000 iraquianos morreram num tumulto provocado pelo medo de um terrorista suicida e traça um histórico muçulmano de suicídios coletivos, falando em desprezo pela vida. Menino desonesto, esse Jorge. Sabe que em qualquer ponto do mundo onde haja imensas aglomerações de gente as possibilidades de uma tragédia são fortíssimas. Sabe que, nesses tempos de ataques terroristas diários em Bagdá – inaugurados com a invasão americana ao país -, o pânico é companheiro constante. Sabe também que já houve, no mundo civilizado, tragédias semelhantes, como a do estádio de Hillsborough, onde 96 fanáticos (!) torcedores do Liverpool morreram na ânsia de assistir seu time do coração jogar.


Civilizados morrendo como árabes, árabes chorando como civilizados


Jorge Nobre, O Estudante de Inglês que ainda escreve “how the mainstream media see the world”, arremata seu indispensável e relevante texto com o título “They will shame Bush”. Concede, mais uma vez, os louros da vitória ao presidente americano, por ter levado a democracia ao Iraque. E defende seu presidente do coração. Mas não tem jeito. Se houve a tragédia, é porque a multidão se assustou com o rumor de que havia um homem-bomba por perto. E desde quando homens-bomba dão expediente naquele país? Hein?

Mas Jorge Nobre, O Estudante de Inglês, não contava com os eventos de Nova Orleans, e está provavelmente aterrorizado com o que as pessoas em pânico são capazes de fazer, sejam elas americanas ou iraquianas. Como bem se pode ver, os diferentes povos voltam aos seus instintos selvagens de sobrevivência por diferentes motivos. Uns morrem pelo time, outros matam por comida e água, outros pela fé, outros porque perderam suas casas e seu carro financiado, outros pelo medo de morrer.

Jorge Nobre, O Estudante de Inglês, é a Marilena Chauí com o sinal invertido. Se ainda há quem defenda cegamente a burrice e a canalhice da Esquerda, há também quem defenda a burrice e a canalhice da Direita. Jorge Nobre, O Estudante de Inglês, não presta. Isso mesmo, simples assim. Mal dá pro gasto de conjugar uns verbinhos simples em inglês.

Lá vem mais pulseirinha


12,7% da população norte-americana vivem abaixo da linha de pobreza. A pesquisa, divulgada ontem à noite pelo Jornal da Globo, botou por terra o predileto e mais usado argumento dos amantes da América, o de que os EUA são uma imensa Manhattan, cosmopolita, chique e moderna. É claro, não sejamos ingênuos, ninguém esperava que um país tão grande tivesse índice zero de pobreza. Mas 12,7%?!

A cidade Nova Orleans, uma espécie de Rio de Janeiro americana, com sua música, sua mistura de gente e seu carnaval, está praticamente morta. Corpos flutuam em frente às casas, milhares de pessoas passam fome e sede, as doenças estão se espalhando e o caos das gangues e dos saques é total. Policiais se trancaram nas delegacias, com medo dos saques, e a governadora do estado os autorizou a atirar pra matar, como forma de restabelecer a ordem. O prefeito da cidade desabafou a uma rádio, reclamando da rapidez com que o governo americano aprovou a liberação de dinheiro para a invasão do Iraque, enquanto as tropas federais não chegam a Nova Orleans para levar socorro às vítimas da burrice. Sim, burrice, porque não foi o Katrina o algoz da cidade, e sim a falta de manutenção dos diques de contenção, construídos para represar o lago que rodeia a cidade. O caos chegou a níveis africanos. A violência saiu do controle e uma explosão sacudiu a área industrial (foto da CNN - não confunda com Bagdá) da cidade agora de manhã. As pessoas estão se matando por comida e água.

As autoridades mostram completo despreparo para lidar com a situação, o povo, no desespero, apela para cenas selvagens, típicas de povos inferiores, e o presidente, bem, o presidente estava novamente de férias, e novamente demorou a fazer alguma coisa. Paciência, americanos. Agüentem, foram vocês que o escolheram. Duas vezes.

terça-feira, agosto 30, 2005

O que sinto hoje


"Olhai para mim, e pasmai; e ponde a mão sobre a boca, porque, quando me lembro disto, me perturbo, e minha carne é sobressaltada de horror. Por que razão vivem os ímpios, envelhecem, e ainda se esforçam em poder? A sua semente se estabelece com eles perante a sua face, e os seus renovos perante os seus olhos. As suas casas têm paz, sem temor; e a vara de Deus não está sobre eles. O seu touro gera, e não falha, pare a sua vaca, e não aborta. Fazem sair as suas crianças, como a um rebanho, e seus filhos andam saltando. Levantam a voz, ao som do tamboril e da harpa, e alegram-se ao som dos órgãos."

Jó, 21:5-12


Segundo a Bíblia, este é o trecho em que "Jó mostra que os ímpios muitas vezes gozam prosperidade nesta vida".

segunda-feira, agosto 29, 2005

Notas de segunda-feira


Pior do que a propaganda de uma construtora da cidade, que lançou um condomínio de apartamentos chamado Carlos Drummond e bolou a pérola “a poesia de Drummond não tem preço, morar no Drummond tem”, é a propaganda de uma marca de frigideiras antiaderentes. Dizendo que nada gruda nas frigideiras, a locução recomenda que se comprem apenas panelas com o selo de garantia da marca. O selo está lá, grudado bem no meio das panelas.

Hugo Chávez declarou no programa “Alô Presidente” que pretende ajudar famílias pobres, fornecendo combustível de calefação com descontos de 30 a 40%. O detalhe é que as comunidades carentes são dos Estados Unidos. Isso mesmo, Hugo Chávez oferece ajuda aos pobres americanos. Lula, Kirshner e Fidel estão irritadíssimos com o colega venezuelano.

Diz o portal IG que Lurdinha vai levar Glauco à falência. Não pelos exatos motivos, mas acabei lembrando do Axioma de Manson.

Em Ferraz de Vasconcelos, grande São Paulo, policias do Denarc (Departamento de Investigações sobre Narcóticos) apreenderam onze quilos de cocaína, além de outros materiais para o preparo da droga, como prensas, balanças e forno de microondas. O detalhe é que a refinaria de pó funcionava dentro de uma clínica de recuperação de drogados. As piadas são desnecessárias...



Os Estados Unidos, via satélite, indo pela latrina.
Digo, Catrina.

...péssima, eu sei.


Sharon Osbourne, esposa de Ozzy, admitiu ter sabotado o show do Iron Maiden no festival Ozzfest. Sharon cortou o som da banda durante o show. Tudo porque Bruce Dickinson andava dizendo que não participaria de um reality show e que sua banda não tocava as mesmas músicas em todos os shows. Boa, Bruce. Boa, Sharon.

Tarso Genro desistiu de sua candidatura nas próximas eleições do PT. Este país já melhoraria um pouco se os justos tivessem a coragem e a persistência dos iníquos.

Todos os jogadores de futebol citados e flagrados em diálogos pra lá de amistosos com traficantes cariocas estão sendo inocentados imediatamente pelos delegados. Palocci anda com inveja de Júlio César e Rrrrronaldo.

Aliás, Robinho arrasou na estréia no Real Madrid? Ótimo!

Estudar C++ ao som da voz de Fran Drescher, a pata rouca de The Nanny, me fez sentir saudade do trabalho. Incrível!

sexta-feira, agosto 26, 2005

Indispensável Português Fluente


“Sabe quê que é, Ismael, nós tamos precisando de um serviço rápido, a nível de terceirização, outsourcing mesmo. Nossa firma se usa dessa política, sabe, e nossos trabalhos são todos focados no nosso core-business, e a nível de budget nós temos limitações para a área de TI. Além disso, costumamos estar definindo nossos targets somente a nível de gerência. Sendo assim, você vai poder estar levando pra casa somente dados fictícios, aonde nosso database poderá ficar seguro. Information Security Policy, you know?”

Estamos próximos do dia em que as normas obrigarão que palavras em português sejam grifadas em itálico. Pensando bem, da forma como o português é falado nowadays, é melhor que caia no esquecimento mesmo. Até porque fica mais bonito um “we will be calling you soon” do que um “estaremos ligando para o sr. brevemente”. Não adianta esquentar. A porcaria é delivery.

quinta-feira, agosto 25, 2005

Enquanto não se vota a CPI da Cema...


E então, no afã de ver a classe política sair da eterna berlinda do país, o presidente da Assembléia Legislativa do Amazonas, Belarmino Lins, conseguiu, após o encerramento da sessão de ontem e numa votação fora de pauta, a aprovação de lei de sua autoria, que vem sendo chamada de “Lei da Carteirada”. Diz a nova lei que a partir de agora os deputados terão espaços reservados em eventos culturais e comemorativos patrocinados pelo poder público. Ou seja, camarotes serão reservados para otoridades estaduais, que não precisarão pagar ingresso nem se misturar com os eleitores. Eron Bezerra, deputado comunista, esposo de Dona Vanessa e chato, muito chato, justifica: “Se o Poder Executivo tem esse direito, por que o Legislativo e o Judiciário não têm?”. E emenda: “No desfile das Escolas de Samba, por exemplo, onde há espaço para os deputados?”.

Que tal aqui, ó, deputado, onde estão as pessoas que os senhores vão bajular daqui a alguns meses?